Na Terra dos Kazaks!

Da terra dos Uzbecs, seguimos para a terra dos Kazaks. Não tinhamos muita expectativa em conhecer o pais, pois tudo o que ele tinha de melhor para ser visto, os paises vizinhos tinham de sobra. O Uzbekistao ‘e a terra das madraxas, o Kirguistao das montanhas, o Turkomenistao da ditadura, e o Kazakistao? Sabiamos apenas de um parque nacional perto da cidade da fronteira com o Uzbequistao, portanto por onde iamos chegar, e Almaty que ‘e uma cidade super moderna e o orgulho dos jovens Kazaks. Ficamos dois dias em Shimikent, num hotel dentro de um shopping, uma experiencia diferente dormir num shopping (meio esquisito, mas uma sensacao forte de seguranca por outro lado). Aproveitamos para conhecer a cidade, comer uma comida mais ocidental e entender como chegariamos no tal parque nacional.

Antes de ir ao parque, fomos conhecer o Turquistao, uma cidade sagrada para os Kazacs há duas horas dali. Na antiguidade o Turquistao compreendia toda regiao da Asia Central, onde ficavam o turcos e seus descendentes, os uzbekz, kazacs, kirguis, turkomens e tagics. Visitamos o pequeno complexo de mesquitas e mausoleu do grande Mestre Sufi Iyasaui do sec 13, que influenciou enormemente o famoso Molavi e serviu de centro de peregrinacao durante muito tempo para todos os paises muculmanos da Asia Central. Tivemos a sorte de encontrar um guia do museu que nos explicou muito bem da cultura dos Kazacs, por meio da grande influencia do Mestre Sufi na formacao do pensamento deles. Antes do Iyasaui chegar e pregar o islamismo, os kazacs eram um povo nomade e pagao. Como o mestre sabia falar a linguagem do povo e portanto procurava ensinar de forma simples, muitos Kazacs foram convertidos antes dos russos chegarem e já contavam com uma grande devocao por seculos. Mas durante o periodo da Uniao Sovietica foram proibidos de praticar, ler livros e ir a mesquita. Muitas foram destruidas e outras transformadas para outro fim.

Mausoleu!

Os Kazacs se orgulham muito de terem aprendido o islamismo atraves do mestre sufi, pois não se tornaram fundamentalistas, como alguns extremistas islamicos. Como o Sufi tem o papel correspondente ao do monge nas outras religioes, o enfoque ‘e na vida espiritual muito mais do que nos mandamentos. Mas isso não significa que os mandamentos não devam ser seguidos, e os ritos praticados e nem que os proprios Sufis não os sigam, mas apenas mostra um olhar que transcende a lei, depois do fiel ja te-la compreendido bem e pratica-la. Infelizmente depois da URSS, e talvez por terem aprendido o islamismo por esse olhar, e nao souberam talvez aproveitar a beleza da coisa, hoje os kazacs se orgulham bastante de serem muculmanos, mas acabaram suavizando demais a mensagem do mestre, deixando uma coisa tao superficial, que por mais que eles queiram voce não ve a mesma devocao que voce ve em outros paises muculmanos. Os devotos acabam pegando as partes mais interessantes dos discursos para eles e se mantem meio preguicosos quanto as praticas. Tipo “Ramadan ‘e importante, mas tem que ser feito sempre, não so durante trinta dias, ‘e uma atitude interna…”, lindo discurso, mas daí acabam por não fazer nem durante os 30 dias e nem no resto do ano. Todos bebem tambem e muito. Nao ha aquele senso de caridade tao forte, eles nao tratam “o estrangeiro como um enviado de Deus”. ‘E tipo o nosso “ catolico nao praticante”. Não sei, mas esse discurso não me convence mais. No fim das contas o Sufi acaba sendo mais um quadro na parede e o islamismo não faz parte de verdade da vida da populacao, pelo menos nao da maioria.

