Kashimira!

Os dias seguintes sobre o lago Dhal foram especiais e cheios de surpresas. O filho do Sr. Gulmon, que surgiu em nossa frente quando descemos de nosso táxi comunitário após 16 horas de viagem, e que com muita insistencia nos convenceu a ficar no barco de seu pai, com o passar dos dias se tornou um amigo…

Em nosso barco-casa.

Em nosso barco-casa.

Sr. Gulmon, dono do barco.

Sr. Gulmon, dono do barco.

Dentro do barco.

Dentro do barco.

Passeamos com ele por muitos lugares, almoçamos em restaurantes típicos, fomos ao centro, as mesquitas, aos templos, e nos perdemos olhando para a beleza de Srinagar, e principalmete, para as pessoas que surgiam para conversar.

Jami, nosso amigo e Gui

Jami, nosso amigo e Gui

Arquitetura típica.

Arquitetura típica.

Nas ruas.

Nas ruas.

Comidas de rua.

Comidas de rua.

Mesquita.

Mesquita.

Caminhar pelo centro de Srinagar e arredores tem uma atmosfera especial. É diferente de toda a India. Além de ser mais limpa e fresca (por ser região montanhosa), a cidade é muito bela. Há um toque muito mais muçulmano que hindu, já que estes são a maioria por ali.

Lago Dhal, não é incrível?

Lago Dhal, não é incrível?

Os passeios sobre o lago eram os melhores, e sempre tinha algo surpreendente para conhecer e ver na comunidade sobre palafitas que ali vive. O mais especial foi um dia que fomos convidados para um casamento muçulmano que ocorria ao lado de nosso barco. Foram dois dias de preparação e tres de festas. Mulheres para um lado, cantando e arrumando a noiva, homens para o outro matando carneiros e preparando a comida.

Uma tenda foi montada para receber todos os convidados. Do outro lado do lago estava a festa da família e amigos do noivo, já que primeiro eles festejavam lá, para depois os noivos se encontrarem do lado de cá, no ultimo dia, na tenda da esposa, deixando todo um gostinho de suspense. Acabamos sendo tiradas para dançar, e foi divertido, eu a Jami no meio da tenda. O dançarino era um homem que dançava meio sexy e de forma engraçada, e os convidados riam muito.

Preparativos.

Preparativos.

Mulheres cantando com a noiva durante os preparativos.

Mulheres cantando com a noiva durante os preparativos.

Mais preparativos.

Mais preparativos.

Nos esbaldamos com as opções de kashimiras no centro, e achamos um lugar barato para comprar uns chales direto da fabrica, o que trouxe alegria para nossa alma feminina. Graças ao nosso amigo.

Depois de alguns dias em Srinagar, com o coração apertado fomos embora. Nosso próximo destino era Leh. Sem dúvida a Kashimira foi um dos lugares mais incríveis que conheci na India.

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Sociedades cristas e Cristianismo!

Pra quem acompanha este blog, deve perceber que sempre estou falando de religioes, ao mesmo tempo que falo da viagem propriamente dita. Isso ocorre, tanto por um interesse pessoal, mas tambem pelo fato de que viajar no Oriente naturalmente te coloca diante deste tema o tempo todo. Religioes e tradicoes ‘e o que mais voce ve quando vem para estes paises.

Quando voce olha para as sociedade hindus, budistas e muculmanas voce encontra muitos devotos; conforme os lugares, voce sente que as pessoas respiram religiao. Mas quando voce olha para as sociedades cristas, principalmente as mais desenvolvidas, modernas e os grandes centros, a atmosfera ‘e bem diferente. Nestes, tanto a religiao quanto as tradicoes, se perderam e sao sinonimo de imbecilizacao segui-las. Nos paises desenvolvidos da Europa, por exemplo, voce encontra muito mais ateus do que em qualquer outro lugar.

Depois principalmente do periodo renascentista no Ocidente, quando o homem estava bastante cansado de receber os conhecimentos apenas Revelados por Deus e motivado por buscar algum valor para ele (como se homem e Deus fossem duas coisas distintas), o homem passou a se tornar a “medida de todas as coisas” e se ver separado de Deus, mudando a maneira que percebe a si mesmo.

A igreja catolica, que era veiculo da revelacao divina, passa a ser questionada por Lutero dizendo que nao deveria haver ninguem entre Deus e o homem e propondo que cada individuo interpretasse as escrituras por si mesmo. A igreja perde o poder. Muito mais tarde vem Nietzsche e anuncia em tom de ironia e critica “ matamos Deus”.

