Ainda no Oriente, mas agora o europeu!

Da Siria fomos para Turquia e a sensacao foi de chegar no Ocidente. Ruas bem asfaltadas, onibus com DVD e ate wi-fi e comidas mais variadas… O sentimento de “jornada” foi substituido por “ferias”. O cenario era quase familiar, se nao fossem os muitos muculmanos e a cultura turca. Um dos pontos altos de estar na Turquia sao as viagens de onibus de um lado ao outro do pais, a beleza natural ‘e de matar. Acho que em toda viagem nunca tinha visto tanta coisa linda pela janela!

Comecamos pela Capadoccia, um pequeno vilarejo circundado por formacoes rochosas de tirar o folego e outras ate curiosas, que formam um cenario belissimo. Sobre os montes, varios monasterios cristaos feitos dentro de cavernas, tendo sido ja grande centro de estudos e peregrinacao crista no sec 13. Aproveitamos para ficar num hotel com quartos em cavernas para experimentar. Achei um pouco claustrofobico para o meu gosto, uma janela sempre faz falta. Tive um sonho terrivel na caverna, que tinha morrido e acordado no purgatorio. Abria os olhos e nao enxergava, tentava falar e nao saia voz, tentava me mover e nao tinha mais movimentos. Eu era so espirito e nao sabia o que fazer so como espirito, estava condicionada a ter corpo… no meio do sonho lembrei que a escuridao era porque estava na caverna e acordei. Mas depois fiquei pensando no meu sonho e me dando conta do quanto ele tinha sentido…

Monasterios cristaos na caverna!

Visual das pedras por todos os lados!

Da Capadoccia aproveitamos para ir ate Konya, uma cidade relativamente grande, que ‘e o centro de uma das mais famosas ordens do Sufismo – o Mevlana. O ritual Sufi ‘e lindissimo, os homens chegam ao centro, reverenciam Deus, sentam e comecam a se concentrar nos mantras do Corao feitos por mais um grupo de homens. Depois de um tempo, levantam e comecam a rodar em circulos para o mesmo lado, por horas, em transe. O seu rosto ‘e caido para um lado no mesmo tom de humildade dos Santos. O Sufismo ‘e o ramo mistico do Islamismo que vou explicar mais para frente. Abaixo segue um pequeno trecho de um poema Sufi que estava nas paredes:

Sete Conselhos do Mevlana:

Em generosidade e em ajuda aos outros seja como o rio.

Em misericordia e graca seja como o sol.

Com os defeitos dos outros seja como a noite.

Em raiva e irritabilidade seja como a morte.

Em modestia e humildade seja como a terra.

Em tolerancia seja como o mar.

Seja visto como ‘e ou seja como ‘e visto.

Nao 'e lindo?

De la fomos descansar numa praia deliciosa chamada Olympus e desfrutamos de uma rotina de ferias: praia, sorvete, frutas, jantar, bangalos, leitura e cama. A pousada ficava num lugar bastante tranquilo, circundado por montanhas e cheios de pes de frutas. Deu para fazer bastante yoga e ter alguns bons insights.

A caminho de Istambul, paramos em Pamukale e em Efesos, para conhecer a casa da Nossa Senhora, onde ela morou nos seus ultimos anos de vida. A casa foi transformada em capela e no lado de fora um muro cheio de bilhetinhos ‘e deixado pelos peregrinos, com milhares de pedidos de ajuda e protecao.

Fachada da biblioteca da epoca em Efesus!

Pedidos para Nossa Senhora!

Em Istambul escolhemos por fazer novamente couchsurfing para conhecer um pouco melhor a cultura. Acabamos tendo muita sorte e de ultima hora surgiu “a casa do Memet”, ele estava largando trabalho para viajar a Africa para alguns destinos que a gente foi e depois queria conhecer o Brasil, entao acabou gostando muito do nosso profile. Nos recebeu muuuuito bem, fazendo a gente se sentir mais do que em casa e acolhidos.

Istambul!

Descansando no parque!

Mais Istambul!

A minha saudades de “ estar numa casa” era tao grande que passei dias lavando a louca e limpando o chao…. Ao lado tinha um mercadinho e aproveitava para fazer compras e jantares para os meninos… O Memet tinha mais dois amigos muito queridos.

Muito bom chegar num mercado, escolher coisas que voce gosta ao inves de receber um prato pronto… Comprei ate sucrilos! Nunca pensei que poderia valorizar esse tipo de coisa… Como passaria por Mocambique, o Memet queria aprender portugues, dei uma aula bem sem pretensao… e pronto, ele ja formava frases sozinho e entendia o que a gente falava devagar, tudo porque estudava literatura francesa na universidade e como ‘e latim, achava que dava para compreender mais facil… Cada um com seus talentos.