Bom, do Turquistao seguimos para o parque nacional, que surpreendeu bastante, era realmente belissimo, mas sabiamos que o vizinho Kirguistao era imbativel e que provavelmente aquilo seria so uma amostra. Passamos dois dias juntos com a natureza, tomando banho de rio e passeando aos arredores. La, aproveitamos para dormir pela primeira vez num yurt, aquelas barracas redondas estilo mongol, e a experiencia foi legal, como elas tem um teto alto e realmente são bem fechadas, voce se sente muito mais confortavel do que numa barraca. Do parque pegamos um trem para Almaty, e tivemos o azar de pegar mais um trem com o ar condicionado estragado, e a nossa cabine ainda ficava na saida de emergencia, entao nao podiamos nem abrir a janela. Fiquei nervosa de tanto calor que passei. Eram quase sete da noite e batia quase 40 graus la fora. E se formava um ar quente sem circulacao dentro do trem que parecia que faltaria ar.

Maravillhoso!

Picos nevados de fundo!

Almaty realmente impressionou, era bonita, arborizada, com varias pracas com chafarizes e estatuas dos comunistas para todos os lados e predios sovieticos, bem parecidos com os vizinhos que passaram pela mao do Stalin. Cheio de casas noturnas, barzinhos, etc. Aproveitamos para irmos num café daqueles para se sentir em casa e poder pedir machiatto, shakes e tudo mais. Os jovens super a vontade, como se estivessemos na Europa, shorts, regata, casais novos de maos dadas, e tudo mais. Foi a primeira vez tambem que conseguimos publicar nossas fotos no blog desde o Iran. Visitamos uma igreja ortodoxa belissima e mais uma vez eu fiquei impressionada com as igrejas ortodoxas. O simbolismo e as pinturas e retratos presentes são muito tocantes e os devotos beijam varias e varias vezes a Virgem Maria, Jesus, os apostolos e saem sem virar de costas fazendo pelo menos tres vezes o sinal da cruz. Apesar da devocao, o pais tem uma religiosidade bem fraca, os russos que vivem la são os cristaos, e os kazacs são os muculmanos, mas bem mais discretos, de vez em quando voce ve algum devoto rezando pelas ruas. Não ouvimos chamadas das mesquitas tambem, o que ‘e raro em um pais com muculmanos.

O trem!

A linda igreja!

Nas escolas e universidades se aprende tudo em russo, a lingua oficial ‘e o russo, conhecemos alguns kazaks que so falavam russo, pois quando se aprende o kazak, se ‘e aprendido, ‘e em casa. Depois de quase 10 dias deixamos o Kazaquistao com um sentimento de que valeu a pena ter conhecido, pois os kazaks eram bem bacanas, e o pais apesar de não ter grandes atracoes, merece ser visitado. Mas realmente não há nada no pais que marque voce, nem as madraxas, nem as pessoas, nem as montanhas. Almaty foi uma cidade que surpreendeu, apesar de moderna, era bem gostosa de estar, calma. Os kazaks são simpaticos, mas tem ainda aquele jeitao mais seco da Asia Central, parece que os russos deixaram sua marca no povo. Nada de sorrisos para ca e para la e vontade de te conhecer, mas depois de quebrado a primeira barreira, ficam bem mais soltos e prestativos, achamos os mais simpaticos dentre os vizinhos.

Influencias Celestiais! Viagem com o Baba Mondi…

A coisa foi muito estranha… A caminho da rodoviaria o Stefan vira para nos e diz: “ se quiserem posso levar voces ate Scopje e ja aproveitamos para passear um pouco”. Nos olhamos e pensamos em silencio: “sera?” Pois sabiamos que como a decisao tinha sido de ultima hora, o Sefan precisaria se organizar e teriamos que esperar… Como ele e o relogio eram grandes inimigos, ficamos com receio. Mas acabamos por dizer: “ tudo bem, mas como fariamos?” Ele nos largou num posto de gazolina com wi-fi e area para tomar cafe e pediu 10 min.

Quase tres horas depois nos buscou com a Gerry. Aquelas alturas nos estavamos indignados, super arrependidos de nossa decisao. Ainda passamos na casa da Gerry para ela buscar suas coisas e seguimos. O Stefan nos convenceu de aproveitar para irmos por outra estrada bem mais bonita ja que estavamos de carro, entao decidimos pular Scopje e ir direto para Ohide.

