Costumes, Religiao, Cores e Temperos!

Contado um pouco da historia e da religiao, vamos agora a parte vivencial, como ‘e estar na India. Viajar na India sem duvida nao ‘e uma viagem comum, eu diria que nao ‘e uma viagem, ‘e uma experiencia, um mergulho, na terra e no ceu, ao mesmo tempo. A India provoca sentimentos intensos em tudo o que ela te apresenta. Para mim, ate a India, os paises da Africa tinham sido os que tinha gostado mais, nao pelos paises em si, apesar de belissimos, mas pela experiencia que a Africa promove. Hoje acrescentaria a India ao lado da Africa. Enquanto a Africa representa a terra no seu sentido mais profundo, a India representa o ceu.

A India ‘e a alma do mundo como muitos dizem. O unico problema ‘e que voce nao caminha pelos jardins do Eden, caminha no meio de fezes de vacas, lixos, buzinas incessantes e muita, mais muita gente. Mas mesmo assim, o ceu esta ali, regendo tudo e no meio do caos absoluto, as pessoas se mantem meio “intactas” a toda loucura ao seu redor, ancoradas por sua fe. Mesmo que os gurus e os sadhus ja nao sejam mais como antigamente, mesmo que voce escute algum indiano dizer que hoje se compra o guru que le o mapa astral para este dizer que aquele casamento almejado sera bom, a fe e Deus estao presente na maior parte e regendo a sinfonia da India. E isso ‘e uma coisa que toca muito quem conhece o pais.

Detalhando um pouco mais o caos. O transito ‘e totalmente caotico, nas rodovias, a maioria como as nossas, vai e vem, as pessoas ultrapassam umas as outras e quem esta vindo do outro lado, tranquilamente vai para o acostamento, como se o acostamento fosse estrada e nao acostamento. Quem esta ultrapassando, ‘e ultrapassado por outro carro e sucessivamente, enquanto que o outro que esta vindo do outro lado, se joga para o acostamento e continua sua jornada. No meio da rodovia voce encontra carros, caminhoes, onibus, carrocas, vacas, bicicletas, tudo ao mesmo tempo. As buzinas nao sao usadas para chamar atencao frente a um possivel acidente, elas sao utilizadas ininterruptamente, a todo instante, todo segundo, por todos os motivos, ou pela falta de motivos tambem. Depois de quase dois meses de India, quando buzinam para mim nas ruas por nada, eu ja estou xingando o motorista, coisa que nao combina comigo, mas a India provoca todo o tipo de emocao, incluindo stress, raiva, cansaco, furia, etc.

As pessoas sao uma piada. Se voce pede informacao para alguem na rua, em poucos segundos juntam-se uns 10 indianos para escutar o que voce quer e todos querem ajudar. Se voce passa, eles perguntam: “ Where are you from?” e etc, eles sempre querem saber de voce, falar com voce, te conhecer. Nos trens sempre puxam papo, te oferecem comida sem parar, em pouco tempo tem uma plateia escutando a conversa e querendo fazer parte, trocam telefones, e-mails, voce se sente numa grande familia. Eles sao muito calorosos e generosos. E as fotos? Sempre querem tirar fotos com voce tambem. Eles nos estranham assim como nos estranhamos eles. E o curioso, ‘e que perto dos ocidentais, eles parecem ingenuos. Por exemplo, quando eles querem olhar para voce, eles param e olham fixamente sem parar, sem disfarcar. Nao so os homens, pelo fato de admirarem a beleza branca, mas as mulheres tambem. Alguns lugares do norte, eles tentam passar a mao nas mulheres que estiverem caminhando sozinhas ou com roupas justas, para a realidade deles, e se a mulher xingar ou qualquer outro ocidental que estiver junto xingar, gritar, eles abaixam a cabeca e saem meio correndo, envergonhados do seu descontrole frente ao corpo “nu” para eles. Comigo nao aconteceu, porque sempre estava com o Gui e fazia questao de caminhar na frente do Gui, mas aconteceu com algumas turistas que viajam sozinhas. Eles nao sao acostumados com poucas roupas (regata, shorts, etc), como na maioria dos paises ditos orientais, e quando vem as mulheres ocidentais, ficam bobos, literalmente. Para caminhar pelas ruas da India, no calor que pegamos de em media 37 a 45 graus, o ideal ‘e usar calcas que passam do joelho e largas e camisetas bem soltas que tapem os ombros, se voce quiser ter paz. E todas as turistas adotam o estilo indiano, por respeito e precaucao. Banho de mar ou rio? De roupa! Nunca de biquine, somente nas prais bem turisticas voce pode ficar a vontade.