E a coisa descambou de vez… Depois uma sucessao de outros casos, como Marx apregoando o comunismo e assim por diante. Como o homem passa a ser a medida de todas as coisas, ele precisa se sentir inteiramente livre, entao Deus se tornou um obstaculo. Entre a vontade de Deus e a minha, fico com quem? Com a minha. Baseado nessa crenca tao enraizada, tudo virou uma coisa sem pe e nem cabeca e nao somos mais capazes de discernir.

Nao existe mais certo e errado, existe o certo e errado Para Mim, o certo e errado Para Voce. No ashram tinha discussoes com os meu colegas de coisas basicas. Essa coisa do “homem ‘e a medida de todas coisas” parece uma epidemia, que torna tudo tao contaminado, que voce nao consegue mais ter uma discussao produtiva com ninguem. Um dia, apos um banho no ganges, comecamos a falar sobre isso e tentei mostrar que nao era bem assim. Entao perguntei: e essa pedra que esta aqui no chao, ‘e uma pedra ou nao? E a resposta foi unamime: “depende de quem esta olhando. Para mim pode ser uma pedra para voce nao!” Eu disse: Pimba!!!! O homem ‘e a medida de todas as coisas!! Eu esbravejava empolgada com a discussao idiota fruto do ponto que o homem chegou e dizia: “ Isso ‘e uma pedra!!! Pega, sinta!!! ‘E uma pedra e tem uma funcao de pedra tanto na natureza como na vida do homem! Se voce quer usa-la como oculos, como comida, como chapeu, vai ser impossivel. Mas se voce quiser contruir uma casa, usar como um banco, usar para tentar se proteger de um assaltante, etc, ela esta dentro de sua funcionalidade de pedra.” As pessoas ficaram me olhando tipo sem entender muito o porque daquilo, outros entenderam e a discussao acabou. Esses se interessaram em querer entender aonde eu estava tendo acesso a esse conhecimento novo. Eu falei: novo? Isso ‘e mais antigo do que nossos avos…

Bom, mas para que eu estou falando tudo isso? Para poder entrar no Cristianismo, na religiao mais presente no Ocidente. O cristianismo perdeu lugar com a globalizacao e acesso a informacao as religioes orientais. O ocidente descobriu o hinduismo e o budismo. E hoje sobraram poucos cristaos verdadeiros. As pessoas que tinham uma busca maior pelo divino foram para o Oriente e hoje seguem, em partes, estas religioes. Porque em partes? Porque o homem ocidental, o nosso homem, normalmente nao segue nada inteiro, so o que nao faz ele ter muitas renuncias, por isso, temos muita gente fazendo uma boa salada. Continuaram “ cristaos” os hipocritas, que vao a igreja todo domingo, fazem uma caridade ou outra no final do ano, mas suas acoes nao tem nada a ver com os ensinamentos de Cristo. Sobrou e aumentou a populacao de igrejas evangelicas, onde algumas brincam com o dinheiro do povo. Na verdade, hoje os pobres e os doentes ‘e que buscam mais o divino, alguem com um senso de privacao maior. A causa do Lutero, que eu nao tenho nada contra as razoes que levaram ele a se rebelar, mas junto com todo o oba oba moderno, hoje todos podem interpretar a palavra de Deus, ate a igreja Bola de Neve. E entre voce ser um drogado ou um “fanatico”, melhor o segundo.

E assim falar hoje em dia que voce ‘e cristao para um ocidental ‘e meio fora de contexto. Eu brinco dizendo, que se eu voltar para o Brasil rezando com a biblia embaixo do braco, estou fora. Mas se eu voltar meditando com os livros sagrados do Buda, eu sou espiritualizada. Como se os cristaos nao meditassem. Caramba, ate que ponto chegamos!

O Jaison, meu amigo ingles, quando voltamos conversando de Rishikesh ate Delli, me contou que passou um mes num mosteiro na Tailandia e que um monge disse para ele: “porque todos voces vem para ca buscar religiao, voces tem um Deus tao bonito nos seus paises! Quando voce voltar para o teu pais, experimenta ir na igreja!”

Pois ‘e, olhando para essas sociedades “ cristas”, ou seja, para o ocidente, quem tem alguma aspiracao espiritual, hoje nao tem mais moticao para entrar na igreja. Por um lado, porque confundem sociedade crista com cristao. Confundem as aberracoes da idade media com cristianismo. Confundem costumes e valores locais, como do Imperio Romano, com o que ‘e ser cristao. Por outro, porque as igrejas ficaram muito restritas a ensinar somente as leis e mandamentos tornando a mensagem seca.

Cristo deixou bem claro quem sao os cristaos. “ Por isto conhecereis quem sao os meus discipulos, por vos amar-des uns aos outros como eu vous amei.” Ele da a chave para voce saber quem ‘e e quem nao ‘e cristao. Cristaos não são os individuos que fazem parte da sociedade crista, nem todos os padres, papas e pastores, mas os santos (canonizados ou nao) e os cristaos exemplares!