Uns 20 minutos depois, ja fora de Sofia, eu olho para o Stefan e pergunto: “e o Lake Makata ‘e no caminho? Pois poderiamos parar para conhece-lo.” Ele responde que nao sabia onde era o Lake Mataka, o Gui me corrige dizendo que o tal lago era para o lado de Scopje, a rota anterior. O Stefan p’ara o carro num posto de gazolina e da uma olhada no mapa e diz: “se quiser mudar a rota e ir de novo para Scopje nao tem problema, aproveitamos para conhecer com voces o Lake Mataka.” Como falei antes, sua direcao era o vento! Entao, ele voltou para estrada e falou: “ temos 5 minutos para voce decidir”. O Gui colocou nas minhas maos, pois ja cansado de tantas alteracoes. Eu falo: “vamos para Scopje entao conhecer o Lake Mataka!!”. Dois minutos depois fazemos uma curva enorme e mudamos nossa direcao…

Chegamos em Scopje, lugar onde foi criada a nossa querida Madre Teresa. A cidade era legal ate, bem mais do que falavam. Mas so deu tempo de jantar e procurar um hotel para dormir. Dia seguinte fomos ao Lake Mataka uns 40 km dali e o lugar era lindissimo, valeu super a pena. E aproveitamos para fazer um piquenique num monasterio cristao ali do lado. Lindo tambem.

Lago Mataka!

Monasterio cristao.

Como optamos por este caminho via Scopje, tinhamos nos nossos planos passar uma tarde em Tetova, uma cidadezinha de maioria albanesa dentro da Macedonia. O Stefan ia nos deixar na estrada para pegarmos carona ate la, quando resolveu, nos deixar no centro de Tetova. Ja que estava la, decidiu nos acompanhar em nosso plano de conhecer uma mesquita recomendada e seguir viagem. Quando estavamos nos despedindo eles adiaram o plano novamente resolvendo ir com a gente tambem conhecer um Monasterio Sufi. Chegamos meio apressados para conhecer o monasterio pois ainda seguiriamos viagem ate Ohide, e eles ate Sofia, quando encontramos um seguranca que cuidava do lugar para nos passar algumas informacoes. Nos contou que o monasterio tinha se tornado com o comunismo um restaurante para festas de casamento e tambem jogatina. E hoje havia apenas uma mesquita e tres sufis que moravam la tras, mas nao mostrou aonde. As informacoes estavam bastante estranhas e ate comentei com o Gui: “onde estava o monasterio que queriamos conhecer?”

Entao quando ja iamos embora, nos desencontramos da Gerry e Stefan e cansados de espera-los no portao, voltamos para dentro procura-los. Eles sem querer entraram numa porta errada a procura de banheiro e comecaram a conversar com um homem, quando nos chegamos. O tal homem era devoto da Ordem Sufi Bektaishi e ali era onde moravam os tres Sufis. Imediatamente ele nos convidou para entrar.

Abrindo um parenteses, cabe explicar o que ‘e o Sufismo. Diferente do cristianismo, o islamismo nao tem uma autoridade religiosa central, nem fora nem dentro das mesquitas. A autoridade esta subdividida em tres “areas” que se complementam: o xharia que ‘e a lei e o aspecto juridico da religiao; o iman que ‘e a fe, a doutrina que o devoto deve crer, comandada pelos teologos; e o issan que signifca “o que ha de melhor”, o m’istico do Isla, que consiste “em agir como se voce estivesse diante de Deus o tempo todo”, comandada pelos Sufis. Os sufis sao o modelo de comportamento que todo o muculmano deve aspirar! E existem escolas para explicar cada uma delas – a xharia, o iman e o issan. O devoto comum se preocupar’a mais com a xharia (seguir corretamente os mandamentos); os mais interessados quererao tambem compreender a fundo a doutrina, os artigos de fe e nao somente segui-la; e alguns poucos, quererao servir completamente e unicamente a Deus, como os nossos monges e santos, e irao buscar o Sufismo.

Obviamente resolvemos entrar e eu ja dava pulos de alegria, pois estava dentro de um monasterio Sufi podendo conhecer de perto. Esse era um sonho que eu tinha na viagem, da mesma forma que queria conhecer os yogues/gurus da India, os monges budistas, queria muito conhecer os Sufis. O Bene, o tal devoto comecou a nos explicar sobre a ordem Bektaishi e nao conseguiamos nos mexer de tao bom que era ouvi-lo falar, sendo que ele era apenas o devoto. Junto conosco estava um sueco nascido na Albania que era PHD em Estudos Islamicos e estava fazendo uma especializacao sobre o poeta Nain Frasheri, um poeta Bektashi conceituad’issimo. O sueco nao entendia quase nada hehe. Ele tambem era super querido e deu tempo de pegar algumas recomendacoes quentissimas de bibliografias. Papo vem, papo vai, ja tinhamos nos perdido no tempo, quando o Bem nos diz: “ vou ligar para o Baba e ver se ele pode vir conhece-los”.

