Hello Mister!!

Logo apos a visita ao Bromo e de sermos entrevitados por um grupo de estudantes de turismo sobre as razoes que nos levaram a conhecer a Indonesia, e claro tirar muitas fotos, seguimos para Bali. Depois de 10h de viagem, num onibus bem confortavel, chegamos a capital Dempasar. No caminho viemos conversando com um casal, ele Americano e ela alema, que desistiram de ir para Kuta e resolveram ir com a gente para Ubud. Rachamos um taxi ate la.

A chegada foi abaixo de chuva e como ja eram quase meia noite, tivemos que acordar o pessoal da pousada para nos receber. O Gui aproveitou o sono do recepcionista para negociar  a metade do valor da diaria, para isso precisariamos dormir no quarto que ficava em frente a piscina que estava sendo construida. Tudo bem, la fomos nos!

O casal ficou animadissimo com a negociacao do Gui e no dia seguinte eles estavam tentando negociar tudo. Muito engracado de ver!

Tinhamos a expectativa de que Ubud era uma vila bem intocada como dizia no guia, mas que nada, ‘e bem tocada. Ubud ‘e sensacional! O lugar perfeito para uma mulher.

Nao ‘e por nada que a Elizabeth Gilbert do Comer, Rezar e Amar escolheu Ubud para ficar seus quatro meses que morou em Bali. Todo aquele charme da decoracao balinesa que imaginamos quando pensamos na Indonesia, esta reunido la. Sao dezenas de lojinhas descoladas, restaurantes e cafes deliciosos, tudo entre ruazinhas pequenas, que se cruzam o tempo todo, misturando os lugares turisticos com os vilarejos, fazendo voce se sentir em casa. E bem pertinho, alugando uma scuter, voce ve a tal vila intocada que o Lonely Planet se refere. Criancas indo para escola, varios pequenos templos hindus um ao lado do outro, milhares de oferendas e rituais em frente a todas as casas e mais banho de decoracao.

Rituais diarios!

Indo para escola!

A roupa do povo me chamou muito atencao, ‘e muuuuito legal. Os homens se vestem com dois  sarongs coloridos um sobre o outro (a nossa canga), camisa branca bem passada e faixa branca na cabeca, imitando um turbante. A beleza ‘e tanta, que vimos varios turistas copiando o modelito dos homens.

Confiram o charme do frenteista!

As mulheres  tambem usam sarong colorido, apenas um, com dezenhos mais delicados que os dos homens, que geralmente optao por dragoes e elas por flores. Elas tambem vestem a camisa branca, mas bem acinturada e com uma faixa colorida passando na cintura. Simplesmente o maximo, confiram as fotos.

Outra novidade de Ubud, ‘e que logo que chegamos ficamos sabendo que a Julia Roberts tinha deixado a cidade fazia tres dias, pois est’a gravando Comer, Rezar e Amar que saira nos cinemas em 2011. Por muito pouco que nao tomamos um café juntas. Infelizmente, vai ter que ficar para proxima Julia!

Bom, diante de tanta empolgacao, sugeri ao Gui nos separarmos para eu me perder nas ruazinhas e lojinhas e ele nao precisar  ter que me esperar escolher demoradamente qual o melhor sarong que eu deveria comprar. Sei que todo meu auto-controle material foi por agua baixo. Comprei sarongs, lencos lindos de seda, calca, vestidos, ate sandalia. Me esbaldei! Depois bateu aquele peso na consciencia, mas mandei todos os meus pensamentos de culpa embora: “ Me deixem em paz, estou na Indonesia, com licenca!” Eles resistiram um pouco, mas fui firme e eles acabaram indo embora.

O que sao essas criancas?

Todas as noites foram regadas a restaurantes tipo Lagundri, boa parte acompanhada do nosso novo casal amigo.