As Quatro Nobres Verdades de Buda!

Para quem esta acompanhando o blog sabe que estamos agora na India. Como o pais ‘e riquissimo em todos os sentidos, esta dando trabalho preparar e compilar os textos para postar e voces poderem desfrutar com a gente. Enquanto isso, resolvi resgatar o post das “ 4 Nobres Verdades de Buda” e incluir nele o caminho para atingir a Iluminacacao, para que voces possam compreender melhor e junto comigo, migrar de religiao e de cultura – do Budismo para o Hinduismo.

As Quatro Nobres Verdades de Buda!

Contando novamente um pouquinho da historia de Buda ja comentada em post anterior…

Quando Buda nasceu, astrologos disseram ao sei pai que Buda teria um destino unico e especial. Se ele amasse o mundo, se tornaria um monarca e unificaria todos os reinos hindus, mas se por acaso nao amasse, seria um grande lider espiritual. Como o pai de Buda era um rei, pensou: “prefiro que ele seja um grande monarca, entao nao vamos da-lo nenhum desgosto”.

E Buda foi criado num ambiente de felicidade artificialmente construido. Nao eram permitidos velhos, doentes, pessoas de mau temperamento, ma indole e com vicios.  No seu primeiro ano de vida foi construido uma cidade so para ele. Quando ele atingiu a adolescencia, o pai o presenteou com tres palacios com 40 mil dancarinas.

Mas como Buda gostava muito de fazer exercicios, tornando-se habil em luta, tiro e cavalgadas, quando foi ficando mais velho quis cavalgar mais longe do castelo, mas o pai, naturalmente, nao o deixava. Entao, um dia, apos muita insistencia o pai permitiu, e como garantia, pediu para o exercito do castelo ir na frente afastando tudo o que poderia ser ruim, para que Buda passasse sem perceber.

No caminho, de longe Buda avistou um velho e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um velho, ‘e a velhice!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da velhice?”  “Sim!”, respondeu o guarda.

Mais para frente Buda avistou um doente e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um doente, ‘e a doenca!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da doenca?”  “Sim!”, respondeu o guarda.

Ainda no caminho Buda avistou um cadaver e perguntou ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda respondeu: “Aquilo ‘e um cadaver, ‘e a morte!  E Buda perguntou: “ E alguns escapam da morte?”  “Nao!”, respondeu o guarda, “ ninguem escapa da morte”.

Em seguida Buda de longe avista um monge mendigante e pergunta ao guarda do castelo: “ O que ‘e aquilo?”  O guarda responde: “Aquilo ‘e um monge, ‘e alguem que abandonou o mundo!

No caminho de volta, Buda ficou pensando seriamente: “se eu posso escapar da doenca, da velhice, mas nao da morte, qual o sentido de todos esses prazeres?” E pouco tempo depois, ele foge do palacio e conhece praticantes de rajayoga (exercicios que preparam o sujeito para o controle e dominio do corpo) que ensinam alguns exercicios e ele se torna mestre em todos os metodos: ficar enterrado tantos dias, ficar sem comer tanto tempo, etc.

Mas Buda continuava com suas inquietudes em relacao a vida e pensando: “ se existe a velhice, a doenca e a morte, a existencia tem um problema, porque todos estao sujeitos ao sofrimento! E decide parar com as praticas, ao perceber que so livravam do sofrimento fisico, para ir atras da resposta a sua pergunta. E sai para meditar isolado sobre a questao do sofrimento e dias e meses depois acorda e se torna o Buda.

E vai procurar os ex-colegas de rajayoga para dizer que compreendeu o problema do sofrimento e em quatro etapas. Este constitui ‘e o postulado fundamental do Budismo: As Quatro  Nobres Verdades. O unico ponto que todos os ramos budistas concordam.

Primeira Nobre Verdade: A verdade do sofrimento!

Todos os seres sofrem! Mas existe uma “anestesia mental” que alivia esse sofrimento. Uma especie de expectativa passiva do sofrimento, que de algum modo livrara o sujeito, como um “ vai passar, dias melhores virao!”. E Buda percebe que nao consegue fundamentar essa expectativa: vai passar como? E diz que ela ‘e a maior inimiga espiritual do homem. Isso serve para pensar: eu tenho que trabalhar para resolver esse problema e cessar esse sofrimento!!

