Entre as montanhas mais imponentes do mundo!

De Kashgar seguimos pela Karakoran sentido Paquistao, nosso proximo destino. A Karakoran highway ‘e a estrada que atravessa algumas das maiores cadeias de montanhas do mundo, dentre elas os Himalayas. A estrada levou 20 anos para ficar pronta,  e a sensacao que da, ‘e que precisa de pelo menos mais 20 para ficar perto de pronta.

Assim que nos afastamos um pouco de Kashgar e comecamos a entrar na estrada, niguem mais falava dentro do carro, eram so suspiros e mais suspiros. O tamanho das montanhas era impressionante, voce torcia o pescoco todo para cima de dentro do carro e não conseguia chegar ao fim em varios pontos. Uma obra natural impressionate! Estavamos todos chocados e maravilhados.

Incrivel...

Paramos no Karakul Lake, um lago azul maravilhoso circundado por montanhas com seus picos nevados para quebrar a viagem, dormindo num yurt e seguirmos no outro dia ate o Paquistao. Negociamos com um local cama e comida  e apagamos depois de passear pelo lago. As 3:30h ele acordou para comer, pois logo iria clarear o dia e comecar o Ramadan. Aquele tapa na cara, pois nos estavamos reclamando que teriamos que acordamos as 06:00h e seguirmos para pegar o onibus que nos levaria ate Sost.

Karakul lake!

Passamos pela imigracao, e avistamos os primeiros turistas: dois alemaes, dois casais de espanhois e um noruegues. No onibus-cama, alem de nos, o restante era paquistanes. Boa parte de Pechawar, perto da regiao onde morreu o Bin Laden. No onibus, o motorista comecava a discutir com alguns passageiros, e voce tinha certeza, na cabeca de um brasileiro, que aquilo acabaria em socos e pontapes, mas não passava de discussoes calientes, sem se levantar um dedo. Os turistas olhavam chocados, principalmente o nordico. Eu dava rizada. As vezes eles se agrupavam para discutir ao redor do Joao, que tinha que se desviar dos cuspes irados.

O Jony no meio da discussao!

Depois de muuuuuuuuuuuuitas curvas e precipicios chegamos em Sost. O pessoal da fronteira foi super amistoso,  com calorosos boas vindas, sem aquele clima tenso de fronteira e nos estavamos super empolgados com o Paquistao e o povo. No centro da cidade, os famosos caminhoes enfeitados do pa’is circulavam. Parecem caminhoes de trio eletrico do Brasil, tamanho o numero de enfeites e cores. E são usados simplemesmente como caminhoes de transporte de carga. Há uma certa competicao de quem tem o caminhao mais bonito. E ‘e dureza decidir.

A estrada.

Vista!!!!!!!!

Passageiros!

Ainda meio tontos com as curvas e procurando hotel, se aproximou de nos um senhor tcheco.  Ele tinha um porte e seriedade de um ex-militar e bisneto de um nobre. Veio perguntar se nos interessavamos em dormir num hotel mais afastado da cidade e seguir no dia seguinte para Passu, onde era nossos planos. Ja que a cidade ali nao tinha muitas atracoes. Para ir ate esse hotel afastado precisava de transporte, e o interesse dele era dividir os custos com a gente. O casal de espanhois topou ir tambem e fomos todos ao tal hotel.

A cidade " feia" da fronteira...

Os belissimos caminhoes!

Ao chegar, o lugar era maravilhoso, no alto de um vale, mas os banheiros do hotel eram muito simples e so tinha agua fria. Não era o que eu esperava para depois daquele onibus-curvas. Eu e a espanhola pedimos se era possivel esquentar um balde de agua quente e o tcheco já foi logo dizendo: “poxa, os latinos são tao limpos, exigem quarto e banheiro limpo, isso ‘e muito bom, voces desenvolvem o nivel dos hoteis para os turistas… nos tchecos somos como porcos, não nos preocupamos com isso.” Logo vimos que o senhor-general era uma figura. Ele tinha 72 anos e estava viajando sozinho no Paquistao pela segunda vez. Esse era o seu pais numero 154, e ainda  acampava, enquanto nos brigavamos com o gerente pelo banho de balde, ele montava sua barraca no quintal para economizar. O cara era um monstro como diz meu pai, no bom sentido.

A vista do hotel!

Fui tomar banho, pois estava esgotada da viagem e da sensacao de inseguranca das curvas e precipicios. Quando comecei a me secar a luz de velas, vejo sangue na minha perna. Me assustei. Olho para os lados, para cima e para baixo e não vejo nada. Dali um pouco, mais sangue, agora na outra perna. Limpo e não tem nada. Comeco a pensar que enlouqueci. Procuro da onde vem aquilo e nao acho nada. Fico so ouvindo gotas do chuveiro cairem no balde. Vou pegar a outra vela que tinha no quarto para iluminar melhor e acho meu dedo cortado jorrando sangue. Que alivio, eu nao tinha enlouquecido, so estava realmente esgotada.

Não entendo aonde posso ter enfiado a mao e ate hoje isso ‘e um misterio. Passado o susto, tomada banho, comecei a raciocinar. Jantamos e me tornava pouco a pouco cada vez mais humana e menos fera. Os meus olhos arregalados comecavam a serenar.  O Gui e os Manos so me olhavam assustados, pois estava parecendo um bixo antes de ir tomar banho. Já não aguentava mais de fome, vendo aquele banheiro horrivel, sem luz e tendo que negociar balde quente. Com a volta da minha consciencia, aproveitamos para conversar com os espanhois e o tcheco. E dormimos a luz de velas!