Nosso querido amigo Memet!

Istambul ‘e uma cidade belissima, mas lotada de turista, o que cansa um pouco. A parte asiatica ‘e muito mais aconchegante que a europeia. Mas gostamos bastante das duas. Quase perdemos o trem a noite pegando o ferry da asia para europa, porque nos perdemos no tempo fazendo um piquenique com o Memet e o bla bla. As 22:00h embarcamos para Plovdiv. No trem quem dividia a cabine conosno era um jovem medico chileno, muito gente boa. Conversamos um monte e demos muita rizada. Apelidamos ele de peruanito, pois estavamos falando dos paises vizinhos que cada um tira sarro (pois sempre tem) e os chilenos tem horror a ser comparados com o peruanos. Entao, deu a deixa. E ele tambem nao perdeu a oportunidade de nos chamar de argentinos… Foi bom para relembrar do quanto o sangue latino ‘e piadista. No fim das contas a gente ja estava quase dando cascudo um na cabeca do outro.

Um pouco antes de quase perder o ferry!

O peruanito!

Plantacoes de girasol no caminho!

Do trem seguimos direto para Plovdiv na casa de uma velhinha que estava oferecendo quarto na estacao. Muito simpatica, morava sozinha, seu marido ja tinha falecido. Dei algumas roupas para ela lavar, e a bermuda imunda do Gui que estava manchada de um oleo que nao saia. Ela aproveitou para costurar os furos e passar um pouco de kiboa, a bermuda bege hoje tem um circulo branco enorme bem na frente. Ficou horrivel…

Plovdiv!

Dois dias depois chegamos em Sofia na casa do Stefan, outro couchsurfing que foi nos buscar na estacao de onibus. A caminho para ele nos deixar na casa de sua amiga Gerry (pois nos deu duas opcoes: ficar na casa de sitio do seu avo falecido ou na sua amiga Gerry perto do centro), ele nao parava de falar enlouquecidamente. Era engenheiro eletronico e estava fazendo PHD. Ficamos um pouco assustados e me deu uma preguica da decisao de fazer outro counchsurfing, pois estavamos com a boa lembranca do Memet…

Como a Gerry tinha uma reuniao nos deixou sozinhos no seu ap e aproveitamos para descansar. Mais tarde nos encontramos com ela, Stefan e alguns amigos no centro. E foi bem mais legal. Comecamos a gostar do Stefan e a entende-lo. Ele fazia o estilo totalmente maluco, guiado pelo vento e pelo momento… nao tinha nenhuma ordem nem direcao. Mas em compensacao tinha um coracao mais do que grande, que ha muito tempo nao encontrava por ai. Gerry ja era mais seria e pe no chao, dando um bom balanco ao Stefan. Era meio uma relacao de amigos ou mae e filho. Com o tempo, os dois tornaram-se otimas companhias.

Sofia ‘e linda e tem bem aquela cara que imaginamos de leste Europeu. Cheia de predios comunistas, avenidas largas com trem antigo passando no meio, com pracas arborizadas e aconchegantes e muito florida. Em Sofia vi a igreja mais linda de toda viagem.

Sofia!

A igreja mais linda!

Ficamos tres dias por la e seguimos com o Stefan e a Gerry para um monasterio ortodoxo numa cidadezinha ali perto. La ficava um monje bastante polemico e famoso da Bulgaria. Uns adoram outros odeiam. Ele faz o estilo monge moderno, que canta mantras budistas, fala o que pensa,’e extravagante e ao mesmo tempo ‘e monge. Os modernos adoram e os tradicionais odeiam. Fomos conhecer…

No caminho paramos para visitar outro monasterio, se soubesse que tinham tantos monasterios legais teria feito um retiro como na India, mas nao tinhamos mais tempo. Almocamos ali do lado, tomamos banho de rio (minha nova paixao depois do ashram) e seguimos viagem.