Na ordem Bektashi existe tres autoridades: o Dada Baba que ‘e a autoridade mundial, os Babas que sao autoridade de algumas regioes e comandam alguns monasterios, dependendo da sua importancia. Em seguida entao vem os Dervishes, que sao os sufis monges. Os Derviches, que vivem nos monasterios podem nunca se tornar Babas. Vai muito do crescimento espiritual de cada um, quanto do talento para poder administrar todas as Teks Sufis (os monasterios). O Baba, que estavamos prestes a conhecer, ‘e considerado o segundo na ordem mundial e o mais importante dentre todos os Babas.

A gente ja estava extasiado ouvindo o Bene falar, quando chegou o Baba Mondi para conversar conosco. Eu dava pulos. Ele estava vestido de uma tunica branca ate os pes, “chapeu” na cabeca, cinturao verde e barba ate o peito. O Baba nos cumprimentou muito amavelmente e comecamos a ouvi-lo, ninguem piscava na sala. Logo, ele ja chamou: “Derviche!!!” E veio um outro Sufi e o Baba pediu para ele nos trazer algo para comer. Nisto o Dervishe chega com uma bandeija cheia de pedacos de melao frescos e cha. O Baba era brincalhao, olhava para nos e dizia: “thank you?!” A gente respondia: “thank you!” Ele tambem dizia isso ao final de cada um dos seus ensinamentos.

Nos e o Dervishe!

Quando um homem decide ser Sufi Bektaishi, essa decisao pode ser antes ou depois de casado, o que exige que ele deixe a familia – mas os familiares podem visita-lo na Tek de vez em quando. Quando segue para a Tek ele nao se torna Dervishe necessariamente (que quer dizer pobre), ele ‘e apenas um candidato que podera se tornar um Dervishe. A primeira coisa que os candidatos fazem ‘e trabalhar, eles trabalham dia e noite cuidando da Tek, que geralmente tem pomares de frutas, animais, etc. Limpam banheiro, cozinham, matam galinhas, ovelhas, fazem reformas. Eles so param de trabalhar pesado quando se tornam Babas, que dai passam a ser integralmente servidos pelos Dervishes. Uma questao de hierarquia, que em grego significa “ordem do sagrado”.

O que para mim foi bastante interessante, pois diferente dos monges budistas ou dos hindus que meditam dia e noite, os Sufis trabalham. Uma coisa muito mais possivel para o nosso biotipo, do que seguir os orientais ou indianos. Nao ‘e por nada que as religioes semiticas sao tao semelhantes. O candidato a Dervishe comeca trabalhando duro, e o objetivo de tanto trabalho ‘e tanto perder o orgulho quanto o egoismo. Paralelamente havera sempre um Baba que ira orienta-lo pessoalmente no seu desenvolvimento espiritual, tanto com conselhos quanto leituras. O desenvolvimento entao se torna bem pratico.

No caso desta Tek Bektashi, tinha o Baba, um Dervish e um candidato. O candidato era chamado de “Candidato” pelo Baba, assim como o Dervishe de “ Dervishe”. O candidato tinha 21 anos e estava na Tek desde os 18. O Baba dizia na frente dele que ele nao tinha se tornado Dervish porque ainda era muito egoista, precisa aprender bastante. Como o Baba nao falava ingles, e o unico que falava era o Candidato, era o proprio Candidato que dizia isso pra gente.

O que ‘e a ordem Bektaishi? Dentro do Islamismo tem dois ramos: os sunitas e os shiitas. Os sunitas seguem o Abul Beker, sogro do profeta Muhammed, ja os shiitas seguem o Ali, primo e genro do profeta, ou seja, que tem uma linhagem de sangue. E para os shiitas isso faz uma grande diferenca, pois como a familia do profeta era nobre, capaz de retracar sua ascendencia ate Abrahao, seguir Ali ‘e garantia dessa pureza de ensinamentos.

