Feliz Navidad Vietnan!!!

Voltamos de Gilli direto para Kuta, uma longa viagem. Primeiro uma van de 2h ate o porto, depois 8h de ferry e mais 2h de van ate finalmente chegar. Nesse dia fazia um calor insuportavel, sufocante. E  enquanto os locais mantinham-se de calca, camisa comprida e veu, respeitando sua religiao, as turistas europeias tomaram conta da parte de cima e aberta para ficarem de biquini. Com os mesmos trajes desciam para usar o banheiro. Eles se escandalizavam! Eu, mesmo derretendo, me mantive com minha bermuda ate o joelho e camiseta… A passagem por Kuta foi rapida, tempo de ver mais lojinhas e jantar num lugar gostoso para ir dormir.
No outro dia cedo seguimos para o Vietnan. Tinha muita curiosidade em conhecer o pais, por todos as  historias que todos nos ouvimos e que nossos pais contavam. Muitos turistas que estavam fazendo o sudeste asiatico que encontramos pelo caminho disseram ter sido o lugar que mais gostaram, o que estava nos chamando muito a atencao. Tambem contavam que tinha uma otima qualidade de servicos e infra-estrutura para o turismo, alem de precos baixos, mas que a pressao dos locais para vender qualquer coisa era extrema. E que a cerveja era muito barata!
Quando desembarcamos em Ho Chi Minh e pegamos um taxi ate a zona dos backpackers para buscar algum luga para dormir, eu literalmente choquei. Ho Chi Minh, sem duvida, ‘e a cidade mais louca que eu ja vi na vida. Tudo acontece ao mesmo tempo e com todo tipo de gente. A regiao ‘e cheia de mochileiros, bares e muuuuuuuitos vendedores. O clima ‘e animadissimo, baguncado, louco e muito divertido.
Achamos um bom hotel,  nosso quarto tinha ar e ventilador, tv, frigobar, agua quente e um banheiro impecavelmente limpo, alem de internet free, tudo isso por 11 dolares. Amei!! A infra-estrutura perfeita para um casal como eu e o Gui, une conforto e preco, imaginem!
Entao descemos correndo para jantar e curtir o lugar. Paramos numa das varias barraquinhas de rua, apreciamos um delicioso sanduiche e depois fomos tomar uma cerveja.

Night em Ho Chi Minh!

Realmente baratissima, 1 real. Nem preciso dizer que tomamos uma cerveja todos os dias apos o jantar, depois da contencao na Indonesia, que por ser pais muculmano, era carissima.
Acompanhem comigo a cena de Ho Chi Minh. Bem na minha frente tinha um bar/boate chamado Buffalo, que tocava a todo volume de Michael Jackson a ACDC, passando por Bee Gees… Os garcons eram super jovens, parando todos que passavam em frente e convidando para entrar. A todo minuto vinha um vendedor ambulante te oferecer alguma coisa: guias lonely planet; relogios; cigarro; kits de higiene; lula seca; flores; pedacos de fruta com pimenta; sopa; roupas; aparelho gigante medindo peso e altura; capa de chuva; espetinho; peteca e por ai vai. O Gui provou a tal lula seca, que mais parecia um morcego seco com as asas abertas. Ate os mochileiros ficaram olhando…  O transito ‘e caotico e divertidissimo, composto praticamente por motos, os motoristas dirigem enlouquecidamente, cruzam esquinas sem muito olhar para os lados, a coisa funciona a base da buzina e do freio. Voce ve muuuitos jovens, casais, familias inteiras em cinco sobre uma mesma moto e ate velhinhos. O publico nas ruas ‘e impar, de velhinhos de bangala, jovens ‘a criancas de cinco anos andando sozinhas. Era como se juntasse num lugar so todas as idades, gostos, estilos, opcoes, sem ninguem se dar conta disso! Tentando tornar a coisa mais concreta, mistura o pessoal da aveninda batel com o do Jamis, coloca todos os vendedores do centrao de Curitiba, mais todos os frequentadores da terceita idade de Santa Felicidade no domingo e imagina todo esse pessoal junto passando na sua frente enquanto voce toma uma cerveja. Simplesmente sensacional! Ro Chi Minh pra mim foi um dos High Ligths do Vietnan!!

