Budismo e a despedida do Sudeste Asiatico!

Depois de mais de quatro meses passeando pelo sudeste asiatico, nossos sentimentos eram paradoxais. Felizes por estarmos a caminho da India, mas tristes por deixarmos o povo. Deu tempo sem duvida de enjoar da comida, nunca mais querer ver um nasi-goreng e nem um phad thai na frente, mas deixou saudades.

Nao vou esquecer da imponencia eletronica, da Chinatown e dos mergulhos indescritiveis da Malasia, da organizacao e  cidade modelo de Singapura, da beleza e charme da Indonesia, da persistencia povo do Vietnan, das facilidades, prazeres e praias da Tailandia, da devocao e pureza do povo de Myanmar e  das beleza e loucura do Laos.

Tambem nao vou esquecer do quanto me senti segura no Sudeste Asiatico e o quanto me assusta pensar em voltar para o Brasil e voltar a ter medo de andar nas ruas. Durante toda viagem, desde a Africa, nao tivemos se quer nenhum problema com violencia. E andamos por muitas ruas escuras. Nos paises que passamos na Africa, se alguem tenta te roubar e as pessoas veem, o sujeito ‘e linchado e talvez morto se a policia nao chegar a tempo. No sudeste asiatico, isso nem chega a acontecer, se ocorrer um roubo, vai ser daqueles que voce nem viu e nem sentiu, mas os indices sao ridiculos. Quando conversamos com os turistas, eles sempre dizem que tem muita vontade de visitar o Brasil, mas tem medo. Nos perguntam, meio com vergonha de perguntar, se ‘e violento mesmo? E a gente tem que cuidar para dizer a verdade, mas sem assustar…

O Budismo, religiao esmagadora do sudeste asiatico, com excessao da Indonesia, tambem ficou marcado. Os templos, a devocao, as oferendas tao presentes no dia a dia do povo. Qualquer entrada de hotel tem um altar, em qualquer loja, dentro de qualquer carro e assim por diante.  Deu para aprender muito mais sobre o Budismo, vive-lo mais de perto e perder as ilusoes ocidentais por Buda. Apesar do Budismo nunca ter se proposto como uma religiao, como se pode ver pelas proprias quatro nobres verdades, ‘e possivel  constatar o quanto Buda foi longe, brilhante e preciso em suas percepcoes. E o quanto sua filosofia – levada a cabo, ‘e para poucos! Seguir o caminho octopus ou mesmo suas adaptacoes posteriores ‘e para minoria! Budismo ‘e um caminho para gente que gosta realmente de pensar, de querer compreender as coisas a fundo, que nao tem medo da verdade e que se propoe a abrir mao do que for preciso, por ela!

Laos – Chegada ou Roubada?

Da gostosa Thailandia, pegamos uma van para o Laos. Tinhamos muita expectativa em conhecer o pais, pois ouvimos falar muito bem do povo e dos lugares. Fizemos uma parada na fronteira para dormir e no dia seguinte pegamos o famoso passeio de barco pelo lindo rio que corta todo o Laos, com destino a Luang Prabang. Sao dois dias de passeio, com uma parada para dormir no meio do caminho. Degustamos os deliciosos sanduiches de rua, tao comuns no Laos, produto da forte influencia de sua colonizacao francesa. Aproveitamos para garantir  um hotel para quando decessemos no meio do nada, nao fosse aquele sufoco, coisa que nunca fizemos.

Fim das contas, ao final do primeiro dia eles nos largam na beira do lago e nao disseram nada. Entendemos que estavamos perto do hotel. Acompanhamos os demais turistas, subindo por dunas  com nossas pesadas mochilas, ninguem se dispos a pagar o preco injusto que eles estavam cobrando para nos levar em um pequeno barco ate o suposto hotel. Tinha gente de idade carregando suas malas “so pra nao dar dinheiro pra bandido”. Com muita discussao de preco fomos atochados numa caminhonete que nos levaria ate o hotel. Somavamos 23 pessoas na cacamba! Quando descemos com as malas por outras dunas achando que estavamos chegando no hotel, estavamos de novo em frente ao rio. Eu nao entendi! Foi quando nos avisaram que teriamos que dormir por la mesmo, pois o rio estava muito raso e nao podiamos seguir. O arsenal ja estava preparado com barraquinhas de comidas diversas e cerveja, ou seja, eles ja sabiam que nos ficariamos ali e ainda nos orientaram a pagar o hotel, uma verdadeira roubada! Eu esbravejava ate comprrender que nao tinha saida e relaxar. Os demais turistas nao falavam nada, simplesmente aceitaram e os mais novos se sentiam no proprio woodstock. Dormimos sobre lonas, numa noite fria, uns 200 turistas lado a lado. Gente de 20 ate 80 anos.

