Vale das Sombras!

Apos completar os meus 30 anos, achei que todas as minhas dores que passaram a me atormentar pouco antes do dia 22, cessariam como num passe de magica e eu estaria pronta para completar 31 no dia seguinte. Mas nao, no dia seguinte e nos demais que se sucederam, a dor so aumentava e eu brigava com meus sentimentos. E nao adiantava, eles nao me respeitavam!

Ate que resolvi escuta-los mais profundamente e parar de dar respostas simples e curtas, tratando-os como retardados. E entrei num periodo tenebroso, que trocando desabafos com uma amiga muito sabia e inteligente do Brasil, ela me disse: “eu sei o que ‘e isso, ‘e como se voce estivesse passando pelo Vale das Sombras (ela ‘e sempre muito criativa e certeira para dar nomes as coisas da alma). ‘E horrivel, mas depois tudo se reverte em muita coragem!” Fiquei impressionada como ela tinha descrevido tao bem o lugar por onde eu andava e em seguida, pensei: “ tomara mesmo que se reverta em muita coragem!”

Assim fiquei por alguns dias, passeando pelo Vale das Sombras e deixando uma parte de mim morrer. Parece que com os 30 e depois dessa viagem, a minha ilusao com a vida foi embora! E junto, uma parte minha bem importante!

Quando a gente viaja, a gente se acostuma a ver o mundo que vive (nossa casa, nossa familia, nossos amigos, nosso trabalho, nossa rotina…) de fora. ‘E como se a nossa vida ficasse suspensa por todo o tempo da viagem e voce tivesse todo o tempo do mundo para observa-la. E passada a fase mais mundana, de se achar super corajoso por ter escolhido viver isso e de ate se sentir um pouco mais que os outros, porque afinal voce foi capaz de fazer esta escolha… Uma sensacao bem parecida com aquela quando viajamos para outro pais, e quando voltamos, olhamos para as pessoas ao nosso redor e pensamos: “nossa, voces nao sabem o que eu vivi nesse periodo e voces continuam aqui, iguais!” Atire a primeira pedra quem nunca sentiu isso!

Estes foram os meus primeiros sentimentos ainda na Africa. Mas pouco antes da passageira volta ao Brasil, comecei a achar isso pequeno demais para tudo o que eu podia apreender do que foi vivido. E me dei conta de outra coisa, bem mais profunda e dura: a Finitude da vida! E isso ficou no meu coracao por todo o periodo no Brasil! Olhava para as pessoas que amo tentando guardar o rosto delas, as palavras delas, guardar o momento com elas. Por alguns momentos, olhava para elas como se ja tivesse morrido!

Quando voltei para a segunda etapa da viagem, esses sentimentos da finitude da vida comecaram a pipocar novamente. Mas eu consegui distrai-los e deixa-los em stand by por dias e meses, ate chegar perto dos malditos e reveladores 30 anos!

Foi quando entrei no Vale das Sombras, como descreve minha sabia amiga! E por la caminhei, sozinha, por dias. Comecei a olhar para a morte de perto e de frente. Comecei a olhar para a minha propria morte! Porque ca entre nos, olhar para a morte dos outros ‘e facil, para dos nossos familiares e amigos ‘e medonho, mas para nossa propria morte eu nem sei descrever o que ‘e!

Me olhava no espelho e pensava: “esse ‘e meu corpo, entao? E que um dia vai acabar!”; olhava para o Gui e pensava: “ esse ‘e meu marido entao, que um dia tambem vai acabar!”; olhava para minha vida no Brasil e pensava: “aquela ‘e a minha vida entao, com aquelas pessoas, que um dia vai acabar!” E assim fui vivendo os dias cinzentos do meu ser e passando por novas cidades no Myamar…

Imaginem o quanto eu me sentia empolgada com esses pensamentos e sentimentos dentro de mim para acompanhar o Gui? Eu queria que os lugares fossem todos explodidos, um a um e bem devagar! E como poderia ficar compartilhando esses sentimentos com o Gui? Mas como sabia que se ficasse so com eles a coisa poderia ficar ainda mais pesada e funebre, tirava forcas de la, de la mesmo, para conhecer os lugares que n’os estavamos visitando.

