As Quatro Nobres Verdades de Buda!

Para quem esta acompanhando o blog sabe que estamos agora na India. Como o pais ‘e riquissimo em todos os sentidos, esta dando trabalho preparar e compilar os textos para postar e voces poderem desfrutar com a gente. Enquanto isso, resolvi resgatar o post das “ 4 Nobres Verdades de Buda” e incluir nele o caminho para atingir a Iluminacacao, para que voces possam compreender melhor e junto comigo, migrar de religiao e de cultura – do Budismo para o Hinduismo.

As Quatro Nobres Verdades de Buda!

Contando novamente um pouquinho da historia de Buda ja comentada em post anterior…

Quando Buda nasceu, astrologos disseram ao sei pai que Buda teria um destino unico e especial. Se ele amasse o mundo, se tornaria um monarca e unificaria todos os reinos hindus, mas se por acaso nao amasse, seria um grande lider espiritual. Como o pai de Buda era um rei, pensou: “prefiro que ele seja um grande monarca, entao nao vamos da-lo nenhum desgosto”.

E Buda foi criado num ambiente de felicidade artificialmente construido. Nao eram permitidos velhos, doentes, pessoas de mau temperamento, ma indole e com vicios.  No seu primeiro ano de vida foi construido uma cidade so para ele. Quando ele atingiu a adolescencia, o pai o presenteou com tres palacios com 40 mil dancarinas.

Mas como Buda gostava muito de fazer exercicios, tornando-se habil em luta, tiro e cavalgadas, quando foi ficando mais velho quis cavalgar mais longe do castelo, mas o pai, naturalmente, nao o deixava. Entao, um dia, apos muita insistencia o pai permitiu, e como garantia, pediu para o exercito do castelo ir na frente afastando tudo o que poderia ser ruim, para que Buda passasse sem perceber.

No caminho, de longe Buda avistou um velho e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um velho, ‘e a velhice!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da velhice?”  “Sim!”, respondeu o guarda.

Mais para frente Buda avistou um doente e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um doente, ‘e a doenca!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da doenca?”  “Sim!”, respondeu o guarda.

Ainda no caminho Buda avistou um cadaver e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um cadaver, ‘e a morte!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da morte?”  “Nao!”, respondeu o guarda, “ ninguem escapa da morte”.

Em seguida Buda de longe avista um monge mendigante e pergunta ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda responde: “Aquilo ‘e um monge, ‘e alguem que abandonou o mundo!

No caminho de volta, Buda ficou pensando seriamente: “se eu posso escapar da doenca, da velhice, mas nao da morte, qual o sentido de todos esses prazeres?” E pouco tempo depois, ele foge do palacio e conhece praticantes de rajayoga (exercicios que preparam o sujeito para o controle e dominio do corpo) que ensinam alguns exercicios e ele se torna mestre em todos os metodos: ficar enterrado tantos dias, ficar sem comer tanto tempo, etc.

Mas Buda continuava com suas inquietudes em relacao a vida e pensando: “ se existe a velhice, a doenca e a morte, a existencia tem um problema, porque todos estao sujeitos ao sofrimento! E decide parar com as praticas, ao perceber que so livravam do sofrimento fisico, para ir atras da resposta a sua pergunta. E sai para meditar isolado sobre a questao do sofrimento e dias e meses depois acorda e se torna o Buda.

E vai procurar os ex-colegas de rajayoga para dizer que compreendeu o problema do sofrimento e em quatro etapas. Este constitui ‘e o postulado fundamental do Budismo: As Quatro  Nobres Verdades. O unico ponto que todos os ramos budistas concordam.

Primeira Nobre Verdade: A verdade do sofrimento!

Todos os seres sofrem! Mas existe uma “anestesia mental” que alivia esse sofrimento. Uma especie de expectativa passiva do sofrimento, que de algum modo livrara o sujeito, como um “ vai passar, dias melhores virao!”. E Buda percebe que nao consegue fundamentar essa expectativa: vai passar como? E diz que ela ‘e a maior inimiga espiritual do homem. Isso serve para pensar: eu tenho que trabalhar para resolver esse problema e cessar esse sofrimento!!

Mas compreende que os todos os sofrimentos cessam, mas antes deles cessarem, aparecem outros.  Os sofrimentos sao partes intrinsecas da vida tal como a conhecemos. Doh’a ‘e traducao de sofrimento que significa originalmente “o desencaixar do tubo de uma roda em relacao ao seu centro.” Quando as carrocas estao andando e o raio desencaixava, por exemplo, ‘e o doha. Sofrimento ‘e primeiro o desencontro/desarmonia com o meio e segundo, com as diversas partes do individuo. Este desencaixe ‘e que provoca o sofrimento.

Segunda Nobre Verdade: A verdade das causas do sofrimento!

Porque a dor ‘e um sofrimento? Porque ela nao encaixa com voce, com o sujeito e o objeto da sensacao (voce e o outro, voce e o meio).  E o que o sujeito faz com isso? Deseja um encontro ideal! Quando voce encontra essa desarmonia, a mente imediatamente concebe uma relacao possivel e harmonica, e a deseja.

A causa do sofrimento ‘e o desejo. Aqui desejo nao tem o sentido comum. Ele usa a palavra desejo para o desejo de Realizacao Pessoal. Por isso, ele concebe um modelo ideal que nao causaria esse sofrimento e dai ele muda o mundo fora para que se adeque ao sujeito. O desejo de ordenar os objetos da percepcao a uma ordem do sujeito de percepcao! O desejo de recriar o mundo a sua imagem e semelhanca.

