A cidade mais bonita do Ira!

Foi bem dificil deixar a casa da Sumi e do Payam. Se nao fosse o bom senso do Gui, eu estava la ate hoje conversando no sofa. As vezes fico pensando que se viajasse sozinha, ao final de dois anos teria conhecido no maximo 10 paises. Teria ficado um mes numa ilha aprendendo massagem tailandesa e fazendo snorkling; outro mes numa vila nas montanhas aprendendo culinaria indiana; outros tres meses num retiro fazendo yoga, meditando e discutindo metafisica. Gracas ao Gui nada disso foi possivel, mas por outro lado, nao teria conhecido nem um terco dos paises que visitei.

De Tehran seguimos entao para Cashan, um dos destinos mais visitados pelos turistas. Cashan ‘e uma cidade super antiga e muito interessante!! Tinha um clima bem tradicional, mulheres cobertas com seus shadors dos pes a cabeca, mercados de rua, pracas lotadas de pessoas fazendo piquiniques, e casaroes tipicos de tirar o folego, com suas “piscinas” compridas decorativas na frente. La, aproveitamos para dormir num conchsurfer, que morava na parte de baixo de uma casa. O lugar era vazio, so tinha uma cozinha equipada e tapetes ao redor, bem ao estilo iraniano, que da uma sensacao que o pessoal nao tem dinheiro para comprar moveis.

Casas iranianas!

Casaroes tradicionais!

Mais casaroes.

 

Nas ruas de Cashan!

O Reza, era simpatico e pratico. Como ele tem uma pratica enorme em receber viajantes, eu nao sei se ele se ocidentalizou ou se ele ‘e assim mesmo. Mas a experiencia da relacao nao foi tao rica como foi com todos os iranianos ate aqui. Parecia que eu estava num hostel na Europa! Ele era super pratico, despachado, mostrava os mapas, dizia os roteiros que deveriamos fazer, precos, horarios, tudo tudo, alem de ser um capricorniano que realmente seguia a risca as suas descricoes astrologicas, fazia o estilo: “respeito voce, desde que voce pense como eu”.

No dia seguinte, juntou-se a nos, um casal da australia para ficar na casa do Reza. Como o Reza passou a noite no trabalho, ficamos os quatro “sozinhos em casa”. O casal era muito legal e meio “hippies”. Ela era alema, tinha 26 anos e estava morando ha cinco na Australia, sendo os ultimos tres dentro de um carro. Tomava banho nos chuveiros publicos da praia. Acabou nao fazendo faculdade e sua vida era viajar. Trabalhava tres meses sem parar (procurava sempre trabalhos que davam tambem a estadia), e o restante do tempo viajava. Nos ultimos anos, sua vida basicamente foi trabalhar tres meses e viajar seis. Uma conta interessante! Ela dizia que nao conseguia passar mais de tres meses numa mesma rotina. Dava para ver que ela nao conseguia nada muito tempo igual, ela mudava tambem radicalmente o cabelo de tempos em tempos: preto, louro, careca, cabeluda, etc. Dizia que so nao tatuava todo o corpo porque era muito caro e não teria dinheiro para viajar.

Sozinhos em casa!

Ja ele tinha 56 anos, uma filha de 21, era divorciado, e ha 10 anos nao tinha mais casa. Decidiu mudar de vida radicalmente, de trabalhador de carteira assinada numa empresa, com carro e casa proprios, para vender tudo, passar a buscar trabalhos temporarios e viajar o restante. As vezes eles moravam na garagem da casa da ex-mulher. Se diziam amigos, mas com o tempo vimos que eram um casal. Nao gostavam de rotulos e nem queriam acumular cadeiras, mesas, diziam. Porque ter uma casa? Voce nao precisa de nada disso. ‘Quando vieram para o Brasil, passaram quase dez dias numa guest house na favela cheirando e indo nas festas de funk. Apesar da descricao ser estranha, eles eram de fato pessoas bem bacanas e divertidas. Eles eram reais, apesar de seu modo de vida ser bastante diferente.

