Um Povo sem patria!

Logo quando largamos as malas no trem ficamos sabendo que nao tinha vagao de restaurante, como estava anunciado na internet. Corremos entao comprar comida, pois seriam 30 horas de viagem. Sorte que deu para fazer um pe de meia. O vagao contava com banheiros impecaveis e ainda chuveiro. Obvio que fui a unica a tomar banho.

A viagem de trem foi espetacular. A paisagem la de fora era emocionante. Por mim ficaria mais 30 horas naquele trem, de tao lindo que era olhar para fora. Passamos por vilarejos maravilhosos, com poucas casas, uma mesquita e uma escola. As vezes tinhamos visuais duplos de uma janela do trem para outra, de um lado meio deserto, do outro tudo verde com montanhas com neve no topo. De chorar de tao lindo. Tive aqueles momentos emocionantes de profunda felicidade, de pensar que eu nao gostaria que um milimetro da minha vida fosse mudada e que eu estava exatamente aonde e como gostaria de estar…

As cinco da manha chegamos em Diabarkir no Curdistao Turco e fomos procurar hotel. Depois de descansarmos, fomos conhecer a cidade. As ruas cheias de mercados de rua, mulheres com suas burcas dos pes a cabeca e homens tomando chay em frente a mesquita. Alem de outros jogando domino no parque e o visual do rio tigre ao sul da cidade. Aquele visual intocado, de quem ainda sabe o que ‘e tradicao. Logo a ficha veio: a viagem comecou!!! ‘E incrivel como fiquei viciada nos lugares intocados, que enquanto nao chego neles, nao me sinto viajando ainda. Parece mais lazer.

Depois de pouco tempo caminhando e sendo abordada por muitos com Welcome to Diabarkir, conhecemos uma menina de uns 12 anos, junto com suas amigas, que nos convidou para ir ate sua casa. Entramos num labirinto de casas residenciais ate chegar na casa dela. Tapetes no chao, sapato para fora, nada de sofa, so umas almofadas na parede e uma televisao. Para nosso padrao uma casa vazia, sem moveis, para eles uma casa normal. Num canto da sala ficam alguns cobertores e as vezes colchonetes, para se estender no tapete na hora de dormir. Normalmente as casas tem poucos quartos, porque costumam dormir juntos na sala.

O papo comecou entao com a familia da menina e logo nos ofereceram chai, queijo e pao. Ficamos comendo e mimicando. A menina arranhava um ingles. Fim das contas a familia era bem heterogenea: a mae muculmana fervorosa de rezar 5 vezes por dia, como manda o figurino; o marido se dizia marxista e ateu; a filha dizia nao ser nenhuma coisa nem outra, mas ia a igreja aos domingos junto com as amigas, so porque achava legal; e o filho tambem era marxista.

Na parte de cima da casa uma sala de aula. A menina ensinava Kurdo para os kurdos que ja tinham perdido a lingua. E um quadro na sala da guerrilha PPK, mostrando o filho que morreu na guerra entre o PPK e o governo turco, pela independencia dos Kurdos na Turquia.

Uma historia triste, ja que o Kurdistao ja foi uma regiao autonoma na epoca do Imperio Persa, mas apos a primeira guerra e o fim do Imperio Otomano, os ingleses e franceses passaram a tomar contar e dividiram a regiao em quatro pedacos para os recem criados paises: Turquia, Siria, Iran e Iraque. Mas ‘e um povo so, com uma so lingua e tradicao. Na Turquia somente nos ultimos anos eles passaram a ter direito de falar sua lingua e de ter seus costumes. Nesta familia, por exemplo, os pais foram presos durante quatro anos porque a filha ensinava kurdo.

Ao final do encontro, saimos com presentes e o pedido para que a gente voltasse no outro dia. Se contar com o convite de dormir na casa deles e tirar muitas fotos, inclusive com os vizinhos. Nos somos tao diferentes para eles, quanto eles são para nos.