Nos nunca tinhamos ouvido falar disso, outros turistas ja, disseram que nao ‘e incomum as vezes o barco nao seguir e todos passarem a noite no sereno. Mas nos estavamos com sorte, pois as vezes os locais nao contam com isso e os turistas acabam dormindo sem lonas e sem barraquinhas de comida. Inacreditavel!! Por sorte tinha comprado meu tapetinho de yoga dois dias antes e deu para isolar o frio. Como nosso saco de dormir ficou em Phi Phi numa correria de troca de barco, tinhamos apenas os cobertores da Tan dada pela mae do Gui e, claro, nossas jaquetas.

Noite fria, mas uma oportnidade interessante para mim. Minha unica experiencia parecida foi um acampamento de um dia quando eu tinha oito anos no super Country Club de Chapeco. Deu para imaginativamente ter uma amostra de como ‘e dormir na rua, de como ‘e passar frio por nao ter teto, de como o sereno molha e como a gente sempre se adapta. Nao ficamos doentes, nem fiquei com dor no corpo, nadinha nadinha. Essa viagem so tem aumentado minha resistencia, minha saude que ja era boa, agora ‘e de aco. Escovei os dentes no rio, fiz xixi na areia, lavei as maos e rosto no rio pela manha para acordar. Bacana!

Muito cedo pegamos o barco para continuar a jornada e pedimos ao motorista para parar no hotel que haviamos pago. Nos e mais alguns turistas desceram para pegar seu dinheiro de volta. O dono do hotel foi super agressivo e disse que se quisessemos dormir la uma noite tudo bem, mas que nao dariam o dinheiro de volta. Discussao e mais discussao, o Gui disse que se eles nao tinham dinheiro entao pegariam mercadorias do freezer (ap’os quase sairem na mao). No final das contas, acabaram dando 5 garrafas de cervejas para cada turista que havia comprado. A ideia da cerveja foi do Gui por ser o artigo mais caro. Bem ao modo brasileiro, trocamos algumas cervejas no barco por gostosos pratos de comida feitos na hora. Os turistas adoraram! Um tentou copiar, mas o moco disse: “agora chega de troca, nao trocamos mais nada por hj!”

Luang Prabang ‘e simplesmente lindo, com todo aquele charme frances. Como o Laos fazia parte dos da Indochina, eles tambem foram colonizados. Uma cidadezinha cortada pelo rio, cheia de hoteis, casaroes antigos e cafeterias charmosissimas, muita panceca doce e sanduiche de rua. Passamos os dias caminhando, nao tivemos vontade de conhecer cavernas nem a cachoeira ali ao lado, so contemplar, comer panqueca, tomar capuccino e curtir. Gracas o fato de estarmos viajando por tanto tempo, nao precisamos mais ter aquelas rotinas puxadas que normalmetne os turistas se impoem, pelo pouco tempo que tem. Nos podemos as vezes, simplesmente estar nos lugares!

Luang Prabang!

 

Os deliciosos sanduiches de rua!

De la seguimos para Vang Vieng uma cidadezinha nas montanhas maravilhosas, que tambem ‘e cortada pelo rio. Ja tinhamos ouvido falar que muitos turistas vao para la para “pirar o cabecao” e olha, se eu ja vi um lugar maluco nessa vida, esse ganhou todos os premios.

