O contraste e a beleza da Kashigaria!!

Depois de bem instalados, fomos correndo ao restaurante do hotel almocar. Já eram quase seis horas da tarde e so tinhamos tomado café da manha. Olhamos o prato de uns chineses ao nosso lado, que pareceu um frango com molho vermelho, com tomates e pimentoes e não exitamos, pedimos o mesmo. Ao chegar o prato, os tais tomates eram pimentas malaguetas e apesar do sabor, estava muito dificil de aguentar a quantidade de pimentas…

Apesar do calor que fazia em Kashgar, conhecer a cidade era uma atracao a parte. Lembrou-me dos meus primeiros dias de Africa, em Zanzibar, quando saimos para conhecer o comercio local. Na ruas voce encontrava pessoas vendendo frutas, fazendo pao, consertando sapatos, “farmacias” de produtos naturais que vendiam iguarias como cobras secas, varios antiquarios bem falsificados, artesanatos dos mais variados, e muita, mas muita gente.

Eu me sentia em casa. Adoro esse mundo não globalizado, apesar dele me encomodar um pouco por ser mais sujo e parecer as vezes meio caotico, voce ve ali que ainda existe a mao do homem e suas aptidoes. Tem o cara que sabe fazer pao como ninguem, o cara que conserta sapato como ninguem, o cara que faz talheres como ninguem, e assim por diante. Tudo ‘e mais rudimentar, mas parece muito mais verdadeiro.

O caos!

Artesao!

Quebrador de gelo!

Sapateiro!

Costureiro!

O barbeiro!

O padeiro!

No meio do comercio, algumas cabras...

Se tirassem as motos, os poucos carros que circulavam e os celulares, voce facilmente poderia se transportar para uns 500 anos atras ou mais. Os predios eram ruinas, as profissoes artesanais, as roupas pareciam grandes panos jogados pelo corpo, e as carrocas de boi que passavam no meio das motos, não deixavam duvida que nos estavamos no passado.

Iguarias!

Temperos!

Cabeca de bode!

Mais iguarias!

Há uns poucos kilometros dali, era um choque cultural entrar no lado chines. Lojas de departamento de eletro-eletronicos, shoppings com marcas internacionais, hoteis e transito organizado. A diferenca cultural e religiosa era gritante, entre os uyrgurs que habitavam o “velho centro” com o chines: calcas jeans, bones virados para tras, MP3 nos ouvidos, facebook, e nem se via religiao alguma. Com o comunismo, muitos chineses se tornaram ateus, outros continuaram budistas e outros seguem alguns preceitos de Confucio, sem nem mais se dar conta. Quando perguntavamos sobre qual era a sua religiao, diziam minha religiao ‘e a internet, outros apontavam para os jogos eletronicos e assim por diante. O chines comum ama a vida moderna e nao troca ela por nada.

Lado Chines!

O contraste no transito!

Os uygurs são um povo de origem turca, parentes dos uzbeks, kirguis e kazaks, que viviam na regiao da Kashgaria, na epoca parte da Asia Central, ate ser anexada a China por volta dos anos 50. Com isso, gradativamente os uygurs vem pouco a pouco perdendo sua identidade. Na ansia dos chineses não so de copiar, mas de padronizar tudo, e ‘e claro dominar a regiao, enviaram milhares de chineses da etnia predominante Ham para viver ali, principalmente nos ultimos 20 anos. Atraves de incentivos de impostos e oportunidades de trabalho, muitos chineses migraram para Kashgar, e aos poucos e a forca, t^em tentado acabar com a cultura uygur.

Os uygurs são chamados de terroristas por não aceitarem a ocupacao e o clima tem se tornado cada vez mais tenso na regiao. Nos dias em que tivemos por la, pudemos perceber a tensao em funcao dos milhares de policiais nas ruas, principalmente em frente a mesquita mais importante da cidade. Pelotoes com escudos e capacetes pareciam preparados para uma grande batalha. Na semana anterior, eles haviam incendiado um restaurante chines como forma de protesto aos incentivos dados aos imigrantes e a discriminacao que vem sofrendo.

Movimento ao redor da mesquita!

Frutas nas mesquitas a postos, esperando o sol se por, p/ quebrar o jejum.

Eu e o Jony descansando na frente da mesquita!

Numa lanchonete que paramos para comprar agua, um uygur nos falou um pouco da situacao disfarcadamente, com medo que os policiais percebessem. Ele tinha os olhos cheios de lagrima e demonstrava muita tristeza por ver que eles perderiam essa guerra em breve, pois eram minoria perto dos chineses.

Me tocou muito a tristeza daquele homem. Olhando para os dois lados da cidade, podia imaginar quao dificil deveria ser integrar duas culturas tao contrarias. Eles se recusam a aprender o mandarin, e fazem cara feia quando voce se engana e agradece em mandarin alguma coisa, logo nos davamos conta, e agradeciamos em uygur, que ‘e o mesmo obrigado dos kazaks, kirguis e uzbeks.

No domingo fomos ao famoso  Sunday Market deles, que prometia ser imperdivel, mas não achamos tanto, se não fosse a hora em que resolvi comprar um vestido longo para usar no nosso proximo destino – Paquistao, e todos os locais pararam para ver minha negociacao, mais ou menos umas 30 pessoas assistiam e gesticulavam tentando me ajudar a falar precos menores. Muito acolherdor. Fiquei feliz com a minnha compra e as mulheres elogiaram a escolha.

De la seguimos para o Animal Market que foi um choque. Não que eu já não tivesse visto coisa parecida nas nossas viagens, mas me senti mais no tunel do tempo do que nunca vendo aquelas vacas, yaques, cabras, bodes, homens com suas roupas panos, chao batido, comercializando os animais. Uma cena inesquecivel! Ali se tirassem os carros, tranquilamente me transportaria para mil anos atras, parecia aqueles fimes epicos. Kashagar foi um dos lugares mais legais que conheci e da para entender porque foi um dos centros comerciais mais importantes da rota da seda.  Recomendo que se forem a China, nao percam de ir ate la.

Sunday market!