Norte do Iraque

De Diabarkir seguimos para uma cidade chamada Dohuk, no Kurdistao, mas agora Iraquiano. Eu nao estava entendo direito para onde estavamos indo. O Gui insisitia em falar dificil desse tal Kurdistao, que foi dividido em partes, e que agora nos estavamos indo para unica parte autonoma. No caminho da fronteira comecei a perguntar mais e mais e a coisa foi ficando clara, parece que estavamos indo para o norte do Iraque.

Ao passar pela fronteira, duas bandeiras enormes do lado de fora, uma do Iraque, outra do Kurdistao Iraquiano. Naquele momento eu olhei para o Gui e disse: “nos estamos no Iraque?” Eu ria de nervosa. Toda aquela fantasia que a gente tem de bombas caindo para la e para ca, era o que me vinha na cabeca. Por outro lado, ja tinhamos nos enfiado em cada buraco juntos, e que nunca eram tao buracos como a gente pensava, que sentia uma certa tranquilidade, tipo “ ok, ‘e o Kurdistao Iraquiano, nao o Iraque”. Mas enfim, o presidente ‘e o mesmo…

Fomos muito bem recebidos na fronteira e recebemos um chay de boas vindas. No caminho passamos por algumas barreiras de exercito com suas barricadas de areira, ate entrarmos em Dohuk. Super amistoso. Por la, o kurdo que dividia o carro com a gente não conseguia compreender que poderiamos procurar hoteis sozinhos, como sempre fizemos, e insistia em nos deixar num hotel. Mas como ele não falava nada vezes nada de ingles, rodamos um monte, porque ele não entendia o nome do hotel que queriamos ficar e nem que poderia nos largar numa esquina qualquer no centro, que encontrariamos um. Fim das contas, quando chegamos no hotel que tinham nos recomendado, o hotel era podrasso, mas preferimos dizer que estava bom, para não continuarmos rodando com o kurdo pela cidade.

Tivemos que apelar para o lencol reserva que guardamos na mala para emergencias – hoteis sujos. Quando fui ligar o chuveiro, so agua gelada e não saia agua, so da torneirinha de baixo que fica acoplada. Comecei a me irritar, pois afinal, o cenario era desconfortante. Estava no Iraque, num hotel sujo de centro e sem ter como tomar banho direito. O Gui sentiu que o clima tendia a ficar muito pesado para o lado dele e comecou a esquentar agua numa especie de chaleira eletrica que compramos para chas e cafes e jogar numa bacia que tinha ao lado do chuveiro. Depois de meia hora esquentando chaleira por chaleira, deu uma bacia de agua cheia e consegui tomar banho. Antes de fechar os olhos disse para o Gui num tom bem impositivo: “amanha vamos para outro hotel, ok?!”Ele entendeu, e dia seguinte nos mudamos para um hotel mais caro, mas infinitamente mais confortavel, limpo e que dava uma sensacao mais acolhedora, tratando-se do fato que estavamos no Iraque.

Fomos entao caminhar pelas ruas e a sensacao foi de “sim, mais do que nunca nos estavamos viajando”. Mercados de rua, mulheres cobertas, homens kurdos com sua roupa tipica, uma especie de calca de magico com um cinto colorido e um blaiser por dentro do cinto e turbante na cabeca, muito legal. Outra coisa que se destacava eram os fios de luz, um emaranhado de fios atravessando hoteis, casas, ruas. A sensacao era de que a qualquer momento poderia haver um curto circuito e seria um grande desastre. Paramos para tomar chay algumas vezes, mas estranhamos que mesmo vendo quase nenhum turista, quase nem um local vinha falar com a gente. Pareciam fechados.

Imaginem um curto circuito por aqui?