Confiram a cena em frente ao Buffalo!

No dia seguinte saimos para passear na ruas. Primeiro fomos conhecer um mercado municipal meio misturado com camelodromo, com opcoes sensacionais de compras e uma diversidade inimaginavel de produtos, nao havia nada que nao pudesse ser encontrado ali.  Depois comemos uma comida tipica, que se trata de uma spring rolls com verduras e frutos do mar, mas que nao ‘e frita. Deliciosa! Ao nosso lado acompanhamos como os locais se livram de pedacos indesejados de comida que por acaso  mastigam: eles cospem no chao, simples assim!
Seguimos dali para o museu da Guerra, que conta como foi a Guerra DOS AMERICANOS como eles se referem aqui.  Como o Gui (saiporai) recontou muito bem a historia no seu blog, vou poup’a-los! Mas me chamou atencao algumas coisas: os efeitos das bombas quimicas, jogadas pelos Estados Unidos durante a guerra na populacao, ate hoje ‘e visto nas ruas. Nasceram muitas pessoas com anomalias chocantes.  Muito triste de ver! Tambem d’a para entender porque os americanos se deram por vencidos, mesmo tendo matado muitos vietcongs, eles sao realmente invenciveis. Um povo muito rapido, esperto, trabalhador, que nao perde nenhuma oportunidade de fazer negocios. Lembram muito sua origem chinesa. De socialista o Vietnan tem so o nome – Republica Socialista do Vietnan, sao poucos os resquiceos do socialismo, voce ve que houve, mas com uma forca muito menor.O amor deles pelo Ho Chi Minh, nobre homem, ‘e lindo de ver! Em todos os hoteis, casas, carros, pracas, tem alguma foto dele, alguma coisa destacando ele. Muito bonito de ver o reconhecimento dado para este heroi nacional!

Na volta do museu, ja no fim do dia, achavamos que o passeio tinha acabado e depois era so ir jantar e curtir a cena Ho Chi  Minh, mas tivemos um outro momento impar. Eram seis da tarde, e como toda cidade grande, tem rush, sabe como ‘e o rush numa cidade praticamente feita de motos? Elas passam por cima da calcada! Na hora de parar no sinal, tem motos, na rua e na calcada e assim elas seguem, desviando de voce… Atravessar a rua, a principio parece uma roleta russa, mas depois voce ve que nao da nada, e vira um dos pontos altos da cidade.
Acabamos cedendo no dia seguinte a um tour, pois como a coisa ‘e muito organizada aqui, nao vale a pena fazer por conta, porque acaba que o custo beneficio ‘e menor. Vietnan significa o povo que veio do Sul (da China)! Passamos primeiro para conhecer o templo Caudeista, a religiao predominante do povo do Sul do Vietnan. Ela combina budismo, confucionismo, cristianismo, islamismo e taoismo. Cada uma trazendo uma licao principal:  o budismo a licao de como aprender a viver consigo mesmo, a meditar, a ficar em paz;  o confucionismo tratando do respeito aos mais velhos, a origem, aos pais; o taoismo como ter uma vida longa atraves da natureza; e o cristianismo como ajudar o proximo e praticar o bem.  Dentro do templo, existem sete niveis, que representam o nivel de evolucao de cada devoto. O setimo ‘e quase correspondente a uma iluminacao. Tambem tem as cores: o branco, o rosa, o laranjado, o azul e o verde, cada cor representando a origem de uma religiao. No dia que estavamos, a maioria se encontrava no primeiro, segundo  e terceiro nivel, poucos no quarto e quinto e apenas dois devotos no sexto. O templo ‘e lindissimo! E muito legal ver no altar, diferentes representantes das religiao. Nunca imaginei que houvesse uma religiao assim.

