Um País fechado!

De Mashhad seguimos para fronteira do Turkomenistao. Os Turkmen sao turcos assim como os da turquia, parentes bem proximos. Nosso primeiro pais da Asia Central, uma das regioes principais da nossa viagem pela Rota da Seda. A tal rota, que ia da Turquia ate a China/India (ou vice-versa), ligava o oriente ao ocidente numa das principais rotas comerciais da antiguidade. Os produtos variavam desde tecidos como a seda ate especiarias da India. Ha 700 anos atras Marco Polo explorou muito bem essa rota, quando decidiu se aventurar com seu pai e tio comerciante ate a China, para se reencontrar com o Kublai Kan (rei mongol descendente de Gengis Kan). O Kan havia solicitado para seu pai, levar estudiosos da religiao crista, ja que no seu reinado todos os credos poderiam ser representados. Ha quem questione se ele realmente fez essa viagem narrada no seu livro, mas no seu leito de morte, com o padre dando a ultima chance para ele se arrepender “de suas mentiras” no ritual da Uncao dos Enfermos, Marco Polo disse: ” Nao contei nem a metade do que vi”. Nos identificamos em varias das passagens do seu livro, quando ele relatava com detalhes cada lugar que passou, alguns pareciam intactos ate hoje, sentimos que ate nos poderiamos contar os mesmos relatos.

A chegada na fronteira nao foi facil. Primeiro pegamos um onibus podrasso, num calor infernal, com janelas  que nao abriam. Eu nem pensei duas vezes, joguei nossa garrafa de agua de 1,5l na cabeca para refrescar. Duas horas depois ja estava seca, pois tivemos que esperar do lado de fora da fronteira, embaixo de um toldo, batendo quase 45 graus, porque era hora do almoco.

A chegada no  Turkomenistao por Ashgabat foi impactante. Eu sabia que tratava-se de uma ditadura forte e de um pais pobre no meio do deserto, mas o que vi na chegada era um mini Las Vegas. Predios brancos imponentes para todos os lados, a maioria do governo e vazios, ninguem parecia trabalhar la dentro. Na sequencia mais predios brancos, agora apartamentos de luxo, construidos pelo governo, para seus  funcionarios de auto padrao poderem comprar. Ajuda de 50% paga pelo governo e o resto financiado, por um preco amigavel, por volta de 300 mil dolares…  resultado: estao todos vazios. Os predios foram contruidos as custas da retirada dos moradores de suas proprias casas sem indenizacao alguma.

Chegada em Ashgabat!

Os predios vazios!

 

Chafarizes e pracas arborizadas, com aguas jorrando para todos os lados e luzes coloridas. Ate uma imitacao da Blue Mosque de Istambul tem por la.  Nas ruas placas de proibido buzinar, muito silencio, poucas pessoas circulando, e militares em cada quadra. Mulheres com roupas tipicas muito elegantes. Voce tinha medo de tirar uma foto, de olhar de mais para o mesmo lado.  As pessoas nao sorriam, se mantiam serias, fechadas, cuidando ou melhor se protegendo no seu silencio.

Pracas e mulheres tipicas!

 

Mais pracas!

Blue Mosque!

 

Mini-Vegas!

O unico jornal local ‘e do governo, portanto nao ha nenhuma liberdade de imprensa. O antigo ditador morreu com 3 bilhoes na sua conta pessoal, espalhou suas estatuas de ouro pelas pracas da cidade, se confundiu com Deus escrevendo o livro da alma, que se cada Turkmen lesse 100 vezes ganharia o paraiso. O livro era exigido nas escolas e ate para passar em teste de auto escola.  Hoje o generoso ditador encontrasse no inferno, aproveitando seus dias eternos de agustia e tristeza. Uma pena! O ditador atual parece que ‘e farinha do mesmo saco. Outdoors dele espalhados pela cidade de maos dadas com criancinhas e calendarios dele espalhados por tudo, dele praticando polo, tiro ao alvo, caminhadas, etc, um verdadeiro nobre!

O antigo ditador!

A populacao se mantem silenciosa, nao diz nada, pouco fala, com excessao de algumas adolescentes nas pracas se jogando agua dos chafarises, o que mais vi foi apenas cara de “nao estou vendo nada”.

Ficamos num hotel confortavel e aproveitamos alguns cafes na cidade. Alem de irmos para um mercado que ficava nos suburbios da cidade, que antes era bem tipico, mas o tal governo concretou tudo, pintou de branco, organizou, perdendo todo o charme. La se vende desde os lencos floridos estonteantes das mulheres, eletrodomesticos, ate camelos.

Provando lencos!

 

As tipicas senhorinhas turkmen!

 

Moradia para os nao ligados ao governo!

 

E o ex-presidente morre com 3 bilhoes na conta!

De Ashgabat seguimos para Meri, onde buscamos um share taxi. O motorista era um doente, corria enlouquecidamente e nao abria as janelas do carro em funcao do calor insuportavel la fora, mas tambem nao ligava o ar condicionado para economizar. Nossos dois companheiros do taxi comunitario aproveitavam ainda para fumar. Um inferno, foram quase quatro horas assim. Eu sentia que estavamos voando, mas olhava no ponteiro e mostrava 80 km/h, mas nao era km/h, era milhas,  o que significava quase 150 km, se soubesse teria pedido para parar, mas no final deu tudo certo.

Em Meri descansamos da viagem infernal num bom hotel e no outro dia pegamos um taxi para a fronteira do Uzbequistao. Quando o Gui colocou as malas, o infeliz saiu correndo com todas as nossas coisas, o Gui tentou dar um de heroi correndo atras do carro, e eu fiquei chocada olhando para o carro indo sem ter a genial ideia de anotar a placa. Como no Turkomenistao todo mundo ‘e taxi, nao tem essa de ligar para central. Eu e o Gui nao acreditavamos, a gente tremia de nervoso. O moco do hotel disse que sem placa seria muito dificil localizar o carro e nos nem sabiamos o modelo, apenas que era azul marinho.

Uns dez minutos depois, o maluco volta, e diz: “vamos!” O Gui arrancou as malas do carro e xingou o cara. Nao entendemos o que aconteceu ate agora, se ele se arrependeu, ou se viu que as bagagens de mao, onde tinha o dinheiro ficaram com a gente, ou o que. O moco do hotel, para apaziguar a situacao, disse que ele devia ter problemas mentais. Nao acreditamos! Sei que foi um sufoco, mas um presente e uma mensagem clara para nos dois: ” se liguem!” Foi isso que entendi que queriam nos dizer!

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2 comentários em “Um País fechado!

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