E a comida? Uma delicia! Sao temperos e mais temperos, pimenta e mais pimenta, mas tudo uma delicia, em cada regiao que voce passa a comida ‘e diferente, pratos novos para descobrir, nao tem como enjoar. Eu particulamente, enjoei muito mais dos sucesssivos nasi ou mie gorengs da Indonesia ou dos phad thays da Tailandia, do que das comidas indianas. E a facilidade para se tornar vegetariano ‘e uma coisa incrivel. Nao precisa fazer muito esforco. As opcoes nao se esgotam. As roupas das mulheres embelezam o pais. O colorido e os brilhos, aderecos como brincos nos pes, narizes, colares e pulseras enriquecem ainda mais o conjunto. Nao tem muito como voce olhar para uma indiana e distinguir, como podemos nos nossos paises, se esta mulher tem mais condicoes de compra do que aquela (pelo menos para o nosso olhar), todos os vestidos sao, sem excessao, lindos e unicos, parecem nao se repetir. Os homens no Sul andam de sarong e camisa branca como muitos outros paises do Oriente e no Norte voce ve mais calcas do tipo feitas no alfaiate. As cores estao presentes em tudo, nas casas, nas ruas, nos restaurantes, nos proprios elefantes pintados e enfeitados. As vacas passeam tranquilamente, e os carros param para aguarda-las atravessar de um lado ao outro. Junto com os cheiros dos temperos, tem cheiros de bosta de vaca e de lixo. Mas em geral, os cheiros nao sao fortes.

Resolvemos comecar a viagem por Cochin no Sul, pois dizem que o Sul ‘e muito mais calmo que o Norte. Ficamos na cidade de Fort Cochin e foi perfeito. Eu me sentia na India, mas sem aquele tumulto que todo mundo conta, aquela consciencia constante de que estou num pais de 1,1 bilhao de pessoas, num espaco geografico menor que do Brasil. Deu para se impressionar, sem chocar! Voltamos de onibus do aeroporto com um casal de suicos e acabamos por passar alguns dias com eles. Bem gente boas. No primeiro dia passeamos pelas ruas para conhecer o lugar, a igreja de Sao Francisco, o bairro judeu, as redes de pesca chinesas e as casas coloniais portuguesas. As igrejas sao belissimas, eu particularmente gostei muito da igreja de Santa Maria, inclusive ao lado tem um convento e colegio, muito bom ver todas aquelas meninas indianas uniformizadas estudando num convento, seguindo uma religiao que para nos ‘e tao familiar. A maior parte dos cristaos do pais estao nos estados de Kerala e Goa.

O meu professor conta que quando Sao Franciso Xavier chegou no Sul para pregar o Cristianismo, que naquela ‘epoca era matar ou morrer, foi chamado pelos Brahmanes para uma reuniao, pois eles gostariam de entender o que era e quais eram os principios da tal religiao. Apos 3 dias reunidos, os Brahmanes disseram: “ Pode continuar pregando, isso ‘e Sanatanadharma!” Sao Francisco saiu impressionado como aquilo era possivel. Deixamos Fort Cochin felizes. Eu com uma otima impressao da India e o Gui fascinado, dizendo que nao parecia India. Eu pensava: “ o que sera que me aguarda mais pra frente….”

Seguimos com nossos amigos suicos para Aleepei, onde ficam os famosos canais da regiao. Acabamos por decidir alugar um barco e fazer o passeio completo, de um dia e uma noite, e nao apenas pegar uma simples canoa para dar uma “voltinha”. A decisao foi otima, pois o lugar era maravilhoso. Alem de uma delicia, sair do calor umido insuportavel que fazia, para ficarmos no barco-casa, no meio dos canais, curtindo o visual, a natureza e passando por pequenas vilas ao longo do caminho. Mulheres lavando roupa no rio, homens tomando banho e por ai vai. Muito bom ficar largado no barco so comtemplando o visual e as pessoas. As refeicoes eram saborosissimas e comemos bastante. Aproveitei no fim do dia para cortar o cabelo do Gui, que ja estava uma mistura de menudo com surfista e Ze Galinha. Nunca tinha cortado um cabelo, mas adorei, e o resultado ficou bom, confiram. A noite apos o jantar vimos um filme muito engracado, sobre uma despedida de solteiro em Las Vegas, nao lembro o nome, aquela que os cara esquecem tudo, aparece o Mike Tyson, historia manjadissima, mas recomendo, choramos de rir.

Antes

Depois!

Dia seguinte fomos para Varkala, uma praia ao sul de Allepei. Tivemos que esperar um monte na rodoviaria suja local ate chegar o onibus de linha, tipo nossa “lotacao”, quando chegamos la, acabados de calor, no cansaco acabamos escolhendo mal o hotel, e ficamos num hotel muito bom, mas muito perto do centro e longe da parte mochileira, que era bem mais astral e longe do centro. Aproveitamos para tomar banho de mar todo dia e apreciar a diferenca nos dois lados da praia. De um lado, era o sitio turistico, onde os indianos nao podiam se aproximar. Nesse espaco ficavam os turistas a vontade de sunga e biquines, ate top less, e do outro, era a parte onde podia estar tanto os turistas quanto os indianos. No comeco achamos uma sacanagem com os indianos ter guarda no meio da praia impedindo-os de passar para o lado de la, mas depois fomos entendendo, eles ficavam encarando, tirando foto das turistas de biquines enlouquecidos, enquanto do lado meio indiano meio turistico, as indianas se refrescavam de sari no mar, ate com os lencos no pescoco elas entravam. Coitados, da para entender!