Dentro dos Sunis, existem 7 ordens diferentes de Sufismo, sem falar das outras escolas (os juristas da lei e os teologos). Do lado do shiitas, existem 12 imans (na verdade alguns seguem so sete). O primeiro ‘e o proprio Ali. Os segredos que passaram de profeta a profeta, no caso, de Adao ate Muhammed (Noe, Abrahao, Moises, Jesus, sao alguns dos mais importantes) seguiu hereditariamente por estes imans. O decimo segundo iman desapareceu e existem muitos mitos em torno dele. O Ahned Yesevi que nao era da linhagem aprendeu com um dos ultimos imans e revelou os segredos para as que posteriormente seriam as ordens sufis. Um dos principais seguidores do Ahned Yesedi, o Haxhi Bektaishi, ‘e o fundador do Bektaishismo. A ordem existe ha 800 anos.

Adao ‘e considerado o primeiro profeta, que trouxe o ensinamento mais puro, depois vem Noe, que ‘e considerado o Sofredor e Salvador e assim por diante, passando por Abrahao… depois Moises que trouxe a lei, ate Jesus que revelou a verdade, e Muhammed que trouxe o conhecimento. Fiz diversas anotacoes sobre o que o Baba nos disse naquele dia, aqui vai algumas delas:

Existem tres grandes momentos na vida de um homem. Primeiro quando ele nasce, a alma encarna num corpo; depois quando ele decide casar-se (essa decisao, junto com a escolha do esposo/esposa gerara a ele todo um futuro especifico), depois a morte, que ele podera ir para o ceu (sua alma tornar-se imortal) ou inferno.”

Escoha bem o seu companheiro (esposo), depois bem os vizinhos (num sentido de companhia). Se cuide com os hipocritas e intriguentos, ao lado deste ultimo ate os problemas serem resolvidos voce ja perdeu metade das pessoas.”

Cuidado com os principais defeitos (que um homem pode ter): o egoismo; ser amante do conforto; cabeca dura; sangue quente; mentiroso; imoral e intriguento”. Destes, quatro sao os que precisamos ficar mais atentos: briguento;  intriguento, mentiroso e bebado (os vicios).”

Deus ‘e um, a verdade ‘e uma, os caminhos sao varios, voce precisa escolher um e ter um lider para te orientar no caminho escolhido. Cada um tem a sua propria capacidade e voce sera cobrado por esta diante de Deus”.

Primeiro voce tem que fazer o que voce diz e so depois dizer, senao nao fale.”

Os quatro livros sagrados sao como uma arvore: no tronco esta o Tora onde voce encontrara as leis de Deus; nos galhos esta o Zebur (livro dos Profetas) que sao os caminhos; nas folhas esta o Novo Testamento que sao as verdades mais altas e no fruto esta o Corao, que ‘e o conhecimento.”

Voces nao devem beijar o crucifixo, mas as pessoas. Jesus esta em cada uma delas.”

Depois de horas e horas escutando atentamente, ja era noite quando fomos convidados para jantar. Nenhum de nos sabia onde iria dormir, o que ia fazer. Stefan e Gerry ja tinham perdido a hora para voltar a Sofia e nos para pegar o onibus para Ohide. Apos um delicioso jantar preparado pelo Dervishe, nos convidaram para dormir la. Meninos para um lado (incluindo o sueco), meninas para outro, “pois ‘e a casa de Deus”, nos disse o Baba. Dormimos num quarto confortavel em colchoes no chao.

O Jantar!

Dia seguinte recebemos mais um delicioso cafe da manha e nos despedimos do Stefan e a Gerry que sairam maravilhados. Estavamos nos preparando para voltar ao quarto fazer as mochilas quando o Baba comecou a falar. Novamente nos esquecemos do tempo. Acabamos jantando e sendo convidados para dormir novamente. O Baba queria saber para onde iriamos depois. Contamos que para Albania. Terra onde ele nasceu e cresceu. Perguntou aonde, dissemos que nao sabiamos direito, iamos ver ao longo do caminho. Ele disse que era perigoso, pois a Albania havia sofrido um dos comunismos mais fechados de todo os paises do Leste Europeu, eles foram proibidos durante 50 anos de abrir um livro de religiao ou rezar, iam presos. E falou: “ pais que nao tem religiao nao tem coracao”. Tentamos explicar que nao tinha problema, pois viemos da Africa, ja estavamos na estrada ha bastante tempo, mas nao adiantou. Ele nos disse: “depois de Ohide, me telefonem!”

