Porque resolvi viajar?

Desde pequena o mundo sempre me chamou muito atencao. Passava horas observando e tentando entende-lo. Minha mae conta que eu vivia com os olhos arregalados a observar. Tudo me provocava muitas reflexoes e sentimentos. Achava a vida uma coisa muito seria! Prestava muita atencao na minha fam’ilia, nos meus amigos, nas pessoas em geral, no funcionamento e sentido do mundo, nos relacionamentos entre as pessoas, nao entendia a maldade, odiava sentir culpa, principalmente quando sabia que tinha sido menos do que gostaria…

Nunca gostei de jogar cartas e jogos em geral, nao entendia como as pessoas conseguiam se divertir ou se distrair com essas coisas, gostava sempre de gastar meu tempo com as pessoas e perto da natureza, enfim, sempre preferi os seres animados do que os inanimados. Quando comecei a ficar mais grandinha, entendi melhor o que estava por tras de tanta inquietacao e quais eram minhas grandes questoes, que se resumiam em duas classicas frases do ponto de vista filosofico: “Quem sou eu e para onde vou?”

Com as perguntas ja mais claras, resolvi comecar pela primeira. Achava que tinha mais logica. So esse ano fui saber o quanto fazia sentido,  quando uma sabia amiga me disse:  ” Primeiro a gente precisa entender a gente,  para depois entender a espiritualidade. Senao, a gente mistura os nossos conteudos e usa a espiritualidade ao nosso favor…” Foi mais ou menos assim… E dai fica aquela coisa de tudo ‘e energia, as plantas tem sentimentos, e acho que te conheco de outras vidas….

Ate este ano fui uma trabalhadora de carteira assinada que batia cartao para entrar e sair da empresa que  trabalhava. So eu sei, cada dia, o quanto era dificil ter que chegar todo dia no mesmo horario, sentar na mesma cadeira em frente ao computador e apesar de trabalhar numa area para cuidar das pessoas, passava muito tempo longe delas. E como ‘e complicado ser contratada hoje em dia nas empresas como psicologa, quando na verdade, na pratica ‘e o que menos voce precisa ser.  Mas eu sabia que precisava passar por isso. Nao s’o para construir casca, mas porque tinha muito o que aprender.

O Gui sempre gostou de viajar. E sempre para lugares mais exoticos, tendo como referencia pessoas que quando pensam em viajar vao p/ US e Europa, no maximo Australia. Na ultima viagem dele em 2005 para India, Nepal e Tibet ele decidiu que precisava viajar por pelo menos um ano e completou: “Vamos juntos”  Nessa epoca nos so eramos namorados apaixonados. Eu achei a ideia maravilhosa, mas pensava que era meio surreal. Como viajariamos um ano pelo mundo sem ganhar na loteria? ‘E as vezes o nosso passado nos condena, e ser de Chapeco sempre deixa alguns vestigios de um tipo de raciocinio, como dizia meus amigos “colono!”

A semente foi plantada e a gente nunca perdeu ela de vista. Mas era dificil encontrar o momento certo. Quando? No comeco da vida profissional, no meio, no final? Qual ‘e o momento certo? Descobri que tem momento certo, pelo menos para mim teve.

O Gui foi antes, eu fui depois. Ele resolveu aproveitar a sa’ida da empresa que estava trabalhando para parar com tudo. Coloquei mil impecilhos, dizendo que precisavamos deixar para 2011 quando acabaria minha especializacao em psicologia clinica tao apaixonante que eu estava fazendo. Ja nao era mais o meu trabalho diario que me prendia, apesar de ter sido uma das decisoes mais dificeis e cheias de medo que fiz na vida.   Depois de muitas discussoes, vimos, por mil razoes, que nao poderiamos adiar ate la. Pedi demissao de um dos meus trabalhos e, quinze dias depois  o Gui foi viajar.  Eu, como tinha que finalizar meus outros trabalhos, so fui encontra-lo apos quase tres meses.

No comeco logo que ele foi, achei que tinha ficado louca e casado com outro. Me via incessantemente tentando saber se eu tinha feito a escolha certa, se o Gui  tinha feito a escolha certa, se nos tinhamos feito a escolha certa.  Dai comecei a perceber que minha angustia era profundamente economica e profissional, e que nossa decisao nao foi com esse proposito. Nao escolhemos viajar para voltarmos mais ricos ou  com um curriculo mais consistente do ponto de vista  tecnico, escolhemos por outras razoes. Eu, por exemplo, para viajar em mim mesma, para ampliar minha visao de mundo, para conhecer outros povos e para compreender o ” para onde vou e o quem sou?”  Entao resolvi me permitir experimentar minha escolha, que de fato sempre foi a maior pergunta da minha vida. Acabou sendo os tres meses mais incriveis e significativos da minha vida ate 30 de junho, quando encontrei o Gui na Tanzania. A viagem comecou pela Africa.

Tinha lugar melhor e mais impactante para comecar? Mas era so o comeco, tudo viria depois, numa viagem que comecou em julho de 2009 e terminou em novambro de 20011.

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por tambemsai Postado em Brasil