Londres, uma preparacao para a viagem.

Resolvemos comecar a viagem com uma passagem por Londres. Em primeiro lugar para ver a Gi e o Dan (minha cunhada e o noivo). Em segundo, porque Londres funciona como uma preparacao psicologica para o inicio da viagem.

Aproveitei para comprar umas roupas naquelas lojas especializadas para montanhistas e mochileiros em geral, ja que nos primeiros meses da viagem enfrentaremos frio. Deu para comprar boas pecas com precos promocionais.

A chegada em Londres foi de arrepiar.  Deu aquela sensacao deliciosa de “estou viajando de novo”. Parecia que era inundada por um tubo de oxigenio de vida. Londres, apesar de agitada e estressante, ‘e linda e cheia de charme!

A nossa primeira parada  foi numa livraria enorme para comprar livros de viagem, algumas sessoes chegavam a andares inteiros. Acabei passando um bom tempo num andar com um acervo gigante de livros sobre a historia de diversos paises. De fundo estava tocando musica classica e pela primeira vez, olhando para aqueles livros e me deliciando com a musica ambiente, pensei com carinho no Ocidente.

Todos esses meses de viagem atravessando o Oriente, conhecendo sua historia, costumes e  misticismo, parece que nos distanciou um pouco da historia, da arte do Ocidente. E me chamou atencao, como ‘e forte o perfil do Europeu desbravador, colonizador, guerreiro, heroi.

A historia dos Ocidentais ‘e uma historia de Shatryas (casta dominada pelos homens da lei e herois: no passado imperadores e reis, hoje politicos em geral e militares, claro que nao necessariamente por vocacao), como diriam os hindus. Todas as informacoes sao voltadas para isso: quem conquistou quem, a Guerra de nao sei do que, o grande Rei de nao sei onde, etc… Temos o maior orgulho disso! O casamento do principe estava anunciado em todos os cantos e uma corrida tradicional de cavalos parou a Inglaterra por alguns minutos.

Ja nas ruas de Londres, o que salta aos olhos sao os variados estilos de grupos e a moda. Agora existem os hipsters, que sao o pessoal que se veste a moda antiga.  Os homens usam bigode, calca curta, mocacim ou sapato pai;  as  mulheres camisa de bolinha, colar de perolas e saia plissada. Quem sabe em breve eles nao substituirao os emos do muller. Nao sei se faz parte do arcenal tambem preferir coisas a moda antiga, seguir valores e tradicoes antigas, ou se sao so as roupas…

Muitos shorts cintura alta, cabelo baguncado, meia calca colorida, sapato oxford, roupas as mais velhas possiveis e sem combinar nada. Estar combinando com uma blusa bem passada e em bom estado, ou ‘e cafona, ou dependendo da roupa, ‘e elite.Tambem muito Ipod, Iphone, Iped e Iblablabla. Ah e muitos piquiniques em parques ou em qualquer graminha.

Pra quem gosta de moda, tendencias, cafes, pubs, nightclubs, se vestir como se tivesse acabado de acordar  e pegou de verdade a primeira roupa que apareceu, enfim, de coisas da vida moderna, acho que uma ‘e excelente  cidade. Tentei explorar mais, mas nao consegui. O  que me chamou atencao sao coisas da ordem da superficie: moda, grupos, futebol, pint de cerveja, Ipowers…

Talvez seja nisto para mim a grande reflexao!

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Em fase de despedida!

Da Albania seguimos para Monte Negro em Kotor e passamos alguns dias de pernas para o ar, tomando sol e indo a cidade velha passear. Sempre tem uma cidade velha em todos os lugares. Nos hospedamos na casa de uma simpatica familia que tinha um “parreral” de kiwi no seu jardim, que nao cansavamos de olhar. E fomos desfrutando dos dias de sol e mar.

Quando ainda estavamos em Sofia, tomamos coragem para ligar para Tam e ver sobre nossa volta. Tinhamos direito a uma milhagem, entao resolvemos ligar logo para marcar, pois os lugares de milhagem sao super concorridos. Ligamos no inicio de julho e recebemos a seguinte opcao: 03 ou 05/set ou fim de novembro. Eu achei novembro muito longe, pois praticamente fim de ano e queria voltar a tempo de me reorganizar antes de 2011 chegar… Que bobagem (hoje vejo). Escolhemos setembro!

Nos primeiros dias a sensacao foi boa, tipo tudo bem, “ja vi tanta coisa, ja viajei tanto, ja aprendi bastante, esta na hora de voltar”. Conforme os dias passaram, quando chegamos em Kotor, ja nao tinha mais certeza desses sentimentos. Que outra bobagem achar que as decisoes precisam ser tao certeiras e cheias de certeza. Tem coisas que voce vive e tem pessoas que voce conhece somente quando esta em viagem, como o Baba por exemplo, e eu lembrava disso constantemente.

Os dias em Kotor foram assim em tom de despedida. De cair a ficha. E de digerir sobre o fim. La comecamos a pensar: “mas porque essa viagem tem que acabar agora?” Nao conseguimos chegar a nenhum argumento justo.

Em Kotor, na cidade velha.

Visual da bahia.

Depois seguimos para Bosnia em Sarajevo, para mim a cidade mais linda que conheci na Europa (claro, levando em conta meu conhecimento de Europa, que nao ‘e muito grande). Charmosa, com muita personalidade, uma mistura de otomano com austro hungaro que da uma cara toda unica para Sarajevo. Passeamos pelas ruazinhas, conversamos com o Bosnios, que me lembraram  italianos toscos, sa gritoes, porem secos.

Praca utilizada tambem como cemiterio.

De la passamos por Mostar, aquela cidadezinha que destruiram a ponte, dividindo muculmanos para um lado e cristaos para o outro, onde a guerra foi terrivel. Pensar que isso ocorreu ha menos de 15 anos atras. Mas como disse o meninoa casa de familia que nos hospedamos: “ nao adianta tentar explicar como foi estar aqui durante a guerra”. Paramos de querer perguntar e dizer no final da frase: “sei sei, entendo”. Entende nada, nao entendemos nada!! Nunca vivemos uma guerra para poder captar nem de longe o que ‘e viver isso.