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Revolucao Turca

Com o fim do Imperio Otomano, a Turquia comecou a se organizar como um pais. A regiao era ocupada por diversas etnias, com suas respectivas linguas, costumes e tradicoes. Porem, durante esse processo de organizacao, todas estas caracteristicas foram negadas.

A proposta era construir um pais moderno, com muitas caracteristicas do Ocidente, buscando formar um sentido de unidade nos diversos povos, a custa de todos se tornarem turcos, esquecerem suas origens e tradicoes, para formarem um so povo, com uma so cultura e uma so lingua.

Os turcos já eram um povo, e a nacao que estava surgindo aparentava ser construida somente para eles, pois eram a maioria. Assim, apenas suas tradicoes seriam preservadas, após ainda uma grande modernizacao destas.

Modernizacao significava, nas maos do governo Ataturk, tornar a Turquia uma “democracia” secular: de direitos iguais para homens e mulheres, com a adocao do alfabeto latin e do modo de se vestir europeu. As comemoracoes folcloricas foram banidas e ate mulheres foram proibidas de usar veus no seu ambiente de trabalho e escolas, isso bem antes da Franca…

Tudo como manda o figurino moderno: secularismo, progresso, padronizacao, obsecao pelo novo, pela re-invencao, pelos prazeres, pela ciencia, pela tecnica e pelo futuro. Afinal para que serviram as geracoes anteriores e todos os seus valores? Parece que não serviram para nada!

Uma pena que o pensamento moderno não tenha comecado antes, tantos erros teriam sido evitados e o indice de felicidade humana seria arrebatador, como se ve hoje nos grandes centros urbanos.

De certa forma, o projeto dos turcos deu certo – como era de se esperar, já que o momento vem sendo propicio ao modernismo desde entao, e com isso surgiu um sentimento muito forte de nacionalismo. Grande parte dos turcos se orgulham da Turquia moderna, se sentem acompanhando o Ocidente. Porem, muitas minorias ate hoje lutam pelos seus direitos, como se p^ode ver pelos diversos protestos nas ruas, já que as eleicoes estao proximas.

Istambul

De Londres, seguimos para Istambul. No caminho do aeroporto ate Taksim (ultima parada do onibus), o frio na barriga comecou a me pegar, aquela sensacao de “a viagem esta comecando mesmo”. Descemos num frio desgracado, daqueles de ficar de gorro. O tempo estava nublado e a sensacao era estranha, pra mim viagem combina com calor e frio com trabalho.

Seguimos para nosso hotel, que o Gui achou meio que por acaso na internet, não tinha grandes recomendacoes, nem estava no guia e impressionou: o custo beneficio era muito bom. Apesar de ser banheiro coletivo, era bem limpinho, antigo, entao os quartos eram grandes e a calefacao estava ligada o dia inteiro, fazendo voce ficar quase de manga curta. Muito acolhedor para primeiro hotel da viagem!

Passamos quase 15 dias em Istambul organizando toda parafernalha dos vistos do Cazaquistao, Uzbesquistao e Kirguistao. Tivemos alguns daqueles momentos “roubadas”, por exemplo, na volta do consulado do Cazaquistao pegamos uma chuva forte naquele frio e nenhum taxi parava, nos molhamos um monte e a unica coisa que não molhou era o que ficou por baixo da jaquetinha impermeavel, que mais uma vez mostrou sua eficiencia. Mas em compensacao tenis, calca e punhos enxarcados. E tinhamos que encarar mais 40 minutos de metro ate chegar no hotel. Deu para quase pegar uma gripe, se não fosse chegarmos e nos jogar logo em baixo do chuveiro para tomar um banho bem quente com cha de gengibre, que compramos no Spice Bazar.

Na vez do Uzbesquistao, já tinhamos comprado guarda-chuva, mas os pes molharam igual, esses tenis de hoje em dia não dao pra nada. Ficamos com os pes enxarcados das dez da manha ate as tres da tarde, quando o visto ficava pronto. Não valia a pena voltar para o hotel, porque estavamos do outro lado da cidade.