 

A noite quando fomos jantar, estavamos perdidos procurando um lugar para comer, quando um jovem de cabelos ao estilo Elvis Presley apareceu nos mostrando um bom restaurante. Ele gostava de ser chamado de Hollywood e sonhava em morar no USA. Tinha aprendido ingles com os soldados americanos. E contava que os kurdos em geral gostavam muito dos americanos por terem libertado eles das garras do Sadam Russein e controlado melhor a situacao no Iraque. No dia seguinte fomos comer no mesmo restaurante, quando no meio do jantar, se aproximou de nos um senhor simpatico. Depois de longo papo descobrimos que ele era padre e tinha vindo ao Iraque para dar apoio aos cristaos em perseverar por sua fe, ja que aqui sao minorias. Um senhor maravilhoso e de muita disposicao. Tinha 75 anos, viajava sozinho, ficava em hoteis mais simples que os nossos e se arriscava indo a cidades no Iraque como Mosul, que hoje ‘e uma regiao de conflito. Contou que nesta tentativa, conseguiu andar 3 quadras e foi deportado pela policia iraquiana, pois seu visto era somente pela regiao do Curdistao.

Nos e o Hollywood!

De volta para o hotel, o Gui resolveu caminhar mais um pouco e eu entrei sozinha. Quando cheguei, o recepcionista da tarde já não era mais o mesmo. Pedi a chave do quarto e subi. Alguns minutos depois o recepcionista bateu na porta e me deu uma sacola com garrafas de agua (nos hoteis por aqui, agua ‘e de graca). Agradeci e fechei a porta. Minutos depois ele ligou perguntando se eu queria chay, na verdade ele não falava nada de ingles, dizia so: “chay, chay….!”, eu disse: “yes, yes…” Chay tambem era de graca nos hoteis, entao estava aproveitando tudo que vinha.

Dali um pouco uma bandeija bonita, com uma xicara, um bule e acucar. Agradeci, quando estava fechando a porta ele disse: “You are so beautiful”. Eu ohei assustada, agradeci seria e fechei a porta. Fiquei paralisada na cama com um pouco de medo, apesar de ver que o cara era menos perigoso que uma mosca e tinha cara de super do bem. Dali uns minutos, toca o telefone e ele diz: “Sorry sorry madame, but I love you!” Eu comecei a tentar dizer que ele não podia falar aquilo porque eu era casada, e para olhar meu passaporte com o do meu marido na recepcao, mas ele não entendia nada. Falava: husband? What ‘s husband? E dava pra ver que não era mentira, ele so repetia a palavra porque eu estava citando varias vezes.

Fim das contas, o Gui chegou e contei para ele. Disse para não pegar pesado pois o cara era do bem, mas so para ele aprender e não fazer mais isso com outras turistas. Afinal para ele, eu era ate entao, uma moca ocidental (ou seja, que vive em paises onde a liberdade sexual ‘e total), sozinha num hotel. Era a oportunidade da vida dele, já que por ali, eles não tem nenhuma liberdade nesse sentido. Tanto que homens caminham de maos dadas, abracados, se acariciando, e nem passa pela cabeca a palavra gay, são realmente so amigos.

Bom, o Gui com seu sangue latino somado ao seu signo sagitariano + dragao de fogo no horoscopo chines e sua carreira com lutas marciais, desceu as escadas literalmente como um dragao, eu so pensava: “coitado do cara, pois connheco o marido que tenho”.

Não deu outra, o Gui assustou tanto ele dizendo que ia falar com a policia, que o cara se ajoelhou e beijava os pes dele e pedia em nome de Alah perdao. Eu queria muito ter visto essa cena. O Gui voltou chocado e meio rindo para o quarto com pena do cara. E falei pro Gui voltar la e dizer que não ia contar para a policia e que perdoava ele, porque imaginava como estava a consciencia do cara anquela hora, pois dava para ver que ele era super injenuo. Dali uns minutos, ele bate na porta do quarto, quando o Gui abre, ele se joga de novo nos pes do Gui e beija sem parar. Pede para falar comigo e pedir perdao tambem para a “madame”. O Gui, como um bom machao, diz: “ não, voce deve pedir para mim, eu sou o marido.” Fiquei nervosa com toda a historia, mas foi muito engracado e o cara tadinho, era realmente do bem!

