Programa do Jô

Nossa entrevista no Programa do Jô foi ao ar nesta terça-feira dia 21/maio. Não tínhamos visto a gravação desde então, e foi muito bom poder ver a entrevista de fora. Eu e o Guilherme somos suspeitos, mas adoramos a entrevista.

Obrigada Renata Hidalgo pela sua doçura. Obrigada Jô por reconhecer meu companheirismo com o Guilherme. Obrigada Jami, Cá e Rê pela presença e parceira nos camarins, platéia e comemoração posterior. Obrigada a todos os amigos queridos que ficaram acordados até tão tarde para nos assistir e aqueles que assistiram no dia seguinte. Obrigada famílias pelo amor de sempre, e por todas as pessoas que deixaram comentários carinhosos em nossos blogs e página no face.

Para quem não viu ainda, segue o link: http://tvg.globo.com/programas/programa-do-jo/O-Programa/noticia/2013/05/bianca-soprana-e-guilherme-canever-contam-suas-aventuras-pela-africa.html

Bianca Soprana e Guilherme Canever contam suas aventuras pela África

Psicóloga e engenheiro florestal contam que largaram seus empregos para passar três anos viajando o mundo

22/05/2013 às 11h31
Atualizado em 22/05/2013 às 11h31

Guilherme Canever e Bianca Soprana são casados e passaram três anos viajando o mundo. Parte dessa aventura está relatada no livro “De Cape Town a Muscat: uma aventura pela África”, lançada pela editora Pulp.

Segundo o casal, a ideia da viagem partiu de Guilherme, que desde criança gostava de conhecer lugares exóticos por influência de seu avô. “O foco foi na África e na Ásia, mas também fomos ao sul da Europa”, contou o engenheiro florestal.

O casal contou que eles tiveram que deixar seus respectivos empregos e pegaram todo o dinheiro que tinham guardado para financiar a viagem. “Na verdade, não precisamos vender a casa, porque ela não era nossa”, brincou Bianca.

Guilherme Canever e Bianca Soprana no Programa do Jô (Foto: TV Globo/Programa do Jô)Guilherme Canever e Bianca Soprana no Programa do Jô (Foto: TV Globo/Programa do Jô)
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Frio na barriga!

Dia 30 de marco, eu e o Gui, embarcamos para mais uma etapa da viagem. A principio, ela tinha como fim, setembro do ano passado, quando voltamos. Mas no dia que compramos a passagem, ainda la na Bulgaria o meu coracao apertou e do Gui entao… acho que nao passava um fio de cabelo.

Eu estava cansada da rotina da viagem, ja estava ha 13 meses na estrada, e sentia falta de ficar no mesmo lugar, e tambem de estar perto de casa. Fisicamente estava cansada e nao tinha mais a mesma disposicao para conhecer lugares novos e nem para caminhar nas ruas. Queria ficar parada, queria sombra, queria comer peito de peru da sadia e salada da chacara todos os dias no almoco, comer frutas escolhidas nas prateleiras da cozinha, queria abrir a geladeira e escolher coisas gostosas, queria ir no mercado, queria comer empadao de frango com palmito do Lucca Cafe, queria lavar a louca, enfim, queria parar um pouco.

Os dias foram passando e cada vez que chegava mais perto da data da volta, mais nao queriamos voltar. Ate que disse para o Gui, no intimo de meu espirito aquariano ” mas porque mesmo que nao podemos voltar a viajar, logo depois que voltarmos?”. Ele me olhou, como uma crianca olharia quando voce oferece uma bala, e disse: “serio, podemos voltar a viajar, voce quer?”

Pronto, estava decidido, nos voltariamos para rever a familia, os amigos e matar a saudades de ficar em casa. Descansar e se tivesse oportunidade, trabalhar. Aconteceu tudo isso, trabalhamos, deu tempo ate de descobrir novas formas de trabalho, mais adequadas ao jeito de cada um.

