A lampada do corpo!

julho 22, 2011

Depois que os pais do Gui foram embora, tiramos o dia para descansar, porque como eles sempre vem com pouco tempo e tem uma disposicao de uma crianca, sempre quando eles vao embora precisamos de uns dias para nos recuperar. O Gui não demorou em inventar um passeio para um lago maravilhoso, que para chegar ate la levariamos 6 horas a cavalo ou 8 horas a pe. Podiamos escolher! Como no dia seguinte ameacou uma tempestade, consegui convence-lo de irmos no outro dia e eu aproveitaria para descansar mais um pouco e passear pela bela cidadezinha.

Caminho para nossa home stay!

Yurte desmontado em cima.

No, no dia seguinte o tempo colaborou e seguimos entao para o Kol-ukok Lake. Mais ou menos na quarta hora em cima do cavalo, o tempo comecou ameacar uma grande tempestade, e eu dava so umas olhadinhas de canto para o Gui. Passado alguns minutos, comecou a chover gelado, muito gelado e esse gelado se tornou neve. A minha mao estava a ponto de rachar no meio e eu não tinha luvas. Respirei fundo e pensei: “que bela oportunidade de me tornar mais resistente fisicamente as adversidades climaticas e de me tornar mais resignada as situacoes adversas’, pois no comeco da viagem eu choraria de raiva. Alem de ser uma excelente oportunidade para imaginar como deveria ser as longas viagens a cavalo dos antigos. Congelei cada celula do meu corpo com um semblante e uma sensacao de paz sem igual. Minha alma se mantinha serena e eu regojizava.

 

A tempestade.

O comeco do lago!

Anoitecendo, frio!

O lago visto no dia seguinte!

Depois de quase uma hora a tempestade parou, um leve sol se abriu e comecamos a avistar o yurte onde ficariamos. Quase umas duas horas depois chegamos! Eu estava congelada e não teria o banho quente para esquentar. Desfiz minha mochila e coloquei todas as roupas que eu tinha. A familia nos recebeu com cha quente e pao. A comida no Kirguistao ‘e muuito ruim, ela funciona na maior parte das vezes apenas para sacia-lo, mas não tem prazer. O que tambem para mim estava sendo uma experiencia rica. Aprender a não ser tao escrava do prazer, aproveitando cada oportunidade que o mundo te oferece.A noite foi muito dificil para dormir, alem do frio que mantinha meu corpo contraido, senti muitas dores nas pernas das horas em cima do cavalo.

Eu adorei o Kirguistao, mas a infra-estrutura sem banheiro pegou. Ou as possibilidades de chegar no lugar a pe ou a cavalo tambem nao sao das mais confortaveis. Eu imaginava um bangalo bem charmoso com uma lareira, tomando chocolate quente e olhando para a paisagem. O Gui queria me matar quando eu dizia isso, falava que so do jeito autentico que era, poderiamos saber como eles vivem. Ele tinha razao, mas mesmo assim eu gostaria de ter a opcao do bangalo quentinho e o banho.

Nosso yurte!

Nesse dia conhecemos um japones que estava viajando sozinho há tres anos, ele trabalhou por 10 anos seguidos numa empresa como supervisor de engenharia quimica, ate sair para viajar. Nos contou que no Japao as férias anuais são de 15 dias, mas quando voce usa esses 15 dias todos, voce decai no conceito do seu chefe. Entao um japones minimamente responsavel folga sete dias. Não ganham para isso nem banco de horas e nem hora-extra, com excessao das grandes empresas. O horario de saida ‘e cinco ou seis da tarde, mas ‘e natural se voce ‘e minimamente responsavel, sair as dez horas da noite. Ele brincou dizendo: “no Myamar a religiao das pessoas ‘e o budismo, no Iran o islamismo e no Japao o trabalho.” Dentre os cinco paises que ele mais gostou, o Brasil est’a no ranking. Achou as pessoas muito bacanas, gostou muito da musica e dos lugares. Concluiu uma coisa simples e sabia, após os tres anos de viagem: “viajar ‘e receber – voce so recebe, recebe, recebe; e trabalhar ‘e dar, voce so da, da e da.” E completou: “ quando eu voltar de viagem, quero dar tudo o que recebi”. O japones tem um senso de comunidade admiravel, herdado do Mestre Confucio, como confirmou o Koichi.

Eu achei tao sabia a conclusao dele que quis dividir. Nos dois casos penso que voce da e recebe, senão voce não aguenta. Mas quando voce viaja o que se sobressai ‘e definitivamente o receber: voce conhece pessoas, lugares e culturas novas, e tudo isso amplia absurdamente a sua visao de mundo, e ainda sobra umas faiscas para ampliar tambem sua visao de si mesmo. Essas faiscas podem se tornar labaredas se a viagem for longa, quanto mais tempo na estrada mais a fogueira cresce; porque quando voce faz uma viagem longa voce inclui a nota de se afastar por um longo tempo daquela “vida ativa”, e o retorno dessa experiencia ‘e inenarravel.

Em contrapartida o que voce precisa dar em troca ‘e muito pequeno! Quando voce esta na casa dos outros, normalmente eles querem te servir; em viagem acontece o mesmo, voce esta no territorio dos outros, e para os religiosos voce sempre deve receber bem ao estrangeiro. Como a maior parte dos paises que passamos eram super religiosos, sempre nos sentimos maximamente bem recebidos.

Já quando voce trabalha, a via ‘e diferente. Voce da muito mais de si, seja para a empresa, para o mercado, para o chefe. Quando voce trabalha numa coisa que voce entende como realmente valida, ou que pelo menos voce goste muito, o receber ‘e infinitamente maior, mas ainda assim, trabalho ‘e muita doacao, nem que seja de energia. Por isso gostei tanto quando o Koichi disse que ele tem a intencao de dar o que recebeu. E nao gosto quando encontro viajantes que querem passar a vida inteira viajando, fugindo da rotina, porque  acredito que um homem digno precisa gerar essa troca.

Eu agradeco a Deus sempre que me lembro por poder fazer essas viagens. Me sinto tao distante daquela Bianca que morava no Brasil ate julho de 2009, que quase não consigo me reconhecer naquela figura. Parece que essa viagem me desintoxicou, de muito do que eu estava intoxicada e nem sabia. Abencoadas as pessoas que tem uma oportunidade como essa, de tao cedo poder ter essa “parada no caminho” para pensar profundamente na vida, seja atraves de uma viagem ou não, e com isso poder mudar o rumo que vinham tomando…  Nao ‘e por nada que agora “criaram” o tal ano sabatico, como um nome para explicar ao mundo essa saida.

Nos tempos em que vivemos, onde o individuo nao ‘e mais capaz de experimentar algumas horas sozinho, sem automaticamente ligar a televisao, abrir um livro, a geladeira, o computador ou pegar no telefone, so um ano sabatico mesmo para a pessoa ter uma nocao da miseria que somos sozinhos. Dizem os Santos que somene apos um longo periodo sozinho, um homem pode se transformar num monstro ou num anjo. Nao existe coisa mais real do que isso.

Numa citacao de Jesus Ele diz: “ (…) O teu olho ‘e a lampada do corpo. Se teu olho ‘e são, todo o corpo sera bem iluminado; se, porem, estiver em mau estado, o teu corpo estara em trevas(…) Lucas, 11-34″. Sinto que o principal ganho desta viagem, foram as mudancas que aconteceram nos meus olhos.

Voltando mais 6 horas.

A beleza do Kirguistao!

julho 18, 2011

De Almaty seguimos para Bishikek, capital do Kirguistao. So de passar pela fronteira ja dava para sentir o que vinha pela frente, muita natureza, tranquilidade e montanhas. A primeira visao era de um riozinho, com algumas plantacoes e montanhas com picos nevados. Me deu uma sensacao deliciosa de alivio, pois desde o comeco da viagem so tinhamos passado praticamente por cidades, com excessao de Howrama no Ira e da vila de Nurata no Uzbekistao, o resto foi full time cidades e muito calor. E o Kirguistao ainda prometia ter um clima mais fresco.

Fomos direto para um hotel recomendado no guia, chamado MBA Business Center, uma escola de negocios onde os estudantes e professores de outros lugares tinham um hotel p/ se hospedar, e se sobrasse vaga, os turistas tambem. Os quartos contavam com uma sala e cozinha arejada, escrivaninha para estudar, alem do quarto e banheiro. Era tao espacoso e gostoso que eu poderia morar ali dentro tranquilamente por anos. A recepcionista era uma russa que não falava uma palavra em ingles, e que o tempo todo ligava do seu celular para sua filha para entender as coisas mais elementares que queriamos para traduzir para sua mae. Muito diposta e acolhedora a mulher, mas ela não entendia a linguagem universal da mimica.

Saimos para conhecer a capital do Kirguistao com uma expectativa baixissima, pois diziam que a beleza do pais estava nos arredores. Mas Bishikek surpreendeu, era ampla, arborizada, super calma e facil de se localizar. Basicamente tinha uma avenida principal com aqueles canteiros no meio, algumas pracas do governo e museu e o resto eram restaurantes deliciosos, italianos, ocidentais em geral e locais. Eu me esbaldei indo no primeiro dia num italiano recomendado. A salada e o macarrao estavam de chorar, eu comi bem devagar para demorar o maximo possivel para engolir cada garfada.

As varias pracas dos sovieticos.

No dia seguinte chegaram as nossas primeiras visitas do Brasil – os pais do Gui. Eles sempre vem nos ver em alguma etapa da viagem, ate porque viajar para eles definitivamente ‘e uma rotina, eles sempre estao vindo de algum lugar ou planejando a proxima viagem, nos encontrar no Kirguistao, na Tanzania, em Israel ou na Tailandia nao ‘e nada demais. A unica novidade ‘e que em funcao do Mestre Gui, eles conheceram novos continentes, a Asia e a Africa. E eles adoraram!