Ohide era ainda na Macedonia, uma cidadezinha na beira de um lago, onde havia uma cidadezinha antiga no topo do morro, cheia de igrejas e monasterios. Seguimos viagem, curtimos Ohide e ligamos para o Baba. Como ele bem disse: Baba significa Pai. E era verdade!

Ohide!!

Hissen, o candidato a Dervish nos buscou com um carro e motorista em Ohide e fomos nos encontrar com o Baba na fronteira da Albania. La o Baba estava em outro carro, tambem com motorista. Almocamos com ele, passamos por outra Tek que comandada por ele para conhecer, e tomamos cafe num hotel quando ele nos deixou ali, num confortavel hotel em Korsa e o carro com motorista. Assim!! Disse que nao era para nos preocuparmos em pagar nada ao motorista, pois ele ja tinha acertado tudo, e nem nos preocuparmos com os hoteis e tambem entradas dos museus ou pontos turisticos em nenhum lugar. Nos nao acreditavamos, estavamos bobos com a situacao.

Albania!

Ficamos 6 dias viajando pelo roteiro que o Baba tinha feito para nos, baseado nas nossas preferencias. Durante o trajeto nos encontramos mais uma vez com o Baba e almocamos com ele em mais outro dos monasterios que ele toma conta. La, no topo de uma montanha ha mais de 2000 metros de altura, subimos um pouco mais, ate uma capela, ainda mais no alto, pois o Baba queria fazer um sacrificio e nos abencoar.

No monasterio (TEK) no alto da montanha!

Quando entramos na Land Rover olhei para o porta malas e vi uma ovelha. Pensei: nao, ele nao vai matar essa ovelha”. La na capela, fomos conhecer o tumulo de um grande Baba, quando estava acaband0 de rezar, saio da capela e vejo a ovelha sendo degolada pelo motorista do Baba. O Baba pega o sangue dela e passa com o dedo nas nossas testas e nos chama para perto dele, sentados num muro, la no ponto mais alto de toda a Albania. E diz: nao fiquem tristes com o sacrificio, esse animal esta bem melhor agora e voces abencoados!” Este momento foi bastante especial, o Baba nos abracou e falou coisas muito especiais olhando nos nossos olhos. Nunca vou esquecer aquele momento!

Foi dificil para mim ver aquela ovelha morrer, ainda mais depois de passar pelo hinduismo e budismo, ‘e uma coisa que para mim parece bastante egoista, o homem sacrificar um animal. Mas o animal ‘e um dom de Deus e o Proprio Deus orientou que os judeus fizessem esses sacrificios ao longo do velho testamento. Entao fiquei mais tranquila, ainda mais vendo como os muculmanos seguem todos os nossos livros Sagrados, muito mais que a gente. Gosto do que Jesus diz a respeito dos sacrificios numa conversa com os “professores da lei” na biblia, que normalmente eram os hipocritas. Que nao adiantava seguir os rituais pelo ritual, nao adiantava pecar e depois oferecer sacrificios.

Depois do monasterio, seguimos viagem. Durante o caminho, O Baba parava em cidadezinhas para dar assistencia as pessoas. Paramos varias vezes. Quase uma da manha nos deixou em outro confortavel hotel e seguiu viagem por mais 4 horas, ele dormia pouco so atendendo as pessoas. Neste dia nos despedimos do Baba, com o coracao apertado de gratidao e saudades. Deixamos de surpresa com o motorista um porta retrato com uma foto nossa com ele.

O Baba insistiu em nos dizer que se a gente precisasse de qualquer orientacao espiritual ou qualquer outra coisa, poderiamos sempre ligar para ele ou mandar email. Combinamos de traze-lo para o Brasil. Expliquei a ele, que no Ocidente os monges e indianos fazem muito sucesso, mas que poucos conhecem o Sufismo. Pretendemos levar o Baba a Curitiba. Ele esta disposto. E nao temos duvida que ira se organizarmos para ele um conferencia ou algo parecido, pois na semana seguinte ele estava indo para a India numa conferencia mundial de lideres religiosos junto com o Dalai Lama. O Baba nao era fraco! Amamos cada momento com ele e as recordacoes ficaram gravadas em nosso coracao.

Nao gosto de banalizar as influencias celestias, nomeando qualquer coisa como tal, mas nao tenho duvida que foi o ceu que nos fez mudar tanto os planos naquele dia e levado todos nos ate o Baba! Nos todos so temos a agradecer…

Mestre!

Obrigada Baba!