E agora, estamos perto da nova partida! No comeco, quando o Gui comprou a passagem, ainda em janeiro, me deu uma preguica enorme. Pensei: ” mas porque mesmo tenho que voltar a viajar?  Ta bom, para aprender e me tornar um ser humano melhor, para ficar mais perto de Deus…”  Bom, nem precisava continuar o falatorio interno, a preguica podia vir, que eu a ignorava. Os motivos eram muito justos e elevados, que meu corpo nao tinha espaco para se queixar. Hierarquicamente, meu corpo deve obedecer ao meu espirito, e nao ao contrario.

Passado os dias, a viagem comecou naturalmente a me alegrar. Vinha uma felicidade absurda, inesperadamente, no meio do dia, quando eu pensava: ” caramba, to indo viajar de novo…” Aquele frio na barriga, aquela felicidade, de quem ja sabe para onde esta indo e o que vai encontrar. ” Aprendizagem, aprendizagem, aprendizagem…” e tudo coisa, para aprender dentro.  Existe algo melhor que isso?

Quando estava indo embora do ashram la na India, estava muito triste, inconsolada, conversando com a Kiara, no alto de  uma pedra na beira do Ganges. E Kiara tinha autoridade moral para me dar conselhos. Ela foi para passar 15 dias no asharam do Sai Baba e acabou ficando por tres anos e estava naqueles dias,se despedindo da India e se preparando para voltar pela primeira vez  ‘a Roma, depois desse longo periodo. Ela disse entao para mim: mas o que te angustia tanto Bianca em sair daqui?” Imediatamente minha angustia ficou clara, e eu respondi: ” tenho medo de voltar a ficar longe de Deus”. Ela riu e com muita docura e carinho me abracou e disse: ” Bianca, Deus esta em todos os lugares e inclusive dentro de ti.”

Me deu uma alegria imensa e uma alivio ouvir aquilo naquele  momento, apesar de  ja saber disso, eu estava esquecendo justamente naquela hora. E dai veio o desafio, eu conseguiria levar Deus (ou sendo mais precisa, um pouco do ceu) comigo no resto da viagem e, depois para o Brasil?

Sim, consegui traze-lo. Ele veio junto e esta junto. O desafio ‘e maior, bem maior, muito mais facil a vida de ashram e muito digna, louvavel. A vida ideal e que eu teria escolhido, se nao fosse casada e apaixonada pelo meu marido. Mas Deus pode vir com a gente e a gente pode ir ate Deus tambem no Ocidente, em casa, no meio da familia, dos amigos e do trabalho.

E mesmo depois de tantos meses, quando fecho os olhos, aquele palco do silencio e da beleza ecoa do intimo do meu ser e eu me elevo e falo em silencio “Obrigada, obrigada, obrigada!”.

por tambemsai Postado em Brasil

Feliz Natal!

Depois de quase quatro meses de volta para casa, me sinto situada. Localizada! Consigo ver os prazeres de estar em casa: dormir na mesma cama, tomar banho no mesmo banheiro, abrir o guarda-roupa para escolher a roupa, sem precisar tirar a capa suja da mochila, depois abrir o ziper, e so depois  pegar o saco das blusas, o saco das bermudas… Nao, com o guarda-roupa tudo fica mais simples, pratico e visual.

E as comidas ali dispostas na geladeira com os alimentos escolhidos por voce? Que delicia. Os almocos com familia e amigos, caminhar pouco e na sombra (so na ciclovia com MP3), ferias para os meus pes, para os bones, e para minha cabeca tostada. Dias diversificados: chuva, nublado, frio, calor, que delicia. Na viagem era so calor e  sol. Os ultimos dez meses foram de temperaturas entre 33 a 40 graus e acho que cinco dias de nublado e mais cinco de chuva no total.

Minha revolta com as pessoas tambem passou. Tudo bem! Tudo em paz! Descobri uma novidade incrivel, que as pessoas sao diferentes, e nem eu preciso ser parecida com elas, e nem elas comigo. Nossa, isso foi fantastico. Nao querer se igualar as pessoas, faz  a gente se enxergar melhor e enxergar o outro melhor.

O dia a dia em casa tem sido muito gostoso, tenho amado cuidar da casa, lavar a louca, ter uma mesa para estudar. Nao tem preco. Estar sempre cheirosa, com roupas extremamente  limpas. Que vida boa!