Dia seguinte seguimos para Erbil num taxi comunitario.Um dos passageiros era iraniano e comecamos a arranhar um farsi com ele. Ele já comecou a mostrar a hospitalidade iraniana antes mesmo de chegar no Ira. Ligou para um amigo que falava ingles e colocou ele para falar com a gente. O tal amigo perguntava para onde estavamos indo e em que hotel ficariamos. Dificil de explicar que a gente se virava e tudo mais. Enfim, o iraniano desceu na proxima cidade, mas deixou bem explicado para o taxista onde ficariamos e em que hotel.

Ao chegar na cidade, o taxista nos deixou com outro taxista local e não explicou onde queriamos ir. Existia uma atracao principal na cidade que era a “ citatel”, a cidade antiga murada que ficava no centro da cidade. Entao chegamos para o taxi e dissemos: “citatel!” E ele não entendia do que se tratava. Entao falamos: “city center”. E ele não entendia tambem. Comecamos a ter um certo trabalho desde que saimos da Turquia com a comunicacao… eles não entendiam nada alem de taxi, hotel and bus. Nem good and bad, nem center, nada nada. Enfim, rodamos um monte e o cara nos levou numa pizzaria para falar com uma pessoa que arranhava um ingles. O Gui explicou para o cara e ele tambem não entendia o que era city center ou citatel, quando o Gui avistou placas nas ruas escrito citatel e apontou para o cara. O cara disse: “Kalah!!!”. E a gente disse, exatamente: “Kalah”. Não adiantava escrever, eles tambem não entendiam nosso alfabeto. Foi um sufoco e muito engracado. Fiquei imaginando alguem chegar em Curitiba e pedir pela Wire Oper house para um taxista com um sotaque bem estranho se não aconteceria o mesmo problema.

Depois do sufoco, e quase uma hora caminhando achamos um “hotel bem mais ou menos” no centro. Dia seguinte paramos para tomar um suco de banana (agua com banana mesmo), super estranho, quando vimos aquela cena classica do World Trade Center caindo, perguntei ao moco do suco o que estava acontecendo e ele mostrou com a mao passando pelo pescoco e falou “Osama”. Eu disse: “Osama died?”, fazendo o mesmo gesto e ele disse, yes. Eu quase pulei de alegria e automaticamente me ocorreu um aumento de seguranca na hora, um certo “agora estou mais tranquila aqui no Iraque”, e logo em seguida olhei para o lado com medo de repreensao, bem coisa de ocidental ignorante, como se por aqui as pessoas fossem amar o Osama e estar no Oriente Medio, nao importando aonde, era estar do lado da Al Queda. O cara comemorou comigo e muitas pessoas na rua falavam felizes. Pelo jeito o Osama era amado somente pela Al – Queda e seus familiares.

Ainda antes de ir para o Ira, fomos ate Halabja, cidade onde Sadam Russein fez um terrivel ataque com armas quimicas contra os kurdos. O objetivo era acabar com esta etnia. No museu onde ficam expostas as fotos do ataque, muitos dos funcionarios sao sobreviventes. Eles contam que as armas quimicas tinham cheiros diferentes, as vezes de maca, outras de alho ou cebola. Apos jogadas no ar, a agua dos rios ficava contaminada, e quando as pessoas iam beber, morriam, especialmente criancas, mulheres e velhos eram as maiores vitimas, porque alguns homens e jovens conseguiam correr. Alguns, para tentar fugir, seguiam pelas montanhas ate a fronteria do Ira, deixando para traz os familiares. Nao houve tempo de pegar comida ou agua, e muitas pessoas morreram nas montanhas. Esse episodio marcou muito o passado dos kurdos e ‘e possivel encontrar muitos sobreviventes relatando as historias. Todos tem um verdadeiro pavor do Sadam e se sentem muito gratos aos americanos e alguns paises europeus que enviaram comida no tempo que passaram nos campos de refugiados no Ira, ate poder voltar para casa.