Matamos a saudades num hotel com piscina e cafe da manha impecavel. O Clau sempre tem o dom de escolher os melhores hoteis de viagem, e deu para tirar ferias dos hoteis budget. Apesar de que o Uzbequistao tinha arrasado na categoria, por 10 dolares cada um ficavamos em hoteis com banheira e ar condicionado.

Depois de conversarmos um monte fomos jantar num restaurante gostoso e se preparar para no dia seguinte seguirmos viagem pelas montanhas e vilas do Kirguistao. Nossa primeira parada foi numa cidadezinha chamada Karakol, muito bonitinha, com casas tipicas; uma igreja ortodoxa linda; uma mesquita com cara de chinesa construida pelos dugans (filho de pai arabe com mae chinesa, resultado na etnia dugans, eles sao muculmanos com costumes chineses), e os varios blocos de predios sovieticos que eu particularmente adoro. Eles tentam fazer um modelo padrao igualando todos e voce ve na sacadas das casas as diferencas humanas que sao impossiveis de  reprimir. Cada sacada de uma cor, uma sacada de madeira, outra de ferro, outra de papelao e assim por diante.

A linda igreja ortodoxa de madeira.

 

Os blocos sovieticos.

Onibus local.

 

Mesquita Dungan!

O pais ‘e ideal para quem gosta de beleza natural, montanhas e tranquilidade. Como o Kirguistao não tem um turismo tao conhecido, apesar do potencial absurdo, ‘e muito tranquilo ser turista por la. Voce caminha tranquilamente pelas ruas, os precos não são super faturados e não tem gente o tempo todo querendo te oferecer coisas. Noventa e dois porcento do pais sao montanhas e voce sente isso para cada lado que olha. As estradas, os vilarejos, os yurtes espalhados por tudo tornam o visual inexplicavelmente lindo. Alem das montanhas t^em varios lagos azuis, pequenos e grandes, vales belissimos, pastagens de verao, os tais jaloos, algumas com tapetes de flores. Lindo, lindo, lindo!

Como a populacao ‘e bem pobre na maior parte do pais, voce ve muuuuitos pastores com suas ovelhas, gados e seus yurtes, ‘e natural ter que parar o carro na estrada para esperar as ovelhas ou os burricos passarem.

Dormimos algumas noites nos yurtes em lugares diferentes. Estava preocupada se os pais do Gui iam se acostumar com a “moradia”, mas me deram um banho, os anos viajando acampando tornaram eles super descolados. Algumas tecnicas que eu uso quando pego hoteis sujos para eles ‘e super natural, a Monica forra o travesseiro com uma manta, usa a canga como entre lencol, e no final nao ha contato nenhum com o material estranho do lugar.

Nosso primeiro acampamento nos yurtes foi num belissimo vale, com montanhas enormes com picos nevados e um rio que atravessava em frente, obrigando voce dormir com aquele barulho delicioso de fundo. A segunda foi num outro vale absurdo, com campos de flores, mais picos nevados e hot spring natural, no home stay do sujerrimo Valentine, dono da casa, pela sua aparencia ele devia tomar dois banhos por mes. Entre a casa dele super suja e uma casinha la fora tambem suja que ele construiu, achamos melhor pegar a de fora. Como nao tinha banheiro, tudo era feito ao ar livre, no meio das flores. O Gui buscava agua no rio para escovarmos os dentes e quando iamos ao toalete, avisavamos para ninguem sair la fora. Um dia vi que o Gui e o Clau se assustaram com alguma coisa dentro da casa, e disfarcaram. Depois o Gui me contou que tinha um rato la dentro e que eles nao conseguiram tirar, o ratinho dormiu com a gente. Deixamos para contar para a Monica no ultimo dia, mas ela nem reagiu, deu uma risadinha como se tivessemos contado que tinhamos matado uma barata, tamanha a experiencia deles na estrada…

 

Os yurtes!

O primeiro vale!

Ainda no primeiro, num passeio a cavalo!

Um local, saindo do yurte para ir a cidade!

Por fim, ficamos em mais uma cidadezinha linda com um mercado de animais interessantissimo, para nos prepararmos para ir ate um lago no meio dos jaloos, as tais pastagens de verao. Nesse dia pegamos um frio forte a noite, mas gracas ao fogao a esterco que tinha dentro do yurte conseguimos sobreviver. Os yurtes, com excessao do primeiro, não tinham banho. Os passeios a cavalo se tornaram rotina. De Koshkor nos despedimos deles com saudades, eles seguiram para Bishikek, depois passariam uns poucos dias no Uzbequistao e finalizariam na Costa Amalfitana. Ao final de 30 dias voltariam ao Brasil…

Tipica kirgui!

Mercado de animais!

Nossos companheiros de estrada!

Segundo vale!

Casas tipicas das cidadezinhas!

O lago azul no meio dos jaloos!

Os yurtes!

Aproveitamos para descansar da nossa proxima visita, teriamos oito dias ate a chegada dos meus irmaos. Nao sei o que aconteceu nessa viagem, ‘e normal as pessoas falarem para gente “ talvez encontraremos voces em tal etapa”, mas tirando os pais do Gui, o resto normalmente ‘e sempre lenda. Claro, sem contar com o memoravel fim de ano com toda sua fam’ilia na Tailandia. E os dias em Israel com a minha mae. Mas definitivamente, os que garantidamente sempre vem, são os pais do Gui. Dessa vez todo mundo resolveu levar a serio, depois do Clau e da Monica chegariam os meus irmaos, e assim que eles fosssem, uma graaaande amiga minha passaria 16 dias com gente.

Na Terra dos Kazaks!

julho 7, 2011

Da terra dos Uzbecs, seguimos para a terra dos Kazaks. Não tinhamos muita expectativa em conhecer o pais, pois tudo o que ele tinha de melhor para ser visto, os paises vizinhos tinham de sobra. O Uzbekistao ‘e a terra das madraxas, o Kirguistao das montanhas, o Turkomenistao da ditadura, e o Kazakistao? Sabiamos apenas de um parque nacional perto da cidade da fronteira com o Uzbequistao, portanto por onde iamos chegar, e Almaty que ‘e uma cidade super moderna e o orgulho dos jovens Kazaks. Ficamos dois dias em Shimikent, num hotel dentro de um shopping, uma experiencia diferente dormir num shopping (meio esquisito, mas uma sensacao forte de seguranca por outro lado). Aproveitamos para conhecer a cidade, comer uma comida mais ocidental e entender como chegariamos no tal parque nacional.

Antes de ir ao parque, fomos conhecer o Turquistao, uma cidade sagrada para os Kazacs há duas horas dali. Na antiguidade o Turquistao compreendia toda regiao da Asia Central, onde ficavam o turcos e seus descendentes, os uzbekz, kazacs, kirguis, turkomens e tagics. Visitamos o pequeno complexo de mesquitas e mausoleu do grande Mestre Sufi Iyasaui do sec 13, que influenciou enormemente o famoso Molavi e serviu de centro de peregrinacao durante muito tempo para todos os paises muculmanos da Asia Central. Tivemos a sorte de encontrar um guia do museu que nos explicou muito bem da cultura dos Kazacs, por meio da grande influencia do Mestre Sufi na formacao do pensamento deles. Antes do Iyasaui chegar e pregar o islamismo, os kazacs eram um povo nomade e pagao. Como o mestre sabia falar a linguagem do povo e portanto procurava ensinar de forma simples, muitos Kazacs foram convertidos antes dos russos chegarem e já contavam com uma grande devocao por seculos. Mas durante o periodo da Uniao Sovietica foram proibidos de praticar, ler livros e ir a mesquita. Muitas foram destruidas e outras transformadas para outro fim.

Mausoleu!

Os Kazacs se orgulham muito de terem aprendido o islamismo atraves do mestre sufi, pois não se tornaram fundamentalistas, como alguns extremistas islamicos. Como o Sufi tem o papel correspondente ao do monge nas outras religioes, o enfoque ‘e na vida espiritual muito mais do que nos mandamentos. Mas isso não significa que os mandamentos não devam ser seguidos, e os ritos praticados e nem que os proprios Sufis não os sigam, mas apenas mostra um olhar que transcende a lei, depois do fiel ja te-la compreendido bem e pratica-la. Infelizmente depois da URSS, e talvez por terem aprendido o islamismo por esse olhar, e nao souberam talvez aproveitar a beleza da coisa, hoje os kazacs se orgulham bastante de serem muculmanos, mas acabaram suavizando demais a mensagem do mestre, deixando uma coisa tao superficial, que por mais que eles queiram voce não ve a mesma devocao que voce ve em outros paises muculmanos. Os devotos acabam pegando as partes mais interessantes dos discursos para eles e se mantem meio preguicosos quanto as praticas. Tipo “Ramadan ‘e importante, mas tem que ser feito sempre, não so durante trinta dias, ‘e uma atitude interna…”, lindo discurso, mas daí acabam por não fazer nem durante os 30 dias e nem no resto do ano. Todos bebem tambem e muito. Nao ha aquele senso de caridade tao forte, eles nao tratam “o estrangeiro como um enviado de Deus”. ‘E tipo o nosso “ catolico nao praticante”. Não sei, mas esse discurso não me convence mais. No fim das contas o Sufi acaba sendo mais um quadro na parede e o islamismo não faz parte de verdade da vida da populacao, pelo menos nao da maioria.