No ultimo dia, resolvi me render a experimentar a tal massagem balinesa que era anunciada por todos os cantos. A mulher que me atendeu, me mostrou a sala da massagem com aquela musiquinha deliciosa de fundo e uma banheira enorme para relaxar depois, tudo isso por 12 reais. O Gui logo em seguida  me alertou que tratava-se de um “homem”. Nao percebi! Quando estava me dirigindo a sala, acabou a luz e como ha revezamento de “apagao” por regiao em Ubud, so voltaria as onze da noite, isso eram ainda cinco da tarde… Mas mesmo assim nao desisti, sem musica e banho de banheira, fiz a massagem e foi alucinante.  A dupla sexualidade dele era o seu diferencial, unia sensibilidade com firmesa. Foi a melhor massagem da minha vida!

Voltei para pousada saltitando e fui tomar o banho de banheira no nosso quarto, fiquei por quase uma hora, murchando. Assim que sai, olhei para o Gui e disse: “Por favor, nao me tire de Ubud!” Apos uma breve conversa ele se convenceu e ficamos mais um dia. No total foram quatro dias de puro prazer!

De la, seguimos para Kuta em busca de um carro para alugar e irmos para Uluwatu, uma praia otima para surf e para ficar largado na areia. Rodamos procurando pousada, ate acharmos uma maravilhosa bem ao modo Bali e com aquelas piscinas infinitas. Ficamos dentro dela ate bater a fome e irmos jantar. Um restaurante delicioso, charmoso, tudo de bom. Foi a primeira vez que vimos brasileiros!

Olha o charme da piscina!

No dia seguinte fomos conhecer as praias. Primeiro Uluwatu para o Gui surfar e depois Impossiveis, para ficarmos  largados na areia. Encontramos mais brasileiros. Os vendedores quando viram que eramos brasileiros, diziam: “camiseta barata”, nos oferecendo… O pior foi quando conversando com uma vendedora, ela olhou para o Gui e apontou para mim e disse: “essa ‘e sua gatinha gostosa?” Mais coisas que os brasileiros ensinaram para eles… Como ‘e sabido todas as turistas na praia usam biquinis grandes, pois so nos no mundo usamos biquines tao pequenos (eu levei por exemplo um da minha mae para nao passar pela cachorra da praia), mas tinha uma senhora brasileira com um fio dental daqueles anos oitenta, enfiaderrimo, chamando super a atencao! Bem fora de contexto…

Uluwatu!

Voltamos para Kuta tres dias depois para pegarmos o voo para Ilha de Flores. Kuta ‘e super turistica. Cheia de adolescentes bebados na praia, milhares de night clubs, todo mundo com regata de propaganda de cerveja local e chapeu de palha fazendo estilo. Parecia Balneario Camboriu nas antigas, no tempo do Baturite, quando as pessoas ficavam com o som do carro ligado dancando do lado de fora e mexendo com todo mundo que passava na frente. Exatamente igual! Milhoes de lojinhas uma ao lado da outra, de camelos a lojas de marca e muuuuitos outlets de roupa de surf.

Ja a Ilha de Flores ‘e bem diferente. Colonizada por portugueses como o nome ja diz, lembrava muito a Africa. Bem rustica e quase intocada pelo turismo. A Ilha esbalda em natureza virgem, praias belissimas e muitos vulcoes. A maioria do povo ‘e catolico, fazendo me sentir no interior do Brasil.

Quando estavamos pegando o onibus para viajar para uma cidade proxima dali (coisa de 10h, a ilha ‘e enorme!) conhecemos um casal canadense sensacional, muito boa gente, que se juntou a nos para alugarmos um carro e fazer alguns passeios. De ultima hora encontramos uma holandesa que tambem decidiu seguir com a gente.

Marlinda, Eu, Natasha e Rob!

Os onibus bem ao modo Africa, pequenos, velhos, com as malas no capo, as duas portas abertas em funcao do calor e desde o motorista ate o ultimo passageir todos fumando seu Gudang Garang.