O que 'e essa cerimonia?!

Vejam no altar os representantes de cada religiao!

De la seguimos para conhecer as vilas onde ficavam os tuneis que os vietcongs se escondiam dos  americanos, super estreitas, quilometros por baixo da terra e, tambem no caminho, as terriveis armadilhas. O Gui experimentou a original, eu nao suportei nem a turistica alargada.
O jantar foi novamente em frente ao Buffalo, mas com um show a parte. Era vitoria do Vietnan sobre o Laos e  derrota da Tailandia, colocou eles em posicao privilegiada no campeonato de futebol do sudeste asiatico. As ruas lotaram de motinhos mais enlouquecidas ainda, uma festa unica. Na comemoracao, junto com os bebados gritando, a mesma cena: familias inteiras levando bebes de dois anos,  numa moto com cinco ou seis. E detalhe, na cidade toda, nao vimos em um so instante e nem nesse dia, um carro de policia ou sequer um policial. Nos despedimos saudosos de Ho Chi Minh e seguimos com nosso onibus-cama para Monie.
Monie ‘e uma delicia, aqueles lugarzinhos gostosos de passar, cheio de lojinhas, restaurantes descolados, e visual bonito. A praia nao ‘e tao bonita, e com muito vento, especial p/ o pessoal de Kite Surf que tinha aos baldes la. Me espantou, o nivel dos kitistas, todos muito bons, nao tinha gente fraca ali, ficamos olhando por horas. Fizemos tambem um passeio pelas dunas brancas incriveis. E eu dei um trabalhao para o Gui, ao fazer amizade com a recepcionista do hotel e ela ter levado minha bermuda tres numeros acima do meu, dar uma pequena ajustadinha na sua cidade ao lado. Adoro uma reforma, ate quando estou viajando!

Vila de pescadores em Monie!

Mais onibus cama ate chegarmos, pulando um destino que nao foi grande coisa, entao nem vou contar, ate chegar em Hoi-an, uma cidadezinha antiga muito charmosa, cheia de lojas para fazer ternos, vestidos de festas e casacos de inverno. Vimos muitos turistas fazendo. Eles vendem que os tecidos sao Italianos, pois algumas fabricas sao instaladas no Vietnan, entao voce tem em tese a mesma qualidade com menor preco. Vai saber…

Hoi-en!

Dali seguimos para Hanoi, a capital do pais. Hanoi ‘e maravilhosa, nao tem a loucura de Ho Chi Minh apesar das milhares de motos, voce sente nitidamente que o povo ‘e mais tradicional por ali. Sao muitos predinhos antigos, flores e lojinhas nas ruas, cafes gostosos, a temperatura do norte ‘e bem diferente do Sul, frio mesmo para o parametro brasileiro. Curtimos bastante a cidade, andamos pelas ruas, passamos em frente ao mausoleo do Ho Chi Minh e por ai vai.

O charme de Hanoi!

Mais Hanoi!

Ate que chegou o grande dia de conhecermos o destino mais famoso do pais, Halong Bay. E realmente ficamos encantados, o lugar ‘e maravilhoso, a beleza daquelas inumeras pedras saindo no meio do mar  ‘e impressionante. Pena que o passeio ‘e ulttra mega turistico, perdendo um pouco a atmosfera do lugar, mas compartilho com o Gui, que em termos de beleza natural, ‘e um dos lugares mais lindos que ja vi.

A Beleza de Halong Bay!