Normalmente, nas minhas experiencias com pessoas que optam por uma vida muito fora da sociedade, elas tendem a se tornar meio artificiais, numa conversa, por exemplo, se voce fala que quer ter filhos, eles te olham com uma cara tipo “putz, mais um ordinario”. Se voce pergunta quais sao os planos, eles dizem: “que planos, vivemos do presente, do hoje…” Se voce fala que voce nao acha certo tal coisa, eles dizem: “certo? Nao existe certo e errado…” Isso me da um nervoso… Claro que estou fazendo uma caricatura e exagerando, porque geralmente isso nao vem tudo junto na mesma conversa.. Mas enfim, eles nao era assim! Tinham essas escolhas de vida no momento, mas conseguiam conversar com voce e falar de si com naturalidade. Eles estavam sendo de fato o que eles sabiam de si mesmos e aproveitavam suas experiencias para se tornar pessoas melhores, alem de tratar muito bem os locais, se doavam bastante as conversas e exitacao dos iranianos frente aos turistas. E conversavam com voce sem preconceito por voce ter uma casa e querer ter filhos. Prometeram nos visitar em Curitiba na Copa de 2014. Ficaremos esperando reencontrar o Stu e a Merlanda!

No dia seguinte fomos juntos ate Abyane, um vila nas montanhas maravilhosa, com suas casas feitas de barro, pessoas tipica, estranhamos apenas que a maior parte dos moradores eram idosos, o que demonstrava que logo a vila viraria apenas um museu. Depois de passearmos pelo meio das ruazinhas e tirar fotos com os iranianos que nos paravam no meio do caminho, fomos ate as ruinas de um castelo que ficava as margens da vila, no topo de uma montanha, e que tinha uma vista linda para a vila e para todos os lados que voce olhasse. Um dos lugares mais lindos que ja vi!

Populacao local!

Vista de Abyane do outro lado do vale!

Nos despedimos de Cashan poucos dias depois e seguimos para Isfahan. A cidade no Iran que me encantou. Arborizada, limpa, linda, gostosa e cheia de vida. A cidade mais bonita do Iran para mim. Tambem moraria la, depois dos seis meses de Howrama.As ruas eram cheias de pessoas e, as pessoas, novamente, uma simpatia sem tamanho. A praca Imam Russein, onde ficavam a maioria dos monumentos, era de chorar de tao linda. O conjunto monumentos + a praca mais frequentada da cidade, tornava o lugar impar. As mesquitas dos homens e das mulheres e os palacios eram estonteantes. As mesquitas e parte dos palacios eram revestidas de mosaicos estilo miniatura, todos de uma cor entre o azul e o verde, cor da espiritualidade para os muculmanos, eles fazem cada combinacao com essas miniaturas, misturam cores e estilos, que fica uma coisa impressionante.

Palacio das 40 colunas!

Dentro das mesquitas!

 

Arte Persa, nao 'e de babar?

 

Pinturas no museu do palacio!

Junto com a arte persa-muculmana presente nos monumentos da praca Imam Russein, mais os milhares de piquiniques e os inumeros pedidos para nos conhecerem, tornava Isfaham um lugar especialissimo. O highlight do highligth das cidades do Iran! Quanto mais o dia caia, mais iranianos saiam as ruas para fazer piquinique. Os iranianos costumam encher as ruas depois do calor do dia, e gostam de jantar muito tarde. Os convites de piquiniques para jantar podem comecar as cnco da tarde, e a janta efetimamente comecar la pelas dez e pouco.

Mais iranianos querendo conversar!

Praca Imam Russein!

Mesquita das mulheres!

Movimento da praca a noite!

 

Ponte dos Arcos em Isfahan!

Nao demorou muito, e nos encontramos com a Sumi, Payam e a Sara, que aproveitaram o fim de semana para nos encontrar novamente. Passamos a maior parte do tempo na praca e arredores, alem de jantares deliciosos, com o inesquecivel fesenjun, um frango ao molho de roma, que pretendo fazer no Brasil. Delicioso!

Com choradeira, nos despedimos dos nossos amigos, que queriam nos encontrar de novo, combinamos varios lugares, entre Brasil, Ira e ate a India. Eles enlouqueceram pela India, mas ja teremos visitas suficientes no Hindustao. Por mim pode ser no Ira, porque definitivamente voltaremos muitas vezes quantas forem possiveis.

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Um comentário em “A cidade mais bonita do Ira!

  1. Bibi, as fotos sao belissimas, e a cultura persa ímpar!
    valeu vivenciar tanta arte…Voce então toda de lenços ta linda!!!

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