Chegada na Índia

De manhã cedo fizemos as malas e pegamos um táxi até a fronteira Paquistão – Índia. Deixei Lahore com o coração na mão, pois desde o Iran não gostava tanto de um país como gostei do Paquistão. Talvez por tudo o que esperava do Paquistão, tudo o que já tinha escutado, e a realidade que encontrei. Foi uma grande surpresa!

O Paquistão mexeu comigo, por seu povo, sua cultura, suas vilas intocadas, e por todo o medo que eu tinha de visita-lo. Chegar a Índia naquelas alturas, sabendo que estaríamos agora entrando em nosso último país da viagem, os Manos indo embora dali poucos dias, a Jami (amiga minha) chegando, me dava conta como a segunda viagem estava chegando ao fim, e que de agora em diante, não teria terceira tão cedo. Isso me deixou reflexiva!

Logo que começamos a procurar hotel em Amristar, comecei a me perguntar porque mesmo gostava da Índia, porque insistia em dizer que era um dos meus países preferidos, se o barulho ensurdecedor dos auto-rikshas eram insuportáveis, o transito era um caos, e tudo não tinha ordem e nem limpeza. O Gui também ficou com a mesma sensação e o João e o Marco me olhavam com uma cara de porque eles falam tão bem da Índia?

Logo achamos um hotel melhorzinho, que não passou pela minha cabeça que ficava bem no meio do caos, perto do Golden Temple, e de noite queria me arrancar os cabelos, não consegui dormir nada em função do barulho. E dormir mal é de matar! No dia seguinte nos mudamos para um “hotel paraíso” bem longe do centro e mais caro, claro.

Esperamos o entardecer para irmos todos juntos ao Golden Temple, o vaticano dos Sikis, uma religião relativamente nova da Índia, quando comparada ao Hinduísmo. Tem por volta de quase 600 anos e se diz mais como uma orientação para viver uma vida melhor, mais digna e generosa, do que propriamente uma religião que tem como objetivo a salvação da alma. O Sikismo já não é assim, fala mais de um modo de vida, do que alguma garantia pós-vida. Imagino que nos textos mais sagrados isso deva aparecer, mas para os fiéis leigos é isso que é conhecido.

No final do dia quando chegamos no glorioso Golden Temple, o João e o Marco não falavam, estavam estarrecidos diante da beleza do lugar, e mística da Índia. Os sáris coloridos, os turbantes coloridos na cabeça dos homens, a devoção das pessoas ao chegar, os mantras de fundo tocando ininterruptamente, as pessoas se purificando na “grande piscina” que tem na frente do templo, é uma visão incrível.

Entardecer!

Nós nem falávamos, ficamos todos em silencio experimentando a delicia que é ficar no templo. Todo barulho das buzinas e caos ficam lá fora, não se escuta nada, o chão é impecavelmente limpo, e as pessoas sentam ao redor da “piscina” e ali ficam por horas observando e simplesmente estando ali. Em algumas horas começam as rezas nos microfones e os devotos circulam ao redor da piscina rezando. Ficamos horas largados até quando bateu a fome e fomos jantar. O jantar é gratuito no templo, com direito a chay, e uma comida deliciosa. Se você quiser dar alguma doação, tem alguns lugares disponíveis para deixar dinheiro. Mas ninguém vai lhe pedir.

Os peregrinos!

A noite!

De lá seguimos para o hotel e nos despedimos do Marco e do Jony, que estavam seguindo para Agra para ver o Taj Mahal, de lá eles dormiriam em Delhi e seguiriam para o Brasil. Só com aquele período no templo, eles já ficaram maravilhados com a Índia, tristes que tinham que voltar. E já começaram a entender porque muitos quando vão à Índia descrevem sentimentos intensos de amor e ódio, e mesmo os que sentem isso sempre retornam, como nós. Os que sentem só ódio, saem assustados do país, e não querem nunca mais voltar. Vale a pena o esforço de passar da fase do susto, a beleza da Índia se abrirá para você!

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3 comentários em “Chegada na Índia

  1. Bibi e Gui imagino como vcs sentiram observando os manos …”quando chegamos no glorioso Golden Temple, o João e o Marco não falavam, estavam estarrecidos diante da beleza do lugar, e mística da Índia. Os sáris coloridos, os turbantes coloridos na cabeça dos homens, a devoção das pessoas ao chegar, os mantras de fundo tocando”…
    … sem palavras tambem, fico imensamente feliz pela experiencia de viagem compartilhada entre os irmãos!

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