O que mais me vinha na cabeca era: mas que sentido tem a vida se um dia eu vou morrer? E se as pessoas que eu amo tambem vao? E ainda, que eu nao sei quando eu e, nem eles vao morrer? E mais: e depois, eu vou para onde? Para o “ceu”? So porque eu nao matei ninguem, eu mereco o “ceu”? Acho um saco as pessoas que simplesmente acham coisas sem base nenhuma! Nenhuma religiao no mundo diz, que simplesmente se voce nao matar ninguem ou nao ser um psicopata voce vai para o “ceu”. Todas falam que tem que se esforcar mais, bem mais do que nos esforcamos normalmente! E hoje religiao virou superfluo, e espiritualidade virou “algo que as pessoas nem sabem o que tao compreendendo”, leem um livro budista e ja se acham espiritualizadas, meditam uma vez por mes, e se sentem quase iluminadas, entao para mim sou parceira dos hindus que no periodo do Kali Yuga (o atual, chamada idade ruim) muito poucos se salvam, vai todo mundo pro inferno. ‘E o que faz mais sentido pra mim quando olho ao redor.

E entao, num primeiro momento, tudo o que eu estava fazendo da minha vida nao fazia mais sentido algum levando em consideracao a perspectiva da morte. Enquanto vida estava show de bola, mas enquanto vida finita, tinha um caminho a ser trilhado!

Muitas ideias foram seriamente pensadas, sobre como viver uma vida que TAMBEM me preparasse para a morte e para a unica coisa que de fato vou ter depois: a alma! Porque ca entre nos, o que a gente leva dessa vida nao ‘e a vida que a gente leva, ‘e a alma! Nossa alma ‘e imaterial, como ela morre com o corpo material? Simplesmente ‘e logico.

Com toda essa questao mexendo profundamente comigo e paralelamente estudando o CD de religiao do filosofo Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, fui encontrando algumas respostas, uma das principais no hinduismo. Resultado de profunda meditacao de sabios hindus num acesso a Deus em 2500 AC. Destas palavras foram escritos os Vedas, o livro sagrado dos hindus (como a Biblia para nos).

Deus diz para os sabios que todos os seres tem um Dharma. Dharma significa alicerce, o fundamento do ser na realidade! Cada ser tem um, uma ordem intrinseca que o apoia na realidade. Na medida em que ele se distancia deste Dharma, ele perde sua identidade propria, sua ordem, seu alicerce e passa a ser objeto de outros seres, ou seja, ‘e determinado pelo ambiente, por tudo o que nao ‘e ele. Pois o Dharma ‘e a unica coisa que torna voce Voce. Nao confundemos Dharma com o sentido pobre de identidade, vai muito mais alem.

Para cada individuo concreto ha um caminho concreto, o Dharma, e voce nao escolhe o seu Dharma, precisa descobri-lo. Resumindo: o dharma ‘e o que voce veio fazer aqui, sua missao, sua vocacao no sentido mais profundo! Se voce encontrar seu Dharma e realiza-lo, voce cumpriu sua missao. A realizacao do Dharma ‘e equivalente ao sentido Cristao de Salvacao, voce se salvou!

Isso ‘e a essencia do Hinduismo, que ‘e a religiao do Sanatanadharma, sanatana significaa eterno e dharma lei ou ordem intrinseca. ‘E uma lei anterior a voce! Ao contrario das religioes semiticas, que tentaram compreender Deus, os hindus tentaram primeiro compreender o homem, por isso que muitas pessoas hoje em dia conseguem encontrar muitas respostas na India. Isso ‘e a essencia do hinduismo, contada de uma forma absurdamente resumida, tem toda a base da antropovisao hindu por tras. Mas chegando na India, conto mais.