Tirando isso, os dias em Istambul foram tranquilos, deu para passar mil vezes em frente a Blue Mosque, na Aya Sophia, Spice Market, Topak Parque, alem de visitarmos o museu antropologico do Oriente Medio, que conta a respeito dos imperios que tomaram conta da regiao, desde os gregos, otomanos, egipcios, babilonicos, sumerios e por ai vai. Bem interessante!

Conseguimos nos encontrar com o Mehmet, nosso couchsurfer da ultima vez, que agora estava morando no escritorio, e com isso não conseguimos ficar na casa dele. Foi um encontro emocionante!O Mehmet foi uma das pessoas que mais adoramos conhecer durante a ultima viagem. Muito bom rever um amigo que voce conheceu viajando, ‘e um sensacao especial.

Como estavamos proximos da Pascoa, achamos uma igreja da Virgem Maria, que tinha missas em diversas linguas para os estrangeiros. Aproveitamos e fomos na sexta-feira santa, na celebracao da cruz, que foi emocionante. Nunca tinha partipado antes. Primeiro eles fazem a via sacra dentro da igreja e depois há um tempo para contemplacao da cruz. A missa era celebrada partes em turco, italiano, ingles, espanhol e coreano, meio complicado de acompanhar. Eles comecavam o pai nosso em italiano, por exemplo e voce mentalmente em portugues, era facil se perder. Mas foi emocionante ouvir a missa em italiano, principalmente por algumas palavras que eles usam que tornam muito mais claro o significado daquela frase em portugues. Me deu muita vontade de fazer italiano quando voltar ao Brasil.

Deu tempo tambem de conhecermos um casal de suicos bem bacana que farao tambem a Rota da Seda e aproveitamos para trocar informacoes. No fim das contas acabamos jantando no flat que eles alugaram com um turco, pois como um deles ‘e suico-turco, estao aproveitando para aprender a lingua. Uma vergonha para nos, que ficamos tanto tempo e sabemos falar “mahaba” e “tesecuire.” Nada mais que ola e obrigado. Como não sabiamos ao certo quanto tempo demoraria os vistos, não pudemos nos comprometer com um curso, mas definitivamente não ‘e desculpa. Queria ter feito tambem um curso de culinaria turca, mas não vi opcoes anunciadas.

No sabado, já cansados de tanto estar numa cidade grande num hotelzinho de centro, fomos para a Princes Island, local onde serviu de exilio para familias tanto na epoca dos bizantinos como dos otomanos e hoje ‘e a praia particular dos afortundados. Paramos na segunda ilha e foi uma delicia, o passeio certo. Paz, silencio, paisagem, e muitas flores e cheiro de flor. Ruazinhas perfeitinhas com suas casas bonitinhas.

Istambul vai deixar saudades, afinal já estavamos amigos do dono do hotel, do vendedor de frutas, dos donos dos restaurantes, já ganhavamos cha e cafézinho de graca. Mas eu estava muito empolgada de pegar o longo trem ate Diabarkir, no Kurdistao turco. O trem era primeira classe e prometia vistas de montanhas belissimas pelo interior da Turquia.

Humildade!

Uma das coisas que mais paraliza o meu espirito ‘e quando estou em terra muculmana e escuto a chamada das mesquitas. Nas sextas-feiras, principalmente, que ‘e o dia sagrado dos muculmanos, elas ficam ainda mais alardeantes, parecendo uma disputa de qual mesquita chama mais alto os devotos para rezar. Tudo silencia em volta, e não tem como voce não ficar extasiado diante da beleza daquelas chamadas. Bem que podia ser assim nos paises cristaos, o barulho dos sinos da igrejas ser ensurdecedor por alguns minutos. Sinto como se as chamadas viessem diretamente do ceu, como um grito la do alto para todos os homens da terra. Sinto vontade de parar e rezar junto.