Mas compreende que os todos os sofrimentos cessam, mas antes deles cessarem, aparecem outros.  Os sofrimentos sao partes intrinsecas da vida tal como a conhecemos. Doh’a ‘e traducao de sofrimento que significa originalmente “o desencaixar do tubo de uma roda em relacao ao seu centro.” Quando as carrocas estao andando e o raio desencaixava, por exemplo, ‘e o doha. Sofrimento ‘e primeiro o desencontro/desarmonia com o meio e segundo, com as diversas partes do individuo. Este desencaixe ‘e que provoca o sofrimento.

Segunda Nobre Verdade: A verdade das causas do sofrimento!

Porque a dor ‘e um sofrimento? Porque ela nao encaixa com voce, com o sujeito e o objeto da sensacao (voce e o outro, voce e o meio).  E o que o sujeito faz com isso? Deseja um encontro ideal! Quando voce encontra essa desarmonia, a mente imediatamente concebe uma relacao possivel e harmonica, e a deseja.

A causa do sofrimento ‘e o desejo. Aqui desejo nao tem o sentido comum. Ele usa a palavra desejo para o desejo de Realizacao Pessoal. Por isso, ele concebe um modelo ideal que nao causaria esse sofrimento e dai ele muda o mundo fora para que se adeque ao sujeito. O desejo de ordenar os objetos da percepcao a uma ordem do sujeito de percepcao! O desejo de recriar o mundo a sua imagem e semelhanca.

E ‘e possivel fazer isso? Buda pensou: eu nao sei! Pois eu nao sei quem ‘e esse EU que quer reordenar as coisas, preciso estuda-lo.  E percebeu que o EU faz isso porque ele gosta mais dele do que do mundo. Voce ‘e apegado a voce, mas nao ‘e tao apegado ao mundo. Voce NAO pode se imaginar de diversas maneiras, so de algumas. Buda entao comeca a investigar o EU e chega a terceira nobre verdade.

Terceira Nobre Verdade:  A verdade sobre sua verdadeira natureza!

O eu nao corresponde a nenhum objeto real. Quem ‘e o EU? O que voce chama de eu ‘e um conjunto  de relacoes com um nao-eu (o outro, o meio, tudo sao nao-eus).

Todas as coisas que definem voce ‘e uma relacao com um conjunto de objetos. Eu sou filho de fulano, eu sou esposa de ciclano, etc. Tudo o que compoe a ideia de eu, esta em relacao com algum objeto especifico que ‘e um nao eu. E so existe o eu porque existe os nao-eus e uma mente capaz de percebe-los.  E dai Buda se pergunta: e o que ‘e essa mente? E percebe: essa mente nao tem caracteristica de um EU! A mente nao ‘e nenhum deles. Ela ‘e so um testemunho destas relacoes entre o eu e o nao-eu.

Abrindo um parenteses:

O Budista fala de mente no sentido de intelecto, que significa a consciencia da captacao de uma realidade, nao como parte nao material do organismo, como no ocidente. O intelecto ‘e a consciencia do ser.

 

Entao Buda pensa: eu quero testemunhar a mente/ intelecto, para responder finalmente o que ‘e o EU. E compreende a terceira Nobre Verdade.

Buda percebe que seria como um jogo de espelho. Ele teria que criar um instrumento para que a sua mente se voltasse para ela mesma. O unico jeito seria silenciando a mente para ver o que restava. E percebeu: a mente da mente ‘e o fundamento ultimo da realidade, isso ‘e o real!

A verdadeira natureza da mente ‘e infinita, sabia, passiva no sentido de nao haver perturbacoes, pois ‘e ausente de dualidade, nao ha dois. ‘E iluminada. Ela ‘e a verdadeira natureza de todos os seres. Buda deu todas as caracteristicas do que a gente atribui a Deus. E fechou, dizendo que a sensacao do sofrimento ‘e possivel porque a sua causa ‘e a ignorancia em relacao a verdadeira natureza do ser!

Apos essa meditacao a respeito do sofrimento que Buda ao acordar e ser questionado por sabios sobre quem ele era, respondeu: “Eu sou Buda, eu sou desperto!”

Apos isso Buda se tornou O Iluminado e passou a ensinar a Quarta Nobre Verdade. O caminho para atingir a iluminacao, para se tornar Buda. O unico jeito do individuo se livrar dos ciclos de reencarnacoes, que para um budista conscio de sua doutrina sabe o quanto as reencarnacoes nao sao nada boas quanto parece para os ocidentais. Porque a logica ‘e simples, se voce foi bom, voce nao volta, voce fica la em “cima”.

Do caminho octoplus ‘e que foram criadas varias adaptacoes para que o sujeito, caso nao consiga atingir a iluminacao, possa concluir esse processo no “ceu” e sem precisar retornar. Dessas adaptacoes ‘e que surgiram os diversos ramos de Budismo existentes e que alguns, inclusive, se contradizem.

Quarta Nobre Verdade: O caminho para sessar o sofrimento.

