A beleza do Kirguistao!

De Almaty seguimos para Bishikek, capital do Kirguistao. So de passar pela fronteira ja dava para sentir o que vinha pela frente, muita natureza, tranquilidade e montanhas. A primeira visao era de um riozinho, com algumas plantacoes e montanhas com picos nevados. Me deu uma sensacao deliciosa de alivio, pois desde o comeco da viagem so tinhamos passado praticamente por cidades, com excessao de Howrama no Ira e da vila de Nurata no Uzbekistao, o resto foi full time cidades e muito calor. E o Kirguistao ainda prometia ter um clima mais fresco.

Fomos direto para um hotel recomendado no guia, chamado MBA Business Center, uma escola de negocios onde os estudantes e professores de outros lugares tinham um hotel p/ se hospedar, e se sobrasse vaga, os turistas tambem. Os quartos contavam com uma sala e cozinha arejada, escrivaninha para estudar, alem do quarto e banheiro. Era tao espacoso e gostoso que eu poderia morar ali dentro tranquilamente por anos. A recepcionista era uma russa que não falava uma palavra em ingles, e que o tempo todo ligava do seu celular para sua filha para entender as coisas mais elementares que queriamos para traduzir para sua mae. Muito diposta e acolhedora a mulher, mas ela não entendia a linguagem universal da mimica.

Saimos para conhecer a capital do Kirguistao com uma expectativa baixissima, pois diziam que a beleza do pais estava nos arredores. Mas Bishikek surpreendeu, era ampla, arborizada, super calma e facil de se localizar. Basicamente tinha uma avenida principal com aqueles canteiros no meio, algumas pracas do governo e museu e o resto eram restaurantes deliciosos, italianos, ocidentais em geral e locais. Eu me esbaldei indo no primeiro dia num italiano recomendado. A salada e o macarrao estavam de chorar, eu comi bem devagar para demorar o maximo possivel para engolir cada garfada.

As varias pracas dos sovieticos.

No dia seguinte chegaram as nossas primeiras visitas do Brasil – os pais do Gui. Eles sempre vem nos ver em alguma etapa da viagem, ate porque viajar para eles definitivamente ‘e uma rotina, eles sempre estao vindo de algum lugar ou planejando a proxima viagem, nos encontrar no Kirguistao, na Tanzania, em Israel ou na Tailandia nao ‘e nada demais. A unica novidade ‘e que em funcao do Mestre Gui, eles conheceram novos continentes, a Asia e a Africa. E eles adoraram!

Matamos a saudades num hotel com piscina e cafe da manha impecavel. O Clau sempre tem o dom de escolher os melhores hoteis de viagem, e deu para tirar ferias dos hoteis budget. Apesar de que o Uzbequistao tinha arrasado na categoria, por 10 dolares cada um ficavamos em hoteis com banheira e ar condicionado.

Depois de conversarmos um monte fomos jantar num restaurante gostoso e se preparar para no dia seguinte seguirmos viagem pelas montanhas e vilas do Kirguistao. Nossa primeira parada foi numa cidadezinha chamada Karakol, muito bonitinha, com casas tipicas; uma igreja ortodoxa linda; uma mesquita com cara de chinesa construida pelos dugans (filho de pai arabe com mae chinesa, resultado na etnia dugans, eles sao muculmanos com costumes chineses), e os varios blocos de predios sovieticos que eu particularmente adoro. Eles tentam fazer um modelo padrao igualando todos e voce ve na sacadas das casas as diferencas humanas que sao impossiveis de  reprimir. Cada sacada de uma cor, uma sacada de madeira, outra de ferro, outra de papelao e assim por diante.

A linda igreja ortodoxa de madeira.

 

Os blocos sovieticos.

Onibus local.

 

Mesquita Dungan!