Mostar

Marcas da guerra.

Banho no rio que corta a cidade.

De Mostar seguimos para Croacia de onibus, paramos em Split, pegamos um ferry e seguimos para uma ilha. Queriamos um lugar para descansar e continuar a digestao do fim da viagem. Escolhemos uma bem afastada e calma, a ultima parada do ferry, chamada Lastovo. Desembarcamos quase perto da meia noite e conseguimos um apartamento numa casa de familia aparentemente bacana. Quando acordamos de manha, vimos que se tratava de um paraiso. A janela do quarto dava de frente para o mar azul transparente, e tinhamos ate sacada. Adoramos! Era o lugar perfeito para relaxar e refletir.

No ferry a caminho de Lastovo.

Na frente de casa.

Arredores.

Foram 7 dias de Lastovo, com muito banho de mar, caminhadas, por do sol, paisagens, contemplacao, ate almoco e jantares com amigos italianos que fizemos, tinhamos churrasqueira e saiu um peixe delicioso na grelha. Nestes dias, consegui pensar no post

“ Despedida da viagem!” que claro, sera publicado bem ao final, pois a viagem ainda nao acabou!

De Lastovo, paramos para conhecer a linda Dubrovinic, passeamos tambem por sua cidade velha, que dentre as diversas que vimos em todos os paises, seja na Africa, na Asia ou na Europa, esta acima da media das cidades velhas, apesar de todas serem sempre bem bonitas. Eu especialmente gostei muito da de Zanzibar. Todo mundo quer ir para Croacia agora, ‘e o destino que foi substituido pela Grecia, nossa sugestao ‘e: venham, ‘e bem bonito mesmo”. Mas ‘e como toda viagem na Europa “bonita” , ferias e nao jornada. Vai do gosto e da busca de cada um!

Dubrovinic.

De Dubrovinic pegamos o ferry noturno para Bari. Como durante a viagem perdemos nossos dois sacos de dormir e mais um de nossos cobertores de aviao (que nos ultimos dias estava sendo usado de canga na praia, porque esqueci minha canga ainda na India), so tinhamos um cobertor fino e um lencol. Montamos uma cama embaixo da mesa e capotamos. Como queria ter sido tao descolada desde o inicio da viagem, no comeco jamais conseguiria dormir no chao, “imagina doeria meu quadril haha”. Hoje capoto.

Cama.

Descemos do ferry, e com a ajuda dos nossos amigos italianos, escrevemos num papel: “Siamo due braziliani che cherchiamo una corsa per Napoli”. Resolvemos fazer isso quando soubemos que teriamos que trocar muito de trem ate chegar em Sorrento. Paramos numa esquina e ficamos la com o cartaz nas maos. Uns 15 minutos depois um carro parou com dois meninos. Ambos italianos, um morando em Londres, que estavam voltando de viagem por Monte Negro e Servia. Eles nao estavam indo para Napolis, mas eram de Pompei, que fica ha 30 minutos de trem de Sorrento. Mais perfeito ainda, pois la foi onde aconteceu a devastacao pelo vulcao Visuvio ativo ate hoje em uma cidadezinha romana logo depois de Cristo e tudo ficou pretrificado. E era um lugar que queriamos muito conhecer.

Fim das contas, fomos convidados para almocar com os pais do italiano, e acabamos comendo uma bela macarronada com frutos do mar, com entrada de mussarela de bufala, depois frutas e sorvete e ainda expresso ao final, alem de vinhos e licores. Saimos de la quase seis da tarde com a barriga cheia. Enquanto nao levantassemos da mesa, eles nao paravam de servir. Comer para um italiano significa participar, saborear, entreter-se. E a familia era divertidissima, voce nao tinha certeza se eles estavam conversando ou brigando, eu como descendente de italiana, adorei ver de perto. E disse: “ nossa que legal conhecer uma familia italiana, era bem como eu imaginava (referindo-me ao barulho…).” Eles disseram: “familia Napolitana, ‘e diferente!” Ha um regionalismo entre os italianos. No Sul eles sao mais barulhentos que no Norte. Exatamente o contrario do Brasil, que no norte estao os brasileiros mais quentes e tipicos e no Sul os mais “frios” e fechados – claro para o padrao brasileiro. Alem ‘e claro de no Norte a economia ser melhor.

Familia Napolitana!

Saimos antes que perdessemos o ultimo horario para conhecer a cidade petrificada de Pompei. E ficamos de boca aberta, vimos muuuuuuuuuuuuitas ruinas romanas durante toda viagem, assim como cidades velhas, fortes e mercados arabes rsrsrs. Mas as ruinas de Pompei sao impressionantes. Voce realmente consegue se ver naquele tempo. Se soubessemos teriamos visto so essa durante a viagem que teria valido por todas.

Pompei.

Acabamos dormindo ali pertinho e no dia seguinte fomos para Sorrento. Encontramos logo o hotel da Dona Ana, muito gostozinho, com moveis de vo e bem limpo. Alugamos uma moto e fomos passear e conhecer a Costa Amalfitana.

Belissima! A costa ‘e linda, na beira de penhascos e cheia de curvas. No caminho muitas cidadezinhas lindissimas e obviamente, restaurantes deliciosos. Comemos um spaghetti com frutos do mar enrolado num papel que foi de chorar. Lembrarei para sempre deste spaghetti.

Costa Amalfitana.

Parada.

Na estrada.

Sorrento.

Estavamos indecisos sobre o que conhecer na Italia, porque tem tantos lugares legais, mas como a noticia da passagem foi meio de ultima hora, so tinhamos 12 dias, por isso resolvemos fazer um pouco do Sul, ja que o retorno seria por Roma. Eu tinha bastante expectativa de conhecer a Italia desde o inicio da viagem, principalmente por quase toda minha ascendencia familiar ser italiana. Mas com o tempo este desejo foi diminuindo, nao tanto pelo pa’is, mas pela vontade de ficar mais pelo Oriente. Mas chegar na Italia fez eu me senti em casa. O jeito dos italianos, a culinaria, o estilo do povo. A comida especialmente me surpreendeu, achei muito mais gostosa do que achava. E o cuidado com o preparo, com a escolha dos temperos, com a comida fresca, ‘e algo que chama atencao. Eles nao usam freezer. Tudo deve sr fresco. Os italianos sabem comer bem e fazem isso com muito destreza, est’a impregnado nos costumes, mesmo uma pessoa que nao costume cozinhar, parece saber o que ‘e comer bem.