E ‘e possivel fazer isso? Buda pensou: eu nao sei! Pois eu nao sei quem ‘e esse EU que quer reordenar as coisas, preciso estuda-lo.  E percebeu que o EU faz isso porque ele gosta mais dele do que do mundo. Voce ‘e apegado a voce, mas nao ‘e tao apegado ao mundo. Voce NAO pode se imaginar de diversas maneiras, so de algumas. Buda entao comeca a investigar o EU e chega a terceira nobre verdade.

Terceira Nobre Verdade:  A verdade sobre sua verdadeira natureza!

O eu nao corresponde a nenhum objeto real. Quem ‘e o EU? O que voce chama de eu ‘e um conjunto  de relacoes com um nao-eu (o outro, o meio, tudo sao nao-eus).

Todas as coisas que definem voce ‘e uma relacao com um conjunto de objetos. Eu sou filho de fulano, eu sou esposa de ciclano, etc. Tudo o que compoe a ideia de eu, esta em relacao com algum objeto especifico que ‘e um nao eu. E so existe o eu porque existe os nao-eus e uma mente capaz de percebe-los.  E dai Buda se pergunta: e o que ‘e essa mente? E percebe: essa mente nao tem caracteristica de um EU! A mente nao ‘e nenhum deles. Ela ‘e so um testemunho destas relacoes entre o eu e o nao-eu.

Abrindo um parenteses:

O Budista fala de mente no sentido de intelecto, que significa a consciencia da captacao de uma realidade, nao como parte nao material do organismo, como no ocidente. O intelecto ‘e a consciencia do ser.

 

Entao Buda pensa: eu quero testemunhar a mente/ intelecto, para responder finalmente o que ‘e o EU. E compreende a terceira Nobre Verdade.

Buda percebe que seria como um jogo de espelho. Ele teria que criar um instrumento para que a sua mente se voltasse para ela mesma. O unico jeito seria silenciando a mente para ver o que restava. E percebeu: a mente da mente ‘e o fundamento ultimo da realidade, isso ‘e o real!

A verdadeira natureza da mente ‘e infinita, sabia, passiva no sentido de nao haver perturbacoes, pois ‘e ausente de dualidade, nao ha dois. ‘E iluminada. Ela ‘e a verdadeira natureza de todos os seres. Buda deu todas as caracteristicas do que a gente atribui a Deus. E fechou, dizendo que a sensacao do sofrimento ‘e possivel porque a sua causa ‘e a ignorancia em relacao a verdadeira natureza do ser!

Apos essa meditacao a respeito do sofrimento que Buda ao acordar e ser questionado por sabios sobre quem ele era, respondeu: “Eu sou Buda, eu sou desperto!”

Apos isso Buda se tornou O Iluminado e passou a ensinar a Quarta Nobre Verdade. O caminho para atingir a iluminacao, para se tornar Buda. O unico jeito do individuo se livrar dos ciclos de reencarnacoes, que para um budista conscio de sua doutrina sabe o quanto as reencarnacoes nao sao nada boas quanto parece para os ocidentais. Porque a logica ‘e simples, se voce foi bom, voce nao volta, voce fica la em “cima”.

Do caminho octoplus ‘e que foram criadas varias adaptacoes para que o sujeito, caso nao consiga atingir a iluminacao, possa concluir esse processo no “ceu” e sem precisar retornar. Dessas adaptacoes ‘e que surgiram os diversos ramos de Budismo existentes e que alguns, inclusive, se contradizem.

Quarta Nobre Verdade: O caminho para sessar o sofrimento.

O nobre Caminho Octoplus para que voce atinja a ilumincacao…

1- Visao Correta:

Voce precisa ter uma clareza intelectual suficiente para compreender a doutrina da iluminacao. Isso significa que voce precisa entender o conceito de: iluminacao; de ignorancia fundamental; das tres nobres verdades anteriores; do eu e do nao eu.

2- Intencao correta:

Uma vez que voce compreendeu a doutrina – o que ‘e a iluminacao, entao voce precisa intensionar, querer a ilumincacao.

3- Linguagem correta:

Uma vez que voce quer a iluminacao, voce precisara frente aos obstaculos da iluminacao,  reexpressar para voce mesmo constantemente a doutrina para nao se desviar.

4- Conduta Correta:

Voce precisa enquanto isso nao violar 5 preceitos.

Nao matar, nao roubar, nao mentir, nao ser incasto, nao ingerir substancias inebriantes ou bebidas.

5- Ocupacao Correta:

Buscar uma ocupacao, objetivamente e subjetivamente, que nao seja contraria a iluminacao, ter uma ocupacao que te ajude na caminhada e que nao exija que voce deixe de seguir alguns dos preceitos.

6- Esforco Correto:

Sempre fazer muitas acoes que visam exclusivamente a iluminacao.

7- Atencao Correta:

Sua atencao geralmente se volta para as relacoes com os objetos e agora tem que se voltar apenas para a testemunha dessas relacoes – a mente. A unica maneira de sessar o sofrimento ‘e voce acessar a sua verdadeira natureza, ou seja, chegar a Iluminacao.

8- Concentracao Correta: Alcancar um estado correto de atencao a esse testemunho da mente e persegui-lo.

Onde ficam as pessoas mas?

Buda nao classifica as pessoas em boas e mas. Ele classifica em tres: boas, mas e excelentes! As boas nao fazem o mal, mas fazem uso apenas dos instrumentos (objetos) da vida e nao conseguem ser nada fora a estes instrumentos, que sao finitos. As excelentes conseguem! E o mal ‘e quando o sujeito esta fora de sua ordem intrinseca, de seu alicerce, distante de sua verdadeira natureza. Os budistas possui a mesma visao de homem do Hindu.

* Essas palavras foram tiradas das aulas gravadas do site www.luizgonzagadecarvalho.com.br, no estudo de Religioes Comparadas, aulas de Budismo; das visitas aos templos e das informacoes disponiveis nestes.