O nobre Caminho Octoplus para que voce atinja a ilumincacao…

1- Visao Correta:

Voce precisa ter uma clareza intelectual suficiente para compreender a doutrina da iluminacao. Isso significa que voce precisa entender o conceito de: iluminacao; de ignorancia fundamental; das tres nobres verdades anteriores; do eu e do nao eu.

2- Intencao correta:

Uma vez que voce compreendeu a doutrina – o que ‘e a iluminacao, entao voce precisa intensionar, querer a ilumincacao.

3- Linguagem correta:

Uma vez que voce quer a iluminacao, voce precisara frente aos obstaculos da iluminacao,  reexpressar para voce mesmo constantemente a doutrina para nao se desviar.

4- Conduta Correta:

Voce precisa enquanto isso nao violar 5 preceitos.

Nao matar, nao roubar, nao mentir, nao ser incasto, nao ingerir substancias inebriantes ou bebidas.

5- Ocupacao Correta:

Buscar uma ocupacao, objetivamente e subjetivamente, que nao seja contraria a iluminacao, ter uma ocupacao que te ajude na caminhada e que nao exija que voce deixe de seguir alguns dos preceitos.

6- Esforco Correto:

Sempre fazer muitas acoes que visam exclusivamente a iluminacao.

7- Atencao Correta:

Sua atencao geralmente se volta para as relacoes com os objetos e agora tem que se voltar apenas para a testemunha dessas relacoes – a mente. A unica maneira de sessar o sofrimento ‘e voce acessar a sua verdadeira natureza, ou seja, chegar a Iluminacao.

8- Concentracao Correta: Alcancar um estado correto de atencao a esse testemunho da mente e persegui-lo.

Onde ficam as pessoas mas?

Buda nao classifica as pessoas em boas e mas. Ele classifica em tres: boas, mas e excelentes! As boas nao fazem o mal, mas fazem uso apenas dos instrumentos (objetos) da vida e nao conseguem ser nada fora a estes instrumentos, que sao finitos. As excelentes conseguem! E o mal ‘e quando o sujeito esta fora de sua ordem intrinseca, de seu alicerce, distante de sua verdadeira natureza. Os budistas possui a mesma visao de homem do Hindu.

* Essas palavras foram tiradas das aulas gravadas do site www.luizgonzagadecarvalho.com.br, no estudo de Religioes Comparadas, aulas de Budismo; das visitas aos templos e das informacoes disponiveis nestes.

Budismo e a despedida do Sudeste Asiatico!

Depois de mais de quatro meses passeando pelo sudeste asiatico, nossos sentimentos eram paradoxais. Felizes por estarmos a caminho da India, mas tristes por deixarmos o povo. Deu tempo sem duvida de enjoar da comida, nunca mais querer ver um nasi-goreng e nem um phad thai na frente, mas deixou saudades.

Nao vou esquecer da imponencia eletronica, da Chinatown e dos mergulhos indescritiveis da Malasia, da organizacao e  cidade modelo de Singapura, da beleza e charme da Indonesia, da persistencia povo do Vietnan, das facilidades, prazeres e praias da Tailandia, da devocao e pureza do povo de Myanmar e  das beleza e loucura do Laos.

Tambem nao vou esquecer do quanto me senti segura no Sudeste Asiatico e o quanto me assusta pensar em voltar para o Brasil e voltar a ter medo de andar nas ruas. Durante toda viagem, desde a Africa, nao tivemos se quer nenhum problema com violencia. E andamos por muitas ruas escuras. Nos paises que passamos na Africa, se alguem tenta te roubar e as pessoas veem, o sujeito ‘e linchado e talvez morto se a policia nao chegar a tempo. No sudeste asiatico, isso nem chega a acontecer, se ocorrer um roubo, vai ser daqueles que voce nem viu e nem sentiu, mas os indices sao ridiculos. Quando conversamos com os turistas, eles sempre dizem que tem muita vontade de visitar o Brasil, mas tem medo. Nos perguntam, meio com vergonha de perguntar, se ‘e violento mesmo? E a gente tem que cuidar para dizer a verdade, mas sem assustar…

O Budismo, religiao esmagadora do sudeste asiatico, com excessao da Indonesia, tambem ficou marcado. Os templos, a devocao, as oferendas tao presentes no dia a dia do povo. Qualquer entrada de hotel tem um altar, em qualquer loja, dentro de qualquer carro e assim por diante.  Deu para aprender muito mais sobre o Budismo, vive-lo mais de perto e perder as ilusoes ocidentais por Buda. Apesar do Budismo nunca ter se proposto como uma religiao, como se pode ver pelas proprias quatro nobres verdades, ‘e possivel  constatar o quanto Buda foi longe, brilhante e preciso em suas percepcoes. E o quanto sua filosofia – levada a cabo, ‘e para poucos! Seguir o caminho octopus ou mesmo suas adaptacoes posteriores ‘e para minoria! Budismo ‘e um caminho para gente que gosta realmente de pensar, de querer compreender as coisas a fundo, que nao tem medo da verdade e que se propoe a abrir mao do que for preciso, por ela!