Na chegada vi muitos jovens turistas enfaixados, alguns ate com gessos, mas a maioria com os pes e bracos enfaixados e riscados de caneta pelo corpo. Nao entendi muito, mas pensei que o lugar devia ter bastante escalada nas tais montanhas. Bom, no dia seguinte eu e o Gui alugamos o tal pneu para descermos o rio, a super atracao da cidade. Ao chegarmos com todos os turistas no lugar onde comecava o passeio, entendemos o que era a loucura que as pessoas se referiam.

Pegando a boia!

Imaginem: no comeco do rio tem tipo um deck (como se fosse uma arquibancada) onde ficam todos os turistas largados e bebados, um pintando o outro de caneta ou simplesmente pixando, alguns homens ate vestidos de mulheres, vendo as pessoas descerem o rio de boia. Ao lado, tem uma especie de balanco sobre um trampolim onde os turistas se balancam no ar e se jogam na agua. Imaginem que a maioria esta fazendo isso bebado.

A loucura!

Bom, ai voce comeca a descer com sua boia e a cada 5 metros tem um bar com um monte de turista, que foram puxados pelos garcons para beber. Eles te jogam uma corda com uma garrafa da agua na ponta e te puxam. E essa ‘e a diversao, descer, ser puxado, parar para beber, voltar para a boia, descer, ser puxado e assim por diante. Como algumas partes do lago tem pedras, se voce nao estiver abem tento e lucido, se esfola todo. Por isso as pessoas enfaixadas na rua!

 

Para nos ja foi uma verdadeira loucura estar num lugar como esse, sem seguranca nenhuma e ninguem nem ai para isso. Mas somos brasileiros! Agora o que deve ser viver essa realidade para os europeus, que vivem cobertos de regras em seus paises organizados? 

De noite tem festa, voce pode escolher uisque com energetico/refri, mas tudo vem num balde tamanho medio (daqueles para crianca brincar na areia). ‘E uma bebedeira generalizada, todo mundo louco. No primeiro balde estavamos rindo a toa, achando que era muito mais coca-cola do que qualquer outra coisa, mas a partir do segundo a coisa foi comecando a ficar feia e acabamos, junto com nossos amigos suecos que fizemos no minuto anterior, quase dancando ate o chao no palco montado para os mais empolgados e claro, enfaixados!

Night da galera haha!!

Nos bares tambem tem no cardapio para escolher se voce quer maconha, cha de cogumelo ou opio. Assim, na cara dura e os turistas quando sao pegos, so pagam uma fianca e sao liberados. O povo praticamente nao usa drogas, fazem isso para os turistas, mas hoje as autoridades ja reclamam que tem influenciado os locais no uso dos entorpecentes. Entao na noite voce nao ve somente bebados, mais gente dancando no ar, falando sozinho e por ai vai.

Nas ruas, principalmente no final da tarde voce enxerga aquele aglomero de turistas esfolados bebados rasgados voltando para seus hoteis apos terem passado o dia no rio. Parece trash contando e nao deixa de ser, mas a coisa ‘e feita de um jeito tao espontaneo e com tanta curticao, que ‘e divertido de ver. As pessoas realmente se soltam para curtir ao maximo suas loucuras em Vang Vieng e conseguem.

E o lugar 'e um paraiso!

Da louca Van Vieng fomos para capital Vietane para pegarmos o voo para Malasia. Linda, charmosa e tambem muito aconchegante. Aproveitei para visitar o salao de beleza que me produziu uma grande alergia. Passei a noite me cocando e no outro dia comecei a inchar. Quando dormimos em Kuala Lumpur para pegarmos o voo no outro dia para India, acordei com as maos gigantes e os olhos enormes. Como quando a gente esta viajando sempre acha que essas coisas podem ser uma desgraca, corri para farmacia, pois ja tinhamos que seguir para o aeroporto e comprei um antiestaminico.

La, como acabamos tendo um tempo de sobra, aproveitei para ir ao medico de aeroporto (nem sabia que tinha). Fim das contas, fui levada de ambulancia para o outro aeroporto ali proximo para uma consulta, pois naquele so tinha um enfermeiro. Nao era nada, apenas uma alergia, final da tarde ja estava super bem. Deu para passear de ambulancia entre os aeroportos, o Gui fazer um video e darmos rizada!