Transporte local, nao foi o que pegamos!

Foram dois dias de passeios, passando pelos tres lagos coloridos famosos de Flores, vilas bem tipicas e hotspring. O Gui e o Rob resolveram experimentar cachorro, uma comida tipica para os menos afortunados. Nos optamos por comer uma deliciosa pasta com frutos do mar no restaurante em frente ao hotel.

Um dos lagos coloridos!

Dia a dia das mulheres na vila!

Mimicando com a Tiazinha!

A companhia deles fez todo o diferencial da viagem. Natasha era psicologa e Marlinda tambem. Companhias agradabilissimas. Me identifiquei muito com a Natasha, falavamos sem parar.

Na volta, a Marlinda foi com a gente conhecer os dragoes de Komodo, enquanto Rob e Natasha seguiram para Sumatra. Marlinda estava viajando sozinha por um ano, tinha passado tres meses na Australia e agora estava fazendo o sudeste asiatico. Falamos muito de sua experiencia no deserto, minha nova vontade absurda de conhecer!

A caminho da Ilha de Comodo!

A visita aos dragoes foi bastante assustadora. Tinhamos que passar lado a lado de varios dragoes, enquanto o guia seguia na frente abrindo caminho apenas com um pedaco de pau. Super seguro, me sentia muito a vontade… Sem contar que ele ficava contando os mil ataques que ja tiveram com os turistas, e o ultimo a poucos meses com um guarda do parque, assim de forma bem natural. Mas alertava, eles so atacam quando voce esta sozinha, entao eu ficava grudada entre o guia e o Gui, nunca ficando por ultimo. Como se fosse adiantar…

Pela caminho!

Volta p/ casa depois do passeio....

De Flores partimos para Sumbawa, outra ilha intocada. Foram 8 horas de ferry, mais 2h de onibus ate uma cidadezinha, mais outro onibus de 10h, mais 2h de outro onibus para finalmente chegar a Maluk. Uma viagenzinha de 22h, coisa pouca. No penultimo onibus, o motorista nos acordou super rapido avisando que a gente teria que descer e acabei esquecendo minha sacola com roupas molhadas. Que raiva! La se foram um biquine, um shorts, e duas regattas. Quase nem notei!

Maluk era uma cidadezinha bem parada na baixa estacao, eramos os unicos turistas, com aquele clima de cidade de praia do interior, muito legal. Passamos dois dias nos recuperando da viagem numa pousada bem confortavel, caminhando na praia, comendo, vendo por do sol e relaxando.

Recebemos a indicacao de que havia uma praia ali do lado bem mais legal, especial para surfistas, que iriamos gostar bastante. Dito e feito, no outro dia nos mudamos para la e o lugar era o maximo. Bem na ponta da praia, ficamos numa pousada bem simples, mas muito legal. O pessoal que trabalhava la era o diferencial! Todos almocavam juntos, eles e os hospedes, que consistiam em cinco surfistas, todos australianos, dois deles, pai e filho. Final do dia, a comida era feita na fogueira em frente a pousada e durante as tardes ficavam todos juntos cantando musicas no violao. Parecia uma comunidade hippie-surf. O maximo! Eu era a unica mulher!

Sintam o astral da comunidade hippie surf!

