Povo Kalash!

Depois da vila mais incrivel da viagem, fomos ate Chitral, uma cidade proxima ao Kalash Valley, nosso proximo destino. Havia na cidade uma vida muito tipica e religiosa entre os locais e apesar do barulho do comercio, ver como tudo funcionava era novamente uma excelente experiencia de Paquistao. Fomos parados varias vezes nas ruas para as pessoas nos conhecerem e claro, perguntar se precisavamos de alguma coisa, se eles poderiam nos ajudar com algo, se gostariamos de ficar na casa deles, conhecer suas familias, etc.

Chitral.

Nas ruas.

Para ir ate o vale sabiamos que teriamos de nos identificar na policia local, que exige uma escolta que permaneca com a gente durante todo o periodo na vila. A razao ‘e porque o vale fica ha uns tres dias de caminhada com a fronteira do Afeganistao, e qualquer um pode passar caminhando, ja que nao tem estradas ou controle. Um unico caso ocorreu para que eles tomassem essa decisao, um ocidental de uma ONG que morava no vale ha muitos anos, foi sequestrado por talibans, e devolvido somente nove meses depois.

Apos o 11/set e ainda com esse acontecimento, o cuidado com a seguranca dos turistas ‘e imenso no pais, cada mudanca de cidade passamos por algum controle de passaporte, assim eles vao acompanhando os passos de cada um e sabendo exatamente onde estao os turistas.

Chegando na policia, fomos super bem recepcionados, queriam saber se fomos bem tratados no pa’is, se estavamos gostando, etc., e nos mostraram um quadro do turismo em Chitral. Nos ultimos 10 anos apenas 300 brasileiros visitaram a cidade, e no ano passado apenas tres.  Depois de familiarizados com a nossa escolta, voltamos para o hotel, sabendo que no dia seguinte eles estariam la nos esperando. Outros turistas que encontramos antes no caminho, contaram que o vale era um sossego, mas que estar escoltado era bem desagradavel, obviamente. Os europeus estranham muito em geral, infinitamente mais que a gente. Nao adianta ser hipocrita, n’os brasileiros estamos muito mais acostumados com o perigo, tanto que nao demorou muito para estarmos amigos dos policiais e super a vontade com eles.

Quadro de controle do turismo.

Na manha seguinte pegamos um jipe lotado para chegar ate o Vale Kalash e nos hospedamos numa homestay muito acolhedora. O dono era super simpatico, e professor na unica escola da vila. Contou-nos um pouco do povo Kalash, que ate hoje ninguem sabe exatamente a origem, pois muitos são louros de olhos azuis, entao alguns dizem que são descendentes do Alexandre o Grande, mas são tudo suposicoes.

Com a escolta, aguardando encher para sairmos.

Os Kalash são considerados pagaos para os vizinhos muculmanos. Ao conversar com eles, percebemos que mesmo pagaos, contavam com uma estrutura organizada de relaciomento com a divindade. Acreditam em um so Deus, possuiam os xamans  responsaveis por orientar espiritualmente o povo, purificar suas casas, abencoa-los e curar doencas. Apesar dos kalash buscarem preservar sua cultura,  muitos  já se converteram ao islamismo, e isso tem modificado bastante os costumes e crencas do povo.

Povo Kalash.

As meninas muculamas.

A vila.

O vale.

Uma coisa que me chamou atencao, foi o costume quanto as mulheres. No periodo menstrual, elas precisam sair de suas casas e ir ate uma outra no inicio do vale, para la permanecerem ate o fim do periodo. Sao proibidas de cruzar a vila ate que termine o ciclo, pois “sujam” o ambiente, fazendo com que o xaman tenha que purificar tudo por onde elas passam depois, atraves de longos rituais. O dono da guest house falou tambem que era otimo elas estarem la, já que causam muitos problemas familiares quando estao neste periodo, o que fez n’os darmos muitas rizadas. O pior ‘e que eu estava no tal periodo justamente quando estive la, infelizmente o xaman tera um trabalho enorme depois que eu for embora.

Mais.

Passeamos muito pelo vale, fomos ate a escola das criancas, e passamos quase a manha toda la. Como um dos professores tinha faltado e o outro, era o dono da homestay, enquanto ele dava aula numa sala, distraiamos as criancas na outra, e vice-versa. Ficamos constrangidos de estarmos ali com a escolta, e tentamos divertir as criancas para amenizar.

Escola.

Na sala de aula.

Na volta, encontramos muitas mulheres lavando roupas no rio, batendo na pedra, fomos tambem convidados a tomar chay em algumas casas, e deu ate para provar suas roupas tipicas, que era muito pesada, principalmente o acessorio da cabeca. Aquelas mulheres sao guerreiras em passar o dia belissimas, lavando roupa e cuidando da casa vestidas daquele jeito. Se fossemos nos ja colocariamos uma calca e blusa velha para esse tipo de atividade. Mas elas, mesmo quando estao na lavoura permanecem impecaveis. Foi inesquecivel passar os dias no vale, observando a vida pacata dos Kalashes. As vestimentas, os costumes, as tradicoes e a beleza fazem do lugar mais um dos vales incriveis e inesqueciveis do Paquistao.

Lavando roupa.

Cotidiano.

Mae com os filhos na varanda de casa.

Eu de Kalash!

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2 comentários em “Povo Kalash!

  1. Bianca!!!!
    Satisfaçao enorme em te ver no programa do Jô, principalmente por te ver feliz e chei de experiencias!! Nunca imaginaria esse teu esoirito aventureiro, lá na nossa época de terceirão… Mas o seu jeito doce de falar continua existente ! Parabens pela maravilhosa oportunidade abraçada em cinhecer tantas culturas diferentes e lugares maravilhosos! Bom saber que voce está super bem, espero que tenhamos oportunidade de mos encontrarmos novamente. Beijos e felicidades!

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