E caminhando pelas ruas, uma cena me chamou atencao. Numa das sexta-feiras, estava la, um grupo enorme de devotos, rezando em frente a mesquita. O jeito que os muculmanos rezam arrepia, porque sao diversos gestos encadeados: eles se ajoelham, encostam a testa no chao e levantam juntos, diversas vezes.

Quando voltei de viagem, algumas pessoas me perguntaram, quando eu contava da beleza que era ver os muculmanos rezarem, porque eles se ajoelhavam? Eu demorei para entender essa pergunta… O ponto era porque se ajoelhar, porque se humilhar assim! Ouvi isso algumas vezes. E entendo que fique dificil compreender, já que vivemos num tempo em que o homem ‘e o centro, o dono do universo, e entender alguem tao importante se ajoelhar para alguem, mesmo que este alguem seja Deus, fica complicado. Ate porque o Deus de hoje nem pode parecer mais tao poderoso, nem ser chamado de Deus, talvez de forca maior, consciencia universal…

Pertinho da mesquita, seguimos para uma ruazinha cheia de pequenas lojas locais e eu entrei numa delas para comprar um cachecol. Não vejo ninguem, procuro o dono da loja, ele estava ajoelhado, rezando. Discretamente eu fui embora, mas o tempo que eu fiquei ali, ate encontra-lo, era suficiente para ele parar e me atender. Mas ele preferiu rezar! Aconteceu a mesma coisa em mais duas outras lojas que entrei em seguida. Achei aquele ato tao bonito. Uma hierarquia de valores justa, que sa’i de cabeca baixa pensando nos nossos valores.

Bem aventurados os pobres de espirito, disse Jesus! Os pobres de espirito são os humildes, que não vivem apenas para buscar prazeres e riquezas e sim, para serem santos! Santo vem do latim e significa são – uma busca por ser uma pessoa virtuosa. E os ricos de espirito, são os ricos em opiniao, os orgulhosos. Orlando FedeliO Sermão da Montanha e as Bem Aventuranças Evangélicas

 

Mulher na estrada – mitos e verdades!

Eu nao me considero fresca, mas tambem me considero bem menos descolada quando olho para algumas companheiras de estrada. Esse post foi pensado para falar dessas coisas,  tendo como proposito esclarecer os mitos e verdades que uma mulher de mochila nas costas, tendo um budget restrito para seguir, pode atravessar.

Como estava dizendo, nao me considero fresca em geral. Mas tem uma coisa que sou bem chata, mais do que muitas mulheres, quando as observo: limpeza! Pra mim limpeza beira a um TOC! Se nao tiver limpo, nao durmo direito, nao funciono direito, posso ficar mal humorada.

Tomo dois (as vezes  tres) banhos por dia, em todas as estacoes do ano. Quando vou deitar, nao importa onde eu esteja (tirando a casa da minha mae) levanto a coberta e examino se o lencol esta bem limpo e dou sempre uma passda com as maos para tirar qualquer sujeirinha. Faco isso sempre em casa tambem e peco para o Gui bater bem o pe antes de deitar.

Limpo, significa cheiroso, branquinho e areijado. Quarto sem janela, ou que nao bate sol, carpe, essas coisas com cara de mofo, umido, escuro, ‘e muito dificil aceitar como lugar para dormir, so se nao tiver mesmo opcao.

Toda essa minha descricao ‘e para voces alcancarem como fazer uma viagem dessas foi um desafio para mim e tambem quebrar algumas fantasias que se criam…

Voce toma banho todo dia?

Sim, aqueles mesmos dois banhos quando estou viajando. Um de manha, para acordar e outro antes de dormir, para limpar. Uma vez ou outra, nao consigo tomar o noturno, quando pegamos um onibus/trem a noite. Eu raramente acampo. Na viagem toda, houve um so vez que fomos obrigados a dormir na beira de um rio, porque ao tentar passar por um banco de areia, o barco nao conseguiu, passamos a noite na margem. Mas ainda assim, tinha lona no chao, fogueira e comidinhas.