A noite jantamos no hotel com um casal frances bem novo, os dois tinham 20 anos e mais duas amigas dinamarquesas de 25 cada, e n’os achando que eramos todos mais ou menos da mesma idade… O casal frances estava morando em Hong Kong por um ano por experiencia cultural e viajando a budget apertadissimo, imaginem sao estudantes. As dinamarquesas apenas fazendo turismo por um mes. Papo vem, papo vai, acabamos falando da imagem comum que os outros tem de cada pais dos ali presentes e escutamos do Brasil, o que ja ouvimos de muitos turistas, mas agora com mais detalhes e queria compartilhar. Bom, Brasil representa o que todo mundo ja sabe: futebol, carnaval, Rio de Janeiro e Amazonia e muita violencia, inclusive muitos nao visitam por isso. Mas tem um ponto a mais, que estamos ouvindo direto dos estrangeiros, que parece que “no Brasil todo mundo se preocupa com o corpo e faz academia, diz que ‘e uma obsessao nacional!”  A pior foi ouvir que reza a lenda, que as meninas quando fazem 18 anos ganham uma plastica na bunda da familia, pois a bunda ‘e quase um “cartao de visitas”. E detalhe, isso apareceu num programa de uma conceituada televisao francesa. As dinamarquesas tambem ja tinham ouvido falar. Ai elas acrescentaram “ parece que no Brasil, para os homens ‘e mais importante a beleza da mulher do que a inteligencia, ‘e verdade?” E acrescentaram: “ no nosso pais a beleza ‘e importante, como em todo lugar, mas a mulher precisa ser minimamente politizada”.  Esta ai uma boa oportunidade para refletirmos…!
Quase dia 24/dez, estavamos proximos do Natal, indo para Sapa, uma cidadezinha rodeada de vilarejos com pequenos povoados tipicos da regiao, no meio das montanhas.  Bateu uma tristeza uns dias antes, pois pensava na familia e meus amigos queridos, nao era facil pensar em passar o Natal longe de todos… Mas gracas a Deus, Sapa tirou qualquer tristeza, o lugar era magico. Uma cidadezinha linda, rodeada por montanhas, so faltava neve e os esquis, aquele friozinho delicioso, restaurantes italianos aos baldes para minha felicidade. Sentir um gosto de casa no Natal ‘e outra coisa…

O aconchego de Sapa!

Clima de montanha, chocolate quente...!

Feliz Navidad!!! Conhecemos no trem um casal de bascos queridissimos, mas muuuito boa gente, chamados Jimi e Marta. Ele leonino, ela libriana. Um casal muito a cara um do outro. E com eles passamos o Natal! Estavamos jantando num restaurante escolhido a dedo para comemorar nossa ceia, quando eles chegaram para nos acompanhar, haviamos os convidado a tarde para celebrar juntos.

Feliz Navidad!

A noite de natal foi animadissima, bebemos muuuito, rimos muito e nos abracamos muito. Eles eram muito carinhosos, nos sentiamos como no meio de amigos. Foi muito legal, a companhia deles deu outra cara para o nosso Natal, que ja estava muito bom. La pelas tantas, eu gritava: “Jo soy una Basca! Basca ate morrio! No soy una espanhola!” Eles choravam de rir, tem ate videozinho com essa passagem… No outro dia, jantamos juntos de novo e o Jimi deu uma camiseta dele para o Gui de uma banda reggie basca, ele era apaixonado por reggie. O Gui adorou!

Inesqueciveis!

Nosso almoco do dia 25 foi numa das casas da vila, que aconteceu meio por acaso, apos um passeio de moto pelas montanhas. Demorou para ser preparado, mas valeu a pena, comemos muito bem, alem de ter sido uma super ultra experiencia cultural. Nos despedimos alegres da deliciosa e aconchegante SAPA!!!

As mulheres das vilas de Sapa!

Nosso almoco cuidadosamente preparado!

Dentro da casa o grande Ho Chi Minh!

Pegamos o trem para voltar a Hanoi e finalmente seguir para Tailandia para encontrar a familia do Gui. Acabamos na cabine de um oficial do exercito esquisitissimo, que resolveu pedir duas garrafas de vinho para brindarmos com ele. Nos divertimos, apesar da conversa ter sido super formal. Tem umas coisas que  acontecem so quando a gente esta viajando, essa ‘e um delas!  Eu olhava para nos, tomando vinho com aquele desconhecido esquisito, e pensava: ” o que ‘e isso que estou vivendo agora?”