O Natal tambem veio muito rapido. E pela primeira vez nao senti aquela sensacao injusta de achar que eu precisava disso e daquilo. Sinto que tenho roupas e sapatos para toda minha vida, ao menos que eu engorde 20 kg e precise refazer o guarda roupa, o que nao parece que vai acontecer, porque minha relacao com a comida mudou. Nao preciso mais comer ate estufar nem beber para comemorar algo especial. Como o suficiente, tento dormir o suficiente, e beber quase nunca, pois nao sinto a m’inima vontade de tomar um copo de cerveja ou vinho.

Tenho tido uma vida mais saudavel e vontade de cultivar a temperanca em tudo o que eu faco. Inaugurei um quarto Sagrado em casa, e tem sido meu refugio diario para as oracoes.

O Natal vem com um novo significado para mim, na verdade com o significado original. Jesus nasceu! E um novo tempo comecou! Nao tenho nada para desejar para mim, e nem para os outros nesse Natal. Talvez um desejo: que nos alegremos! So sinto vontade de agradecer e celebrar o nascimento de Jesus!

Feliz Natal torna-se sinonimo! Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo – Feliz Aniversario! Feliz Natal!

por tambemsai Postado em Brasil

Volta pra casa!

Voltar para casa nao ‘e facil. Na verdade, ‘e bem dificil. A sua consciencia da vida nao ‘e mais a mesma. Voce nao ‘e mais a mesma, nada ‘e mais o mesmo, mas a vida aqui parece ter vivido outra experiencia, muito distante da sua.

Alguns querem conhecer  de fato o que foi vivido, percebido, refletido e que mudancas gerou; outros, a grande parte, querem so dizer: ” nossa imagino o quanto a  viagem deve ter sido maravilhosa…”  Fico boba do quanto as pessoas sabem: “imagino isso, imagino aquilo, sei bem, posso imaginar…”

No comeco eu me assustei um pouco,  porque gosto muito de compartilhar o que aprendo (algumas amigas minhas, por exemplo, ate hoje nao  sabem quem voltou de viagem), mas com o tempo, fui vendo que nao ‘e por mal. ‘E por pura ignorancia. Algumas vezes intelectual, mas na maior parte, espiritual.

O Significado da viagem nao ‘e o ponto para muitos, mas ja o pratico interessa mais. Gastam-se horas e horas as vezes falando das historias politicas dos paises, sem perguntar o basico: quem de fato sao essas pessoas que voltaram de viagem ai na sua frente…

Uma loucura! Voce se sente sozinho no teu saber e na tua experiencia. No conteudo vivido. Voce enxerga e ninguem enxerga junto. Voce olha a vida ilusoria de aquario, e precisa quase fingir que acredita. Voce fala e o outro na sua frente nao ve. ‘E muito duro.

Depois do choque relacional, a coisa foi melhorando. A seguranca ilusoria de fazer parte de uma sociedade me confortou um pouco. Como ‘e facil viver a realidade quando se pertence a alguma ordem social. Como ‘e facil trabalhar, correr com afazeres, ver amigos, falar e falar. Caramba, como falam. Que excesso de externalizacao do vivido. O fim do dia chega, a noite cai, vem o sabado, que ‘e rapidamente devorado por um almoco mais longo, talvez um cafe no fim da tarde, e sempre varios programas a noite. Domingo vem rapido, mais um almoco demorado, organiza a casa mais ou menos e apura, vai dormir que comecou a semana…

O que mais perguntam ‘e como esta o processo de adaptacao (todos lembram de perguntar isso, mas nao quem voltou)? Pensam que e dif’icil. E nao ‘e. ‘E extremamente facil. ‘E ridiculamente facil. Esquecer tudo o que voce aprendeu, voltar a comer bastante, dormir ate tarde no fim de semana, correr atras do tempo, falar e falar e preocupar-se com o futuro…

Como poderiamos explicar que nao queremos nos adaptar? Que essa realidade nao ‘e realidade. Queria ver as pessoas longe de seus ninhos e grupos, soltas no tempo e no espaco, com tempo para pensar na vida e para Ser, com ninguem para dizer quem elas sao, por meses e meses sem identidade, saltando de um pais para o outro, num outro sistema de pensamento que nada tem a ver com tudo que ‘e familiar, como elas sobreviveriam (do ponto de vista interno). Quando estamos envoltos de tudo o que existe no nosso ninho, esquecemos do comeco, do pra que estamos aqui. E nesse sentido, falo da ilusao.

