O vale magico de Hunza!

Atravessado os primeiros kilometros da Karakoran “highway” e as primeiras vilas no Paquistao, eu me sentia tao impressionada e tao tocada pelo lugar que eu não saberia como descrever. Como a maior parte da Karakoran fica em regioes super tranquilas, atravessando regioes isoladas no meio das montanhas, saberia que viajar pelo Paquistao seria um sossego, tirando a dificuldade de transporte e a inseguranca da estrada.

Os vilarejos do Norte do Paquistao são lugares calmos, isolados, com uma cultura muito tipica, comida deliciosa, pessoas acolhedoras e tranquilas, que vivem num dos lugares mais lindos do mundo, no meio de uma natureza mais do que fantastica, sem ter a menor ideia disso. A impressao que da, ‘e que se o pais entrasse num colapso, aqueles lugares continuariam intocados e na santa paz que viviam.

Vale de Hunza!

Karimabad, a principal vila do Vale Hunza, foi uma das que mais gostei. Poderia viver ali tranquilamente por alguns anos. Ficava na encosta de uma montanha, com vista para um vale gigantesco, circundada por diversas montanhas nevadas. Bem perto da nossa pousada, que foi uma das mais simples que ficamos, por sinal o quarto do Joao e do Marco me dava ataques de risos, havia diversas casas ao longo de um canal. Um dia, no fim de tarde, saimos para caminhar pelo lugar e me emocionei varias vezes com o que vi.

De novo aquela sensacao de tunel do tempo, de estar de frente com formas de vida tao diferentes das nossas. Se não tivesse viajado tanto com Gui, por paises tao diferentes e pouco desenvolvidos, não acreditaria se me contassem que tantas pessoas vivem assim ainda. E isso não se da somente pelo isolamento das regioes, mas pelo rumo que algumas sociedades orientais não tomaram como no ocidente, e que as deixam tao intocadas.

Moradores!

As casas eram de barro e madeira. Na parte de baixo ficavam as cabras e as vacas, na parte de cima a casa da familia. O fogao era uma grande furo numa grande pedra, onde la dentro se fazia o pao e se preparava as comidas. Energia eletrica nunca se sabia se viria ou não. As vezes tinha luz, as vezes não, mas boa parte da noite era a luz de velas. Do lado das casas, uma pequena plantacao de verduras. Nas plantacoes um pouco maiores, mulheres camponesas trabalhavam CANTANDO, vou repetir, porque não sei se voces entenderam: CANTANDO. Voces conseguem se imaginar hoje um grupo de trabalhadores trabalhando pesado e cantando? Por debaixo daquelas altas plantacoes de milho, saia um sari colorido e as vozes. Ao longo do canal, pastores passavam com suas ovelhas, mulheres com seus montes de gravetos sobre a cabeca para fazer fogo, assim como baldes, bacias, palhas, tudo sobre a cabeca.

As casas!

A senhorinha me ve, para para me cumprimentar, me da um abraco apertado e segue... emocionante!!!

O sol comeca a se por, e as mesquitas comecam a chamar fervorosamente, desputando umas com as outras quem chamava mais alto. O barulho passa a se tornar homogeneo, como se houvesse um so hino, uma so chamada de fundo, embelezando ainda mais o por do sol. As mulheres correm para suas mesquitas e os homens para as deles, os homens oram em silencio, as mulheres oram em voz alta, aquele som parece como mantras profundos, que ecoam na alma. Já não se ve quase mais o caminho, so a luz das velas iluminando as casas e as mesquitas. ‘E hora de voltar para pousada silenciosa e enfeiticada com a beleza da vida no Vale de Hunza. Inesquecivel!

O senhor voltando para casa com sua cabra...

About these ads

5 comentários em “O vale magico de Hunza!

  1. Ah Bibi querida que beleza e suavidade este Vale de Hunza que Gui levou vcs…que querido por escolher lugares “intocaveis” assim…Filha quase sinto o ar e vejo as montanhas que vc descreve não só pelas fotos, mas pelos detalhes narrados de forma ímpar…Imagino as mulheres trabalhando e cantando, como sabem usufruir da singeleza de suas vidas…Gostei muito deste post filha…bjs de saudades feliz.

  2. Oi Bibi,
    adorei esse post! Me fez ligar toda essa sua reflexão ao momento em que estou vivendo… Depois que tive um parto natural e que entrei de cabeça na maternidade consciente, percebi a necessidade de fazermos um resgate profundo do instinto, primitivo, puro, simples, selvagem até. Isso em todas as faces da nossa vida. Sim, estamos muito distantes dessa sabedoria que o povo de Hunza, e de tantos outros lugares que visitaste, vivem plenamente hj em dia… E faz muita falta, como faz. Mas, essa é a luta que empreendo hj, esse resgate, essa conexão com quem somos, com a sociedade que devemos ser, com o mundo que podemos deixar para os nossos filhos… Esse respeito, resignação e consciência que permita viver e deixar viver… Vixx, viajei contigo!! rsrs Muito legal!
    Beijos inspirados

    • Oi Ma!!!

      Pois ‘e, voce pegou direitinho o espirito do que tentei dizer nesse post. Era isso o que eu pensava enquanto via aquele povo, vivendo daquela forma tao natural e tao proximama da natureza, o fogo nao o fogao, a vela nao a luz, o culto a Deus, nao aos bares ou a cerveja. ‘E impressionante como vivemos hoje tao distantes disso, a vida nas cidades grandes, nos apartamentos… voce pelo menos ja fez uma escolha diferente e bem mais proxima disso. Eu moro em apartamento e sinto isso. As vezes me falta ar aqui. Se quero me recolher com o Sagrado, tem que ser de madrugada, porque se nao os barulhos sao tao diversos e tao artificiais, que simplesmente complica…
      Ma, obrigada pela reflexao.
      Beijos com muuuito carinho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s