Bom, depois de tudo isso, conclui que tem sentido viver, desde que esse sentido venha antes de voce e nao termine com voce! Essa consciencia me fez despertar para muitas coisas dentro e fora. O contato com a morte me fez querer reajustar a caminhada e deu um sentido que jamais havia tocado antes. Agora compreendo porque o Dalai Lama dizia: “as pessoas vivem como se nunca fossem morrer!” Eu vivia asssim. E ignorava a Rainha das Verdades da vida humana.

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por tambemsai Postado em Myanmar

30 anos no Myanmar!!!

Nunca imaginei que meus 30 anos seriam completados no Myanmar. Ate dia 14 janeiro, nao tinha sentido ainda meu inferno astral e nem meu setimo periodo da cabala. Ambos colocam, grosseiramente falando, que os ultimos dias que antecedem o aniversario sao de reflexao da caminhada ate ali e portanto de fechamento, revisao, uma especie de reciclagem. Como estou indo e como quero continuar? A astrologia fala em 30 e a cabala fala em 52 dias antes do aniversario.

E estava achando muito estranho nao estar sentindo nada muito inspirador, alem de um cansaco extremo. Sempre tive uma quase obrigatoriedade moral de fazer seriamente essa reflexao pelo menos nesse periodo. A partir do dia 14, quando chegamos no Myamar e eu me vi de novo, vendo a Africa, a reflexao chegou e com tudo.

Como o Myamar ‘e um pais fechado, comunista (apesar de nao tentar acabar com a religiao, muito pelo contrario), ‘e um pais que d’a a sensacao de voce estar regressando pelo menos uns 30 anos no tempo.

Nas ruas, os homens usam saias quadriculadas, os chamados sarongs na Indonesia, lembrando muito a vestimenta dos muculmanos na Africa. Ja as mulheres uma maquiagem forte cor de mel, bem marcada. As ruas sao sujas, os predios decadentes, mas a simplicidade e amabilidade das pesssoas impera. Na antiga capital Yangon com mais de 5 milhoes de habitantes, as pessoas caminham vagarosamente nas ruas, param para conviver o tempo todo, trabalham, convivem com os milhares de monges que moram nos arredores em seus monasterios, e que pela manha vao as ruas buscar suas doacoes para o cafe e almoco. A ultima refeicao ‘e feita ao 12:00h para o corpo estar sempre preparado para meditacao. Bom… tudo isso junto, d’a uma beleza tao pura ao lugar, que nem um lugar limpo e desenvolvido (do ponto de vista material) poderia proporcionar.

...Pelas ruas!

Foi nesse contexto e nessa atmosfera que chegamos em Myamar e passamos em silencio caminhando pelas ruas, tocados com tudo que estavamos vendo. Sendo cumprimentados por todos, e parados pelas pessoas para conversar a todo momento, pelo simples fato de querer conhecer voce…

Eu nao sei direiro explicar o que aconteceu comigo, mas o periodo de reciclagem veio com tudo e eu chorava. Chorava porque ia fazer 30 anos, chorava porque ja passaram 30 anos, chorava de lembrar os melhores e piores momentos ate os 30 anos, chorava de alegria por me livrar das insegurancas tipicas dos 20, mas tambem chorava de saudades daqueles momentos inconsequentes da imaturidade dos 20, chorava porque estava viajando, chorava porque estava no Myamar, chorava porque precisava chorar por tudo o que esta viagem que comecou no dia 30/jun estava me fazendo descobrir! Uma sensacao de dispertar imensa, muito boa, mas do’ida. Nao ‘e por nada, que desde que a humanidade existe a ignorancia precisou existir, pois ela “protege” bastante a gente de muita coisa…

Depois me infurnei a escutar meu CD de religioes comparadas, onde ainda me encontro nas aulas apaixonantes de hinduismo (nao ‘e a toa que tantos ocidentais vao para l’a buscar suas respostas espirituais), e as fichas ca’iram mais ainda e mais e mais. Principalmente, numa discussao profunda do que afinal ‘e livre arbitrio, o professor diz: o livre arbitrio ‘e a parte divina do humano, ‘e o “ “ imprestimo” da criatividade divina, ‘e como se o criador desse a oportunidade a criatura de poder criar sua propria vida… de tambem ser Criador, como ele! E, o livre arbitrio, nao atua na camada dos desejos e aversoes humanas, mas na camada do intelecto (leia-se intelecto, nao so razao, mas tudo o que faz parte da nossa capacidade humana de compreensao, intuicao, discernimento, analise, raciocinio e pensamento).