Os tais momentos que a gente so passa qdo ta viajando!

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Hello Mister!!

Logo apos a visita ao Bromo e de sermos entrevitados por um grupo de estudantes de turismo sobre as razoes que nos levaram a conhecer a Indonesia, e claro tirar muitas fotos, seguimos para Bali. Depois de 10h de viagem, num onibus bem confortavel, chegamos a capital Dempasar. No caminho viemos conversando com um casal, ele Americano e ela alema, que desistiram de ir para Kuta e resolveram ir com a gente para Ubud. Rachamos um taxi ate la.

A chegada foi abaixo de chuva e como ja eram quase meia noite, tivemos que acordar o pessoal da pousada para nos receber. O Gui aproveitou o sono do recepcionista para negociar  a metade do valor da diaria, para isso precisariamos dormir no quarto que ficava em frente a piscina que estava sendo construida. Tudo bem, la fomos nos!

O casal ficou animadissimo com a negociacao do Gui e no dia seguinte eles estavam tentando negociar tudo. Muito engracado de ver!

Tinhamos a expectativa de que Ubud era uma vila bem intocada como dizia no guia, mas que nada, ‘e bem tocada. Ubud ‘e sensacional! O lugar perfeito para uma mulher.

Nao ‘e por nada que a Elizabeth Gilbert do Comer, Rezar e Amar escolheu Ubud para ficar seus quatro meses que morou em Bali. Todo aquele charme da decoracao balinesa que imaginamos quando pensamos na Indonesia, esta reunido la. Sao dezenas de lojinhas descoladas, restaurantes e cafes deliciosos, tudo entre ruazinhas pequenas, que se cruzam o tempo todo, misturando os lugares turisticos com os vilarejos, fazendo voce se sentir em casa. E bem pertinho, alugando uma scuter, voce ve a tal vila intocada que o Lonely Planet se refere. Criancas indo para escola, varios pequenos templos hindus um ao lado do outro, milhares de oferendas e rituais em frente a todas as casas e mais banho de decoracao.

Rituais diarios!

Indo para escola!

A roupa do povo me chamou muito atencao, ‘e muuuuito legal. Os homens se vestem com dois  sarongs coloridos um sobre o outro (a nossa canga), camisa branca bem passada e faixa branca na cabeca, imitando um turbante. A beleza ‘e tanta, que vimos varios turistas copiando o modelito dos homens.

Confiram o charme do frenteista!

As mulheres  tambem usam sarong colorido, apenas um, com dezenhos mais delicados que os dos homens, que geralmente optao por dragoes e elas por flores. Elas tambem vestem a camisa branca, mas bem acinturada e com uma faixa colorida passando na cintura. Simplesmente o maximo, confiram as fotos.

Outra novidade de Ubud, ‘e que logo que chegamos ficamos sabendo que a Julia Roberts tinha deixado a cidade fazia tres dias, pois est’a gravando Comer, Rezar e Amar que saira nos cinemas em 2011. Por muito pouco que nao tomamos um café juntas. Infelizmente, vai ter que ficar para proxima Julia!

Bom, diante de tanta empolgacao, sugeri ao Gui nos separarmos para eu me perder nas ruazinhas e lojinhas e ele nao precisar  ter que me esperar escolher demoradamente qual o melhor sarong que eu deveria comprar. Sei que todo meu auto-controle material foi por agua baixo. Comprei sarongs, lencos lindos de seda, calca, vestidos, ate sandalia. Me esbaldei! Depois bateu aquele peso na consciencia, mas mandei todos os meus pensamentos de culpa embora: “ Me deixem em paz, estou na Indonesia, com licenca!” Eles resistiram um pouco, mas fui firme e eles acabaram indo embora.

O que sao essas criancas?

Todas as noites foram regadas a restaurantes tipo Lagundri, boa parte acompanhada do nosso novo casal amigo.