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Feliz Navidad Vietnan!!!

Voltamos de Gilli direto para Kuta, uma longa viagem. Primeiro uma van de 2h ate o porto, depois 8h de ferry e mais 2h de van ate finalmente chegar. Nesse dia fazia um calor insuportavel, sufocante. E  enquanto os locais mantinham-se de calca, camisa comprida e veu, respeitando sua religiao, as turistas europeias tomaram conta da parte de cima e aberta para ficarem de biquini. Com os mesmos trajes desciam para usar o banheiro. Eles se escandalizavam! Eu, mesmo derretendo, me mantive com minha bermuda ate o joelho e camiseta… A passagem por Kuta foi rapida, tempo de ver mais lojinhas e jantar num lugar gostoso para ir dormir.
No outro dia cedo seguimos para o Vietnan. Tinha muita curiosidade em conhecer o pais, por todos as  historias que todos nos ouvimos e que nossos pais contavam. Muitos turistas que estavam fazendo o sudeste asiatico que encontramos pelo caminho disseram ter sido o lugar que mais gostaram, o que estava nos chamando muito a atencao. Tambem contavam que tinha uma otima qualidade de servicos e infra-estrutura para o turismo, alem de precos baixos, mas que a pressao dos locais para vender qualquer coisa era extrema. E que a cerveja era muito barata!
Quando desembarcamos em Ho Chi Minh e pegamos um taxi ate a zona dos backpackers para buscar algum luga para dormir, eu literalmente choquei. Ho Chi Minh, sem duvida, ‘e a cidade mais louca que eu ja vi na vida. Tudo acontece ao mesmo tempo e com todo tipo de gente. A regiao ‘e cheia de mochileiros, bares e muuuuuuuitos vendedores. O clima ‘e animadissimo, baguncado, louco e muito divertido.
Achamos um bom hotel,  nosso quarto tinha ar e ventilador, tv, frigobar, agua quente e um banheiro impecavelmente limpo, alem de internet free, tudo isso por 11 dolares. Amei!! A infra-estrutura perfeita para um casal como eu e o Gui, une conforto e preco, imaginem!
Entao descemos correndo para jantar e curtir o lugar. Paramos numa das varias barraquinhas de rua, apreciamos um delicioso sanduiche e depois fomos tomar uma cerveja.

Night em Ho Chi Minh!

Realmente baratissima, 1 real. Nem preciso dizer que tomamos uma cerveja todos os dias apos o jantar, depois da contencao na Indonesia, que por ser pais muculmano, era carissima.
Acompanhem comigo a cena de Ho Chi Minh. Bem na minha frente tinha um bar/boate chamado Buffalo, que tocava a todo volume de Michael Jackson a ACDC, passando por Bee Gees… Os garcons eram super jovens, parando todos que passavam em frente e convidando para entrar. A todo minuto vinha um vendedor ambulante te oferecer alguma coisa: guias lonely planet; relogios; cigarro; kits de higiene; lula seca; flores; pedacos de fruta com pimenta; sopa; roupas; aparelho gigante medindo peso e altura; capa de chuva; espetinho; peteca e por ai vai. O Gui provou a tal lula seca, que mais parecia um morcego seco com as asas abertas. Ate os mochileiros ficaram olhando…  O transito ‘e caotico e divertidissimo, composto praticamente por motos, os motoristas dirigem enlouquecidamente, cruzam esquinas sem muito olhar para os lados, a coisa funciona a base da buzina e do freio. Voce ve muuuitos jovens, casais, familias inteiras em cinco sobre uma mesma moto e ate velhinhos. O publico nas ruas ‘e impar, de velhinhos de bangala, jovens ‘a criancas de cinco anos andando sozinhas. Era como se juntasse num lugar so todas as idades, gostos, estilos, opcoes, sem ninguem se dar conta disso! Tentando tornar a coisa mais concreta, mistura o pessoal da aveninda batel com o do Jamis, coloca todos os vendedores do centrao de Curitiba, mais todos os frequentadores da terceita idade de Santa Felicidade no domingo e imagina todo esse pessoal junto passando na sua frente enquanto voce toma uma cerveja. Simplesmente sensacional! Ro Chi Minh pra mim foi um dos High Ligths do Vietnan!!