Ferias da viagem!

Depois do longo periodo que passamos mochilando, chega a familia do Gui para passar o fim de ano com a gente e nos dar umas ferias da mochila! Do hotel do Leonardo Di Caprio no filme a praia para Resort em Phi-phi!  A familia veio em peso: sogros, cunhadas, co-cunhado e sobrinhos, somavamos nove pessoas. Depois do periodo hermitao Bibi e Gui, agora tinhamos companhia dia e noite. Uma delicia! Depois de tanto tempo, so jantando de vez em quando com algum casal ou tomando vinho com um desconhecido no trem, nada melhor do que estar com a familia da gente.

Hotel do filme!

Junto com a animacao e confusao, veio os hoteis com piscina, o conforto, restaurantes deliciosos, vida de Pel’e! Passamos cinco dias em Phi-Phi, praia paradisiaca, apesar de turistica, linda de morrer. Mar verde forte transparente, peixes coloridos e pedras saindo do mar na tua cara, tipo Halong Bay, so que sem precisar pagar para ver.

A beleza de Phi-phi!

O ano novo foi animadissimo, com shows locais e muitas surpresas. Me senti em casa, pois minha mae quando promove as festas de final de ano na charmosa rsrs Meia Praia faz sempre uma super decoracao nas mesas e paredes e quando a famillia da minha doce Tia Vera do RS esta junto, de quebra se produxem tambem varios “presentinhos” de superticao para os convidados. E nao foi diferente na Tailandia. O hotel estava super decorado, na entrada voce ja recebia uma especie de conjunto supersticioso para te dar toda sorte do mundo, um drink e uma pulseira de flores. Apos os sucessivos shows durante a ceia deliciosa de frutos do mar, o gerente do hotel chamou todos os funcionarios da casa para irem ao palco e agradeceu a todos pelo trabalho e dedicao. E tratou de convidar os turistas que quisessem se juntar a eles no palco e enquanto os funcionarios dancavam soltos, eu e o Gui fomos os primeiros a subir: chegamos pulando, eu dancava como se estivesse literalmente no banheiro de casa… eles adoraram. Apos a empolgacao, fomos curtir o soltar dos baloes, pois cada mesa ganhava alguns baloes para atear fogo. Passado o deslumbre dos baloes, comecamos a ver os malabaris dancando com fogo, que eram meninos jovens vestidos mais ou menos iguais (calca jeans justa e camiseta) e o Pedrinho ia a loucura. Nisso, os malabaris fizeram uma roda de fogo e ficavam passando dentro, bem show. La pelas tantas, ano novo, bebida, voce so via turistas bebados passando no meio da roda, homens e mulheres, depois fizeram uma corda de fogo e la foi o Gui e o Nuno pularem, na verdade se queimarem, porque eles achavam que conseguiriam pular juntos ao mesmo tempo…. Em seguida, um show de fogos alucinante na nossa cabeca, maravilhoso… bom eu tava numa empolgacao sem tamanho!

O AMOR!

Ja quase duas da manha, a Monica e o Clau vao dormir, a Pati, o Pedrinho e o Nuno tambem. Sobra eu, Gui e Gi. Cinco minutos depois surge o Nuno, dizendo que voltou para ficar com a gente…. e a coisa comeca a descambar, bebida daqui, dali, a Gi me abraca e fala torcendo a lingua: “ vamos tomar banho de mar”! Eba, vamos! Eu nunca sou o tipo de pessoa que cai no mar nessas horas, acho que nunca cai no mar a noite, mas viajando, barreiras devem ser quebradas e la fomos nos. Dali um pouco, nao sei bem como, ja estavamos abracadas como uma portuguesa, falando nossa lingua, que tambem nao estava muito bem e caia com a gente no mar… A noite acabou sobre um tronco de arvore, colocado no meio da piscina do hotel, de um lado ao outro, usado pelos funcionarios como show de luta durante a ceia, onde os caras ficam em cima e tentam ver quem ‘e derrubado na agua… Advinha quem estava la? Eu e a Gi, depois Nuno e Gui. Advinhem quem ganhou e se manteve firme ate o final sobre o tronco? Guiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Quando a Gi errou a piscina e caiu no chao, achamos que era melhor irmos dormir. O Nuno como um fantasma, desapareceu, disse: “estou subindo!”, mal deu tempo da gente dizer: “ o que?” e ele ja tinha sumido.