Bom, do Turquistao seguimos para o parque nacional, que surpreendeu bastante, era realmente belissimo, mas sabiamos que o vizinho Kirguistao era imbativel e que provavelmente aquilo seria so uma amostra. Passamos dois dias juntos com a natureza, tomando banho de rio e passeando aos arredores. La, aproveitamos para dormir pela primeira vez num yurt, aquelas barracas redondas estilo mongol, e a experiencia foi legal, como elas tem um teto alto e realmente são bem fechadas, voce se sente muito mais confortavel do que numa barraca. Do parque pegamos um trem para Almaty, e tivemos o azar de pegar mais um trem com o ar condicionado estragado, e a nossa cabine ainda ficava na saida de emergencia, entao nao podiamos nem abrir a janela. Fiquei nervosa de tanto calor que passei. Eram quase sete da noite e batia quase 40 graus la fora. E se formava um ar quente sem circulacao dentro do trem que parecia que faltaria ar.

Maravillhoso!

Picos nevados de fundo!

Almaty realmente impressionou, era bonita, arborizada, com varias pracas com chafarizes e estatuas dos comunistas para todos os lados e predios sovieticos, bem parecidos com os vizinhos que passaram pela mao do Stalin. Cheio de casas noturnas, barzinhos, etc. Aproveitamos para irmos num café daqueles para se sentir em casa e poder pedir machiatto, shakes e tudo mais. Os jovens super a vontade, como se estivessemos na Europa, shorts, regata, casais novos de maos dadas, e tudo mais. Foi a primeira vez tambem que conseguimos publicar nossas fotos no blog desde o Iran. Visitamos uma igreja ortodoxa belissima e mais uma vez eu fiquei impressionada com as igrejas ortodoxas. O simbolismo e as pinturas e retratos presentes são muito tocantes e os devotos beijam varias e varias vezes a Virgem Maria, Jesus, os apostolos e saem sem virar de costas fazendo pelo menos tres vezes o sinal da cruz. Apesar da devocao, o pais tem uma religiosidade bem fraca, os russos que vivem la são os cristaos, e os kazacs são os muculmanos, mas bem mais discretos, de vez em quando voce ve algum devoto rezando pelas ruas. Não ouvimos chamadas das mesquitas tambem, o que ‘e raro em um pais com muculmanos.

O trem!

A linda igreja!

Nas escolas e universidades se aprende tudo em russo, a lingua oficial ‘e o russo, conhecemos alguns kazaks que so falavam russo, pois quando se aprende o kazak, se ‘e aprendido, ‘e em casa. Depois de quase 10 dias deixamos o Kazaquistao com um sentimento de que valeu a pena ter conhecido, pois os kazaks eram bem bacanas, e o pais apesar de não ter grandes atracoes, merece ser visitado. Mas realmente não há nada no pais que marque voce, nem as madraxas, nem as pessoas, nem as montanhas. Almaty foi uma cidade que surpreendeu, apesar de moderna, era bem gostosa de estar, calma. Os kazaks são simpaticos, mas tem ainda aquele jeitao mais seco da Asia Central, parece que os russos deixaram sua marca no povo. Nada de sorrisos para ca e para la e vontade de te conhecer, mas depois de quebrado a primeira barreira, ficam bem mais soltos e prestativos, achamos os mais simpaticos dentre os vizinhos.

O País das Madrashas!

julho 6, 2011

De Bukara, seguimos para Kiva, uma cidadezinha no meio do nada com uma cidade velha murada muito bonitinha, que acabou de ser restaurada e reconstruida. Turisticamente, tudo acontecia dentro da cidade murada. Kiva, assim como Bukara e Samarkand, foi um dos grande centros de ensinamentos islamicos do mundo, isso ‘e bem facil de reparar pelo numero de madrashas nesses lugares, so em Kiva tinham mais de 60. Encontramos um bom hotel dentro dos muros cercados e aproveitavamos para conhecer o lugar nos primeiros horarios da manha e depois das sete da noite, pois o sol era ainda mais monstruoso que o de Bukara.

De Kiva fomos para Tashkent, a capital do Uzbekistao, num trem de 23 horas, e com o ar condicionado estragado. O calor era enlouquedor, mas a minha pratica do auto-controle, paciencia e resignacao não me fazia nem levantar os olhos para cima. Aproveitei para molhar uma toalha e ficar com ela sobre o pescoco, e me passando a cada 10 minutos. Hoje sinto que a minha habilidade não vem so do tempo de viagem, mas simplesmente porque no fundo da minha alma sempre existe aquela certeza: “mas esse não ‘e o problema fundamental da vida”.

Kiva

Kiva

Kiva vista de cima.

Quando chegamos em Tashkent o Gui resolveu seguir direto para o consulado da China para darmos entrada no nosso visto e eu, apesar de so pensar no momento glorioso do banho, resolvi ser uma boa esposa e suportar mais algumas horas de suor por ele. Em duas horas estavamos pegando o taxi para a guest house com tudo encaminhado, se não fosse o motorista não achar de jeito nenhum o lugar. Quase uma hora depois conseguimos encontrar a tal guest-house, que estava no mesmo local, mas a rua tinha mudado de nome… Em funcao do meu companheirismo, ficamos no melhor quarto e aproveitei para tomar um banho delicioso e passar calmamente meu hidratante.

A Gulnara Guest House foi um dos pontos altos do Uzbekistao ao meu ver. Cheia de turistas, um mais legal que o outro, conversas deliciosas, e a noticia de que todos estavam indo para o mesmo lado e vindo do mesmo lugar. Os donos da casa tinham que pedir gentilmente para irmos dormir, mas mesmo assim, ficavamos conversando baixinho por horas. Como podiamos cozinhar ali, aproveitamos para tirar férias dos shashiliks de carne (espetinho) com arroz e fizemos nossa propria comida. Alem de reestabelcer nossa pobre flora intestinal que estava deploravel, em funcao da infecao intestinal coletiva que abalou todos os turistas que passaram por Bukara. Na cozinha, so se viam pessoas cozinhando batata e arroz.

Encontramos muitos suicos viajando de bicicleta por meses, alguns casais com mais de 60 anos e outros mais jovens. Conversei muito com a simpatica Rosa Maria de 62 anos, viajando com o marido de 65, ha 7 meses de bike. Ficava pensando como essas pessoas conseguiam viajar de bicicleta nesse calor insuportavel da Asia Central, se para mim passar aquelas fronteiras era uma prova de fogo, eles faziam isso de bicicleta, dormindo na beira da estrada, sem o momento glorioso do banho e tendo ainda que armar a barraca. Um ato de heroismo, me parecia. Mas conforme eles, viajar de bicicleta era bem diferente do que viajar de onibus, voce sentia cada pedacinho da viagem, e a melhor parte não estava em chegar nas cidades e conhecer os melhores lugares, mas estava no “between”, no parar numa vila na beira da estrada e as familias te convidarem para jantar e dormir na casa deles, ou no minimo, acampar no seu quintal. Em poder dormir todo dia junto com a natureza, receber banhos de serotonina, enfim, parecia realmente ter outros momentos gloriosos e uma oportunidade de estar ainda mais perto dos locais.

Um dia aproveitamos para ir ao teatro, ja que nao sabiamos mais  o que fazer em Tashkent. A capital ‘e gostosa, mas entediante.  Apesar de nao termos entendido nada da peca, foi muito bo estar la. Ja que o teatro em Tashkent era um dos principais programas de domingo, algo comum para populacao. Mas o tema da peca era bem simples, sentiamos uma coisa meio ” pao e circo”, ja que os Uzbeks vivem uma grande repreensao politica ha muito tempo. O presidente es’a no pais desde a independencia em 1991, a populacao em geral ‘e muito pobre e os Uzbeks tem muito medo de falar do governo. Talvez  por isso, perto dos iranianos, nao vimos muitos sorrisos nas ruas, eles eram em geral fechados para os primeiros contatos, mas se voce quebrasse a barreira, eram um povo bem acolhedor. Os uzbeks sao um povo turco, e os primeiros descendentes dos mongois a se converter ao islamismo.

Teatro.

Depois de Tashkent fomos ate Samarkand, a cidade mais turistica do Uzbekistao e mais importante da historia da regiao. Prometia ter uma arquitetura belissima. E realmente era verdade. Os monumentos eram os mais imponentes e, apesar da sensacao continuar de museu a ceu aberto, era a cidade mais movimentada, havia uma certa vida local ali, nao somente turistas. Madrashas, mausoleus, e mesquitas estavam espalhadas por todos os lados.

Samarkand

Liiindo!

Impressionante!

Tradicional Uzbek!

Depois de quase 25 dias, resolvemos dar férias as madrashas e ir para uma vila nas montanhas chamada Nurata. Encontramos uma casa de familia bem legal, com um grande quintal cheio de pes de frutas. O lugar era lindo e os arredores tambem. As refeicoes eram inclusas, entao voce so precisava sentar no meio do quintal, onde ficava aquelas mesas de cha e esperar a refeicao vir, de olho para não cair um pessego na sua cabeca.

Um dia tivemos a genial ideia de passearmos de cavalo pelo vale ao redor, como fazia mais de 20 anos que não cavalgava, estava com medo. Quando subi no meu cavalo, ele desparou. Comecei a gritar desesperadamente, mas ninguem me entendia. Gracas ao meu marido shatrya, o Gui veio cavalgando como um legitimo nobre corajoso e se jogou na frente do meu cavalo. Segui o passeio com o meu cavalo amarrado no dele, como seu eu tivesse 10 anos de idade. O passeio foi belissimo, espetacular, senti uma vontade absurda de fechar nosso apartamento e morar numa daquelas casinhas nas montanhas. Mas os cavalos pareciam criancas, não nos deixavam aproveitar muito, o tempo todo queriam brigar um com o outro, alem de brigar com os cavalos ao redor. Tinhamos  que nos impor e mostrar para eles quem ‘e que mandava. Para o Gui, isso não foi um problema, para mim, senti um pouco mais de dificuldade em me fazer respeitar.