Dia seguinte comecariamos as nossas aventuras no Paquistao, Inicialmente seguindo ate Passu, uma vila logo ao lado. Passu era cravada nas montanhas e prometia ser maravilhosa, com algumas atracoes ao redor. O motorista do jipe parou na frente de um hotel e disse: “aqui ‘e o centro de Passu”. Não vi nenhum comercio. O tcheco brincou: “aqui entao que fica o shopping, cinema e comercio?” O motorista não entendeu a piada. Olhamos o hotel e disse ao Gui que não dormiria de novo num hotel assim. Como tinha creditos, seguimos para o melhor hotel da vila, que significava paredes brancas e bem pintadas, cama de casal com cobertor cheiroso e banheiro ocidental em bom estado.

No transporte!

O hotel ficava de frente para montanhas gigantestas, num lugar absolutamente calmo, e absurdamente lindo. Ficamos tirando foto da frente do hotel de tao lindo que era o lugar. Logo comecou a chover. Fazia muito tempo que não via chuva e sentia um certo frio. Aproveitamos todos para descansar e “planejar” os proximos dias, pois tinhamos pouco menos de um mês para atravessarmos o Paquistao e chegar a India, já que os Manos tinham passagem marcada por Nova Delhi.

O dono do hotel era um senhor muito simpatico e apaixonado pela —– Button. Era do partido dela. E contou que o seu marido tem feito um bom trabalho, apesar do pouco apoio que tem da populacao. Como o Paquistao ja foi diversos reinados e so ganhou sua independencia no final do anos 40, quando os ingleses dividiram o continente indiano em tres partes, ficando a parte muculmana para os paquistaneses, nao ha um sentimento de uniao por ser paquistanes; pois trata-se de diferentes etnias, isolados geograficamente e com seus proprios reis, ate nao muito tempo atras.  A Karakoran, por exemplo, so na decada de 80 ficou pronta, entao imaginem essas regioes isoladas tendo que fazer parte agora de um so pa’is.

A 50 km dali havia um vilarejo chamado Shimishau, que prometia ser incrivel. Aestrada levou 17 anos para ficar pronta, e tambem passou a mesma impressao, que não estava pronta… O visual no caminho era de novo impressionante e Shimishau ma-ra-vi-lho-sa. As mulheres e homens da vila pareciam tirados da Nacional Geographic.

A estrada!

Shimishau!

Momento mastercard!

A menina mais linda!

Incrivel!!!

A senhorinha da vila!

Ficamos numa homestay e conversarmos bastante com um paquistanes, que era guia de uma inglesa que estava vindo ao Paquistao pela setima vez, sempre para a regiao das montanhas. Perguntamos do Bin Laden e mais uma vez nos disseram o que a maioria dos paquistaneses falam, que o Bin Laden morreu há 4 anos atras. O dono do homestay desmentiu dizendo que ele tinha morrido meses atras como foi falado pelos americanos. Mas foi o unico. Ha muita “teoria da conspiracao” sobre o assunto, entao fica dificil saber aonde esta a informacao correta, mas tambem nao me disperta tanto interesse qual foi a data e local exatos. Alguns falam que ele nao morreu, porque nao apareceu o corpo, e dai a coisa vai longe…

Nossa homestay!

O dono da homestay!

Os paquistaneses tem uma grande magoa da midia ocidental e dos USA pela imagem que pintam do Paquistao la fora. Muito ‘e por ser vizinho do Afeganistao. Esclarem que os talibans, que na epoca da ocupacao da Uniao Sovietica no Afeganistao, eram os estudantes islamicos que lutavam contra a transformacao do Afeganistao em um Estado Comunista. Com o apoio de treinamento e armamento dos Estados Unidos, os taibans conseguiram expulsar os sovieticos do pa’is. Porem, apos conquistar o poder, os principios dos talibans e dos americanos para a conducao do Afeganistao eram totalmente divergentes. E nesse ponto a historia ‘e longa e, eu entendo muito pouco… mas no fim das contas o feitico virou contra o feiticeiro. Por algum motivo, o taliba fez alianca com a antiga oposicao Al Queda, e os interesses deixaram de ser apenas locais.

Os talibans tem um numero variado de faccoes, e algumas delas ficam na fronteira com o Paquistao. Porem esssa fronteira ‘e so uma linha num mapa, existindo portanto um livre acesso para os dois lados, uma regiao do pa’is chamada de Cinturao Tribal, onde o proprio governo do Paquistao nao tem controle. Mais ou menos como ocorre nas nossas favelas.

Como comentei antes, o Paquistao ‘e como se fosse varios paises num so territorio, e decidimos entao nao incluir o Paquistao-Taliban no nosso itinerario. Com toda essa introducao o Paquistao pode parecer um lugar perigoso, e ‘e esta a revolta da populacao local. Os atentados dos ultimos 10 anos, mataram cerca de 35 mil pessoas. Numero muito proximo do que a violencia do Brasil mata por ano. Na regiao extremo-norte do Paquistao, eu caminhava tranquilamente apos ter anoitecido com dinheiro e maquina fografica, com sensacao zero de inseguranca, sentimento que eu nao teria nem no bairro da minha casa. Ja quando tivemos que atravessar regioes com historico de conflitos me sentia naqueles cruzamentos com alto indice de assalto. Na verdade, nao chegava a tanta inseguranca, mas esse ‘e o exemplo que mais se assemelha.

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s