Chegada da Jami!

Mal o João e o Marco saíram e recebemos nossa segunda ilustre visita – minha querida amiga Jami. Conheci a Jami em 2006 numa pós-graduação e desde lá nos tornamos grandes amigas. A Jami é uma daquelas amigas meio superdotadas que tenho, ao lado da Malu, talentosíssima, 10 em tudo e que tem um caráter de tirar o chapéu.

Quando voltamos da nossa primeira viagem a Jami nos recebeu em sua casa com uma comida mexicana deliciosa, e nos acolheu muito bem, quando eu e o Gui nos sentíamos “um pouco” (imagina!) perdidos. Nesse dia, conversamos muito sobre a viagem e as aprendizagens. A Jami foi uma das poucas pessoas que conversamos mais profundamente sobre a viagem, e ali, maravilhada com o nosso jeito pós-viagem, ela disse que se encontraria com a gente, e como vocês já podem supor, se a Jami diz, está dito. Combinamos que na nossa próxima viagem ela nos encontraria em alguma parte, e decidimos juntos que seria a Índia. Ela delirou!

Quando a Jami chegou, pouco mais de 24 horas depois que o Jony e o Marco foram embora, nós estávamos exaustos, pois o Paquistão foi uma viagem difícil em termos de transporte (claro não para o Gui, mas para mim). Muitas curvas, estradas esburacadas e como tínhamos o visto somente de 30 dias e tínhamos que chegar a Délhi a tempo dos meus irmãos pegarem o voo para o Brasil, tivemos que apressar o passo ao longo do Paquistão.

Como a Jami estava com um fuso forte na cabeça, já que o voo dela atrasou e ela encontrava-se há 36 horas na função para chegar até a Índia, aproveitamos todos para descansar. Logo que a buscamos no aeroporto de autoricksha (é claro!), ela olhava para fora e dizia: “caramba, isso parece um filme, estou encantada, obrigada por me receberem com vocês”. E seus olhos brilhavam vendo a Índia, emocionada. Ali percebemos que a Jami tinha alma de viajante, porque ao invés de ficar olhando para as sujeiras das ruas, e fazendo comentário de como eles vivem assim e blábláblá, ela ia logo se maravilhando com a experiência única que alguém pode sentir, quando pela primeira vez, experimenta estar “num outro mundo”. E para quem tem mais sensibilidade, isso se torna tão maior que a sujeira, que não dá para ficar se limitando em olhar para o chão.

Conversamos bastante e a Jami apagou no quarto do hotel. Batemos na sua porta para acordá-la mais perto do final da tarde e, fomos ao Golden Temple, que é claro, arrebentou!! A Jami estava perplexa com a beleza dos Sikis (devotos da “religião” sikki), que coitados, direto são confundidos com muçulmanos por causa do turbante no Ocidente, e muitas vezes matam os inofensivos Sikis achando que são terroristas. Quanta ignorância!

A beleza do templo a noite.

A beleza do templo a noite.

A vida dentro do templo.

A vida dentro do templo.

De Amristar pegamos um trem para Jamu, e ficamos apenas um dia nesta cidade feia e caótica, cheia de templos hindus, mas não valia muito a pena. Dormimos num hotel estranho, e a noite houve muitos trovoes, e eu senti bastante medo, aquela cidade estava bem esquisita. Os templos da cidade estavam sendo meio alvo de uns muçulmanos extremistas, e estávamos um pouco apreensivos de estar ali. A Jami disse que se assustou também com a cidade e dormiu mal.

Pegando o trem!

Pegando o trem!

No trem.

No trem.

Nossas samusas no trem.

No dia seguinte, logo cedo, pegamos um share-taxi e seguimos para Kashimira. Nossos companheiros de carro eram interessantíssimos (um sikki, um muçulmano e dois quatro hindus), e dividimos com eles todas as nossas comidas. Por sinal, no Oriente não tem essa do MEU pacote de bolacha, todo mundo oferece tudo ao vizinho e, se você oferecer, também ninguém fará cerimonia (como muitas vezes fazemos com desconhecidos), eles aceitarão na hora e comerão algumas bolachas…

Nesse dia, esperando no táxi, enquanto tomávamos um chay numa rua decadente, surgiu uma vaca com a mandíbula quebrada, a mandíbula dela estava solta, a vaca era deficiente. Ela caminhava arrastando aquela mandíbula presa a um feixe de pele. Eu e a Jami ficamos chocadas olhando para a vaca. Na Índia já vimos muitas coisas, mas vaca com a mandíbula pendurada era realmente uma novidade. Esse costume de sacrificar o animal que nós temos, não precisa nem dizer que não acontece em terra hindu.

A cidade.

A cidade.

Nossos companheiros do taxi comunitario.

No caminho.

No caminho.

Quando chegamos a Kashimira depois de 16 horas de viagem, ficamos chocados com a beleza do lado Dhal e seus barcos-casas. Fomos logo pegando um barco-casa de um cara muito insistente, porque estava num preço muito bom, e apesar do nosso barco ser num lugar lindo, e ser muito aconchegante e com cara de casa de vó, era um dos mais pobrinhos do Lago.

Nosso barco-casa!

Nosso barco-casa!

Largamos as malas e vimos o sol se pôr ao som das inúmeras mesquitas e de todo comércio que acontece sob o lago. Tem farmácia, mercado, transportes, vendedores… tudo sob palafitas. Ficamos maravilhados com aquela experiência mágica de estar no lago ao som estridente de todas as mesquitas, vendo todos aqueles vendedores ambulantes passando com suas canoas, e os locais remando até em casa. Acho que foi um dos lugares mais incríveis de toda a viagem.

Lago Dhal.

Lago Dhal.

A Jami estava emocionada e nós também! Ninguém mais queria sair mais daquela “sacada” do barco… Ao fim do som das mesquitas e do silencio da oração em comunidade, o Sr. Gulmon serviu nossa comida bem caseira e fresca preparada por ele. Conversamos bastante sobre a vida, a viagem… e fomos dormir. Antes de dormir, tomamos um banho, tinha até banheira no quarto, mas a água era meio verde e fedida, mas nada que não pudesse fazer nos sentirmos limpinhas depois, e dormir maravilhadas com a experiência de estar sob o gloriosíssimo Lago Dhal.

A vida no lago que contemplávamos da sacada do nosso barco-casa.

A vida no lago que contemplávamos da sacada do nosso barco-casa.

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