A tranquilidade de Nurata!

As criancas de Nurata!

Mesa das refeicoes!

Os briguentos!

Na terra dos Uzbeks

junho 17, 2011

Depois do susto das malas, fomos ate o ponto dos share taxis para seguirmos ate a fronteira com o Uzbekistao. Felizmente, pela primeira vez, o motorista resolveu ligar o ar condicionado e deu para passar tres horas dentro do carro sem aquela sensacao de tortura dos quarenta e tantos graus que fazia la fora.

Quando chegamos na fronteira era hora do almoco dos funcionarios e apesar de termos escapado do calor ate ali, agora tinhamos que esperar embaixo de uma pequena sombra de um trailler ate o fim do horario de almoco. Acho que estava batendo uns 44 graus! Na fronteira, mais calendarios do presidente fazendo pose, mostrando todos os seus dotes atleticos enquanto a populacao nao tem o que comer e, pronto, estavamos fora do Turkomenistao. Mas ate chegar na imigracao do Uzbekistao tinhamos que atravessar por aquelas terras de ninguem, quase 1km a pe no sol escaldante e a mochila nas costas.

Cruzado para o lado do Uzbekistao, após uma loooonga burocracia, mais um taxi ate Bukara, já quase cinco horas da tarde, e o sol não aliviava. Ao desembarcar aquela deliciosa surpresa, a cidade era linda, cheia de escolas islamicas para todos os lados – as famosas Madrashas, e um lago artificial no meio da praca. Antes mesmo que nos empolgassemos com o lugar, fomos procurar um hotel para não tardarmos o glorioso momento de tirar aquelas roupas suadas, nos jogarmos embaixo do chuveiro gelado, e comermos! Achamos um hotel baratinho, limpo, com um quarto bem gostoso, banheira e ar condicionado. Esses momentos para mim não tem preco, são um dos que mais valorizo na viagem. Voce sofre no calor, nas fronterias, e chega no hotel para tomar um banho! Uma sencacao impar.

Bukara!

As vezes fico impressionada pensando como depois de todo esse tempo de viagem perdi toda a minha frescura. Já topo quase qualquer coisa, já não reclamo mais do sol, dos perrengues, dos hoteis, eu olho para a situacao e vejo ela com uma naturalidade tremenda, pois sei que ela ‘e parte do tipo de viagem que fazemos. E aproveito todas elas para crescer em paciencia, auto-controle, auto-dominio, resignacao e em perseveranca. As vezes sinto vontade de largar a mala no meio do caminho e gritar, chorar, dizer: “to com calor, não aguento mais! Qual ‘e a forma mais cara para me livrar dessa situacao e alguem fazer todo esse processo por mim?” Mas daí logo eu digo para mim mesma: “menos Bianca, isso nao ‘e o mais importante.” E passa!

No hotel conhecemos um casal de israelenses muito legal. Eram recem-casados e a viagem funcionava tambem como lua de mel. Ela cuidava de cabras numa fazenda e ele tinha acabado de sair do exercito, depois de cinco anos. Os dois eram religiosos. Ele, ao acabar o colegio, foi para um Centro de Estudos do Torah (os cinco primeiros livros do Velho Testamento) por um ano, para se preparar psicologicamente para os proximos tres anos que teria no exercito. Esse ‘e o costume. Como o centro era perto da praia, ele aproveitava para surfar e não ia as aulas do Torah. Depois de quase tres meses surfando comecou a se sentir entediado e resolveu conhecer o centro de estudos e se apaixonou pela espiritualidade judaica. Seguiu para o exercito depois e acabou prorrogando seu periodo por mais dois anos. Ao sair conheceu a Ruth, sua esposa e, agora estavam viajando pela Asia Central, ate voltar para casa. A Ruth voltara para as cabras; ele ainda não sabe se fara psicologia, ou algo do genero. Ela comeca as seis da manha e termina as quatro da tarde, vai de bicicleta trabalhar e eles moram nos assentamentos judaicos na Cisjordania, há poucos minutos de Jerusalem. Dizem que a vida deles ‘e muito gostosa, fora do centro das cidades. Conversamos muito sobre varias coisas e combinamos de tentar no encontrar no Kirguistao.

Bukara apesar do calor escaldante, era uma cidade muito agradavel e bela. A beleza das madrashas eram estonteantes, mas depois de ter passado pelo Ira, o impacto já não era tao grande, pois a arquitetura era muito parecida. Nas ruas muitos turistas, restaurantes e lojinhas. Mas a sensacao era de museu a ceu aberto, não como a praca Imam Russein em Isfahan, onde aquela mesquita que voce tira fotos ‘e a mesquita mais frequentada da cidade. Faltava vida!

Um País fechado!

junho 8, 2011

De Mashhad seguimos para fronteira do Turkomenistao. Os Turkmen sao turcos assim como os da turquia, parentes bem proximos. Nosso primeiro pais da Asia Central, uma das regioes principais da nossa viagem pela Rota da Seda. A tal rota, que ia da Turquia ate a China/India (ou vice-versa), ligava o oriente ao ocidente numa das principais rotas comerciais da antiguidade. Os produtos variavam desde tecidos como a seda ate especiarias da India. Ha 700 anos atras Marco Polo explorou muito bem essa rota, quando decidiu se aventurar com seu pai e tio comerciante ate a China, para se reencontrar com o Kublai Kan (rei mongol descendente de Gengis Kan). O Kan havia solicitado para seu pai, levar estudiosos da religiao crista, ja que no seu reinado todos os credos poderiam ser representados. Ha quem questione se ele realmente fez essa viagem narrada no seu livro, mas no seu leito de morte, com o padre dando a ultima chance para ele se arrepender “de suas mentiras” no ritual da Uncao dos Enfermos, Marco Polo disse: ” Nao contei nem a metade do que vi”. Nos identificamos em varias das passagens do seu livro, quando ele relatava com detalhes cada lugar que passou, alguns pareciam intactos ate hoje, sentimos que ate nos poderiamos contar os mesmos relatos.

A chegada na fronteira nao foi facil. Primeiro pegamos um onibus podrasso, num calor infernal, com janelas  que nao abriam. Eu nem pensei duas vezes, joguei nossa garrafa de agua de 1,5l na cabeca para refrescar. Duas horas depois ja estava seca, pois tivemos que esperar do lado de fora da fronteira, embaixo de um toldo, batendo quase 45 graus, porque era hora do almoco.

A chegada no  Turkomenistao por Ashgabat foi impactante. Eu sabia que tratava-se de uma ditadura forte e de um pais pobre no meio do deserto, mas o que vi na chegada era um mini Las Vegas. Predios brancos imponentes para todos os lados, a maioria do governo e vazios, ninguem parecia trabalhar la dentro. Na sequencia mais predios brancos, agora apartamentos de luxo, construidos pelo governo, para seus  funcionarios de auto padrao poderem comprar. Ajuda de 50% paga pelo governo e o resto financiado, por um preco amigavel, por volta de 300 mil dolares…  resultado: estao todos vazios. Os predios foram contruidos as custas da retirada dos moradores de suas proprias casas sem indenizacao alguma.

Chegada em Ashgabat!

Os predios vazios!

 

Chafarizes e pracas arborizadas, com aguas jorrando para todos os lados e luzes coloridas. Ate uma imitacao da Blue Mosque de Istambul tem por la.  Nas ruas placas de proibido buzinar, muito silencio, poucas pessoas circulando, e militares em cada quadra. Mulheres com roupas tipicas muito elegantes. Voce tinha medo de tirar uma foto, de olhar de mais para o mesmo lado.  As pessoas nao sorriam, se mantiam serias, fechadas, cuidando ou melhor se protegendo no seu silencio.

Pracas e mulheres tipicas!

 

Mais pracas!

Blue Mosque!

 

Mini-Vegas!

O unico jornal local ‘e do governo, portanto nao ha nenhuma liberdade de imprensa. O antigo ditador morreu com 3 bilhoes na sua conta pessoal, espalhou suas estatuas de ouro pelas pracas da cidade, se confundiu com Deus escrevendo o livro da alma, que se cada Turkmen lesse 100 vezes ganharia o paraiso. O livro era exigido nas escolas e ate para passar em teste de auto escola.  Hoje o generoso ditador encontrasse no inferno, aproveitando seus dias eternos de agustia e tristeza. Uma pena! O ditador atual parece que ‘e farinha do mesmo saco. Outdoors dele espalhados pela cidade de maos dadas com criancinhas e calendarios dele espalhados por tudo, dele praticando polo, tiro ao alvo, caminhadas, etc, um verdadeiro nobre!

O antigo ditador!

A populacao se mantem silenciosa, nao diz nada, pouco fala, com excessao de algumas adolescentes nas pracas se jogando agua dos chafarises, o que mais vi foi apenas cara de “nao estou vendo nada”.

Ficamos num hotel confortavel e aproveitamos alguns cafes na cidade. Alem de irmos para um mercado que ficava nos suburbios da cidade, que antes era bem tipico, mas o tal governo concretou tudo, pintou de branco, organizou, perdendo todo o charme. La se vende desde os lencos floridos estonteantes das mulheres, eletrodomesticos, ate camelos.

Provando lencos!

 

As tipicas senhorinhas turkmen!

 

Moradia para os nao ligados ao governo!

 

E o ex-presidente morre com 3 bilhoes na conta!