Acho que foi a coisa mais linda que eu podia ter descoberto nos meus 30 anos. Olhar minha limitacao como criatura, mas minha possibilidade como criadora da minha propria vida e historia. Com essa alegria e responsabilidade, consegui entao me desejar Feliz Aniversario!

Indo para a festa!

Pingue- pongue na zona quase acaba em pancadaria!

Bom, como o Gui prometeu que eu contaria em detalhes o que foi este episodio, la vou eu. Existe um show erotico muito famoso em Bankok, onde as mulheres dancam nuas e de suas respectivas, tiram gilletes, jogam bolas de pingue-pongue, fumam charuto e por ai vai. Como o Gui ja tinha visto, ele ficou no hotel pois alguem precisava ficar com as criancas – o Pedro e a Luisa, nossos sobrinhos de matar de tao lindos.

Ao chegarmos no lugar dos shows, eu, Clau, Monica, Pati e Nuno, varios promotores das casas noturnas comecaram a entregar seus folders e nos assediar, era uma casa de show ao lado da outra. Caminhamos um pouco, conferindo as lojinhas turisticas da regiao e quando resolvemos comecar a procurar, surgiu um desses promotores, com uma proposta tentadora: “ cerveja por 100 baths (3 reais) e nao paga para ver o show”. Bom, nem pensamos duas vezes, resolvemos conferir o lugar. Subimos uma curta escada de acesso, sentamos e quando fui comentar com a Pati: “ meu deus que lugar ‘e esse…” as cervejas ja estavam abertas na nossa mao, ou seja, nao dava para virar as costas e dizer: “ legal, mas vamos rodar mais um pouco.” Bom, resolvi relaxar, mas me impressionei com o nivel das mulheres, eram muito decadentes, dava vontade de rir ou chorar, minhas emocoes se misturavam… E nos outros lugares que passamos em frente, voce via que o padrao era bem melhor. Bom, falei para Pati: “Tomamos a cerveja e depois entramos em outro lugar….!” Entao, comecamos a curtir o show… o mais chocante foi a mulher da gillete, que tira umas sete gilletes, uma a uma, presas numa corda e depois corta um papel na sua frente, testando cada uma das sete gilletes. Depois veio o pingue-pongue jogavam ate consideravelmente longe (sorte que caia no colo dos turistas da nossa frente) e aquela coisa, ao final de cada show, as mulheres passavam com um chapeu recolhendo gorgeta e a gente dava. Ok, la pelas tantas, uns 15 minutos depois, a Pati me olha e diz: “ acho que o pessoal que ta saindo esta tendo problemas na hora de pagar a conta…, da uma olhada”. Fiquei preocupada, mas nao vi nada demais, aparentemente. Bom, a Pati avisou todo mundo e disse que achava melhor a gente ir andando. Quando levantamos, ja