Aqui parece que nao ha tempo de pensar na vida, as oportunidades precisam ser muito buscadas, e nao ‘e exagero! O relogio e os valores sao diferentes! Como dizem os amantes da energia, ate a energia aqui ‘e diferente.

E o desejo de todos ‘e que voce se enquadre, e ao mesmo tempo que se enquadrar, ha uma cobranca de ” poxa, fizeram uma viagem tao legal, e voltaram iguais”. Ninguem quer saber o quanto mudamos, mas nao querem que parecemos iguais…

Depois de um pouco tonta com toda loucura que ‘e voltar para casa. E toda confusao de expectativa, como dizem todos, porque nao se pode mais esperar nada de ninguem, tudo se resume a palavra expectativa. Eu diria que nao sao expectativas, as vezes nao temos clareza mesmo das pessoas porque nao tivemos experiencias com elas para tanto, e podemos esperar o melhor delas; quando nao vem, nao ‘e porque frustramos a tal da expectativa, mas ‘e porque nao conheciamos o outro suficientemente, e la veio uma  oportunidade.

Passado o susto, a paz tomou conta do meu coracao e pude ver a Bianca que voltou dessa viagem. Agora, aqui na vida de Curitiba. E pude perceber, que estou intacta na “aprendizagem aprendida”, fortalecida e serena. Nunca em toda minha vida, me senti tao serena. Serena porque a viagem me ensinou a seguir  outra ordem, que ‘e tao mais completa, que me da insumo para seguir tambem essa aqui.

Dentro de mim, a beleza da vida se exalta todos os dias na minha frente e cada dia que acordo tenho mais vontade de viver, de amar e de aproveitar da forma mais nobre que eu puder, a grande oportunidade de Ser Humana!

Despedida da viagem!

Uma hora a nossa viagem tinha que acabar. As coisas tem fim, ne!! A gente nao fica pra sempre crianca, nem adolescente, nem adulto, nem velho e nem vivo. A vida ‘e feita de momentos… alguns preciosos, outros descartaveis, mas mais do que momentos, epocas ou idades, a vida ‘e para ser feita de Sentido.

Depois de quase 20 meses, quando essa viagem comecou no plano administrativo – comprar passagem, organizar as contas, encerrar projetos e fechar a casa e, depois, em junho de 2009 quando ela efetivamente comecou, foram 13 meses de estrada.

Quando olho para tras e vejo todo o caminho percorrido me emociono. Foram tantas aprendizagens, tanto choque de mundo (valores) e tantos momentos especialissimos, que so quando lembro da pessoa que embarcou e depois desembarcou no Brasil ‘e que tenho de fato a visao clara de tudo que essa viagem significou.

Pra quem acompanhou o blog, deve ter notado que durante todo o tempo, nos nunca trabalhamos e nem buscamos oportunidades de trabalho. E justamente por isso, ao longo de todos esses meses, nao fizemos parte de nenhuma ordem social, de nem um grupo, de nenhum contexto. Eramos sempre turistas! E essa experiencia tao peculiar nos fez enxergar a  vida de fora,  suspensa em nossas memorias e nossos comportamentos automotizados.

