Depois do intenso dia de viagem anterior, tentamos nos recuperar num hotel em Rawalpindi, cidade a 25km da capital Islamabad. Os meninos ainda conseguiram sair para tentar ver como eram pintados os típicos caminhões do Paquistão, mas o lugar estava fechado, pois era final de Ramadan e, com isto vinha um dos principais feriados do Islamismo. As ruas e comércios estavam vazias. Imaginem para os verdadeiros devotos de Alah, como final de Ramadan ‘e uma coisa Sagrada interiormente, ja que estes sabem  de fato o que significa aqueles 30 dias de jejum no islã, e o quanto merece ser comemorado com a família.

O Ramadan é um período de purificação do mundo e de si mesmo. Uma tentativa de pelo menos ao longo daqueles 30 dias, obter algum domínio sobre si mesmo através do domínio do sentidos. Uma aprendizagem, que pode levar ao muçulmano, compreender o sentido de liberdade, fugindo da escravidão das reaçoes ao mundo e aos sentidos. Um momento para abdicar do pecado, pelo menos naqueles 30 dias. Além de um  ato de sacrifício para o perdão dos pecados cometidos.

Lembro que os xiitas ismailis não faziam Ramadan, por pensar que o Ramadan deve ser feito o ano inteiro, nao somente 30 dias. Deve ser uma atitude interior que acompanha sempre o muçulmano. Eu achei bonita a idéia, mas na prática não sei se funciona tanto, porque quando isso fica encargo apenas do indivíduo, serão poucos que de fato procurão cumprir. Nesse sentido,  acho interessante o Ramadan, pois toca na comunidade muçulmana toda. Lembro que o Baba Mondi, da ordem dos Bektashi, dizia que para os principiantes a lei, e  para os devotos o Espírito.

Caminhoes!

Olha o trabalho!

Nas ruas!

A noite aproveitamos para conhecer o bairro descolado de Islamabad (capital construída, tipo a nossa Brasilia), e nos impressionamos com as lojas e shoppings naquela pequena regiao. Tirado algumas roupas típicas das mulheres, podia tranquilamente ser qualquer lugar do mundo, como todo lugar bem moderno que é o mesmo por onde quer que voce vá. De qualquer forma, dar um break na viagem e desfrutar de um bom restaurante ocidental, com ruas limpas e shoppings, é um conforto para quem viaja com uma mochila nas costas. Escolhemos uma casa de carnes deliciosas com molho barbecue.

No dia seguinte pegamos um ônibus ate Lahore, antiga capital antes de Islamambad. Lahore era muito parecido com o cenario das cidades grandes da India, entao nos sentimos em casa logo de cara. Passeamos bastante, fomos ao Forte e a Mesquita principal, e eramos atraçoes de fotos e olhares. Ninguem nos largava. E a simpatia do povo era absurda. E de novo aquela cena engraçada de muitos amigOs andando de maos dadas, sem querer dizer nada, apenas “eu amo meu amigo”.

A mesquita principal!

Um pouco mais!

Brincquedos para criancada na rua!

Aproveitamos para ir ate a fronteira do Paquistao com a India, onde eles fazem aquele show de provocaçoes. O show comecou logo quando os países se separaram, e nunca mais parou, ha mais de 60 anos existe todos os dias, e sempre está lotado. Basicamente  se formam duas torcidas, como de futebol, em cada lado do portao da fronteira, para gritar: Paquistao, Paquistao ou, India, India, tipo uma provocao de brincadeira, uma forma divertida e descontríida de levar uma rivalidade tao seria.

La havia uma arquibancada para os homens, outra para as mulheres, e outras para as familias, e uma ainda para os turistas. Quando chegamos, o Gui e o Marco estavam com a camiseta de cricket do Paquistao, e ao entrar, imagina!, os homens  se animaram na arquibancada de ver os turistas com a camiseta do seu país, e os dois tascaram um beijo espontaneo na camiseta que foi ovacionado pela torcida. Eles gritavam, de pés na arquibancada, emocionados com os tais turistas. Tinha um senhorzinho que provavelmente era animador de torcida desde o comeco destes shows e que era uma simpatia, alem de uma figura engraçada. Acho que devia ter uns 70 anos. Da para imaginar que ele morrerá de infarto num desses shows nos proximos anos. Todos nos torcemos como loucos, e eu me sentia tao torcedora como no final de uma copa do mundo, tamanho é o amor que passei a ter pelo Paquistao depois de quase um mes de viagem.

Portao de entrada do show!

O senhorzinho!

Show!

O lado das mulheres! Nao sao lindas?!!!!

O lado dos homens!!!

Os grandes torcedores!

As torcidas nao tiravam os olhos da gente e estavam super alegres de verem turistas tao envolvidos na gritaria pelo Paquistao e, nao simplesmente indo la, de forma imparcial para ver um show. Quando acabou, formou rodas de pessoas querendo nos conhecer, tirar fotos, apertar nossa mao, convidar para ir agora para a casa deles e largar o hotel que estavamos. Chegou um ponto, que surgiu até papéis para escrevermos os emails, ou simplesmente assinar, como um autografo.

Incrivel!

Eles nao entendiam  o que brasileiros estavam fazendo ali e porque gostavamos tanto do Paquistao.  Nos agradeceram inumeras vezes, pela camiseta e pela torcida que fizemos “contra” a India, e nós diziamos, ” a gente ‘e que agradece por estar aqui. O Paquistao é o nosso país favorito.” Eles nao sabiam o que fazer de alegria. Diziam ” voces veem como nao somos só terroristas, como tem gente boa por aqui também? Conte para as pessoas do seu país quando voces voltarem…”

Na saída!

Sem dúvida, o Paquistao é um dos países mais incríveis da nossa viagem, entre os mais de 45  visitados, é sem dúvida um dos TOP 5.  Jula Jula Paquistão, como dizia a torcida, e nunca vou esquecer. Nao sei o que significa, mas  nao importa! Valeu muito!

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