De Ashgabat seguimos para Meri, onde buscamos um share taxi. O motorista era um doente, corria enlouquecidamente e nao abria as janelas do carro em funcao do calor insuportavel la fora, mas tambem nao ligava o ar condicionado para economizar. Nossos dois companheiros do taxi comunitario aproveitavam ainda para fumar. Um inferno, foram quase quatro horas assim. Eu sentia que estavamos voando, mas olhava no ponteiro e mostrava 80 km/h, mas nao era km/h, era milhas,  o que significava quase 150 km, se soubesse teria pedido para parar, mas no final deu tudo certo.

Em Meri descansamos da viagem infernal num bom hotel e no outro dia pegamos um taxi para a fronteira do Uzbequistao. Quando o Gui colocou as malas, o infeliz saiu correndo com todas as nossas coisas, o Gui tentou dar um de heroi correndo atras do carro, e eu fiquei chocada olhando para o carro indo sem ter a genial ideia de anotar a placa. Como no Turkomenistao todo mundo ‘e taxi, nao tem essa de ligar para central. Eu e o Gui nao acreditavamos, a gente tremia de nervoso. O moco do hotel disse que sem placa seria muito dificil localizar o carro e nos nem sabiamos o modelo, apenas que era azul marinho.

Uns dez minutos depois, o maluco volta, e diz: “vamos!” O Gui arrancou as malas do carro e xingou o cara. Nao entendemos o que aconteceu ate agora, se ele se arrependeu, ou se viu que as bagagens de mao, onde tinha o dinheiro ficaram com a gente, ou o que. O moco do hotel, para apaziguar a situacao, disse que ele devia ter problemas mentais. Nao acreditamos! Sei que foi um sufoco, mas um presente e uma mensagem clara para nos dois: ” se liguem!” Foi isso que entendi que queriam nos dizer!

De Isfahan seguimos para Shiras, cidade onde fica o mausoleu de dois dos grandes poetas persas: Saadi e Hafes. Hafes falava de amor e influenciou muito Goethe. Saadi de sabedoria, conhecimento. Os outros grandes sao o Ferdosi que falava da cultura persa e Molavi, que alem de poeta, era um grande sufi e mistico, que falava do caminho espiritual.

Jardins do mausoleu do Hafes!

Local onde Hafes est'a interrado!

 

Um dia na rua, passou um menino pobrezinho oferencendo alguns papeis, pedi para o Payam e a Sumi o que era, pensei em algo como jogo do bixo, mas nao, voce fazia um pedido e pagava para retirar um poema que te ajudasse a refletir sobre o teu pedido. Eu achei genial! Depois de ver na festa moderna, os amigos da Nana rescitando poemas com seus instrumentos um para o outro, a Sumi rescitando para mim na sua casa, mais o menino pobrezinho vendendo nas ruas, ficou claro para mim que assim como no Brasil sabemos de cor o nome dos principais jogadores de futebol, os iranianos sempre sabem de cor  alguns dos poemas dos seus poetas preferidos. Quando voce fala com eles, ‘e comum te contarem qual dos poetas ‘e seu preferido, como a gente falar eu sou muito mais Romario do que o Fenomeno… Em geral os iranianos sao muito orgulhosos de sua historia, de seus costumes e de sua tradicao. Nunca gostam de ser confundidos com seus vizinhos arabes, os qual consideram poucos refinados, Sempre enfatizam: “somos persas!”.

Em Shirras as pessoas nao eram tao simpaticas e sorridentes como no resto do Iran, talvez porque la tenha o maior numero de turistas por metro quadrado. Mas mesmo assim, tivemos boas experiencias. Jardins floridos, belas mesquitas, um caravan sarai (antiga hospedagem para as caravanas da rota da seda) no meio do labirinto dos mercados, e a tao comentada Persepolis, capital persa que foi destruida pelos gregos.

Persepolis!

 

Outras ruinas persas!

 

Antigos caravan sarais, hoje comercio local!

Em Yazd, uma cidade que fica bem no meio do deserto no Iran, fiquei nervosa, nunca passei tanto calor na vida, Quer dizer, acho que no deserto da India tambem foi assim. A cidade era bege, cor de areia, parecia que tudo era feito de areia, o que dava um charme especial. Depois das sete da noite voce conseguia caminhar nas ruas com a temperatura batendo so uns 35 graus.

Yazd!

La, conhecemos algumas torres do silencio e um templo zoroastra. O zoroastrismo era a religiao dos persas, antes de chegaram os muculmanos. Hoje existem poucos devotos do zoroastrismo no Ira. Junto com os cristaos, sao tratados como minorias e reclamam do pouco privilegio que tem frente aos muculmanos. O zoroastrismo, a primeira religiao monoteista do mundo, foi esquecida e aniquilada depois da entrada do isla. As torres do silencio eram usadas para deixar os corpos do devotos, pois conforme as crencas, nao se pode enterrar o corpo, pois contaminaria a terra, entao os corpos nao sao deixados ao ar livre para os abutres comerem. Hoje basicamente voce encontra alguns zoroastras na India, Iran e alguns gatos pingados na Inglaterra.

Templo Zoroastra!

Torre do Silencio!

 

Nas ruas de Yazd!

Em Yazd ficamos no hotel Silk Road, ponto de encontro dos viajante do Iran e Asia Central. Alem de reencontrarmos o Stu e a Merlanda, fizemos novos amigos e nos divertimos nos bate papos sem fim no jardim interno do hotel, enquanto esperavamos o sol se acalmar. Pena que nao lembramos de tirar um foto! O hotel contava com um cardapio delicioso, tinha uma boa selecao de comida iraniana, ocidental, e indiana. Eu me esbaldei. Alem de um quarto confortavel e um bom ar condicionado natural (aqui eles tem torre de captacao de ar para ventilacao). Deu para praticar yoga no terraco bem cedinho, vendo a cidade bege, antes que o sol ficasse forte. Perto do hotel ficava uma das mesquitas principais da cidade e tambem a cidade velha. Pensamos em ir para um oasis no deserto, mas o calor era tanto que desisti, preferi ficar conversando no jardim do Silk Road ate nossa ultima cidade no Ira: Mashhad!

De Yazd ate Mashhad eram doze horas dentro de um onibus confortavel. No caminho, paramos duas vezes no meio do nada, e nao entendia o que estavamos fazendo ali – nao havia nenhum banheiro ou lanchonete. As pessoas desciam, estendiam tapetes no chao e rezavam. Da pra acreditar? Mashaad ‘e a cidade mais sagrada do Iran. Como os muculmanos shiitas rezam tres vezes por dia (diferente dos sunitas que rezam cinco), duas delas foram no onibus. A ultima reza da noite e a primeira da manha antes do sol nascer.

Nas ruas de Mashhad!

 

Os famosos tapetes persas!

Quando chegamos em Mashhad fomos ate a casa de um conchsurfer que o Gui estava se comunicando a tempo pela internet desde que chegamos no Ira. Como o celular dele estava fora de area, seguimos direto para sua casa pelo endereco que tinha nos dado. Ao chegar la, no outro lado da cidade, nao havia ninguem no lugar, na verdade era o endereco de um dos escritorios que ele trabalhava. Como tinhamos mais um endereco, o da casa da mae, estavamos pensando se iamos ou nao ate la, quando um iraniano chamado Reza, que estava dentro da clinica veterinaria que o Gui parou para pedir informacao, percebeu que estavamos procurando alguem e se ofereceu para nos ajudar. Passado alguns minutos, ele disse: “eu acho que consigo encontrar o lugar, venham comigo, podem dispensar o taxi de voces…” Seguiu conosco ate a casa da mae do conchsurfer, que disse que ele estava trabalhando e so voltaria a noite, resolvemos entao ir para um hotel. O Reza nos levou. No total ele ficou quase duas horas com a gente dentro do seu carro, rodando num transito desgracado, ate nos deixar no nosso hotel. Reza tinha uns 45 anos, era empresario, pai de duas filhas, e estava perto do horario de almoco quando nos encontrou. Nao sabemos que compromissos ele precisou adiar para estar com a gente aquelas duas horas, mas pelo numero de ligacoes que ele recebeu no celular, nao foram poucas, ele era dono de uma construtora.

Sera que esse exemplo da para compreender ate onde vai a hospitalidade e gentileza iraniana? Sera que da para perceber que isso nao ‘e uma simples ajuda, implica tambem em algum sacrificio pessoal? ‘E claro que, depois de um mes de convivio com os iranianos deu para perceber que essa hospitalidade e bondade era uma mistura de uma formula magica: cultura persa + religiao. Os persas sabem receber e o povo ‘e religioso de fato. A estatura espiritual dos iranianos se destaca de muitos lugares por onde passei. ‘E claro que nos despedimos do Reza com convites pra jantar com a sua familia! Reza por aqui ‘e um nome comum. Ja que os shiitas acreditam nos 12 Imans, que seguem a linha de sangue do Profeta Maome, assim detem o conhecimento. Funciona como os nossos apostolos no Cristinianismo e nao sao poucos os Joaos e Paulos, etc, no Brasil.No dia seguinte, fomos conhecer o centro dos Shiitas, um complexo de mesquitas, capelas, museus e maosoleos que ficavam no coracao da cidade. Milhares e milhares de perguinos circulavam por ali. Alem de ser ponto de encontro dos devotos de Mashhad no final da tarde. Tive que comprar um shador e me cobrir dos pes a cabeca para entrar. Passeamos pela imensidao do lugar, vimos pessoas rezando em todos os cantos, alguns lugares so podiam entrar homens e outros mulheres. Numa dessas, eu tive que me separar do Gui e nos perdemos. Depois de quase um hora, ja estava desistindo de procurar, resolvi voltar para o hotel, e de la ligar para o celular do Gui. Mas como tinhamos que andar sem sapatos, e o Gui estava segurando os meus, tive que voltar de meia. Parei para pensar algumas vezes se devia fazer isso, mas nao aguentava mais procurar, e resolvi voltar de meias mesmo. Nas ruas as pessoas olhavam para os meus pes e cochichavam. Cheguei no hotel, contei tudo a recepcionista, que ate aquela altura ja era uma amiga, que ligou para o Gui e o celular estava fora de area, para ajudar mais ainda. Enfim, voltamos eu e a recepcionista para o Imam Reza Complex, quando cruzamos com o Gui no meio do caminho, branco de tao assustado. Ele nao achava que eu conseguiria voltar para o hotel sozinha, ja que tinhamos acabado de chegar na cidade e muito menos de meias. Mas deu tudo certo, apesar do cansaco e das rizadas que demos depois da situacao.