O monasterio do monge ficava no alto de uma montanha, com uma vista impressionante. O lugar era lindissimo. E tinha uma comidinha caseira deliciosa. O bulgaros costumam fazer muitas comidinhas no forno bem ao estilo comida de vo. Peguei varias receitas. Bom, o monge realmente era esquisito. Tinha um estilo bem estranho, excentrico. Estava com o braco quebrado por uma queda na escadaria de entrada do monasterio, depois descobri que tinha era porque tinha bebido muito vinho. A noite caiu uma chuva bem fote e fui acordada com uns gritos e muita conversa na porta do meu quarto, abri para ir ao banheiro tentando mostrar minha indignacao, era o monge com alguns hospedes que sempre vao para la, cantando mantras e bebendo… Eu de pijama e o monge me convidava: “senta Bianca para cantar com a gente!” Fiquei indignada e voltei ao quarto. Nao gostei de olhar para aquela cena e ao mesmo tempo ver um quadro enorme de Jesus na Santa Ceia em frente. Achei desrespeitoso. Moderacao ‘e uma virtude que nao deveria falar para um monge. E acho que um pessoa que vive em Deus deve chamar atencao para Deus nao para si mesmo. Mas tive pouco contato com o monge para ter alguma opiniao realmente justa. Ao mesmo tempo, achei ele bem engracado, pois era bastante piadista, contava que rezava pedindo a Deus que nao trouxesse mais turistas para o monasterio, para ele poder ficar sozinho e nao precisar dar atencao. Mas a moca que cuidava da cozinha, desejava os turistas para ajudar a manter o lugar, pois eles gastavam nas comidas, entao ela reclamava dando rizada que era por causa das rezas dele que os turistas nao estavam vindo mais…

No monasterio com amigos, do lado direito Stefan e Gery!

O monge polemico!

No domingo acordamos, o monge estava vestido a carater batizando algumas criancas. Fazendo direitinho o seu trabalho. Foi uma experiencia legal, saber que alem dos ashrams na India existem monasterios lindos nos Balcans.

Voltamos para Sofia e no dia seguinte nos preparamos para nos despedir do Stefan e da Gerry. Quando estavam nos levando para pegar o onibus para Scopje na Macedonia, de repente, todos os nossos planos foram mudados e a vida nos levou ate o Baba Mondi…

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Compreendendo o Islamismo!

Alguns tem atracao pelas religioes orientais, como o budismo e o hinduismo, e normalmente uma certa aversao ao islamismo, porem este ultimo ‘e muito mais proximo da nossa religiao do que os anteriores. Louvam o mesmo Deus, inicialmente so dos Judeus e depois dos Cristaos.

O que afasta e dificulta o caminho para entende-los sao os diversos conflitos que houveram entre a civilizacao muculmana e ocidental (crista) ao longo da historia, desde a fundacao do Isla. E naturalmente temos a tendencia de olharmos mais para o que eles fizeram com a gente e nao tanto para o que nos fizemos com eles. Por exemplo, 11 de setembro ninguem esquece, mas o genocideo de muculmanos por cristaos na Bosnia nao ficou tao marcado… Alem dos conflitos, os costumes e tradicoes dos muculmanos nos chocam. As roupas das mulheres, a poligamia, as leis severas. Enfim, a forma que eles tem de resolver as coisas, que ‘e bem diferente da nossa.

Quando eu comecei a viagem pela Africa na Tanzania, desembarquei em Dar Es Salaan e de la seguimos para Zanzibar. Ambos os lugares com maioria esmagadora de muculmanos. Lembro que no meu primeiro dia em Dar Es Salaan, apos todos aqueles avioes, acordei as cinco da manha com o som das mesquitas… e gostei muito. Depois no dia seguinte em Zanzibar, fiquei dias observando todas aquelas mulheres tapadas dos pes a cabeca morrendo de pena, pensando “ coitadas, como sofrem, quanta opressao, que absurdo….”.

Mas com o tempo de viagem e conhecendo muculmanos e mais muculmanos, jantando junto, tomando cha, conversando com as mulheres, a gente comeca a enxergar a coisa de dentro e nao mais de fora. Do ponto de vista deles, e nao do nosso. A unica forma de compreender as coisas. E nao so perdi todo o preconceito que tinha, como hoje, os muculmanos sao um dos “povos” que eu e o Gui mais nos relacionamos afetivamente e os que mais nos acolheram.

Para voce se tornar um muculmano, diferente das outras religioes, voce nao precisa passar por um ritual de batismo, como no cristianismo para receber o Espirito Santo. O que te torna muculmano, ‘e voce considerar a seguinte verdade de fe: Nao ha deus exceto Deus e Muhammed ‘e seu profeta! Se voce acreditar nisso, voce se tornou muculmano, que significa homem limpo!

O Islamismo ‘e a ultima das religioes Abrahamicas: Judaismo-Cristianismo-Islamismo. Porem o que o Islamismo veio reafirmar na visao de um muculmano ‘e o monoteismo puro e original. Para eles, os judeus restringiram a mensagem de Deus apenas para o seu povo, os descendentes de Abrahao. E Cristo entao foi enviado para abrir essas fronteiras e nao limitar mais a mensagem apenas aos judeus, mas a todos, judeus e nao judeus. Porem, Deus ficou diluido na figura de Cristo, na fe de que Deus ‘e trino e uno (pai, filho e espirito santo). E eles vem entao resgatar esse monoteismo puro e para todos. Para o islamismo, o judaismo e cristianismo sao religioes irmas.