eramos os unicos turistas la dentro, o que me deixou insegura. Ai o cara dispara: “ 100 baths por cerveja, sendo que a primeira ‘e 300 e 1000 baths por pessoa pelo show”. Na hora eu e o Clau falamos: “ imagina, nos falaram que o show era de graca, que pagavamos se quisessemos, ja demos gorgeta….” O cara nem deixou nos acabarmos, e comecou a pegar no meu braco e dizer: “entao vai voce la dancar de graca, porque as minhas meninas eu cobro…” me puxando. O Clau na hora disse: “ por fv, nao toque nela.” Ai veio a tentativa de cutuvelada no rosto do Clau, que desviou. Eu nessa hora fiquei assustadissima! Nisso o Nuno viu a cena e veio tentar entender o que estava acontecendo, nao conseguiu, nos chamou e foi indo em direcao a porta para irmos embora. As mulheres decadentes e nuas fecham a porta e ficam na frente, o Nuno vai para cima do cara que vai para cima do Nuno e a gente separa. Eu me assusto e comeco a meio gritar para o Clau: “ paga isso dai, vai dar m…” Surge um outro cara, fazendo pressao tipo assim, “se for para sair na mao, tem mais eu”. A Pati comeca a falar que vai colocar na internet isso e nunca mais vai aparecer nenhum turista la, o cara quase nao entende, ele nao entendia nada que a gente falava… A Monica elegantemente fala que isso nao se faz e por ai vai… E eu enlouquecida, ja imaginando a gente saindo dali arrebentados… O Clau paga 300 baths pelo show + as cervejas e a porta se abre! Dois turistas estao entrando, eu pego um deles pelo braco e grito: “nao entra “eles sao loucos, batem nas pessoas”. Consigo salva-los! Saio e grito um monte com o promotor da boate, dizendo que eles nao fazem de acordo com o que ele nos passou ingenuamente e acho que o cara vai me explicar… Ele levanta e ameaca com o corpo que pode me bater… A Monica e o Clau me puxam e nos saimos, todos revoltados com o lugar. Um dos caras nos seguem com uma moto para ver se iriamos avisar a policia… Eu estava assustadissima! Eles, nao tanto, apesar de putos da cara achavam que foi pressao natural que fazem com todos os turistas para conseguir dinheiro, mas que no final eles nao fariam nenhum mal. Pode ser, ali ‘e um lugar ultra turistico, mas eu senti muito medo e fiquei muito indignada com a situacao… Pensamos depois em ir na policia do turismo, mas a correria foi tanto que infelizmente nao fomos. Uma pena, outras pessoas podem passar por isso! Por isso, dica de viagem com bastante ironia (estrategia humana amplamente utilizada para se distanciar das emocoes vividas): escolha bem aonde voce vai jogar pingue-pongue!