Complexo Imam Reza!

 

No dia seguinte saimos com a familia do Reza para jantar e tambem fomos resolver os problemas do visto do Turkomenistao. A familia do Reza era muito legal, apesar de nao falar uma palavra em ingles. Fizemos um pinquineinque e fomos conhecer o maosoleo do Ferdosi, o poeta preferido do Reza.

Reza e o Gui no mausoleu do Ferdosi!

Outra coisa que chama atencao no Iran foi o transito enlouquecido. Nao existe a tal da “preferencial”, a preferencial ‘e preferencial para todos. Mas em nome da simpatia, do taruf e da educacao persa, que deveria ser modelo para todos os colegios no mundo, eles nao se xingam, nao gritam, nada. Tambem nao usam buzina. Dao finos e mais finos nos outros motoristas, olham um para o outro, sorriem, e continuam. Um dia vimos um acidente, um carro capotado no meio da rua, os envolvidos com a ajuda de alguns curiosos, simplesmente viraram o carro de “cabeca” para cima de novo e tiraram do meio da rua, acho que ainda nao chegou aquela coisa de esperar a policia chegar sem mexer um centimetro.

Transito em Mashhad!

Repetimos mais uma saida com ele no nosso ultimo dia e ele nos levou a parte cool da cidade. Nao dava pra imaginar que aquela area ficava em Mashhad. Como estavamos num hotel de centro e perto do complexo, so viamos pessoas mega conservadoras nas ruas e ele nos levou na Batel Soho da cidade. Cheio de barzinhos, que ficam abertos ate meia noite, e claro nao vendiam bebidas alcoolicas, mulheres arrumadesimas com suas calcas jeans e lencos na cabeca so tapando o rabo de cavalo, com blusas compridas mas no maior estilo, quase parecendo que nao era por causa da lei, mas a roupa que usariam normalmente. Meninos bombados fazendo cara de mal e lojas internacionais mega descoladas. Jantamos numa pizzaria e eles nos presenteou, como era de se esperar do Ira (afinal nao conhecemos ninguem que nao nos deu um presente) com um livro dos poemas do Fersosi, e como a celebre frase: “uma recordacao pra voce lembrar da gente”.

Voltei para casa super triste quando me dei conta de que aquele era o ultimo dia no Iran. Na verdade estava de luto desde os ultimos tres dias. Quando entrei no hotel, me ataquei a chorar copiosamente, me lembrando dos momentos vividos no Ira e principalmente dos momentos memoraveis com as pessoas que tivemos a “sorte” de cruzar no caminho. As melhores experiencias de viagem que tive com pessoas foi sem duvida no Iran, varias vezes tinha que disfarcar e chorar pelos atos de bondade que os iraniaos tinham com a gente.

Quando ainda estavamos na pizaria escrevi uma cartinha para o Reza entregar a familia dele, ja que eles nao puderam vir nesse dia, porque a irma de sua esposa tinha acabado de chegar no aeroporto direto da Turquia. Quando ele viu eu escrevendo se emocionou e agradeceu muito. Os iraniamos se emocionam facil, pelo que percebi. E sem alcool. E ‘e uma emocao diferente, ‘e uma emocao religiosa, ‘e uma emocao de amor ao proximo. O coracao deles ‘e muito grudado com o corpo. Nos despedimos do Reza na frente do hotel e eu ja estava com um no na garganta. Liguei para Sumi, Payam e Nana para me despedir tambem. Foi uma choradeira dos dois lados.

Deixei o Ira com uma sensacao maravilhosa de contentamento e saudosismo, um dos paises mais fantasticos que ja conheci, um dos lugares que mais me senti feliz em estar, um lugar diferente, um lugar realmente especial! Fui embora com orgulho do Ser Humano! Fui embora apaixonada pelos persas. Fui embora com o coracao apertado. Parabens Ira e muito muito obrigada!

Foi bem dificil deixar a casa da Sumi e do Payam. Se nao fosse o bom senso do Gui, eu estava la ate hoje conversando no sofa. As vezes fico pensando que se viajasse sozinha, ao final de dois anos teria conhecido no maximo 10 paises. Teria ficado um mes numa ilha aprendendo massagem tailandesa e fazendo snorkling; outro mes numa vila nas montanhas aprendendo culinaria indiana; outros tres meses num retiro fazendo yoga, meditando e discutindo metafisica. Gracas ao Gui nada disso foi possivel, mas por outro lado, nao teria conhecido nem um terco dos paises que visitei.

De Tehran seguimos entao para Cashan, um dos destinos mais visitados pelos turistas. Cashan ‘e uma cidade super antiga e muito interessante!! Tinha um clima bem tradicional, mulheres cobertas com seus shadors dos pes a cabeca, mercados de rua, pracas lotadas de pessoas fazendo piquiniques, e casaroes tipicos de tirar o folego, com suas “piscinas” compridas decorativas na frente. La, aproveitamos para dormir num conchsurfer, que morava na parte de baixo de uma casa. O lugar era vazio, so tinha uma cozinha equipada e tapetes ao redor, bem ao estilo iraniano, que da uma sensacao que o pessoal nao tem dinheiro para comprar moveis.

Casas iranianas!

Casaroes tradicionais!

Mais casaroes.

 

Nas ruas de Cashan!

O Reza, era simpatico e pratico. Como ele tem uma pratica enorme em receber viajantes, eu nao sei se ele se ocidentalizou ou se ele ‘e assim mesmo. Mas a experiencia da relacao nao foi tao rica como foi com todos os iranianos ate aqui. Parecia que eu estava num hostel na Europa! Ele era super pratico, despachado, mostrava os mapas, dizia os roteiros que deveriamos fazer, precos, horarios, tudo tudo, alem de ser um capricorniano que realmente seguia a risca as suas descricoes astrologicas, fazia o estilo: “respeito voce, desde que voce pense como eu”.

No dia seguinte, juntou-se a nos, um casal da australia para ficar na casa do Reza. Como o Reza passou a noite no trabalho, ficamos os quatro “sozinhos em casa”. O casal era muito legal e meio “hippies”. Ela era alema, tinha 26 anos e estava morando ha cinco na Australia, sendo os ultimos tres dentro de um carro. Tomava banho nos chuveiros publicos da praia. Acabou nao fazendo faculdade e sua vida era viajar. Trabalhava tres meses sem parar (procurava sempre trabalhos que davam tambem a estadia), e o restante do tempo viajava. Nos ultimos anos, sua vida basicamente foi trabalhar tres meses e viajar seis. Uma conta interessante! Ela dizia que nao conseguia passar mais de tres meses numa mesma rotina. Dava para ver que ela nao conseguia nada muito tempo igual, ela mudava tambem radicalmente o cabelo de tempos em tempos: preto, louro, careca, cabeluda, etc. Dizia que so nao tatuava todo o corpo porque era muito caro e não teria dinheiro para viajar.

Sozinhos em casa!

Ja ele tinha 56 anos, uma filha de 21, era divorciado, e ha 10 anos nao tinha mais casa. Decidiu mudar de vida radicalmente, de trabalhador de carteira assinada numa empresa, com carro e casa proprios, para vender tudo, passar a buscar trabalhos temporarios e viajar o restante. As vezes eles moravam na garagem da casa da ex-mulher. Se diziam amigos, mas com o tempo vimos que eram um casal. Nao gostavam de rotulos e nem queriam acumular cadeiras, mesas, diziam. Porque ter uma casa? Voce nao precisa de nada disso. ‘Quando vieram para o Brasil, passaram quase dez dias numa guest house na favela cheirando e indo nas festas de funk. Apesar da descricao ser estranha, eles eram de fato pessoas bem bacanas e divertidas. Eles eram reais, apesar de seu modo de vida ser bastante diferente.

Normalmente, nas minhas experiencias com pessoas que optam por uma vida muito fora da sociedade, elas tendem a se tornar meio artificiais, numa conversa, por exemplo, se voce fala que quer ter filhos, eles te olham com uma cara tipo “putz, mais um ordinario”. Se voce pergunta quais sao os planos, eles dizem: “que planos, vivemos do presente, do hoje…” Se voce fala que voce nao acha certo tal coisa, eles dizem: “certo? Nao existe certo e errado…” Isso me da um nervoso… Claro que estou fazendo uma caricatura e exagerando, porque geralmente isso nao vem tudo junto na mesma conversa.. Mas enfim, eles nao era assim! Tinham essas escolhas de vida no momento, mas conseguiam conversar com voce e falar de si com naturalidade. Eles estavam sendo de fato o que eles sabiam de si mesmos e aproveitavam suas experiencias para se tornar pessoas melhores, alem de tratar muito bem os locais, se doavam bastante as conversas e exitacao dos iranianos frente aos turistas. E conversavam com voce sem preconceito por voce ter uma casa e querer ter filhos. Prometeram nos visitar em Curitiba na Copa de 2014. Ficaremos esperando reencontrar o Stu e a Merlanda!