No ultimo dia, resolvi me render a experimentar a tal massagem balinesa que era anunciada por todos os cantos. A mulher que me atendeu, me mostrou a sala da massagem com aquela musiquinha deliciosa de fundo e uma banheira enorme para relaxar depois, tudo isso por 12 reais. O Gui logo em seguida  me alertou que tratava-se de um “homem”. Nao percebi! Quando estava me dirigindo a sala, acabou a luz e como ha revezamento de “apagao” por regiao em Ubud, so voltaria as onze da noite, isso eram ainda cinco da tarde… Mas mesmo assim nao desisti, sem musica e banho de banheira, fiz a massagem e foi alucinante.  A dupla sexualidade dele era o seu diferencial, unia sensibilidade com firmesa. Foi a melhor massagem da minha vida!

Voltei para pousada saltitando e fui tomar o banho de banheira no nosso quarto, fiquei por quase uma hora, murchando. Assim que sai, olhei para o Gui e disse: “Por favor, nao me tire de Ubud!” Apos uma breve conversa ele se convenceu e ficamos mais um dia. No total foram quatro dias de puro prazer!

De la, seguimos para Kuta em busca de um carro para alugar e irmos para Uluwatu, uma praia otima para surf e para ficar largado na areia. Rodamos procurando pousada, ate acharmos uma maravilhosa bem ao modo Bali e com aquelas piscinas infinitas. Ficamos dentro dela ate bater a fome e irmos jantar. Um restaurante delicioso, charmoso, tudo de bom. Foi a primeira vez que vimos brasileiros!

Olha o charme da piscina!

No dia seguinte fomos conhecer as praias. Primeiro Uluwatu para o Gui surfar e depois Impossiveis, para ficarmos  largados na areia. Encontramos mais brasileiros. Os vendedores quando viram que eramos brasileiros, diziam: “camiseta barata”, nos oferecendo… O pior foi quando conversando com uma vendedora, ela olhou para o Gui e apontou para mim e disse: “essa ‘e sua gatinha gostosa?” Mais coisas que os brasileiros ensinaram para eles… Como ‘e sabido todas as turistas na praia usam biquinis grandes, pois so nos no mundo usamos biquines tao pequenos (eu levei por exemplo um da minha mae para nao passar pela cachorra da praia), mas tinha uma senhora brasileira com um fio dental daqueles anos oitenta, enfiaderrimo, chamando super a atencao! Bem fora de contexto…

Uluwatu!

Voltamos para Kuta tres dias depois para pegarmos o voo para Ilha de Flores. Kuta ‘e super turistica. Cheia de adolescentes bebados na praia, milhares de night clubs, todo mundo com regata de propaganda de cerveja local e chapeu de palha fazendo estilo. Parecia Balneario Camboriu nas antigas, no tempo do Baturite, quando as pessoas ficavam com o som do carro ligado dancando do lado de fora e mexendo com todo mundo que passava na frente. Exatamente igual! Milhoes de lojinhas uma ao lado da outra, de camelos a lojas de marca e muuuuitos outlets de roupa de surf.

Ja a Ilha de Flores ‘e bem diferente. Colonizada por portugueses como o nome ja diz, lembrava muito a Africa. Bem rustica e quase intocada pelo turismo. A Ilha esbalda em natureza virgem, praias belissimas e muitos vulcoes. A maioria do povo ‘e catolico, fazendo me sentir no interior do Brasil.

Quando estavamos pegando o onibus para viajar para uma cidade proxima dali (coisa de 10h, a ilha ‘e enorme!) conhecemos um casal canadense sensacional, muito boa gente, que se juntou a nos para alugarmos um carro e fazer alguns passeios. De ultima hora encontramos uma holandesa que tambem decidiu seguir com a gente.

Marlinda, Eu, Natasha e Rob!