A volta para casa!

Apos essa noite divertida, o dia seguinte foi em silencio, tentando se recuperar em frente ao mar. A Gi se manteve no quarto calada ate o final do dia. Optei por fazer snorkling para ver se o enjoo passava e passou! Dia de descanso, quase sem atividade nenhuma…

Mais belza de Phi-phi!

Quando, no dia seguinte, tive minha primeira experiencia de mergulho, meu batismo. Eu, Gui, Pati, Nuno, Gi e Clau fomos mergulhar. O Nuno e o Gui eram os unicos com curso de mergulho, e todos os demais, com excessao de mim, era o quinto ou sexto batismo. Bom, no comeco, so de ficar no raso embaixo d’agua com aquele tubo na bouca, ja me dava claustrofobia e eu voltava correndo. O professor me olhava com cara de “que trabalho vai ser batisar essa criatura”. No fim das contas, la fomos nos, pegamos o barco, paramos no ponto de mergulho, e sem muito ir aos poucos, o professor pegou na minha mao e ja foi afundando, metro a metro, e deu minha mao para o Gui continuar… e fomos ate chegarmos nos 12 m de profundidade que era o limite do batismo. A sensacao foi diferente, nao dava para olhar muito para cima pois dava vontade de voltar correndo, nao dava para pensar que estava embaixo d agua pois dava ansiedade, na medida que conseguia nao pensar nisso, era uma experiencia muito interessante, que nitidamente da para prever que se torna muito boa com o passar do tempo, voce naturalmente vai adquirindo seguranca, principalmente quando o lugar la embaixo ‘e realmente cheio de peixes coloridos que fazem voce esquecer qualquer realidade diferente da que voce esta vivendo… Quando subimos, eu tinha mais da metade dos meus bares enquanto os outros tinham menos da metade do que eu. Entao, vi que meu controle na respiracao estava sendo digno de uma aluna de yoga. O Gui estava orgulhoso de mim, o sonho dele ‘e me ver em momentos extremamente atleticos! Ele delira! Sabe aqueles momentos que os maridos ao verem a mulher super bem arrumada acham ela a mulher mais bonita do mundo (naquele dia), o Gui tem isso quando estou fazendo algum tipo de esporte, por exemplo, o final de uma caminhada de 8h subindo um morro, suada, de cabelo preso, para ele ‘e o apice da minha beleza! Cansei de ser elogiada cada vez que eu colocava um tenis no p’e: “ nossa como vc t’a bonita hoje…”

Batismo em familia!

Bom, depois de PhiPhi, seguimos para Chiang May, uma das maiores cidade da Tailandia, cheia de templos absurdamente maravilhosos. Nas primeiras visitas, nao conseguia conter minha emocao, num dos templos, fiquei chorando ate o monge me chamar e perguntar se eu estava bem e depois me dar uma breve aula de meditacao, numa tentativa muito limitada, pois nao sabia falar ingles.

Nossa... super a vontade haha!

Costumes diferentes!

Vimos espetaculo de elefante, subi em cima de um deles, tirei foto colocando a mao e depois quase deitando sobre um tigre, levei choque tentando me apoiar no muro que tinha cerca eletrica, vimos as mulheres girafas, com seus pescocos circundados por aquelas argolas douradas, nos esbaldamos andando com os deliciosos tuc-tucs (queria tanto ter um no Brasil), ate chegarmos em Sucothai!

Os templos de Chiang Mai!

Beleza...!

Harmonia....

O que ‘e Sukothai? Uma antiga capital da Tailandia, que guarda ruinas de templos budistas. Ao chegarmos, nos todos alugamos bicicletas e fomos, em familia, conhecer as ruinas. Nem sei explicar o que foi esse passeio, o lugar ‘e magico, as ruinas sao belissimas, uma atmosfera de volta no tempo, de encontro, de Deus, muito boa. O Pedro, resumiu muito bem quando falou a Pati ao final do passeio meio emocionado e inspirado: “ Mae, eu to senti um sentimento que eu nunca senti antes…” , e a Pati: “ ‘e filho, que legal, e como ‘e esse sentimento bom ou ruim?” O Pedro disse: “ nao sei mae, pq eu nunca tinha sentido antes, mas ‘e muito diferente!” Achei tao lindo esse encontro que o Pedro teve com as ruinas. Nao tem como explicar mesmo. Talvez a gente que ‘e adulto possa ate comparar um pouco com o que ja sentimos e nomear a sensacao do passeio, mas prefiro a sabedoria do Pedro e dizer: “ alugue uma bicicleta e conheca Sukothai”.

Sem palavras...

Momento magico!