No dia seguinte fomos juntos ate Abyane, um vila nas montanhas maravilhosa, com suas casas feitas de barro, pessoas tipica, estranhamos apenas que a maior parte dos moradores eram idosos, o que demonstrava que logo a vila viraria apenas um museu. Depois de passearmos pelo meio das ruazinhas e tirar fotos com os iranianos que nos paravam no meio do caminho, fomos ate as ruinas de um castelo que ficava as margens da vila, no topo de uma montanha, e que tinha uma vista linda para a vila e para todos os lados que voce olhasse. Um dos lugares mais lindos que ja vi!

Populacao local!

Vista de Abyane do outro lado do vale!

Nos despedimos de Cashan poucos dias depois e seguimos para Isfahan. A cidade no Iran que me encantou. Arborizada, limpa, linda, gostosa e cheia de vida. A cidade mais bonita do Iran para mim. Tambem moraria la, depois dos seis meses de Howrama.As ruas eram cheias de pessoas e, as pessoas, novamente, uma simpatia sem tamanho. A praca Imam Russein, onde ficavam a maioria dos monumentos, era de chorar de tao linda. O conjunto monumentos + a praca mais frequentada da cidade, tornava o lugar impar. As mesquitas dos homens e das mulheres e os palacios eram estonteantes. As mesquitas e parte dos palacios eram revestidas de mosaicos estilo miniatura, todos de uma cor entre o azul e o verde, cor da espiritualidade para os muculmanos, eles fazem cada combinacao com essas miniaturas, misturam cores e estilos, que fica uma coisa impressionante.

Palacio das 40 colunas!

Dentro das mesquitas!

 

Arte Persa, nao 'e de babar?

 

Pinturas no museu do palacio!

Junto com a arte persa-muculmana presente nos monumentos da praca Imam Russein, mais os milhares de piquiniques e os inumeros pedidos para nos conhecerem, tornava Isfaham um lugar especialissimo. O highlight do highligth das cidades do Iran! Quanto mais o dia caia, mais iranianos saiam as ruas para fazer piquinique. Os iranianos costumam encher as ruas depois do calor do dia, e gostam de jantar muito tarde. Os convites de piquiniques para jantar podem comecar as cnco da tarde, e a janta efetimamente comecar la pelas dez e pouco.

Mais iranianos querendo conversar!

Praca Imam Russein!

Mesquita das mulheres!

Movimento da praca a noite!

 

Ponte dos Arcos em Isfahan!

Nao demorou muito, e nos encontramos com a Sumi, Payam e a Sara, que aproveitaram o fim de semana para nos encontrar novamente. Passamos a maior parte do tempo na praca e arredores, alem de jantares deliciosos, com o inesquecivel fesenjun, um frango ao molho de roma, que pretendo fazer no Brasil. Delicioso!

Com choradeira, nos despedimos dos nossos amigos, que queriam nos encontrar de novo, combinamos varios lugares, entre Brasil, Ira e ate a India. Eles enlouqueceram pela India, mas ja teremos visitas suficientes no Hindustao. Por mim pode ser no Ira, porque definitivamente voltaremos muitas vezes quantas forem possiveis.

Mulheres Iranianas

maio 19, 2011

A Sumi tinnha uma irma chamada Sara, que era uma figura curiosa. Sara tem 22 anos, mas se comportava como uma adolescente de 15, dos tempos dos nossos pais. Ela era apaixonada pelo professor de ingles. Um dia pensando em se fazer notar e seduzi-lo, advinha o que ela fez? Comprou um perfume e foi na aula cheirosa! Nao ‘e o maximo? Pois ‘e, a injenuidade da Sara nao parava por ai. Ela estava se preparando psicologicamente para experimentar alcool uma hora dessas, ela estava decidida! E tambem, se preparava para experimentar homens! Eu nunca tinha ouvido esse termo, mas o experimentar homens significa talvez dar um beijinho, paquerar….

Ela sonhava em ter liberdade para colocar a roupa que quisesse. Nao entendia porque os homens tinham que ser tao machistas e porque as mulheres no Ira tinham que casar virgem (se quisessem casar)! Queria ter liberdade de ir e vir, liberdade de expressao, queria ir numa boate e dancar ate o amanhecer, queria dancar com homens e mulheres juntos, no mesmo ambiente! No Iran no existem casas noturnas, ou coisas do tipo. Inclusive nos casamentos, de um lado fica a noiva com as mulheres e do outro o noivo com os homens, em ambientes separados, onde ninguem podem se ver. So o noivo pode circular entre os dois ambientes. Para os mais modernos, depois da cerimonia, os convidados mais intimos sao recepcionados em casa, onde tem bebida liberada, homens e mulheres dancando juntos.

Sara, eu e Sumi!

Como perder a virgindade ‘e garantia de ficar solteira, ‘e muito comum no Ira cirurgia plastica. Conforme elas, muitas mulheres fazem antes de casar. O medico mais acougueiro vai cobrar 200 e os melhores 1000 dolares. A virgindade nao ‘e restrita aos mais tradicionais, os jovens modernos tambem se casam virgem. Casar virgem ‘e quase unanimidade.

Falando em cirurgia, alem “dessa”, elas tambem sao campeas de cirurgia de nariz. Ja que a unica coisa que pode ser mostrado ‘e o rosto, ‘e muito comum ver nas ruas mulheres com esparadrapo no nariz. Elas procuram manter o rosto perfeito. P^elo ‘e sinal de fim dos tempos, portanto se depila tudo, t-u-d-o, dos dedos do pe, passando pelos bracos, ate o rosto. Quando fui ao salao em Tehram, no final do procedimento, a mulher me olhou e falou: “So isso?” Eu demorei para entender. So depois ao chegar em casa que a Sumi foi me explicar. Passado uns dois dias, com um pouco mais de intimidade, a Sumi me disse: posso depilar o seu rosto? Pelo que me constava, eu nunca tive p^elos no rosto. Deixei, so pra ver como elas faziam! Ela pegou aquele fiozinhoe com um tecnica ninja tirou muita coisa, que so com uma lupa poderia ser observado. Eu me diverti, se nao fosse dois dias depois ficar com o rosto todo cheio de marcas, porque me deu uma grande alergia!

Iranianas modernas fazendo pose para tirar fotos!

 

 

Entre amigos!

maio 16, 2011

De Howrama seguimos para Tehram. Conseguimos chegar no fim de semana. Acabamos escolhendo ligar para o “casal pos moderno”. Pegamos um onibus de nove horas ate la, bem confortavel e com servico de bordo.

Quase nove horas da noite chegamos em Tehran. Era quinta-feira, o sabado para nos, já que o final de semana dos muculmanos ‘e na quinta e sexta. Abrindo um parentes as religioes semiticas fizeram bem direitinho: sexta o dia sagrado dos muculmanos, sabado dos judeus e domingo dos cristaos. Ligamos para o Payam e ele passou o endereco em farsi para o taxista, já que eles moravam ao norte e bem longe da rodoviaria. O norte ‘e a regiao chique de Tehran. No caminho, o transito era absurdo, dizem que ‘e normal por la. Nunca morei em SP, mas parece bem semelhante, a unica diferenca ‘e que voce pode ficar parado no congestionamento, sem que ninguem venha te assaltar. Aproveitei para ficar olhando pelas janelas e conhecer a cidade. Tehram, apesar de grande, parecia bem interessante. Ao meu ver, não tinha aquela cara sempre a mesma de cidade grande, tinha uma certa identidade. Os carros eram bem velhos nas ruas e o peguet branco 206 o mais cotado entre os  jovens. No limite da cidade, ficam o inicio das montanhas, um visual sem igual.

Quase onze horas da noite chegamos a casa dos nossos amigos. A recepcao foi impactante. Eles haviam arrumado a casa para nos receber, tinham musica de fundo e uma alegria estampada no rosto. Logo nos ofereceram: “voces preferem dormir no nosso quarto, ou neste aqui ao lado, ou ainda ao modo iraniano (sobre os belissimos tapetes persas no chao)?” Escolhemos o quarto ao lado, onde eles abriram alguns colchonetes sobre os tapetes, com travesseiros fofos e cobertor. Estava temendo ter que dormir no chao-tapete novamente! Mas deu tudo certo.

Tiveram o bom senso de perguntar se queriamos tomar um banho antes do jantar e para mim foi a gloria. Tomei um banho delicioso enquanto o Gui conversava com eles sem parar. Pediram entao se podiam servir o jantar. Quando sentamos, comecou a vir os pratos impecavelmente decorados por eles, pareciam de restaurante. Coisa mais bonitinha. Eles tinham realmente se empenhado para nos receber.

Cardapio: frango com legumes e pessego ao redor, arroz com acafrao e frutas secas com a parte queimadinha, um molho vermelho apimentado com carne moida bem tipico e delicioso,azeitonas, e  iogurte gelado com menta. Tambem tinham comprado um vinho para tomarmos. Mas deu para ver que foi so pela gente, pois quando foram procurar o saca-rolhas, viram que não tinham rsrs. Depois veio a sobremesa que não lembro bem o que era, mas bem gostosa.