Depois de alguns dias desfrutando Sorrento e passeando pela costa, seguimos para Napoli. Por um lado achamos que para final de viagem Sorrento estava demais para gente, talvez um vilarejo nas montanhas em Toscana seria mais apropriado. Muitos turistas, muita muvuca, muita informacao, nao combinava com fechamento de viagem, combinava com comeco. Mas por outro lado, nos sentiamos cada vez mais perto de casa…

Napoli ‘e uma cidade linda, apesar do centro meio sujo. Buscamos uma tratoria indicada que nosso amigo napolitano nos recomendou, mas estavam em ferias. Gostei muito de ver como os italianos respeitam suas ferias e seus domingos. Nao ‘e aquela coisa de abrir o seu mercadinho para lucrar enquanto o do vizinho esta fechado. Domingo ‘e Sagrado, e eles respeitam isso, nao por ser um dia santo, mas de descanso. A religiao, mesmo estando no berco do catolicismo nao me pareceu forte, senti muito mais os costumes e as tradicoes bem vivos do que o contato com Deus propriamente dito. Nossos amigos nos contaram que inclusive na Italia ‘e legalizado o aborto, o que me surpreeendeu. Me parece que os valores modernos no ocidente realmente ultrapassam a religiao quase em todos os lugares.

Napolis.

Napolis.

Ficamos na casa de uma grande amiga minha de Chapeco city, que tambem morou comigo em Floripa durante a faculdade. Era um bom lugar para encerrar a viagem, perto de amigos e da “familia” srsrs. Apesar que Roma tem tanta coisa para ver, que por um lado, tambem nao combinava com encerramento de viagem, por isso decidimos ver o basico, ja que nao havia mais nenhum espaco em nossos coracoes para entrada de mais nada, todo nosso metabolismo estava voltado para o fim. Um dia fomos ao Palatino, lugar belissimo cheio de ruinas romanas com uma vista linda para Roma e no meio da visita, estendemos nosso lencol no gramado e comecamos a chorar….

Roma.

Amigas!

Fomos muito bem tratados por minha amiga Thaisa e seu queridissimo namorado romano Rafaelli, dois anfitrios de mao cheia. Fiquei muito feliz de ve-la com uma pessoa tao legal! Comemos muito bem, conversamos ate fazer calo nas cordas vocais e nos sentimos em casa.

Nossos queridos amigos!

Tudo ‘e muito lindo em Roma e bastante arborizado. A cidade ‘e charmosa e acolhedora. O Coliseu ‘e impressionante, imenso. E o Vaticano foi para mim a sensacao. Amei a basilica de Sao Pedro e a Capela Cistina. Foi arrepiante estar la!

Coliseu.

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Basilica de Sao Pedro.

Vaticano.

No sabado o Gui se despediu de nos, pois nao conseguimos voltar no mesmo voo, tinhamos direito apenas uma milhagem e voltar juntos era a opcao mais cara. Foi bem dificil abracar o Gui no aeroporto e dar tchau, nos choravamos. Era muito estranho pensar que toda aquela viagem estava acabando…

Quando o Gui foi, por uma lado fiquei aliviada, tipo “ok, acabou, amanha ‘e a minha vez!”. Nao tinha mais aquele sentimento esta chegando o fim, chegou o fim da viagem . Entao relaxei e eu e  Tata fomos no parque. Conversamos sem parar sobre a vida e voltamos ao anoitecer. No dia seguinte, peguei o voo para Madri e passei a tarde caminhando pela cidade, deu ate para tirar um cochilo na praca e depois pegar o voo para o Brasil.

Gratidao!

Esses dias vendo um por do sol numa ilha paradisiaca na Croacia, curtindo o ultimo dia na ilha, contemplando o entardecer, pensava no Sentido da vida. Olhando aquele sol se por e os passaros a plainar sobre o vento, pensava em Deus, no homem e em mim mesma.

Esses dias li num livro que dizia que os passaros, assim como todos os mineirais, vegetais e animais, expressam sua gratidao a Deus pelo simples fato de existirem. Mas que o homem, unico capaz de pensar, de escolher e de amar, expressa sua gratidao por quanto usa de sua faculdade de pensar, por como usa sua liberdade e por quanto ‘e capaz de amar, de ter sentimentos nobres.

Olhava para a magia daquele fim de tarde e agradecia por todas os sentidos que essa viagem me mostrou… pela abundancia de sentido, de vida e de amor que hoje preenchem meu coracao.

Lembrei de um dia, quando uma das primeiras pacientes que atendi, me disse que foi diagnosticada como depressiva e que sofria de uma doenca que fazia da vida dela, uma vida sem sentido. Olhando para ela, por mais que ela me desse mil razoes, nao conseguia ver doenca alguma naquela mulher… Muito pelo contrario, via muita vontade de viver, mas pouca consciencia de porque viver.

Aos poucos fomos resgatando esses porques, que sao tao necessarios para as pessoas mais sensiveis. E no fim de uma sessao perguntei a ela se ja tinha visto o sol nascer ou ser por. Ela ficou em silencio, fechamos a sessao e na semana seguinte ela me disse. “Eu vi o sol nascer e no mesmo dia se por. Mexi tambem na terra e me sujei inteira… e compreendi o quanto minha vida tinha sentido…”

Um muculmano uma vez teve um sonho, onde viu o ceu e o inferno. Viu alguns homens entrando no ceu e outros no inferno. Perguntado quem eram aqueles que estavam entrando no inferno, ele respondeu: os ingratos! O inferno esta cheio de ingratidao… E essa frase ficou na minha cabeca durante a viagem.