Os onibus bem ao modo Africa, pequenos, velhos, com as malas no capo, as duas portas abertas em funcao do calor e desde o motorista ate o ultimo passageir todos fumando seu Gudang Garang.

Transporte local, nao foi o que pegamos!

Foram dois dias de passeios, passando pelos tres lagos coloridos famosos de Flores, vilas bem tipicas e hotspring. O Gui e o Rob resolveram experimentar cachorro, uma comida tipica para os menos afortunados. Nos optamos por comer uma deliciosa pasta com frutos do mar no restaurante em frente ao hotel.

Um dos lagos coloridos!

Dia a dia das mulheres na vila!

Mimicando com a Tiazinha!

A companhia deles fez todo o diferencial da viagem. Natasha era psicologa e Marlinda tambem. Companhias agradabilissimas. Me identifiquei muito com a Natasha, falavamos sem parar.

Na volta, a Marlinda foi com a gente conhecer os dragoes de Komodo, enquanto Rob e Natasha seguiram para Sumatra. Marlinda estava viajando sozinha por um ano, tinha passado tres meses na Australia e agora estava fazendo o sudeste asiatico. Falamos muito de sua experiencia no deserto, minha nova vontade absurda de conhecer!

A caminho da Ilha de Comodo!

A visita aos dragoes foi bastante assustadora. Tinhamos que passar lado a lado de varios dragoes, enquanto o guia seguia na frente abrindo caminho apenas com um pedaco de pau. Super seguro, me sentia muito a vontade… Sem contar que ele ficava contando os mil ataques que ja tiveram com os turistas, e o ultimo a poucos meses com um guarda do parque, assim de forma bem natural. Mas alertava, eles so atacam quando voce esta sozinha, entao eu ficava grudada entre o guia e o Gui, nunca ficando por ultimo. Como se fosse adiantar…

Pela caminho!

Volta p/ casa depois do passeio....

De Flores partimos para Sumbawa, outra ilha intocada. Foram 8 horas de ferry, mais 2h de onibus ate uma cidadezinha, mais outro onibus de 10h, mais 2h de outro onibus para finalmente chegar a Maluk. Uma viagenzinha de 22h, coisa pouca. No penultimo onibus, o motorista nos acordou super rapido avisando que a gente teria que descer e acabei esquecendo minha sacola com roupas molhadas. Que raiva! La se foram um biquine, um shorts, e duas regattas. Quase nem notei!

Maluk era uma cidadezinha bem parada na baixa estacao, eramos os unicos turistas, com aquele clima de cidade de praia do interior, muito legal. Passamos dois dias nos recuperando da viagem numa pousada bem confortavel, caminhando na praia, comendo, vendo por do sol e relaxando.

Recebemos a indicacao de que havia uma praia ali do lado bem mais legal, especial para surfistas, que iriamos gostar bastante. Dito e feito, no outro dia nos mudamos para la e o lugar era o maximo. Bem na ponta da praia, ficamos numa pousada bem simples, mas muito legal. O pessoal que trabalhava la era o diferencial! Todos almocavam juntos, eles e os hospedes, que consistiam em cinco surfistas, todos australianos, dois deles, pai e filho. Final do dia, a comida era feita na fogueira em frente a pousada e durante as tardes ficavam todos juntos cantando musicas no violao. Parecia uma comunidade hippie-surf. O maximo! Eu era a unica mulher!

Sintam o astral da comunidade hippie surf!