Confiram a cena em frente ao Buffalo!

No dia seguinte saimos para passear na ruas. Primeiro fomos conhecer um mercado municipal meio misturado com camelodromo, com opcoes sensacionais de compras e uma diversidade inimaginavel de produtos, nao havia nada que nao pudesse ser encontrado ali.  Depois comemos uma comida tipica, que se trata de uma spring rolls com verduras e frutos do mar, mas que nao ‘e frita. Deliciosa! Ao nosso lado acompanhamos como os locais se livram de pedacos indesejados de comida que por acaso  mastigam: eles cospem no chao, simples assim!
Seguimos dali para o museu da Guerra, que conta como foi a Guerra DOS AMERICANOS como eles se referem aqui.  Como o Gui (saiporai) recontou muito bem a historia no seu blog, vou poup’a-los! Mas me chamou atencao algumas coisas: os efeitos das bombas quimicas, jogadas pelos Estados Unidos durante a guerra na populacao, ate hoje ‘e visto nas ruas. Nasceram muitas pessoas com anomalias chocantes.  Muito triste de ver! Tambem d’a para entender porque os americanos se deram por vencidos, mesmo tendo matado muitos vietcongs, eles sao realmente invenciveis. Um povo muito rapido, esperto, trabalhador, que nao perde nenhuma oportunidade de fazer negocios. Lembram muito sua origem chinesa. De socialista o Vietnan tem so o nome – Republica Socialista do Vietnan, sao poucos os resquiceos do socialismo, voce ve que houve, mas com uma forca muito menor.O amor deles pelo Ho Chi Minh, nobre homem, ‘e lindo de ver! Em todos os hoteis, casas, carros, pracas, tem alguma foto dele, alguma coisa destacando ele. Muito bonito de ver o reconhecimento dado para este heroi nacional!

Na volta do museu, ja no fim do dia, achavamos que o passeio tinha acabado e depois era so ir jantar e curtir a cena Ho Chi  Minh, mas tivemos um outro momento impar. Eram seis da tarde, e como toda cidade grande, tem rush, sabe como ‘e o rush numa cidade praticamente feita de motos? Elas passam por cima da calcada! Na hora de parar no sinal, tem motos, na rua e na calcada e assim elas seguem, desviando de voce… Atravessar a rua, a principio parece uma roleta russa, mas depois voce ve que nao da nada, e vira um dos pontos altos da cidade.
Acabamos cedendo no dia seguinte a um tour, pois como a coisa ‘e muito organizada aqui, nao vale a pena fazer por conta, porque acaba que o custo beneficio ‘e menor. Vietnan significa o povo que veio do Sul (da China)! Passamos primeiro para conhecer o templo Caudeista, a religiao predominante do povo do Sul do Vietnan. Ela combina budismo, confucionismo, cristianismo, islamismo e taoismo. Cada uma trazendo uma licao principal:  o budismo a licao de como aprender a viver consigo mesmo, a meditar, a ficar em paz;  o confucionismo tratando do respeito aos mais velhos, a origem, aos pais; o taoismo como ter uma vida longa atraves da natureza; e o cristianismo como ajudar o proximo e praticar o bem.  Dentro do templo, existem sete niveis, que representam o nivel de evolucao de cada devoto. O setimo ‘e quase correspondente a uma iluminacao. Tambem tem as cores: o branco, o rosa, o laranjado, o azul e o verde, cada cor representando a origem de uma religiao. No dia que estavamos, a maioria se encontrava no primeiro, segundo  e terceiro nivel, poucos no quarto e quinto e apenas dois devotos no sexto. O templo ‘e lindissimo! E muito legal ver no altar, diferentes representantes das religiao. Nunca imaginei que houvesse uma religiao assim.