Para compreender o mundo muculmano que se inicou com o profeta Muhammed, ‘e preciso entender como era o mundo arabe antes do islamismo chegar. Os arabes na epoca de Muhammed (622 DC), acreditavam em 360 deuses, faziam orgias e mais orgias, as mulheres tinham um valor inferior ao de um escravo, e muitas eram enterradas vivas ao nascer, pois significava prejuizo na certa. A arabia, resumindo, era uma zona.

Muhammed nasceu de numa familia muito nobre, de uma das melhores tribos da epoca, capaz de retracar sua ascendencia ate Abrahao, tamanha a nobreza (da tribo de Isaac veio os judeus e da de Ismael vieram os arabes, ambos filhos de Abrahao). Mas como pouco antes dele nascer seu pai morreu e com 6 anos de idade a mae, ele era muito pobre. Quando a mae faleceu ele passou a ser criado pelo avo ate os 8 anos de idade, quando o avo morreu e passou a ser criado pelo Tio. O Tio morava onde hoje ‘e Meca e era a pessoa responsavel por cuidar dos peregrinos que vinham adorar os 360 deuses.

Desde cedo Muhammed trabalhava cuidando das cabras, mas como cresceu ao lado dos peregrinos, conheceu muitas pessoas importantes e aproveitava para compreender como eles pensavam, pois tinha muito interesse em Deus. Nao participava das orgias e nao gostava dos costumes. A partir de uma certa idade, ja casado, comecou a se retirar para uma caverna para rezar e numa dessas vezes houve uma aparicao do Anjo Gabriel, que disse que ele seria o profeta de seu povo. Muhammed ficou bastante assustado e achou que estava ficando louco, chegou em casa e contou para sua esposa que o tranquilizou e disse que talvez era mesmo uma mensagem do Anjo.

Dali em diante, Muhammed comecou a receber outras mensagens e a pregar o Islamismo, comecando por dizer que os arabes deveriam abandonar seus 360 deuses e passar a acreditar somente em Deus. Obviamente ele comecou a ser perseguido, pois todo o comercio de Meca na epoca era relativo aos peregrinos. Muitos muculmanos foram perseguidos e morreram de fome, pois os arabes negavam-se a fazer comercio com eles. Uma parte fugiu para onde hoje ‘e Etiopia (onde foram protegidos pelo Rei de Axum que era cristao e portanto tambem acreditava num so Deus) e outros para Medina. A religiao se multiplicou e depois de algumas guerras e muitos massacres, os muculmanos venceram.

Junto com Muhammed alguns novos costumes foram adotados. Escravos, pobres e negros podiam se sentar junto com muculmanos nobres e olhar nos seus olhos… os homens passam a ser iguais, independente da classe social ou origem etnica. As mulheres passam a ter valor e direitos civis. No tempo da arabia, como muitas tribos guerreavam entre si, o numero de homens era muito menor que o de mulheres, e restavam poucas opcoes para elas. Podiam tornar-se concumbinas sem direitos ou viver solteiras para o resto da vida e morrer de fome. A poligamia veio como uma forma de protege-las e garantir uma vida digna. Em muitos casos o irmao do marido morto passava a tomar conta da viuva.

Antes do islamismo os arabes podiam ter quantas esposas quisessem, com ou sem o consentimento delas, que nao podiam pedir o divorcio. Com Muhammed, os casamentos so podem se realizar com o aval delas; passam tambem a ter direito de pedir o divorcio; e o homem ao casar-se deve pagar a futura esposa um valor que ela estipula, para ficar com ela durante todo o casamento, e ainda deve sustenta-la integralmente, para garantir a ela alguma liberdade economica no caso de um divorcio. Elas podem tambem ter bens em seu nome, isso desde o tempo de Muhammed. Na sociedade norte americana e brasileira a mulher so p^ode ter bens no seu nome a partir do sec 20…

A poligamia entao so pode ocorrer se o homem garantir os mesmos direitos para cada esposa e o limite ‘e de quatro. Cada uma deve ter sua casa e ser sustentada pelo marido com os mesmos bens que as demais. A ideia da poligamia ‘e ser uma solucao para os periodos em que a populacao feminina e masculina estao em desequilibrio. Hoje somente 2% da populacao dos paises apontados como poligamicos exercem na pratica esse costume.