Com o tempo, fomos percebendo, como ‘e nao pertencer a nada. Porque esta ordem social na medida que  ‘e necessaria, ela te protege e ao mesmo tempo ilude. A melhor figura ‘e de um aquario (usada como imagem tambem pelo Gui para encerrar a viagem). N’os peixes, vivemos ali, interagindo com tudo o que esta dentro do grande aquario e, principalmente, do nosso espaco no aquario (nosso trabalho, familia, amigos, vizinhos, meio social, etc). Pela televisao/revistas, acompanhamos um pouco o que acontece la fora, mas numa perspectiva tambem de peixes e interpretada pelos outros peixes. Quando alguma coisa errada ocorre nas nossas vidas, uma morte, uma doenca terrivel ou surpresas devastadoras que passam levando tudo, paramos assustados e perplexos dianta da vida, num tom de “o que ‘e isso, o que esta acontecendo?” A ilusao da protecao nos deixa surpresos como se a nossa vida fosse segura!!! Na verdade, podemos passar dessa para uma melhor ou pior (pra quem se aprofundar um pouquinho em qualquer religiao que seja sabera que a porta do “ceu” ‘e beeem estreita), todos os dias. Ao meu ver, essa deveria ser uma grande preocupacao na vida humana!

Nos sentimos tao protegidos e iludidos na vida de aquario, que parece que dentro dela tudo ocorre mais ou menos bem, os imprevistos sao sempre previsiveis, se formos pensar bem, inclusive o mal (faz parte ser assaltado no Brasil, por exemplo), mas quando nao sao previsiveis, nos chocam.

Viver longe de uma ordem, de uma rotina de trabalho, de familia e de amigos; passando de um pais para o outro, soltos no tempo e no espaco, ziguezagueando por culturas e linguas diferentes, durante tantos meses, mexe. Mexe demais!

Com o decorrer da viagem a protecao vai embora e a ilusao tambem. Quando voce se da conta, esta totalmente despido. ‘E quando percebemos a fragilidade do fato de sermos seres tao relativos (relativos porque nao decidimos quando iremos morrer, nem ter uma doenca grave, nem quando a natureza ira se manifestar com terremotos, furacoes, nada nada…), parece que despertamos para uma nova realidade. A vida se torna profundamente consciente e responsavel!

E o tempo passa, os dias, as horas e os minutos passam. A vida passa! E o que de fato a gente fez no fim das contas?  Um sabio homem disse: “parece que a vida da maioria, se olhada instante a instante, parece mais como um esforco constante e em vao, para se resolver problemas imediatos, cujo sentido da vida nao se manifesta. So quando voce observa essa vida numa medida de anos, voce consegue encontrar algum sentido.” Porque se olharmos o sentido da nossa existencia humana, ela nao se maninfesta nos nossos atos de acordar, trabalhar, conversar, comer, dormir e celebrar. E viajar ‘e ter todo tempo do mundo para olhar para isso e experimentar o questionamento – de forma mais forte e consciente, ou mais fraca, dependendo do viajante – de afinal, qual o sentido da vida humana?

Eu, por exemplo, tinha tantas certezas quando comecei essa viagem, tantos sonhos e tantos planos para a vida. Sai para viajar tao cheia de tudo isso e voltei tao vazia! As ambicoes pessoais ficaram na estrada. A unica coisa que sinto pulsar em mim todo dia quando acordo ‘e uma imensa vontade de fazer esse sentido se manifestar nos meus atos. Essa foi a grande licao da viagem, para mim!

Uma velhinha de quase 90 anos, ao ser questionada sobre qual foi o sentido da vida dela quando olha para tras, falou: “eu andei atras na minha vida de tanta, tanta coisa, tanta coisa que eu nao precisava…”

Fim!

por tambemsai Postado em Brasil

Porque resolvi viajar?

Desde pequena o mundo sempre me chamou muito atencao. Passava horas observando e tentando entende-lo. Minha mae conta que eu vivia com os olhos arregalados a observar. Tudo me provocava muitas reflexoes e sentimentos. Achava a vida uma coisa muito seria! Prestava muita atencao na minha fam’ilia, nos meus amigos, nas pessoas em geral, no funcionamento e sentido do mundo, nos relacionamentos entre as pessoas, nao entendia a maldade, odiava sentir culpa, principalmente quando sabia que tinha sido menos do que gostaria…

Nunca gostei de jogar cartas e jogos em geral, nao entendia como as pessoas conseguiam se divertir ou se distrair com essas coisas, gostava sempre de gastar meu tempo com as pessoas e perto da natureza, enfim, sempre preferi os seres animados do que os inanimados. Quando comecei a ficar mais grandinha, entendi melhor o que estava por tras de tanta inquietacao e quais eram minhas grandes questoes, que se resumiam em duas classicas frases do ponto de vista filosofico: “Quem sou eu e para onde vou?”