Como sao os hoteis em geral?

Ultra simples, mas limpos e areijados. O lema do Gui ‘e o mais barato, o meu ‘e o mais barato e mais limpo. ‘E claro que o mais limpo sempre encarece nosso budget de hotel. As vezes, dependendo da cidade, tem um hotel baratinho e limpinho do lado do outro, outras se quiser o limpinho vai ter que pagar bem mais caro. Nessas situacoes, infelizmente,vai dormir num nao tao sujinho. Buscamos sempre quarto com banheiro, so pegamos banheiro coletivo quando a diferenca de preco ‘e muito grande, mas permanecemos com o quarto individual. Nada de albergue, muita meninada, so hoteis simples.

Em alguns paises, vale mais apena alugar um quarto na casa de uma familia. Ja fizemos conchsurfing (site de intercambio), mas tem que cuidar para escolher cs com casa limpinha, senao, nao da para reclamar depois, uma vez dormimos na casa de um soldado da onu em Burundi que nao posso nem me lembrar. Ja dormimos em hospedagens de igrejas, monasterios, ferrys e barracas com cama dentro.

E aquelas coisas de mulher: depilacao, pe e mao, sobrancelha, cortar cabelo?

Em viagem isso muda um pouco. Cancelo o pe, a mao e cortar cabelo. Levo comigo um cortador de unha, uma lixa e um esmalte de oleo de cravo para proteger de infeccoes,  e tambem nao sei fazer a mao ou pe sozinha. Sobrancelha eu mesmo faco. Depilacao, faco no salao local.

Em cada salao ‘e uma vivencia cultural diferente. Ja fiz uma depilacaona Jordania,  com uma especie de bola de acucar que ia tirando pelo a pelo, um misto de depilacao e sessao de tortura, durou quase quatro horas para fazer as duas pernas. Ja fiz tambem com aquele fiozinho, que ‘e bem limpinho mas doidinho, ate roll-on no Vietnan.

Estar no salao tambem ‘e um momento de entretenimento e de conhecer um pouco da intimidade das mulheres. Elas sao curiosas em te conhecer e voce em conhecer elas. Nos lugares muculmanos, eles te dao um vestido para colocar, e levantam isoladamente  aquela parte do vestido para depilar a regiao x. Eles so depilam pernas, o restante, consideram que voce deve fazer por si mesmo, pois ” sentem vergonha”. Entao, em ultimo caso, gilette ou cera pronta de farmacia e tentar fazer o melhor que puder. No sudeste asiatico, a cada 10 saloes, 9 so fazem massagem. ‘E um aperto ate achar o ” nosso salao”.

E as roupas?

Quando acumula demais, procuramos sempre uma pessoa simples que lava as roupas no seu tanque em casa, ou na pedra do rio. Ja ‘e uma forma de ajudar. Se for clima quente e seco, as pecas menores lavo na pia do banheiro com sabao em po e escova, que levamos de casa. Por isso, nao adianta levar roupas que voce gosta muito, porque irao se acabar nessas viagens pelo jeito que sao lavadas. Ficam esgacadas, perdem a cor, amareladas. Entao, quanto mais roupas velhas, melhor.

Mochila?

Sugiro a de 45 litros, que ‘e um pouco maior que a de notebook. Se nao der, no maximo 60 litros. Quanto maior, mais voce coloca coisas. Uso saquinhos para proteger, manter limpas e separar as roupas. Super recomendo ir ate  aquelas lojas de montanhistas, e comprar aquelas toalhas de alta absorcao tamanho grande (que ‘e um pouco maior que uma toalha de rosto), funcionam mesmo, parecem um aspirador de po quando voce passa e sao super leves. Pode levar uma para o corpo e uma menor para o rosto. Uma jaquetinha corta vento e impermeavel ‘e imprescindivel. O peso ideal ‘e 10% do seu peso, eu nunca consegui. Sempre fico nos 9kg.