No dia que o Gui foi surfar, eu fui dar uma de esposa companheira e fiquei esperando na areia, tentando ve-lo pegar as ondas, tarefa super dificil, porque o mar estava bem mexido, me deixando um puta ponte de interrogacao se o Gui estava ali mesmo ou tinha se afogado e eu nao tinha visto. Como o sol estava muito forte e nao havia sinal de um guarda sol para alugar, voltei para a pousada. No caminho, estava voltando preocupada com Gui, resolvi perguntar para um menino de uns 15 anos que estava passando se ali era perigoso, pois meu marido estava surfando sozinho e eu voltando para a pousada… ele disse que era super perigoso e desenhou uns tubaroes na areia. Eu quase perdi a voz! Pensei: “ o Gui nao desapareceu, ele foi comido por um tubarao!” Voltei correndo para a pousada e pedi para o menino ir la tentar socorre-lo enquanto eu pedia ajuda. Quando cheguei esbaforida, tentei me acalmar para nao fazer vexame, pois afinal o pessoal da pousada tinha dito para ele surfar la naquele canto. Contei entao para o moco que tinha emprestado a prancha ao Gui o que o menino disse, e ele dava risada. Falou que sim, haviam muitos tubaroes, mas eles nao atacavam. E que esse menino tinha trabalhado por muitos anos numa empresa e foi afastado porque estava muito estressado. Ah ta!!! Tentei relaxar entao tomando uma cerveja e esperando o Gui, controlando meus pensamento para acreditar no tal moco e entender que as vezes tubaroes nao atacavam como nos filmes Tubarao 1 e 2. Uma meia hora depois, quando vejo, o Gui estava chegando. Finalmente!! Abracei ele super forte, disse quanto o amava e ele era importante para mim…! Ele dava risada. De la fomos curtir um happy hour ali do lado a convite dos australianos e voltei para o hotel fora de orbita. Tomei banho de balde dando risada, foi o banho de balde mais divertido desde a Africa.

Seguimos no outro dia para a super famosa Gilli Island em LomboK, outra ilha. Mais ferry e onibus, agora totalizando 10h, entre tudo. Existem tres ilhas Gilli, a super calma, a meio termo e a especial para festas e drogas, optamos pela meio termo.

Visual de Gilli Air!

A ilha era deliciosa, cheia de restaurantes gostosos, calminha mas sem entediar, com varios lugares legais para curtir um happy hour e muito mergulho. Fizemos snorklling todos os dias. Vi tartarugas gigantes, peixe- espadas, cobra e muits outros peixes lindos. Se trabalhasse com moda tiraria muitas ideias de tecidos a partir dos peixes, tem cada um inacreditavel. Rosa pink com bolinha preta, listrado preto e branco com amarelo, verde agua com rosa e pontinhos pratas e por ai vai… Quando chegar na Tailandia quero fazer curso de mergulho, ‘e muito legal a vida embaixo d’agua.

No penultimo dia, comemoramos o aniversario de 33 anos do Gui. Passamos o dia na agua e fechamos com uma super comemoracao num dos barzinhos de happy hour. Estava muito engracado, voltamos para casa a modo bem brasileiro, fazendo barulho por onde passavamos…

Passamos o ultimo dia largados nos bangalos de frente para o mar (todas as pousadas tem, sao pequenos bangalos que voce pode comer, ver filme, dormir…) nos despedindo emocionalmente da Indonesia. Uma frase ficou gravada para mim e que sempre quando fechar o olho e lembrar da Indonesia eu vou ouvir  ” Hello Mister!!! ” Era a forma como as pessoas se dirigiam a nos nas ruas… Parecia uma musica, era Hello Mister para ca, Hello Mister para la.

Os tais bangalos!

Al’em do dia todo no bangalo, tambem me dei de presente mais uma massagem de uma senhora que estava vendendo pastel na praia. Quando a Tiazinha chegou na nossa pousada e comecou seu trabalho, vi que ela nada tinha de massagista, era uma legitima pasteleira. Devia ter apenas comprado seus pasteizinhos… Nunca vi massagem tao ruim. Ate aquelas no Brasil, de 15 minutos no Nordeste, sao melhores. Chegava a dar rizada. No final ela olhou para mim e disse: “Good massage?” Eu respondi, num tom ironico, (claro que ela nao entendeu)  “Oh yeh, very good!”

A noite jantamos num restaurante italiano maravilhoso, ainda em comemoracao aos 33 anos do Gui e nos despedimos apaixonados da fabulosa Gilli Island!

A charmosa Gilli!