Ferias da viagem!

Depois do longo periodo que passamos mochilando, chega a familia do Gui para passar o fim de ano com a gente e nos dar umas ferias da mochila! Do hotel do Leonardo Di Caprio no filme a praia para Resort em Phi-phi!  A familia veio em peso: sogros, cunhadas, co-cunhado e sobrinhos, somavamos nove pessoas. Depois do periodo hermitao Bibi e Gui, agora tinhamos companhia dia e noite. Uma delicia! Depois de tanto tempo, so jantando de vez em quando com algum casal ou tomando vinho com um desconhecido no trem, nada melhor do que estar com a familia da gente.

Hotel do filme!

Junto com a animacao e confusao, veio os hoteis com piscina, o conforto, restaurantes deliciosos, vida de Pel’e! Passamos cinco dias em Phi-Phi, praia paradisiaca, apesar de turistica, linda de morrer. Mar verde forte transparente, peixes coloridos e pedras saindo do mar na tua cara, tipo Halong Bay, so que sem precisar pagar para ver.

A beleza de Phi-phi!

O ano novo foi animadissimo, com shows locais e muitas surpresas. Me senti em casa, pois minha mae quando promove as festas de final de ano na charmosa rsrs Meia Praia faz sempre uma super decoracao nas mesas e paredes e quando a famillia da minha doce Tia Vera do RS esta junto, de quebra se produxem tambem varios “presentinhos” de superticao para os convidados. E nao foi diferente na Tailandia. O hotel estava super decorado, na entrada voce ja recebia uma especie de conjunto supersticioso para te dar toda sorte do mundo, um drink e uma pulseira de flores. Apos os sucessivos shows durante a ceia deliciosa de frutos do mar, o gerente do hotel chamou todos os funcionarios da casa para irem ao palco e agradeceu a todos pelo trabalho e dedicao. E tratou de convidar os turistas que quisessem se juntar a eles no palco e enquanto os funcionarios dancavam soltos, eu e o Gui fomos os primeiros a subir: chegamos pulando, eu dancava como se estivesse literalmente no banheiro de casa… eles adoraram. Apos a empolgacao, fomos curtir o soltar dos baloes, pois cada mesa ganhava alguns baloes para atear fogo. Passado o deslumbre dos baloes, comecamos a ver os malabaris dancando com fogo, que eram meninos jovens vestidos mais ou menos iguais (calca jeans justa e camiseta) e o Pedrinho ia a loucura. Nisso, os malabaris fizeram uma roda de fogo e ficavam passando dentro, bem show. La pelas tantas, ano novo, bebida, voce so via turistas bebados passando no meio da roda, homens e mulheres, depois fizeram uma corda de fogo e la foi o Gui e o Nuno pularem, na verdade se queimarem, porque eles achavam que conseguiriam pular juntos ao mesmo tempo…. Em seguida, um show de fogos alucinante na nossa cabeca, maravilhoso… bom eu tava numa empolgacao sem tamanho!

O AMOR!

Ja quase duas da manha, a Monica e o Clau vao dormir, a Pati, o Pedrinho e o Nuno tambem. Sobra eu, Gui e Gi. Cinco minutos depois surge o Nuno, dizendo que voltou para ficar com a gente…. e a coisa comeca a descambar, bebida daqui, dali, a Gi me abraca e fala torcendo a lingua: “ vamos tomar banho de mar”! Eba, vamos! Eu nunca sou o tipo de pessoa que cai no mar nessas horas, acho que nunca cai no mar a noite, mas viajando, barreiras devem ser quebradas e la fomos nos. Dali um pouco, nao sei bem como, ja estavamos abracadas como uma portuguesa, falando nossa lingua, que tambem nao estava muito bem e caia com a gente no mar… A noite acabou sobre um tronco de arvore, colocado no meio da piscina do hotel, de um lado ao outro, usado pelos funcionarios como show de luta durante a ceia, onde os caras ficam em cima e tentam ver quem ‘e derrubado na agua… Advinha quem estava la? Eu e a Gi, depois Nuno e Gui. Advinhem quem ganhou e se manteve firme ate o final sobre o tronco? Guiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Quando a Gi errou a piscina e caiu no chao, achamos que era melhor irmos dormir. O Nuno como um fantasma, desapareceu, disse: “estou subindo!”, mal deu tempo da gente dizer: “ o que?” e ele ja tinha sumido.

A volta para casa!

Apos essa noite divertida, o dia seguinte foi em silencio, tentando se recuperar em frente ao mar. A Gi se manteve no quarto calada ate o final do dia. Optei por fazer snorkling para ver se o enjoo passava e passou! Dia de descanso, quase sem atividade nenhuma…

Mais belza de Phi-phi!