Lado B

Varkala!

De la seguimos para Mandurai, uma cidade sem nada para ver, mas com um belissimo templo hindu. Foi minha primeira viagem de trem e gostei bastante. Esperava que os trens fossem piores, pois li um livro de um brasileiro que escreve ate bastante livros de viagem chamado Expresso p/ India, que so metia pau em tudo, cada detalhe que ele contava da India era como se ele estivesse caminhando pelo inferno. E como ele viajou muito de trem, falava muito mal dos trens. Eu adorei. Nao sao novos, mas nao sao tao decadentes como ele dizia. Acho que esses caras escrevem assim so para ficar mais sensacionalista, para vender mais livro, so pode ser. Durante a espera, ficamos conversando com uma simpatica familia indiana, que aproveitou para pintar minha testa, um risco vertical saindo do meio da cabeca, em vermelho, querendo dizer que sou casada e o terceiro olho logo abaixo. Demais!

Esperando o trem!

Sobre o trem  aqui vale um parentes para o chai, o cha deles que tem por todos os cantos. Quando fecho os olhos e lembro dos trens, me vem o som dos vendedores gritando: chai, chai, chai, chai, chai… Imagina nesse calor de quase 45 graus, voce tomar cha quentissimo? ‘E isso que ocorre aqui, nao tem nada gelado, e para refrescar tomamos chai. E acostuma e parece ate que refresca no fim das contas. A fisica ‘e capaz de explicar isso. Os chais sao deliciosos e de temperos diferentes, chais de canela, de cravo, de capin limao e por ai vai. Eles fazem com leite, sem uma gota de agua, e aquecem o leite junto com os temperos na panela, fica muito bom. E qualquer lugarzinho de beira de estrada e lugarzinho pe sujo como diz o Gui, tem um chai para voce.

Eu e Cristine nos preparando p/ dormir!

A chegada em Mandurai foi chata, pois os hoteis eram caros e os mais em conta eram terriveis, entao gastamos um tempo, em plena madrugada ate achar algo melhor. O calor estava insuportavel, nao dava quase para ficar no quarto durante o dia. A escolha pela barulhenta e suja Mandurai valeu a pena pelo templo maravilhoso. Confiram! Triste foi, em pleno calor, ter que andar por todo o templo gigantesco de pes descalcos e ainda sairmos do lado errado. O Gui teve que ir pulando buscar nossos sapatos bem longe dali, enquanto eu aguardava descalca conversando com uma indiana…

As paredes dos templos!

Os Brahmanes que cuidam dos templos!

Templo shivaita e o touro venerado!

Pelas ruas!

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11 comentários em “Costumes, Religiao, Cores e Temperos!

  1. Nossa, quanta diferença com o corte de cabelo! Nem percebi que era o Gui. Vc tingiu o cabelo dele tb? Huahuahauhauh!

    Agora sério, não notei diferença. Só mudou a pose de uma foto pra outra.

  2. Desculpa, olhando melhor deu pra ver que encurtou um pouco. Mas experimenta alguma coisa mais radical, tipo um corte moicano ou algo do genero. Daí vai dar pra ver bem a diferença.

    Não tenha medo de errar. Afinal, não é o seu cabelo, é o do Gui!

  3. Oi Bibi,
    India…Alma do mundo!
    Céu no caos indiano…tem sentido.
    Se Deus manifesta-se nos seres com almas e espiritos… semelhantes mais semelhantes em numero tão significativo tem total sentido ser o Céu…repleto de espiritos…e almas!

    Não sei quem é o amigo Gustavo ai de cima…mas concordo com ele, em relação ao corte de cabelo do Gui…ha ha…o cabelo não é seu! he he

    Beijos filha

  4. Ai amiga, que lindas as coisinhas que vc escreveu sobre a India!
    Vc tá tão feliz nas fotos… tipo parece que vc se entregou totalmente aí, ta loooooooonge da vida aqui e totalmente aprofundada nas experiencias daí..
    Por um lado isso é a melhor coisa pra voce, por outro sinto muito sua falta!!
    Volta logo pra essa cidade sem graça que nada acontece mas a gente é feliz! hahahha
    Beijocas amigaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

    • Amiga querida, Como que ta esse sucesso? haha
      Dei uma mergulhada que quase nao conseguia mais subir haha.
      Foi muito bom mesmo.
      Nao tenho duvida que a gente ‘e feliz ai. Saudades tb da minha amiga.
      Beijos beijos
      Bibi

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