Quando hoje olho para a vida querendo encontrar sentido, acho dificil encontrar poucos. Mas o maior, quando penso, nao ‘e sentido do sucesso, nao ‘e sentido da carreira… mas vejo sentido na gratidao.

Por isso agradeci, vendo aquele por do sol, por todo o mundo que Deus no deu para viver, por toda liberdade que Deus nos deu para escolher e por todo amor que Deus nos deu para sermos capazes de sentir e de transmitir.

E me despedi daquele por do sol, nao so cheia de sentido, mas cheia de Deus!

Influencias Celestiais! Viagem com o Baba Mondi…

A coisa foi muito estranha… A caminho da rodoviaria o Stefan vira para nos e diz: “ se quiserem posso levar voces ate Scopje e ja aproveitamos para passear um pouco”. Nos olhamos e pensamos em silencio: “sera?” Pois sabiamos que como a decisao tinha sido de ultima hora, o Sefan precisaria se organizar e teriamos que esperar… Como ele e o relogio eram grandes inimigos, ficamos com receio. Mas acabamos por dizer: “ tudo bem, mas como fariamos?” Ele nos largou num posto de gazolina com wi-fi e area para tomar cafe e pediu 10 min.

Quase tres horas depois nos buscou com a Gerry. Aquelas alturas nos estavamos indignados, super arrependidos de nossa decisao. Ainda passamos na casa da Gerry para ela buscar suas coisas e seguimos. O Stefan nos convenceu de aproveitar para irmos por outra estrada bem mais bonita ja que estavamos de carro, entao decidimos pular Scopje e ir direto para Ohide.

Uns 20 minutos depois, ja fora de Sofia, eu olho para o Stefan e pergunto: “e o Lake Makata ‘e no caminho? Pois poderiamos parar para conhece-lo.” Ele responde que nao sabia onde era o Lake Mataka, o Gui me corrige dizendo que o tal lago era para o lado de Scopje, a rota anterior. O Stefan p’ara o carro num posto de gazolina e da uma olhada no mapa e diz: “se quiser mudar a rota e ir de novo para Scopje nao tem problema, aproveitamos para conhecer com voces o Lake Mataka.” Como falei antes, sua direcao era o vento! Entao, ele voltou para estrada e falou: “ temos 5 minutos para voce decidir”. O Gui colocou nas minhas maos, pois ja cansado de tantas alteracoes. Eu falo: “vamos para Scopje entao conhecer o Lake Mataka!!”. Dois minutos depois fazemos uma curva enorme e mudamos nossa direcao…

Chegamos em Scopje, lugar onde foi criada a nossa querida Madre Teresa. A cidade era legal ate, bem mais do que falavam. Mas so deu tempo de jantar e procurar um hotel para dormir. Dia seguinte fomos ao Lake Mataka uns 40 km dali e o lugar era lindissimo, valeu super a pena. E aproveitamos para fazer um piquenique num monasterio cristao ali do lado. Lindo tambem.

Lago Mataka!

Monasterio cristao.

Como optamos por este caminho via Scopje, tinhamos nos nossos planos passar uma tarde em Tetova, uma cidadezinha de maioria albanesa dentro da Macedonia. O Stefan ia nos deixar na estrada para pegarmos carona ate la, quando resolveu, nos deixar no centro de Tetova. Ja que estava la, decidiu nos acompanhar em nosso plano de conhecer uma mesquita recomendada e seguir viagem. Quando estavamos nos despedindo eles adiaram o plano novamente resolvendo ir com a gente tambem conhecer um Monasterio Sufi. Chegamos meio apressados para conhecer o monasterio pois ainda seguiriamos viagem ate Ohide, e eles ate Sofia, quando encontramos um seguranca que cuidava do lugar para nos passar algumas informacoes. Nos contou que o monasterio tinha se tornado com o comunismo um restaurante para festas de casamento e tambem jogatina. E hoje havia apenas uma mesquita e tres sufis que moravam la tras, mas nao mostrou aonde. As informacoes estavam bastante estranhas e ate comentei com o Gui: “onde estava o monasterio que queriamos conhecer?”

Entao quando ja iamos embora, nos desencontramos da Gerry e Stefan e cansados de espera-los no portao, voltamos para dentro procura-los. Eles sem querer entraram numa porta errada a procura de banheiro e comecaram a conversar com um homem, quando nos chegamos. O tal homem era devoto da Ordem Sufi Bektaishi e ali era onde moravam os tres Sufis. Imediatamente ele nos convidou para entrar.

Abrindo um parenteses, cabe explicar o que ‘e o Sufismo. Diferente do cristianismo, o islamismo nao tem uma autoridade religiosa central, nem fora nem dentro das mesquitas. A autoridade esta subdividida em tres “areas” que se complementam: o xharia que ‘e a lei e o aspecto juridico da religiao; o iman que ‘e a fe, a doutrina que o devoto deve crer, comandada pelos teologos; e o issan que signifca “o que ha de melhor”, o m’istico do Isla, que consiste “em agir como se voce estivesse diante de Deus o tempo todo”, comandada pelos Sufis. Os sufis sao o modelo de comportamento que todo o muculmano deve aspirar! E existem escolas para explicar cada uma delas – a xharia, o iman e o issan. O devoto comum se preocupar’a mais com a xharia (seguir corretamente os mandamentos); os mais interessados quererao tambem compreender a fundo a doutrina, os artigos de fe e nao somente segui-la; e alguns poucos, quererao servir completamente e unicamente a Deus, como os nossos monges e santos, e irao buscar o Sufismo.

Obviamente resolvemos entrar e eu ja dava pulos de alegria, pois estava dentro de um monasterio Sufi podendo conhecer de perto. Esse era um sonho que eu tinha na viagem, da mesma forma que queria conhecer os yogues/gurus da India, os monges budistas, queria muito conhecer os Sufis. O Bene, o tal devoto comecou a nos explicar sobre a ordem Bektaishi e nao conseguiamos nos mexer de tao bom que era ouvi-lo falar, sendo que ele era apenas o devoto. Junto conosco estava um sueco nascido na Albania que era PHD em Estudos Islamicos e estava fazendo uma especializacao sobre o poeta Nain Frasheri, um poeta Bektashi conceituad’issimo. O sueco nao entendia quase nada hehe. Ele tambem era super querido e deu tempo de pegar algumas recomendacoes quentissimas de bibliografias. Papo vem, papo vai, ja tinhamos nos perdido no tempo, quando o Bem nos diz: “ vou ligar para o Baba e ver se ele pode vir conhece-los”.