O pais ‘e ideal para quem gosta de beleza natural, montanhas e tranquilidade. Como o Kirguistao não tem um turismo tao conhecido, apesar do potencial absurdo, ‘e muito tranquilo ser turista por la. Voce caminha tranquilamente pelas ruas, os precos não são super faturados e não tem gente o tempo todo querendo te oferecer coisas. Noventa e dois porcento do pais sao montanhas e voce sente isso para cada lado que olha. As estradas, os vilarejos, os yurtes espalhados por tudo tornam o visual inexplicavelmente lindo. Alem das montanhas t^em varios lagos azuis, pequenos e grandes, vales belissimos, pastagens de verao, os tais jaloos, algumas com tapetes de flores. Lindo, lindo, lindo!

Como a populacao ‘e bem pobre na maior parte do pais, voce ve muuuuitos pastores com suas ovelhas, gados e seus yurtes, ‘e natural ter que parar o carro na estrada para esperar as ovelhas ou os burricos passarem.

Dormimos algumas noites nos yurtes em lugares diferentes. Estava preocupada se os pais do Gui iam se acostumar com a “moradia”, mas me deram um banho, os anos viajando acampando tornaram eles super descolados. Algumas tecnicas que eu uso quando pego hoteis sujos para eles ‘e super natural, a Monica forra o travesseiro com uma manta, usa a canga como entre lencol, e no final nao ha contato nenhum com o material estranho do lugar.

Nosso primeiro acampamento nos yurtes foi num belissimo vale, com montanhas enormes com picos nevados e um rio que atravessava em frente, obrigando voce dormir com aquele barulho delicioso de fundo. A segunda foi num outro vale absurdo, com campos de flores, mais picos nevados e hot spring natural, no home stay do sujerrimo Valentine, dono da casa, pela sua aparencia ele devia tomar dois banhos por mes. Entre a casa dele super suja e uma casinha la fora tambem suja que ele construiu, achamos melhor pegar a de fora. Como nao tinha banheiro, tudo era feito ao ar livre, no meio das flores. O Gui buscava agua no rio para escovarmos os dentes e quando iamos ao toalete, avisavamos para ninguem sair la fora. Um dia vi que o Gui e o Clau se assustaram com alguma coisa dentro da casa, e disfarcaram. Depois o Gui me contou que tinha um rato la dentro e que eles nao conseguiram tirar, o ratinho dormiu com a gente. Deixamos para contar para a Monica no ultimo dia, mas ela nem reagiu, deu uma risadinha como se tivessemos contado que tinhamos matado uma barata, tamanha a experiencia deles na estrada…

 

Os yurtes!

O primeiro vale!

Ainda no primeiro, num passeio a cavalo!

Um local, saindo do yurte para ir a cidade!

Por fim, ficamos em mais uma cidadezinha linda com um mercado de animais interessantissimo, para nos prepararmos para ir ate um lago no meio dos jaloos, as tais pastagens de verao. Nesse dia pegamos um frio forte a noite, mas gracas ao fogao a esterco que tinha dentro do yurte conseguimos sobreviver. Os yurtes, com excessao do primeiro, não tinham banho. Os passeios a cavalo se tornaram rotina. De Koshkor nos despedimos deles com saudades, eles seguiram para Bishikek, depois passariam uns poucos dias no Uzbequistao e finalizariam na Costa Amalfitana. Ao final de 30 dias voltariam ao Brasil…

Tipica kirgui!

Mercado de animais!

Nossos companheiros de estrada!

Segundo vale!

Casas tipicas das cidadezinhas!

O lago azul no meio dos jaloos!

Os yurtes!

Aproveitamos para descansar da nossa proxima visita, teriamos oito dias ate a chegada dos meus irmaos. Nao sei o que aconteceu nessa viagem, ‘e normal as pessoas falarem para gente “ talvez encontraremos voces em tal etapa”, mas tirando os pais do Gui, o resto normalmente ‘e sempre lenda. Claro, sem contar com o memoravel fim de ano com toda sua fam’ilia na Tailandia. E os dias em Israel com a minha mae. Mas definitivamente, os que garantidamente sempre vem, são os pais do Gui. Dessa vez todo mundo resolveu levar a serio, depois do Clau e da Monica chegariam os meus irmaos, e assim que eles fosssem, uma graaaande amiga minha passaria 16 dias com gente.

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3 comentários em “A beleza do Kirguistao!

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