O que 'e essa cerimonia?!

Vejam no altar os representantes de cada religiao!

De la seguimos para conhecer as vilas onde ficavam os tuneis que os vietcongs se escondiam dos  americanos, super estreitas, quilometros por baixo da terra e, tambem no caminho, as terriveis armadilhas. O Gui experimentou a original, eu nao suportei nem a turistica alargada.
O jantar foi novamente em frente ao Buffalo, mas com um show a parte. Era vitoria do Vietnan sobre o Laos e  derrota da Tailandia, colocou eles em posicao privilegiada no campeonato de futebol do sudeste asiatico. As ruas lotaram de motinhos mais enlouquecidas ainda, uma festa unica. Na comemoracao, junto com os bebados gritando, a mesma cena: familias inteiras levando bebes de dois anos,  numa moto com cinco ou seis. E detalhe, na cidade toda, nao vimos em um so instante e nem nesse dia, um carro de policia ou sequer um policial. Nos despedimos saudosos de Ho Chi Minh e seguimos com nosso onibus-cama para Monie.
Monie ‘e uma delicia, aqueles lugarzinhos gostosos de passar, cheio de lojinhas, restaurantes descolados, e visual bonito. A praia nao ‘e tao bonita, e com muito vento, especial p/ o pessoal de Kite Surf que tinha aos baldes la. Me espantou, o nivel dos kitistas, todos muito bons, nao tinha gente fraca ali, ficamos olhando por horas. Fizemos tambem um passeio pelas dunas brancas incriveis. E eu dei um trabalhao para o Gui, ao fazer amizade com a recepcionista do hotel e ela ter levado minha bermuda tres numeros acima do meu, dar uma pequena ajustadinha na sua cidade ao lado. Adoro uma reforma, ate quando estou viajando!

Vila de pescadores em Monie!

Mais onibus cama ate chegarmos, pulando um destino que nao foi grande coisa, entao nem vou contar, ate chegar em Hoi-an, uma cidadezinha antiga muito charmosa, cheia de lojas para fazer ternos, vestidos de festas e casacos de inverno. Vimos muitos turistas fazendo. Eles vendem que os tecidos sao Italianos, pois algumas fabricas sao instaladas no Vietnan, entao voce tem em tese a mesma qualidade com menor preco. Vai saber…

Hoi-en!

Dali seguimos para Hanoi, a capital do pais. Hanoi ‘e maravilhosa, nao tem a loucura de Ho Chi Minh apesar das milhares de motos, voce sente nitidamente que o povo ‘e mais tradicional por ali. Sao muitos predinhos antigos, flores e lojinhas nas ruas, cafes gostosos, a temperatura do norte ‘e bem diferente do Sul, frio mesmo para o parametro brasileiro. Curtimos bastante a cidade, andamos pelas ruas, passamos em frente ao mausoleo do Ho Chi Minh e por ai vai.

O charme de Hanoi!

Mais Hanoi!

Ate que chegou o grande dia de conhecermos o destino mais famoso do pais, Halong Bay. E realmente ficamos encantados, o lugar ‘e maravilhoso, a beleza daquelas inumeras pedras saindo no meio do mar  ‘e impressionante. Pena que o passeio ‘e ulttra mega turistico, perdendo um pouco a atmosfera do lugar, mas compartilho com o Gui, que em termos de beleza natural, ‘e um dos lugares mais lindos que ja vi.

A Beleza de Halong Bay!