Na ordem Bektashi existe tres autoridades: o Dada Baba que ‘e a autoridade mundial, os Babas que sao autoridade de algumas regioes e comandam alguns monasterios, dependendo da sua importancia. Em seguida entao vem os Dervishes, que sao os sufis monges. Os Derviches, que vivem nos monasterios podem nunca se tornar Babas. Vai muito do crescimento espiritual de cada um, quanto do talento para poder administrar todas as Teks Sufis (os monasterios). O Baba, que estavamos prestes a conhecer, ‘e considerado o segundo na ordem mundial e o mais importante dentre todos os Babas.

A gente ja estava extasiado ouvindo o Bene falar, quando chegou o Baba Mondi para conversar conosco. Eu dava pulos. Ele estava vestido de uma tunica branca ate os pes, “chapeu” na cabeca, cinturao verde e barba ate o peito. O Baba nos cumprimentou muito amavelmente e comecamos a ouvi-lo, ninguem piscava na sala. Logo, ele ja chamou: “Derviche!!!” E veio um outro Sufi e o Baba pediu para ele nos trazer algo para comer. Nisto o Dervishe chega com uma bandeija cheia de pedacos de melao frescos e cha. O Baba era brincalhao, olhava para nos e dizia: “thank you?!” A gente respondia: “thank you!” Ele tambem dizia isso ao final de cada um dos seus ensinamentos.

Nos e o Dervishe!

Quando um homem decide ser Sufi Bektaishi, essa decisao pode ser antes ou depois de casado, o que exige que ele deixe a familia – mas os familiares podem visita-lo na Tek de vez em quando. Quando segue para a Tek ele nao se torna Dervishe necessariamente (que quer dizer pobre), ele ‘e apenas um candidato que podera se tornar um Dervishe. A primeira coisa que os candidatos fazem ‘e trabalhar, eles trabalham dia e noite cuidando da Tek, que geralmente tem pomares de frutas, animais, etc. Limpam banheiro, cozinham, matam galinhas, ovelhas, fazem reformas. Eles so param de trabalhar pesado quando se tornam Babas, que dai passam a ser integralmente servidos pelos Dervishes. Uma questao de hierarquia, que em grego significa “ordem do sagrado”.

O que para mim foi bastante interessante, pois diferente dos monges budistas ou dos hindus que meditam dia e noite, os Sufis trabalham. Uma coisa muito mais possivel para o nosso biotipo, do que seguir os orientais ou indianos. Nao ‘e por nada que as religioes semiticas sao tao semelhantes. O candidato a Dervishe comeca trabalhando duro, e o objetivo de tanto trabalho ‘e tanto perder o orgulho quanto o egoismo. Paralelamente havera sempre um Baba que ira orienta-lo pessoalmente no seu desenvolvimento espiritual, tanto com conselhos quanto leituras. O desenvolvimento entao se torna bem pratico.

No caso desta Tek Bektashi, tinha o Baba, um Dervish e um candidato. O candidato era chamado de “Candidato” pelo Baba, assim como o Dervishe de “ Dervishe”. O candidato tinha 21 anos e estava na Tek desde os 18. O Baba dizia na frente dele que ele nao tinha se tornado Dervish porque ainda era muito egoista, precisa aprender bastante. Como o Baba nao falava ingles, e o unico que falava era o Candidato, era o proprio Candidato que dizia isso pra gente.

O que ‘e a ordem Bektaishi? Dentro do Islamismo tem dois ramos: os sunitas e os shiitas. Os sunitas seguem o Abul Beker, sogro do profeta Muhammed, ja os shiitas seguem o Ali, primo e genro do profeta, ou seja, que tem uma linhagem de sangue. E para os shiitas isso faz uma grande diferenca, pois como a familia do profeta era nobre, capaz de retracar sua ascendencia ate Abrahao, seguir Ali ‘e garantia dessa pureza de ensinamentos.

Dentro dos Sunis, existem 7 ordens diferentes de Sufismo, sem falar das outras escolas (os juristas da lei e os teologos). Do lado do shiitas, existem 12 imans (na verdade alguns seguem so sete). O primeiro ‘e o proprio Ali. Os segredos que passaram de profeta a profeta, no caso, de Adao ate Muhammed (Noe, Abrahao, Moises, Jesus, sao alguns dos mais importantes) seguiu hereditariamente por estes imans. O decimo segundo iman desapareceu e existem muitos mitos em torno dele. O Ahned Yesevi que nao era da linhagem aprendeu com um dos ultimos imans e revelou os segredos para as que posteriormente seriam as ordens sufis. Um dos principais seguidores do Ahned Yesedi, o Haxhi Bektaishi, ‘e o fundador do Bektaishismo. A ordem existe ha 800 anos.

Adao ‘e considerado o primeiro profeta, que trouxe o ensinamento mais puro, depois vem Noe, que ‘e considerado o Sofredor e Salvador e assim por diante, passando por Abrahao… depois Moises que trouxe a lei, ate Jesus que revelou a verdade, e Muhammed que trouxe o conhecimento. Fiz diversas anotacoes sobre o que o Baba nos disse naquele dia, aqui vai algumas delas:

Existem tres grandes momentos na vida de um homem. Primeiro quando ele nasce, a alma encarna num corpo; depois quando ele decide casar-se (essa decisao, junto com a escolha do esposo/esposa gerara a ele todo um futuro especifico), depois a morte, que ele podera ir para o ceu (sua alma tornar-se imortal) ou inferno.”

Escoha bem o seu companheiro (esposo), depois bem os vizinhos (num sentido de companhia). Se cuide com os hipocritas e intriguentos, ao lado deste ultimo ate os problemas serem resolvidos voce ja perdeu metade das pessoas.”