Com as perguntas ja mais claras, resolvi comecar pela primeira. Achava que tinha mais logica. So esse ano fui saber o quanto fazia sentido,  quando uma sabia amiga me disse:  ” Primeiro a gente precisa entender a gente,  para depois entender a espiritualidade. Senao, a gente mistura os nossos conteudos e usa a espiritualidade ao nosso favor…” Foi mais ou menos assim… E dai fica aquela coisa de tudo ‘e energia, as plantas tem sentimentos, e acho que te conheco de outras vidas….

Ate este ano fui uma trabalhadora de carteira assinada que batia cartao para entrar e sair da empresa que  trabalhava. So eu sei, cada dia, o quanto era dificil ter que chegar todo dia no mesmo horario, sentar na mesma cadeira em frente ao computador e apesar de trabalhar numa area para cuidar das pessoas, passava muito tempo longe delas. E como ‘e complicado ser contratada hoje em dia nas empresas como psicologa, quando na verdade, na pratica ‘e o que menos voce precisa ser.  Mas eu sabia que precisava passar por isso. Nao s’o para construir casca, mas porque tinha muito o que aprender.

O Gui sempre gostou de viajar. E sempre para lugares mais exoticos, tendo como referencia pessoas que quando pensam em viajar vao p/ US e Europa, no maximo Australia. Na ultima viagem dele em 2005 para India, Nepal e Tibet ele decidiu que precisava viajar por pelo menos um ano e completou: “Vamos juntos”  Nessa epoca nos so eramos namorados apaixonados. Eu achei a ideia maravilhosa, mas pensava que era meio surreal. Como viajariamos um ano pelo mundo sem ganhar na loteria? ‘E as vezes o nosso passado nos condena, e ser de Chapeco sempre deixa alguns vestigios de um tipo de raciocinio, como dizia meus amigos “colono!”

A semente foi plantada e a gente nunca perdeu ela de vista. Mas era dificil encontrar o momento certo. Quando? No comeco da vida profissional, no meio, no final? Qual ‘e o momento certo? Descobri que tem momento certo, pelo menos para mim teve.

O Gui foi antes, eu fui depois. Ele resolveu aproveitar a sa’ida da empresa que estava trabalhando para parar com tudo. Coloquei mil impecilhos, dizendo que precisavamos deixar para 2011 quando acabaria minha especializacao em psicologia clinica tao apaixonante que eu estava fazendo. Ja nao era mais o meu trabalho diario que me prendia, apesar de ter sido uma das decisoes mais dificeis e cheias de medo que fiz na vida.   Depois de muitas discussoes, vimos, por mil razoes, que nao poderiamos adiar ate la. Pedi demissao de um dos meus trabalhos e, quinze dias depois  o Gui foi viajar.  Eu, como tinha que finalizar meus outros trabalhos, so fui encontra-lo apos quase tres meses.

No comeco logo que ele foi, achei que tinha ficado louca e casado com outro. Me via incessantemente tentando saber se eu tinha feito a escolha certa, se o Gui  tinha feito a escolha certa, se nos tinhamos feito a escolha certa.  Dai comecei a perceber que minha angustia era profundamente economica e profissional, e que nossa decisao nao foi com esse proposito. Nao escolhemos viajar para voltarmos mais ricos ou  com um curriculo mais consistente do ponto de vista  tecnico, escolhemos por outras razoes. Eu, por exemplo, para viajar em mim mesma, para ampliar minha visao de mundo, para conhecer outros povos e para compreender o ” para onde vou e o quem sou?”  Entao resolvi me permitir experimentar minha escolha, que de fato sempre foi a maior pergunta da minha vida. Acabou sendo os tres meses mais incriveis e significativos da minha vida ate 30 de junho, quando encontrei o Gui na Tanzania. A viagem comecou pela Africa.

Tinha lugar melhor e mais impactante para comecar? Mas era so o comeco, tudo viria depois, numa viagem que comecou em julho de 2009 e terminou em novambro de 20011.

por tambemsai Postado em Brasil