O que levar?

*Sugestao p/ viagem longa (mais de 4 meses) e de lugares na maioria quentes, se nao a mala fica muito pesada. Voce pode se organizar p/estar nos paises nas estacoes secas.

Tres sarueis fininhas (p/ paises mais tradicionais, oriente em geral), 1 shorts; 1 bermuda; e uma calca de moleton mais quentinha, para voos, trens e onibus noturnos; 2 regatas, 3 camistas soltinhas e duas de manga comprida fininhas e soltinhas (isso se voce for para lugares mais tradicionais, se nao so regatas ‘e tranquilo); uma camiseta quentinha de manga comprida de algodao, ou das especiais de loja de montanhista); um moleton, um bone, lenco de cabelo, cachecol, biquine, canga (otimo tb para sentar em parques e onibus sujos), e no pe: crocs (nao da chule, limpa facil, ‘e arejado); havaiana e um tenis.

Duas necessaires: uma dos teus produtos diarios: escova de dente, cabelo, shampoo, hidratante, etc. e outra de remedios e pomadas  ( nao pode falatar nebacetin, fenergam para picadas de inseto, e outras coisas da sua preferencia), creme para ressecamento dos pes (caso passe muito tempo viajando, no calor e de chinelo resseca muito). Repelente e protetor solar. Livros, no maximo 3. Caderninho de anotacoes, p/ enderecos, comidinhas, emails das pessoas, etc. Legal ficar com um caderninho por viagem.

Remedios?

*Para mais de 6 meses de viagem.

Dois antibioticos, um antiflamatorio, um paracetamol, um plasil, alguns hidrafix, algo p/ recupar flora intestinal (vai dar algum desarranjo, isso ‘e quase garantido), alguns antiacidos, um antialergico (pode comer algo estranho ou levar uma picada de algum inseto esquisito; uma vez passei 3 dias me cocando por algo que comi na India), algo p/ colica menstrual, caso tenha. Um vermifogo potente, para tomar de tempos em tempos, indicam a cada 6 meses. No geral, ‘e isso e farmacia tem em todos os lugares, se precisar.

Comidas?

Tem que se adaptar com cada local, as vezes nao exige tanto, mas as vezes nao tem saida, ‘e sofrido mesmo. No leste da Africa, os pratos eram na sua maioria esmagadora feijao e arroz, frango duro ou peixe frito gorduroso, com batata frita gordurosa, no almoco e janta. Dificil. Mas sempre trem frutas nas ruas e um supermercado para recorrer. Eu nao abro mao de frutas, agua, iogurte natural ‘e bom para cuidar da flora, e o resto, vou tentando descobrir experimentando, o que ‘e mais do meu agrado. Na India, muitos turistas brasileiros falam mal da comida, e apesar de apimentada, tem tantos pratos e opcoes, que voce acaba aproveitando. So tem uma hora que cansa um pouco aquele gosto de curry de fundo, mas dai voce come outro com gosto de cravo ou canela.

Banheiros?

Os de rua do Leste da Africa, India, Myamar, algumas ilhas da Indonesia, sao sinistros, sujos, terriveis, sao banheiro tipo oriental (buraco no chao) e imundos. Nos hoteis, sempre buscamos os ocidentais, que siginifica vaso sanitario e papel higienico, nao agua…

A viagem ‘e um perrengue?

Existem sempre desafios muito maiores do que estar protegido na sua casa. Viajar ‘e estar definitivamente mais exposto e se voce nao souber cuidar do ritmo e de voce, pode ser  desgastante. Voce esta  se mudando com uma certa frequencia, experimentando hoteis e cidades diferentes, alem de conhecendo pessoas, linguas e comidas diferentes, pegando transportes longos de tempos em tempos, e nesse sentido est’a o grande desafio. Mas nao ‘e uma dificuldade, dormimos, comemos bem e nos mantemos limpos. Mas nao ‘e ferias, piscina e agua fresca…

De tudo que experimentamos,  o Leste da Africa, algumas ilhas da Indonesia e Myamar  foram o mais desafiador, perrengue mesmo, mas eu voltaria mil vezes para cada um desses lugares, pela aprendizagem que se tem.