Cuidado com os principais defeitos (que um homem pode ter): o egoismo; ser amante do conforto; cabeca dura; sangue quente; mentiroso; imoral e intriguento”. Destes, quatro sao os que precisamos ficar mais atentos: briguento;  intriguento, mentiroso e bebado (os vicios).”

Deus ‘e um, a verdade ‘e uma, os caminhos sao varios, voce precisa escolher um e ter um lider para te orientar no caminho escolhido. Cada um tem a sua propria capacidade e voce sera cobrado por esta diante de Deus”.

Primeiro voce tem que fazer o que voce diz e so depois dizer, senao nao fale.”

Os quatro livros sagrados sao como uma arvore: no tronco esta o Tora onde voce encontrara as leis de Deus; nos galhos esta o Zebur (livro dos Profetas) que sao os caminhos; nas folhas esta o Novo Testamento que sao as verdades mais altas e no fruto esta o Corao, que ‘e o conhecimento.”

Voces nao devem beijar o crucifixo, mas as pessoas. Jesus esta em cada uma delas.”

Depois de horas e horas escutando atentamente, ja era noite quando fomos convidados para jantar. Nenhum de nos sabia onde iria dormir, o que ia fazer. Stefan e Gerry ja tinham perdido a hora para voltar a Sofia e nos para pegar o onibus para Ohide. Apos um delicioso jantar preparado pelo Dervishe, nos convidaram para dormir la. Meninos para um lado (incluindo o sueco), meninas para outro, “pois ‘e a casa de Deus”, nos disse o Baba. Dormimos num quarto confortavel em colchoes no chao.

O Jantar!

Dia seguinte recebemos mais um delicioso cafe da manha e nos despedimos do Stefan e a Gerry que sairam maravilhados. Estavamos nos preparando para voltar ao quarto fazer as mochilas quando o Baba comecou a falar. Novamente nos esquecemos do tempo. Acabamos jantando e sendo convidados para dormir novamente. O Baba queria saber para onde iriamos depois. Contamos que para Albania. Terra onde ele nasceu e cresceu. Perguntou aonde, dissemos que nao sabiamos direito, iamos ver ao longo do caminho. Ele disse que era perigoso, pois a Albania havia sofrido um dos comunismos mais fechados de todo os paises do Leste Europeu, eles foram proibidos durante 50 anos de abrir um livro de religiao ou rezar, iam presos. E falou: “ pais que nao tem religiao nao tem coracao”. Tentamos explicar que nao tinha problema, pois viemos da Africa, ja estavamos na estrada ha bastante tempo, mas nao adiantou. Ele nos disse: “depois de Ohide, me telefonem!”

Ohide era ainda na Macedonia, uma cidadezinha na beira de um lago, onde havia uma cidadezinha antiga no topo do morro, cheia de igrejas e monasterios. Seguimos viagem, curtimos Ohide e ligamos para o Baba. Como ele bem disse: Baba significa Pai. E era verdade!

Ohide!!

Hissen, o candidato a Dervish nos buscou com um carro e motorista em Ohide e fomos nos encontrar com o Baba na fronteira da Albania. La o Baba estava em outro carro, tambem com motorista. Almocamos com ele, passamos por outra Tek que comandada por ele para conhecer, e tomamos cafe num hotel quando ele nos deixou ali, num confortavel hotel em Korsa e o carro com motorista. Assim!! Disse que nao era para nos preocuparmos em pagar nada ao motorista, pois ele ja tinha acertado tudo, e nem nos preocuparmos com os hoteis e tambem entradas dos museus ou pontos turisticos em nenhum lugar. Nos nao acreditavamos, estavamos bobos com a situacao.

Albania!

Ficamos 6 dias viajando pelo roteiro que o Baba tinha feito para nos, baseado nas nossas preferencias. Durante o trajeto nos encontramos mais uma vez com o Baba e almocamos com ele em mais outro dos monasterios que ele toma conta. La, no topo de uma montanha ha mais de 2000 metros de altura, subimos um pouco mais, ate uma capela, ainda mais no alto, pois o Baba queria fazer um sacrificio e nos abencoar.

No monasterio (TEK) no alto da montanha!

Quando entramos na Land Rover olhei para o porta malas e vi uma ovelha. Pensei: nao, ele nao vai matar essa ovelha”. La na capela, fomos conhecer o tumulo de um grande Baba, quando estava acaband0 de rezar, saio da capela e vejo a ovelha sendo degolada pelo motorista do Baba. O Baba pega o sangue dela e passa com o dedo nas nossas testas e nos chama para perto dele, sentados num muro, la no ponto mais alto de toda a Albania. E diz: nao fiquem tristes com o sacrificio, esse animal esta bem melhor agora e voces abencoados!” Este momento foi bastante especial, o Baba nos abracou e falou coisas muito especiais olhando nos nossos olhos. Nunca vou esquecer aquele momento!

Foi dificil para mim ver aquela ovelha morrer, ainda mais depois de passar pelo hinduismo e budismo, ‘e uma coisa que para mim parece bastante egoista, o homem sacrificar um animal. Mas o animal ‘e um dom de Deus e o Proprio Deus orientou que os judeus fizessem esses sacrificios ao longo do velho testamento. Entao fiquei mais tranquila, ainda mais vendo como os muculmanos seguem todos os nossos livros Sagrados, muito mais que a gente. Gosto do que Jesus diz a respeito dos sacrificios numa conversa com os “professores da lei” na biblia, que normalmente eram os hipocritas. Que nao adiantava seguir os rituais pelo ritual, nao adiantava pecar e depois oferecer sacrificios.

Depois do monasterio, seguimos viagem. Durante o caminho, O Baba parava em cidadezinhas para dar assistencia as pessoas. Paramos varias vezes. Quase uma da manha nos deixou em outro confortavel hotel e seguiu viagem por mais 4 horas, ele dormia pouco so atendendo as pessoas. Neste dia nos despedimos do Baba, com o coracao apertado de gratidao e saudades. Deixamos de surpresa com o motorista um porta retrato com uma foto nossa com ele.