Quanto as roupas, seria interessante pensarmos que a religiao se propagou numa regiao de deserto com altas temperaturas, sol fortissimo e tempestades de areia, alem de uma arabia incivilizada e cheia de orgias. A roupa entao vem nao so proteger do meio ambiente como das pessoas. Na Arabia Saudita nos ultimos 20 anos houveram apenas dois casos de estupro. Nos temos a liberdade de usarmos a roupa que quisermos, mas nos nao temos seguranca!

Na Malasia conhecemos uma moca que estava com um vel curto e colorido, roupas modernas, apesar da calca e blusa de manga comprida, e ela nos explicou que la nao tem tempestades de areia entao nao teria porque usar a burca inteira. Outra garota belga, que nao usava o veu, mas era bastante religiosa e estudiosa do islamismo, dizia que o veu estava dentro de voce. Ou seja, costumes e religiao se misturaram ao longo dos anos e hoje as mulheres se mantem com as burcas dependendo das suas tradicoes familiares, da lei dos seus paises e de como interpretam a palavra do profeta que, em linhas gerais, apenas recomenda que se resguardem ao vestir-se.

O jeito moderno…

E o tradicional!

O profeta ao longo de sua vida foi pai de familia, comerciante, governante… entre outros, e era reconhecido como um homem de conduta impecavel e que todos podiam confiar, inclusive os comerciantes concorrentes dele, quando iam viajar longo, deixavam seus bens para ele cuidar… Como ele teve um leque enorme de papeis humanos, o muculmano tem o exemplo do profeta para as mais variadas areas da vida: de casado, de negocios, de politica, etc. Isso explica porque o muculmano procura ter uma conduta bastante correta, pois ele tem bastante material disponivel. O que falta para nos Cristaos, pois Jesus foi muito mais um lider espiritual, como ele mesmo dizia “ meu reino nao ‘e desse mundo”.

A saber, os muculmanos seguem quatro livros sagrados: o Tora (dos Judeus), o Zebur – dos Profetas (ainda no antigo testamento), o Novo Testamento e o Corao, considerado por eles o mais importante por ser o ultimo e conter ensinamentos de todos os outros, existe por exemplo, um capitulo dedicado somente para Nossa Senhora. O Corao nao ‘e cheio de referencias historicas como a biblia, fala mais do conhecimento inteligivel, o tempo todo mostra como o homem ‘e e como Deus ‘e, para haver esse paralelo e os muculmanos saberem qual o caminho a percorrer.

Existem outros livros como complemento, especialmente o do Profeta Muhammed (nao me recordo o nome), que mostra as atitudes que ele teve diante de todas as situacoes de sua vida, como um guia de conduta, feito por devotos que anotavam tudo que ele fazia e que tambem o consultavam diante de suas duvidas. Vale lembrar que o profeta dizia para anotar separado o que eram mensagens de Deus que ele recebia (o Corao) e o que ele fazia, pois eram coisas bem diferentes.

Nao ignoro que olhando para o mundo muculmano encontramos tambem os extremistas, que sao motivo de vergonha para muitos deles. Mas isso ‘e acidental. Existem os paises com as leis mais severas porque seus governantes se prendem muito a letra da lei na religiao e nao vao ao seu espirito. Mas em contra partida, em qualquer lugar que voce va hoje de cultura predominantemente muculmana, voce se sente mais seguro, respeitado e principalmente “cercado de boa gente”. O que para mim ficou muito claro, olhando para todos os lugares que passamos, onde Deus ainda ‘e um guia para o homem, o ser humano ‘e mais nobre; ja onde quem tomou lugar de Deus foi o dinheiro e a crenca de que o homem ‘e o seu proprio senhor, o homem ‘e mais “coisa”.

Por fim, a respeito do Islamismo, mais uma vez tive aquela sensacao recorrente na viagem do quanto eu estava enganada sobre muitas coisas. Viajar nao ‘e so quebrar paradigmas e preconceitos, ‘e te ensinar a manter-se atento para nao forma-los. E ‘e interessante perceber que por mais que hoje temos tanto acesso a informacao, os canais sao bastante rasos, limitados e tendenciosos, junto com a preguica ou desinteresse em procurar, assim nos conformamos com a informacao ja mastigada e mal concluida. E cheios de si e de opiniao saimos expondo nosso ponto de vista, sem levar em conta o quanto realmente sabemos a cerca daquilo e como temos nos informado.

Fonte: Informacoes obtidas em mesquitas; conversas com religiosos e devotos muculmanos; Luiz Gonzaga aulas gravadas e Fe Explicada.