Uma coisa que mexeu comigo nessa visita da familia, foi ver a Pati e o Nuno com o Pedro e a Luisa. Me deu muita vontade de ter o nosso Pedro e a nossa Luiza. Ficava olhando para os dois boba. O Pedrinho dormiu muitas noites com a gente e cada vez que ele me pedia alguma coisa com aquela vozinha: ” Tia Bibi, apaga a luz, nao consigo dormir”! Eu me derretia. Mesmo adorando ler antes de dormir, um dos meus maiores prazeres de todos os dias, nao me doia fechar a pagina do livro s’o por ter ouvido a voz doce e pura do Pedro me pedindo alguma coisa.

Existe alguem mais lindo?

Nao 'e de morrer de inveja?

O final da viagem foi em Bankok, onde passamos pela Kaosarn Road, a rua famosa dos mochileiros, cheia de roupas de rua super descoladas, que por poucos dolares da pra renovar o guarda-roupa e estar atualizada com a moda internacional.

Mas eu o Gui tinhamos uma missao em Bankok: arrumar o nosso computador que estava ligando so quando queria. E conhecemos um motorista de tuc tuc que fazia o passeio ate a Sony pela bagatela 2,5 reais numa distancia super consideravel, desde que, no caminho parassemos em alguma loja fazendo que estavamos interessados em comprar algo, para ele ganhar seu tanque de combustivel. Meio cansados, mas no animo da economia, paramos num lugar na ida e noutro na volta. Num deles foi minha vez de bancar a artista, queria ver tecidos p/ fazer um vestido de festa e depois o Gui, queria ver precos para fazer um terno. Nesse dia caimos na mao de um indiano, que como tal, ficou azucrinando a gente para comprar, pois acho que percebeu que era golpe pelos nossos trajes de chinelo de dedo. Mas o problema veio no dia seguinte, quando pegamos o mesmo motorista para irmos novamente na Kaosarn Road e numa das paradas numa loja de objetos de decoracao, eu, sem querer, quebrei um vaso de ceramica. Quase sem ar, mas tentando manter a calma para dizer ao Gui que estava voltando do banheiro, ja imendei: “ quebrei um vaso, mas pelo jeito tudo na loja custa no maximo 1500 bats, o equivalente 70 reais, o prejuizo nao vai ser tao grande…” Sabe custava o infeliz do vaso? 180 reais. Queria me arrancar os cabelos. Com esse valor na Tailandia dava para ficarmos 9 dias nos nossos hoteis mais em conta, jantarmos tres vezes num restaurante chiquerrimo, passear de tuc tuc sem parar em loja nenhuma umas 20 vezes, comer 25 pad-thai de rua e a lista nao para por ai vai. Perdemos 180 reais e nem pudemos levar o vaso, estava espatifado no chao!

Mas tivemos momentos super legais, jantamos em restaurantes deliciosos indicados a dedo pela Pati. Aqui vali um parenteses: a Pati ‘e especialista em dicas internacionais de muito bom gosto, agora entendo quando o Gui, em tom de critica, me diz: “ vc ‘e tipo a Pati!”, se referindo as minhas preferencias dos lugares para dormirmos, comermos, etc. Por isso foi bom, atraves da Pati, resgatar minha Pati esmagada pela vida de mochileita. Valeu! Tivemos nosso infeliz momento no Pingue-pongue na zona, conhecemos o Palacio do Rei, onde alem de palacio, ‘e cheio de templos incrivelmente belissimos, minuciosamente perfeitos e detalhados, mas muito turistico (se tirasse todos os turistas que visitam la por dia, o lugar seria nao so lindo, mas magico). Passeamos de tuk-tuk, de barco, e de carro normal. Para ir ao palacio do rei, por exemplo, que fica numa outra parte da cidade, so de barco. Tivemos um momento “atracao para turistas”  quando voltavamos da Karsan Road, pois entramos em oito num tuk-tuk, que ‘e ideal para tres pessoas, pois ‘e basicamente um triciculo e varios turistas filmaram e tiraram fotos nossas.

Visual de dentro de um Tuk-tuk!

Gui, motorista, eu, Pati, Monica, Nuno, Pedro e Luisa!

Num dos varios templos do Palacio!

Tivemos dois jantares em familia, um so com a Pati e o Nuno e outro so com a Monica e o Clau para conseguirmos nos despedir de verdade deles, ambos foram muito bons. Eles deixaram saudades! Estavamos precisando de familia, de encontro, de mesa cheia, de bagunca, de rizada coletiva, de conversas agradabilissimas e de interacao. Levaram junto as ferias da mochilagem, mas sobrou muitos shampoos, sabonetes e hidrantantes de hoteis deliciosos para lembrarmos!