O Baba insistiu em nos dizer que se a gente precisasse de qualquer orientacao espiritual ou qualquer outra coisa, poderiamos sempre ligar para ele ou mandar email. Combinamos de traze-lo para o Brasil. Expliquei a ele, que no Ocidente os monges e indianos fazem muito sucesso, mas que poucos conhecem o Sufismo. Pretendemos levar o Baba a Curitiba. Ele esta disposto. E nao temos duvida que ira se organizarmos para ele um conferencia ou algo parecido, pois na semana seguinte ele estava indo para a India numa conferencia mundial de lideres religiosos junto com o Dalai Lama. O Baba nao era fraco! Amamos cada momento com ele e as recordacoes ficaram gravadas em nosso coracao.

Nao gosto de banalizar as influencias celestias, nomeando qualquer coisa como tal, mas nao tenho duvida que foi o ceu que nos fez mudar tanto os planos naquele dia e levado todos nos ate o Baba! Nos todos so temos a agradecer…

Mestre!

Obrigada Baba!

Ainda no Oriente, mas agora o europeu!

Da Siria fomos para Turquia e a sensacao foi de chegar no Ocidente. Ruas bem asfaltadas, onibus com DVD e ate wi-fi e comidas mais variadas… O sentimento de “jornada” foi substituido por “ferias”. O cenario era quase familiar, se nao fossem os muitos muculmanos e a cultura turca. Um dos pontos altos de estar na Turquia sao as viagens de onibus de um lado ao outro do pais, a beleza natural ‘e de matar. Acho que em toda viagem nunca tinha visto tanta coisa linda pela janela!

Comecamos pela Capadoccia, um pequeno vilarejo circundado por formacoes rochosas de tirar o folego e outras ate curiosas, que formam um cenario belissimo. Sobre os montes, varios monasterios cristaos feitos dentro de cavernas, tendo sido ja grande centro de estudos e peregrinacao crista no sec 13. Aproveitamos para ficar num hotel com quartos em cavernas para experimentar. Achei um pouco claustrofobico para o meu gosto, uma janela sempre faz falta. Tive um sonho terrivel na caverna, que tinha morrido e acordado no purgatorio. Abria os olhos e nao enxergava, tentava falar e nao saia voz, tentava me mover e nao tinha mais movimentos. Eu era so espirito e nao sabia o que fazer so como espirito, estava condicionada a ter corpo… no meio do sonho lembrei que a escuridao era porque estava na caverna e acordei. Mas depois fiquei pensando no meu sonho e me dando conta do quanto ele tinha sentido…

Monasterios cristaos na caverna!

Visual das pedras por todos os lados!

Da Capadoccia aproveitamos para ir ate Konya, uma cidade relativamente grande, que ‘e o centro de uma das mais famosas ordens do Sufismo – o Mevlana. O ritual Sufi ‘e lindissimo, os homens chegam ao centro, reverenciam Deus, sentam e comecam a se concentrar nos mantras do Corao feitos por mais um grupo de homens. Depois de um tempo, levantam e comecam a rodar em circulos para o mesmo lado, por horas, em transe. O seu rosto ‘e caido para um lado no mesmo tom de humildade dos Santos. O Sufismo ‘e o ramo mistico do Islamismo que vou explicar mais para frente. Abaixo segue um pequeno trecho de um poema Sufi que estava nas paredes:

Sete Conselhos do Mevlana:

Em generosidade e em ajuda aos outros seja como o rio.

Em misericordia e graca seja como o sol.

Com os defeitos dos outros seja como a noite.

Em raiva e irritabilidade seja como a morte.

Em modestia e humildade seja como a terra.

Em tolerancia seja como o mar.

Seja visto como ‘e ou seja como ‘e visto.

Nao 'e lindo?

De la fomos descansar numa praia deliciosa chamada Olympus e desfrutamos de uma rotina de ferias: praia, sorvete, frutas, jantar, bangalos, leitura e cama. A pousada ficava num lugar bastante tranquilo, circundado por montanhas e cheios de pes de frutas. Deu para fazer bastante yoga e ter alguns bons insights.

A caminho de Istambul, paramos em Pamukale e em Efesos, para conhecer a casa da Nossa Senhora, onde ela morou nos seus ultimos anos de vida. A casa foi transformada em capela e no lado de fora um muro cheio de bilhetinhos ‘e deixado pelos peregrinos, com milhares de pedidos de ajuda e protecao.

Fachada da biblioteca da epoca em Efesus!

Pedidos para Nossa Senhora!

Em Istambul escolhemos por fazer novamente couchsurfing para conhecer um pouco melhor a cultura. Acabamos tendo muita sorte e de ultima hora surgiu “a casa do Memet”, ele estava largando trabalho para viajar a Africa para alguns destinos que a gente foi e depois queria conhecer o Brasil, entao acabou gostando muito do nosso profile. Nos recebeu muuuuito bem, fazendo a gente se sentir mais do que em casa e acolhidos.

Istambul!

Descansando no parque!

Mais Istambul!

A minha saudades de “ estar numa casa” era tao grande que passei dias lavando a louca e limpando o chao…. Ao lado tinha um mercadinho e aproveitava para fazer compras e jantares para os meninos… O Memet tinha mais dois amigos muito queridos.

Muito bom chegar num mercado, escolher coisas que voce gosta ao inves de receber um prato pronto… Comprei ate sucrilos! Nunca pensei que poderia valorizar esse tipo de coisa… Como passaria por Mocambique, o Memet queria aprender portugues, dei uma aula bem sem pretensao… e pronto, ele ja formava frases sozinho e entendia o que a gente falava devagar, tudo porque estudava literatura francesa na universidade e como ‘e latim, achava que dava para compreender mais facil… Cada um com seus talentos.

Nosso querido amigo Memet!