A noite jantamos no hotel com um casal frances bem novo, os dois tinham 20 anos e mais duas amigas dinamarquesas de 25 cada, e n’os achando que eramos todos mais ou menos da mesma idade… O casal frances estava morando em Hong Kong por um ano por experiencia cultural e viajando a budget apertadissimo, imaginem sao estudantes. As dinamarquesas apenas fazendo turismo por um mes. Papo vem, papo vai, acabamos falando da imagem comum que os outros tem de cada pais dos ali presentes e escutamos do Brasil, o que ja ouvimos de muitos turistas, mas agora com mais detalhes e queria compartilhar. Bom, Brasil representa o que todo mundo ja sabe: futebol, carnaval, Rio de Janeiro e Amazonia e muita violencia, inclusive muitos nao visitam por isso. Mas tem um ponto a mais, que estamos ouvindo direto dos estrangeiros, que parece que “no Brasil todo mundo se preocupa com o corpo e faz academia, diz que ‘e uma obsessao nacional!”  A pior foi ouvir que reza a lenda, que as meninas quando fazem 18 anos ganham uma plastica na bunda da familia, pois a bunda ‘e quase um “cartao de visitas”. E detalhe, isso apareceu num programa de uma conceituada televisao francesa. As dinamarquesas tambem ja tinham ouvido falar. Ai elas acrescentaram “ parece que no Brasil, para os homens ‘e mais importante a beleza da mulher do que a inteligencia, ‘e verdade?” E acrescentaram: “ no nosso pais a beleza ‘e importante, como em todo lugar, mas a mulher precisa ser minimamente politizada”.  Esta ai uma boa oportunidade para refletirmos…!
Quase dia 24/dez, estavamos proximos do Natal, indo para Sapa, uma cidadezinha rodeada de vilarejos com pequenos povoados tipicos da regiao, no meio das montanhas.  Bateu uma tristeza uns dias antes, pois pensava na familia e meus amigos queridos, nao era facil pensar em passar o Natal longe de todos… Mas gracas a Deus, Sapa tirou qualquer tristeza, o lugar era magico. Uma cidadezinha linda, rodeada por montanhas, so faltava neve e os esquis, aquele friozinho delicioso, restaurantes italianos aos baldes para minha felicidade. Sentir um gosto de casa no Natal ‘e outra coisa…

O aconchego de Sapa!

Clima de montanha, chocolate quente...!

Feliz Navidad!!! Conhecemos no trem um casal de bascos queridissimos, mas muuuito boa gente, chamados Jimi e Marta. Ele leonino, ela libriana. Um casal muito a cara um do outro. E com eles passamos o Natal! Estavamos jantando num restaurante escolhido a dedo para comemorar nossa ceia, quando eles chegaram para nos acompanhar, haviamos os convidado a tarde para celebrar juntos.

Feliz Navidad!

A noite de natal foi animadissima, bebemos muuuito, rimos muito e nos abracamos muito. Eles eram muito carinhosos, nos sentiamos como no meio de amigos. Foi muito legal, a companhia deles deu outra cara para o nosso Natal, que ja estava muito bom. La pelas tantas, eu gritava: “Jo soy una Basca! Basca ate morrio! No soy una espanhola!” Eles choravam de rir, tem ate videozinho com essa passagem… No outro dia, jantamos juntos de novo e o Jimi deu uma camiseta dele para o Gui de uma banda reggie basca, ele era apaixonado por reggie. O Gui adorou!

Inesqueciveis!

Nosso almoco do dia 25 foi numa das casas da vila, que aconteceu meio por acaso, apos um passeio de moto pelas montanhas. Demorou para ser preparado, mas valeu a pena, comemos muito bem, alem de ter sido uma super ultra experiencia cultural. Nos despedimos alegres da deliciosa e aconchegante SAPA!!!

As mulheres das vilas de Sapa!

Nosso almoco cuidadosamente preparado!

Dentro da casa o grande Ho Chi Minh!

Pegamos o trem para voltar a Hanoi e finalmente seguir para Tailandia para encontrar a familia do Gui. Acabamos na cabine de um oficial do exercito esquisitissimo, que resolveu pedir duas garrafas de vinho para brindarmos com ele. Nos divertimos, apesar da conversa ter sido super formal. Tem umas coisas que  acontecem so quando a gente esta viajando, essa ‘e um delas!  Eu olhava para nos, tomando vinho com aquele desconhecido esquisito, e pensava: ” o que ‘e isso que estou vivendo agora?”

Os tais momentos que a gente so passa qdo ta viajando!