Quando, no dia seguinte, tive minha primeira experiencia de mergulho, meu batismo. Eu, Gui, Pati, Nuno, Gi e Clau fomos mergulhar. O Nuno e o Gui eram os unicos com curso de mergulho, e todos os demais, com excessao de mim, era o quinto ou sexto batismo. Bom, no comeco, so de ficar no raso embaixo d’agua com aquele tubo na bouca, ja me dava claustrofobia e eu voltava correndo. O professor me olhava com cara de “que trabalho vai ser batisar essa criatura”. No fim das contas, la fomos nos, pegamos o barco, paramos no ponto de mergulho, e sem muito ir aos poucos, o professor pegou na minha mao e ja foi afundando, metro a metro, e deu minha mao para o Gui continuar… e fomos ate chegarmos nos 12 m de profundidade que era o limite do batismo. A sensacao foi diferente, nao dava para olhar muito para cima pois dava vontade de voltar correndo, nao dava para pensar que estava embaixo d agua pois dava ansiedade, na medida que conseguia nao pensar nisso, era uma experiencia muito interessante, que nitidamente da para prever que se torna muito boa com o passar do tempo, voce naturalmente vai adquirindo seguranca, principalmente quando o lugar la embaixo ‘e realmente cheio de peixes coloridos que fazem voce esquecer qualquer realidade diferente da que voce esta vivendo… Quando subimos, eu tinha mais da metade dos meus bares enquanto os outros tinham menos da metade do que eu. Entao, vi que meu controle na respiracao estava sendo digno de uma aluna de yoga. O Gui estava orgulhoso de mim, o sonho dele ‘e me ver em momentos extremamente atleticos! Ele delira! Sabe aqueles momentos que os maridos ao verem a mulher super bem arrumada acham ela a mulher mais bonita do mundo (naquele dia), o Gui tem isso quando estou fazendo algum tipo de esporte, por exemplo, o final de uma caminhada de 8h subindo um morro, suada, de cabelo preso, para ele ‘e o apice da minha beleza! Cansei de ser elogiada cada vez que eu colocava um tenis no p’e: “ nossa como vc t’a bonita hoje…”

Batismo em familia!

Bom, depois de PhiPhi, seguimos para Chiang May, uma das maiores cidade da Tailandia, cheia de templos absurdamente maravilhosos. Nas primeiras visitas, nao conseguia conter minha emocao, num dos templos, fiquei chorando ate o monge me chamar e perguntar se eu estava bem e depois me dar uma breve aula de meditacao, numa tentativa muito limitada, pois nao sabia falar ingles.

Nossa... super a vontade haha!

Costumes diferentes!

Vimos espetaculo de elefante, subi em cima de um deles, tirei foto colocando a mao e depois quase deitando sobre um tigre, levei choque tentando me apoiar no muro que tinha cerca eletrica, vimos as mulheres girafas, com seus pescocos circundados por aquelas argolas douradas, nos esbaldamos andando com os deliciosos tuc-tucs (queria tanto ter um no Brasil), ate chegarmos em Sucothai!

Os templos de Chiang Mai!

Beleza...!

Harmonia....

O que ‘e Sukothai? Uma antiga capital da Tailandia, que guarda ruinas de templos budistas. Ao chegarmos, nos todos alugamos bicicletas e fomos, em familia, conhecer as ruinas. Nem sei explicar o que foi esse passeio, o lugar ‘e magico, as ruinas sao belissimas, uma atmosfera de volta no tempo, de encontro, de Deus, muito boa. O Pedro, resumiu muito bem quando falou a Pati ao final do passeio meio emocionado e inspirado: “ Mae, eu to senti um sentimento que eu nunca senti antes…” , e a Pati: “ ‘e filho, que legal, e como ‘e esse sentimento bom ou ruim?” O Pedro disse: “ nao sei mae, pq eu nunca tinha sentido antes, mas ‘e muito diferente!” Achei tao lindo esse encontro que o Pedro teve com as ruinas. Nao tem como explicar mesmo. Talvez a gente que ‘e adulto possa ate comparar um pouco com o que ja sentimos e nomear a sensacao do passeio, mas prefiro a sabedoria do Pedro e dizer: “ alugue uma bicicleta e conheca Sukothai”.

Sem palavras...

Momento magico!

Uma coisa que mexeu comigo nessa visita da familia, foi ver a Pati e o Nuno com o Pedro e a Luisa. Me deu muita vontade de ter o nosso Pedro e a nossa Luiza. Ficava olhando para os dois boba. O Pedrinho dormiu muitas noites com a gente e cada vez que ele me pedia alguma coisa com aquela vozinha: ” Tia Bibi, apaga a luz, nao consigo dormir”! Eu me derretia. Mesmo adorando ler antes de dormir, um dos meus maiores prazeres de todos os dias, nao me doia fechar a pagina do livro s’o por ter ouvido a voz doce e pura do Pedro me pedindo alguma coisa.

Existe alguem mais lindo?

Nao 'e de morrer de inveja?