Istambul ‘e uma cidade belissima, mas lotada de turista, o que cansa um pouco. A parte asiatica ‘e muito mais aconchegante que a europeia. Mas gostamos bastante das duas. Quase perdemos o trem a noite pegando o ferry da asia para europa, porque nos perdemos no tempo fazendo um piquenique com o Memet e o bla bla. As 22:00h embarcamos para Plovdiv. No trem quem dividia a cabine conosno era um jovem medico chileno, muito gente boa. Conversamos um monte e demos muita rizada. Apelidamos ele de peruanito, pois estavamos falando dos paises vizinhos que cada um tira sarro (pois sempre tem) e os chilenos tem horror a ser comparados com o peruanos. Entao, deu a deixa. E ele tambem nao perdeu a oportunidade de nos chamar de argentinos… Foi bom para relembrar do quanto o sangue latino ‘e piadista. No fim das contas a gente ja estava quase dando cascudo um na cabeca do outro.

Um pouco antes de quase perder o ferry!

O peruanito!

Plantacoes de girasol no caminho!

Do trem seguimos direto para Plovdiv na casa de uma velhinha que estava oferecendo quarto na estacao. Muito simpatica, morava sozinha, seu marido ja tinha falecido. Dei algumas roupas para ela lavar, e a bermuda imunda do Gui que estava manchada de um oleo que nao saia. Ela aproveitou para costurar os furos e passar um pouco de kiboa, a bermuda bege hoje tem um circulo branco enorme bem na frente. Ficou horrivel…

Plovdiv!

Dois dias depois chegamos em Sofia na casa do Stefan, outro couchsurfing que foi nos buscar na estacao de onibus. A caminho para ele nos deixar na casa de sua amiga Gerry (pois nos deu duas opcoes: ficar na casa de sitio do seu avo falecido ou na sua amiga Gerry perto do centro), ele nao parava de falar enlouquecidamente. Era engenheiro eletronico e estava fazendo PHD. Ficamos um pouco assustados e me deu uma preguica da decisao de fazer outro counchsurfing, pois estavamos com a boa lembranca do Memet…

Como a Gerry tinha uma reuniao nos deixou sozinhos no seu ap e aproveitamos para descansar. Mais tarde nos encontramos com ela, Stefan e alguns amigos no centro. E foi bem mais legal. Comecamos a gostar do Stefan e a entende-lo. Ele fazia o estilo totalmente maluco, guiado pelo vento e pelo momento… nao tinha nenhuma ordem nem direcao. Mas em compensacao tinha um coracao mais do que grande, que ha muito tempo nao encontrava por ai. Gerry ja era mais seria e pe no chao, dando um bom balanco ao Stefan. Era meio uma relacao de amigos ou mae e filho. Com o tempo, os dois tornaram-se otimas companhias.

Sofia ‘e linda e tem bem aquela cara que imaginamos de leste Europeu. Cheia de predios comunistas, avenidas largas com trem antigo passando no meio, com pracas arborizadas e aconchegantes e muito florida. Em Sofia vi a igreja mais linda de toda viagem.

Sofia!

A igreja mais linda!

Ficamos tres dias por la e seguimos com o Stefan e a Gerry para um monasterio ortodoxo numa cidadezinha ali perto. La ficava um monje bastante polemico e famoso da Bulgaria. Uns adoram outros odeiam. Ele faz o estilo monge moderno, que canta mantras budistas, fala o que pensa,’e extravagante e ao mesmo tempo ‘e monge. Os modernos adoram e os tradicionais odeiam. Fomos conhecer…

No caminho paramos para visitar outro monasterio, se soubesse que tinham tantos monasterios legais teria feito um retiro como na India, mas nao tinhamos mais tempo. Almocamos ali do lado, tomamos banho de rio (minha nova paixao depois do ashram) e seguimos viagem.

O monasterio do monge ficava no alto de uma montanha, com uma vista impressionante. O lugar era lindissimo. E tinha uma comidinha caseira deliciosa. O bulgaros costumam fazer muitas comidinhas no forno bem ao estilo comida de vo. Peguei varias receitas. Bom, o monge realmente era esquisito. Tinha um estilo bem estranho, excentrico. Estava com o braco quebrado por uma queda na escadaria de entrada do monasterio, depois descobri que tinha era porque tinha bebido muito vinho. A noite caiu uma chuva bem fote e fui acordada com uns gritos e muita conversa na porta do meu quarto, abri para ir ao banheiro tentando mostrar minha indignacao, era o monge com alguns hospedes que sempre vao para la, cantando mantras e bebendo… Eu de pijama e o monge me convidava: “senta Bianca para cantar com a gente!” Fiquei indignada e voltei ao quarto. Nao gostei de olhar para aquela cena e ao mesmo tempo ver um quadro enorme de Jesus na Santa Ceia em frente. Achei desrespeitoso. Moderacao ‘e uma virtude que nao deveria falar para um monge. E acho que um pessoa que vive em Deus deve chamar atencao para Deus nao para si mesmo. Mas tive pouco contato com o monge para ter alguma opiniao realmente justa. Ao mesmo tempo, achei ele bem engracado, pois era bastante piadista, contava que rezava pedindo a Deus que nao trouxesse mais turistas para o monasterio, para ele poder ficar sozinho e nao precisar dar atencao. Mas a moca que cuidava da cozinha, desejava os turistas para ajudar a manter o lugar, pois eles gastavam nas comidas, entao ela reclamava dando rizada que era por causa das rezas dele que os turistas nao estavam vindo mais…

No monasterio com amigos, do lado direito Stefan e Gery!

O monge polemico!

No domingo acordamos, o monge estava vestido a carater batizando algumas criancas. Fazendo direitinho o seu trabalho. Foi uma experiencia legal, saber que alem dos ashrams na India existem monasterios lindos nos Balcans.

Voltamos para Sofia e no dia seguinte nos preparamos para nos despedir do Stefan e da Gerry. Quando estavam nos levando para pegar o onibus para Scopje na Macedonia, de repente, todos os nossos planos foram mudados e a vida nos levou ate o Baba Mondi…

Posts antigos – inicio da viagem!

Este ‘e o link para todos os posts do inicio da viagem que comecou e terminou na Africa. Alem do inicio da segunda etapa ocorrida na Inglaterra, Malasia e Singapura.

http://www.saiporai.wordpress.com/tambemsai