No dia que o Gui foi surfar, eu fui dar uma de esposa companheira e fiquei esperando na areia, tentando ve-lo pegar as ondas, tarefa super dificil, porque o mar estava bem mexido, me deixando um puta ponte de interrogacao se o Gui estava ali mesmo ou tinha se afogado e eu nao tinha visto. Como o sol estava muito forte e nao havia sinal de um guarda sol para alugar, voltei para a pousada. No caminho, estava voltando preocupada com Gui, resolvi perguntar para um menino de uns 15 anos que estava passando se ali era perigoso, pois meu marido estava surfando sozinho e eu voltando para a pousada… ele disse que era super perigoso e desenhou uns tubaroes na areia. Eu quase perdi a voz! Pensei: “ o Gui nao desapareceu, ele foi comido por um tubarao!” Voltei correndo para a pousada e pedi para o menino ir la tentar socorre-lo enquanto eu pedia ajuda. Quando cheguei esbaforida, tentei me acalmar para nao fazer vexame, pois afinal o pessoal da pousada tinha dito para ele surfar la naquele canto. Contei entao para o moco que tinha emprestado a prancha ao Gui o que o menino disse, e ele dava risada. Falou que sim, haviam muitos tubaroes, mas eles nao atacavam. E que esse menino tinha trabalhado por muitos anos numa empresa e foi afastado porque estava muito estressado. Ah ta!!! Tentei relaxar entao tomando uma cerveja e esperando o Gui, controlando meus pensamento para acreditar no tal moco e entender que as vezes tubaroes nao atacavam como nos filmes Tubarao 1 e 2. Uma meia hora depois, quando vejo, o Gui estava chegando. Finalmente!! Abracei ele super forte, disse quanto o amava e ele era importante para mim…! Ele dava risada. De la fomos curtir um happy hour ali do lado a convite dos australianos e voltei para o hotel fora de orbita. Tomei banho de balde dando risada, foi o banho de balde mais divertido desde a Africa.

Seguimos no outro dia para a super famosa Gilli Island em LomboK, outra ilha. Mais ferry e onibus, agora totalizando 10h, entre tudo. Existem tres ilhas Gilli, a super calma, a meio termo e a especial para festas e drogas, optamos pela meio termo.

Visual de Gilli Air!

A ilha era deliciosa, cheia de restaurantes gostosos, calminha mas sem entediar, com varios lugares legais para curtir um happy hour e muito mergulho. Fizemos snorklling todos os dias. Vi tartarugas gigantes, peixe- espadas, cobra e muits outros peixes lindos. Se trabalhasse com moda tiraria muitas ideias de tecidos a partir dos peixes, tem cada um inacreditavel. Rosa pink com bolinha preta, listrado preto e branco com amarelo, verde agua com rosa e pontinhos pratas e por ai vai… Quando chegar na Tailandia quero fazer curso de mergulho, ‘e muito legal a vida embaixo d’agua.

No penultimo dia, comemoramos o aniversario de 33 anos do Gui. Passamos o dia na agua e fechamos com uma super comemoracao num dos barzinhos de happy hour. Estava muito engracado, voltamos para casa a modo bem brasileiro, fazendo barulho por onde passavamos…

Passamos o ultimo dia largados nos bangalos de frente para o mar (todas as pousadas tem, sao pequenos bangalos que voce pode comer, ver filme, dormir…) nos despedindo emocionalmente da Indonesia. Uma frase ficou gravada para mim e que sempre quando fechar o olho e lembrar da Indonesia eu vou ouvir  ” Hello Mister!!! ” Era a forma como as pessoas se dirigiam a nos nas ruas… Parecia uma musica, era Hello Mister para ca, Hello Mister para la.

Os tais bangalos!

Al’em do dia todo no bangalo, tambem me dei de presente mais uma massagem de uma senhora que estava vendendo pastel na praia. Quando a Tiazinha chegou na nossa pousada e comecou seu trabalho, vi que ela nada tinha de massagista, era uma legitima pasteleira. Devia ter apenas comprado seus pasteizinhos… Nunca vi massagem tao ruim. Ate aquelas no Brasil, de 15 minutos no Nordeste, sao melhores. Chegava a dar rizada. No final ela olhou para mim e disse: “Good massage?” Eu respondi, num tom ironico, (claro que ela nao entendeu)  “Oh yeh, very good!”

A noite jantamos num restaurante italiano maravilhoso, ainda em comemoracao aos 33 anos do Gui e nos despedimos apaixonados da fabulosa Gilli Island!

A charmosa Gilli!