Sei que, depois de viajar tantos meses seguidos, quando voltei para casa tive dois sentimentos em relacao a parte do conforto: como ‘e gostosa e muuuuuuuuuito confortavel a vida em casa, mas como ela pode se tornar, se voce nao se manter em vigilia, por sua propria estrutura,  empobrecedora.

Londres, uma preparacao para a viagem.

Resolvemos comecar a viagem com uma passagem por Londres. Em primeiro lugar para ver a Gi e o Dan (minha cunhada e o noivo). Em segundo, porque Londres funciona como uma preparacao psicologica para o inicio da viagem.

Aproveitei para comprar umas roupas naquelas lojas especializadas para montanhistas e mochileiros em geral, ja que nos primeiros meses da viagem enfrentaremos frio. Deu para comprar boas pecas com precos promocionais.

A chegada em Londres foi de arrepiar.  Deu aquela sensacao deliciosa de “estou viajando de novo”. Parecia que era inundada por um tubo de oxigenio de vida. Londres, apesar de agitada e estressante, ‘e linda e cheia de charme!

A nossa primeira parada  foi numa livraria enorme para comprar livros de viagem, algumas sessoes chegavam a andares inteiros. Acabei passando um bom tempo num andar com um acervo gigante de livros sobre a historia de diversos paises. De fundo estava tocando musica classica e pela primeira vez, olhando para aqueles livros e me deliciando com a musica ambiente, pensei com carinho no Ocidente.

Todos esses meses de viagem atravessando o Oriente, conhecendo sua historia, costumes e  misticismo, parece que nos distanciou um pouco da historia, da arte do Ocidente. E me chamou atencao, como ‘e forte o perfil do Europeu desbravador, colonizador, guerreiro, heroi.

A historia dos Ocidentais ‘e uma historia de Shatryas (casta dominada pelos homens da lei e herois: no passado imperadores e reis, hoje politicos em geral e militares, claro que nao necessariamente por vocacao), como diriam os hindus. Todas as informacoes sao voltadas para isso: quem conquistou quem, a Guerra de nao sei do que, o grande Rei de nao sei onde, etc… Temos o maior orgulho disso! O casamento do principe estava anunciado em todos os cantos e uma corrida tradicional de cavalos parou a Inglaterra por alguns minutos.

Ja nas ruas de Londres, o que salta aos olhos sao os variados estilos de grupos e a moda. Agora existem os hipsters, que sao o pessoal que se veste a moda antiga.  Os homens usam bigode, calca curta, mocacim ou sapato pai;  as  mulheres camisa de bolinha, colar de perolas e saia plissada. Quem sabe em breve eles nao substituirao os emos do muller. Nao sei se faz parte do arcenal tambem preferir coisas a moda antiga, seguir valores e tradicoes antigas, ou se sao so as roupas…

Muitos shorts cintura alta, cabelo baguncado, meia calca colorida, sapato oxford, roupas as mais velhas possiveis e sem combinar nada. Estar combinando com uma blusa bem passada e em bom estado, ou ‘e cafona, ou dependendo da roupa, ‘e elite.Tambem muito Ipod, Iphone, Iped e Iblablabla. Ah e muitos piquiniques em parques ou em qualquer graminha.

Pra quem gosta de moda, tendencias, cafes, pubs, nightclubs, se vestir como se tivesse acabado de acordar  e pegou de verdade a primeira roupa que apareceu, enfim, de coisas da vida moderna, acho que uma ‘e excelente  cidade. Tentei explorar mais, mas nao consegui. O  que me chamou atencao sao coisas da ordem da superficie: moda, grupos, futebol, pint de cerveja, Ipowers…

Talvez seja nisto para mim a grande reflexao!