O final da viagem foi em Bankok, onde passamos pela Kaosarn Road, a rua famosa dos mochileiros, cheia de roupas de rua super descoladas, que por poucos dolares da pra renovar o guarda-roupa e estar atualizada com a moda internacional.

Mas eu o Gui tinhamos uma missao em Bankok: arrumar o nosso computador que estava ligando so quando queria. E conhecemos um motorista de tuc tuc que fazia o passeio ate a Sony pela bagatela 2,5 reais numa distancia super consideravel, desde que, no caminho parassemos em alguma loja fazendo que estavamos interessados em comprar algo, para ele ganhar seu tanque de combustivel. Meio cansados, mas no animo da economia, paramos num lugar na ida e noutro na volta. Num deles foi minha vez de bancar a artista, queria ver tecidos p/ fazer um vestido de festa e depois o Gui, queria ver precos para fazer um terno. Nesse dia caimos na mao de um indiano, que como tal, ficou azucrinando a gente para comprar, pois acho que percebeu que era golpe pelos nossos trajes de chinelo de dedo. Mas o problema veio no dia seguinte, quando pegamos o mesmo motorista para irmos novamente na Kaosarn Road e numa das paradas numa loja de objetos de decoracao, eu, sem querer, quebrei um vaso de ceramica. Quase sem ar, mas tentando manter a calma para dizer ao Gui que estava voltando do banheiro, ja imendei: “ quebrei um vaso, mas pelo jeito tudo na loja custa no maximo 1500 bats, o equivalente 70 reais, o prejuizo nao vai ser tao grande…” Sabe custava o infeliz do vaso? 180 reais. Queria me arrancar os cabelos. Com esse valor na Tailandia dava para ficarmos 9 dias nos nossos hoteis mais em conta, jantarmos tres vezes num restaurante chiquerrimo, passear de tuc tuc sem parar em loja nenhuma umas 20 vezes, comer 25 pad-thai de rua e a lista nao para por ai vai. Perdemos 180 reais e nem pudemos levar o vaso, estava espatifado no chao!

Mas tivemos momentos super legais, jantamos em restaurantes deliciosos indicados a dedo pela Pati. Aqui vali um parenteses: a Pati ‘e especialista em dicas internacionais de muito bom gosto, agora entendo quando o Gui, em tom de critica, me diz: “ vc ‘e tipo a Pati!”, se referindo as minhas preferencias dos lugares para dormirmos, comermos, etc. Por isso foi bom, atraves da Pati, resgatar minha Pati esmagada pela vida de mochileita. Valeu! Tivemos nosso infeliz momento no Pingue-pongue na zona, conhecemos o Palacio do Rei, onde alem de palacio, ‘e cheio de templos incrivelmente belissimos, minuciosamente perfeitos e detalhados, mas muito turistico (se tirasse todos os turistas que visitam la por dia, o lugar seria nao so lindo, mas magico). Passeamos de tuk-tuk, de barco, e de carro normal. Para ir ao palacio do rei, por exemplo, que fica numa outra parte da cidade, so de barco. Tivemos um momento “atracao para turistas”  quando voltavamos da Karsan Road, pois entramos em oito num tuk-tuk, que ‘e ideal para tres pessoas, pois ‘e basicamente um triciculo e varios turistas filmaram e tiraram fotos nossas.

Visual de dentro de um Tuk-tuk!

Gui, motorista, eu, Pati, Monica, Nuno, Pedro e Luisa!

Num dos varios templos do Palacio!

Tivemos dois jantares em familia, um so com a Pati e o Nuno e outro so com a Monica e o Clau para conseguirmos nos despedir de verdade deles, ambos foram muito bons. Eles deixaram saudades! Estavamos precisando de familia, de encontro, de mesa cheia, de bagunca, de rizada coletiva, de conversas agradabilissimas e de interacao. Levaram junto as ferias da mochilagem, mas sobrou muitos shampoos, sabonetes e hidrantantes de hoteis deliciosos para lembrarmos!