E dali em diante, engatamos num papo mais interessante que o outro, que foi de chorar de tao bom. Eu não acreditava que aquilo poderia estar acontecendo, me beliscava de tao emocionada. Porque geralmente apesar de gostar muito de pessoas, de estar com elas e de escuta-las, dificilmente as pessoas conversam coisas que realmente me interesssam. Falam mais das coisas que estao acontecendo fora delas, seja na politica, na economia, na biologia, na moda, na educacao, no trabalho, na tv, no cinena… Ja com essas pessoas, nos falamos de tambem de diversos assuntos, mas elas estavam ali, presentes, em cada um deles. Falavam da politica, da economia ou da sociologia, mas de como isso as afeta tambem. Não como um jornalista escreve uma reportagem, imparcial, imparcial, imparcial. Se interessaram em saber a historia do cristianismo, em entender a nossa religiao. Queriam compreender as diferencas entre catolicismo e protestantismo, por exemplo, assim como nos queriamos entender as diferencas entre xiitas e sunitas. Eram pessoas que falavam de si mesmas, sem achar isso over, profundo demais ou esquisito. Mas como uma coisa natural que se fala entre pessoas que vivem, aprendem, pensam, sofrem, se alegram, buscam, encontram, perdem e ganham.

Eu não sei quantos dias eu poderia ficar ali conversando com eles… Mas foram quatro dias intensos, onde nos dormiamos as quatro ou cinco da manha, pois passamos a maior parte do tempo sentados no sofa, falando falando e falando.

Cafe da manha - cara de sono ou nao?

E o cuidado deles com a gente era impressionante, não podiamos mover uma palha para levantar um prato da mesa. Disseram que era costume iraniano, o hospede ‘e sempre um enviado por Deus, est’a no Corao. Me sentia realmente enviada por Deus, pois faziam tudo por nos. Eu ate brincava dizendo: “a princesa quer cha agora!” hehe. Alem de não deixarem nos encostarmos na carteira, ate minha ida ao salao foi paga. Nada, nada, nada, não podiamos nem pensar em pagar uma bala.

Ao longo dos dias foram vindo os presentes, em ordem: um chale colorido lindo, um brinco, um livro de poemas em farsi, um livro de poemas em farsi e ingles, um pedaco de tecido retirado do vestido de uma noiva que da muita bencao, duas canetas lindas, pois vinham que nos tinhamos diarios, um terco comprado num dos lugares mais sagrados para o muculmanos xiitas, Kerbala (onde morreu o Imam Hussein), se não estou esquecendo de nada, ‘e isso.

Durante todos os dias, os outros amigos Nana e Abbas, que nos chamavamos de Yazd, pois ele era de la, ligavam todos os dias insistindo para irmos para casa deles. Como não conseguiamos parar de conversar com a Sumi e o Payam, tentavamos despista-los, com a desculpa de amanha, e depois amanha de novo… no fim das contas acabamos não indo. Mas fizemos programas muito legais com eles tambem. Um jantar na casa deles, uma festa, e outro jantar fora de despedida.

Sexta fomos na festa da casa de campo da Nana, na saida de Tehran, perto da montanhas. Foi muito interessante ver todos os iranianos arrumadissimos nos seus carro,  para as baladas nas casas dos amigos aos arredores de Tehram, para terem algum sossego com a bebida.

A maior parte da populacao iraniana ‘e muito religiosa e tradicional e apoiam o governo, e há uma minoria moderna e secular que não apoia e tenta na medida do possivel levar uma vida livre ali.

Foi o que vimos nos carros. As mulheres super maquiadas e carros e carros de amigos indo para a casa de alguem. No caminho a policia já sabe e faz um tipo de blitz, que ‘e na verdade para verificar se eles tem bebidas, entao o engarrafamento ‘e grande.

Chegamos na casa da Nana por volta das nove horas da noite e todos os seus amigos estavam sentados ao redor de uma mesa, as mulheres todas a vontade, de saia, regata, etc., havia um quarto para mudar de roupa ao chegar, largar a scarf, e mantum. Uma das convidadas estava cantando. Os iranianos adoram rescitar poemas um para o outro, da para acreditar? Que povo mais sofisticado!

Ficamos ouvindo, depois vieram as comidas e  o DJ comecou a botar pra quebrar. As musicas eletronicas, mas iranianas. Bem interessante. Elas dancava de um jeito que lembrava as indianas, mas muito mais sexy e charmoso, não aquela coisa bracos para um lado e para o outro. Os homens dancavam juntos olhando um para o outro. Fotos e mais fotos eram tiradas. Na hora da foto, todos se juntavam e  faziam uma pose coletiva maluca, num estilo “ como nos divertimos, como somos felizes juntos, nos contra o mundo….” Bem engracado de ver.

Dancei um monte, tentei imita-las uma hora, mas disseram que eu estava dancando indiano não iraniano, enfim… e depois fomos para dentro da casa, onde cada um pegou um instrumento, daqueles super antigos, classicos que voce ve em fotos nos livros dos poetas e comecaram a rescitar um para o outro novamente. Muito legal!!!

Ate que repentinamente, veio a noticia de que a policia estava la fora e tinha sido subornada por 100 dolares para todos sairem da festa em 15 minutos, pois eles iriam voltar e prender todo mundo. La veio a correria para sairmos, eles tentavam nos deixar calmos dizendo que isso era normal, e que eles so queriam dinheiro, mas nos ficamos preocupados. Eu tava me divertindo com tudo, mas o Gui temia ser expulso do pa’is, eu achava que era exagero Guilhiano.

La fora, os carros dos convidados ficavam um em cada canto, bem longe da casa para não chamar atencao. Fomos pegar o nosso e seguimos embora. Nossos amigos pediram mil desculpas para gente pelo ocorrido. O Gui brincou que não tinha problema, que eles podiam nos levar sempre para situacoes arriscadas, desde que elas acabassem bem no final, como essa.  Eles disseram que se tivessem entrado, com certeza nos seriamos os turistas brasileiros presos numa festa de manchete nacional.

A Sumi nos contou que estava muito nervosa, pois ela não bebe e se caso a policia baixasse ali, ela seria presa junto, e como ela ‘e diretora de cinema, a carreira dela estaria arruinada no Ira… Percebemos que a situacao não ‘e brincadeira, um dos convidados por exemplo, no camiinho para a festa foi pego com seis garrafas de uisque (o equivalente a um caso de trafico no Brasil), numa das blitz da policia, e teve que pagar 3000 dolares para não ficar seis meses preso e levar 70 chibatadas. Da para acreditar? Vimos que a coisa ‘e seria, mas que eles já sabem bastante como lidar com a situacao e viver num pais fechado. E a policia corrupta no fim das contas ajuda um monte.

O Payam e a Sumi brincavam todo dia quando tinham que sair de casa para qualquer coisa, que eles  precisavam incorporar a segunda personalidade. Diziam que tinham duas, a de casa e a publica. Em casa: bermuda, camiseta, assuntos sem censura, etc, na rua: calca e camiseta, e as mulheres, calca, mantum e scarf.

Da para perceber que ‘e um sistema que so não caiu ate hoje, porque o povo em geral ‘e muito religioso. E ‘e bastante complicado opinar, porque tem certas coisas que são bem melhores la do que no ocidente e outras que não. Alem do que, me faltam informacoes e conhecimento suficiente para poder ter uma opiniao justa, entao posso falar mais do que saltou aos meus olhos e do que as pessoas que conversamos se sentem afetadas.

O povo por ser religioso mantem o pais seguindo suas tradicoes, como se ve pelos poemas, instrumentos, musicas locais, roupas, costumes, etc., o que acaba segurando a onda para daqui um pouco não estar todo mundo escutando o mesmo hit internacional, o tipo moderno padronizado globalizado.

A seguranca ‘e enorme nas ruas, pois o povo ‘e religioso, o que torna eles muito mais morais em seu comportamento, alem da lei severa para intimidar os realmente bandidos. O clima no Ira em geral ‘e muito respeitoso, os motoristas dirigem feito loucos com suas regras de transito quebradas, e voce nao ve uma buzina, uma cara feia. Entre as pessoas ha tambem uma clima de apoio mutuo, o que nitidamente ‘e resultado de um povo com uma forte vida espiritual.

Por outro lado, as condicoes de vida para muitos ‘e dif’icil. Escutamos muitos iranianos reclamando que precisavam trabalhar demais e que os precos nao paravam de subir. Qualquer protesto na rua ‘e fortemente reprimido, e o governo usa a religiao para dizer que aquilo nao esta de acordo com o Corao, e o povo religioso, acata.

Quem quer liberdade para escolher o tipo de vida que quer levar, desde a roupa ate o comportamento, ‘e proibido de seguir sua vontade.  A liberdade de imprensa, por exemplo, ‘e quase nula. A Sumi contou que todos os filmes que ela pretende fazer, antes precisa ser enviado ao governo para aprovacao do tema, para so depois rodar. Entao, ao escolher um filme ela precisa pensar num tema que nao seja sens’ivel ao governo. Conta inclusive que nao tem vontade de sair do Ira, pois ela quer promover reflexoes para os iranianos atraves do cinema, por acreditar que o Ira precisa disso. Ela ja foi premiada por alguns de seus filmes na Europa, e ja recebeu convite de ficar por la, mas acredita que nao tem tanto a acrescentar nestes paises. Ja o Payam precisa fazer uma arte feliz, onde so expresse coisas boas, para as pessoas não verem os problemas do  pa’is. Na televisao muita comedia, isso nos chamou atencao. Alem de muuuitos sites bloqueados na internet.

As minorias religiosas, como os Zoroastras e Cristaos, são descriminados pelos muculmanos. Enfim, o Ira ‘e um pais como todos os outros – imperfeito. São problemas diferentes que os nossos, mas são problemas iguais. Uns maiores, outros menores, mas não importa, alguem já viu um pais justo? Alguem já viu uma sociedade justa? Alguem já viu um governo justo? Se fosse possivel a terra seria chamada de paraiso.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.