O paraiso nas montanhas!

De Marivan seguimos para Howrama, uma pequena vila tipica pendurada nas montanhas, que prometia ser um lugar maravilhoso. Como o petroleo ‘e muito barato por aqui, pegamos um taxi  exclusivo para chegarmos ate la, podendo assim parar ao longo do caminho para tirar fotos. Não sabiamos direito onde poderiamos ficar, já que nosso guia dizia não ter hoteis no vilarejo, enquanto  nosso motorista dizia que sim.

Ao chegarmos, nosso motorista estava certo, havia um único hotel de frente para as montanhas. O lugar era magico e belissimo, o  mais lindo que eu já fui de montanhas. Tinha um rio que cortava o vilarejo la em baixo, montanhas imponentes de pedra, e muito verde no vale ao longo do rio. Voce ficava sem saber para que lado olhar. E um silencio ensurdecedor.

Mas antes mesmo que nos pudessemos nos recompor da surpresa pelo lugar, chegaram alguns iranianos-kurdos super simpaticos pedindo para tirar fotos com a gente. Tiramos algumas e eles já nos convidaram para almocar. Agradecemos, eles insistiram, e la fomos nos largar rapidamente as bagagens no hotel e fazer check-in.

O menino carregou minha mala ate o quarto com a gente e já foi logo tirando um bone de inverno bem bonito que ele usava e nos dando de presente. Nos agradecemos e insistimos para que ele ficasse com o seu bone, mas ele nos pedia para aceitarmos seu presente e ter uma recordacao dele. Imagina, o almoco não tinha ainda nem comecado… E pelo jeito, ‘e tradicao dos iranianos quererem lhe dar algum presente para voce se recordar deles.

Do hotel entramos num dos sete carros da grande familia, entre primos e tios, e paramos num visual escandalizante no topo da montanha para fazer um piquinique. Os iranianos são obssecados tambem por piquiniques.

Logo estenderam seus tapetes, formaram uma bela roda, prepararam o chay, enquanto cozinhavam o kebab. Nos fomos os primeiros a ser servidos, claro. Ficamos conversando e tirando fotos ate a comida ficar pronta. Era um cuidado e uma atencao com a gente impecavel. Depois, fomos os primeiros a serem servidos de comida, o prato era o mesmo de sempre por aqui: kebab de frango, arroz com um pouco de assafrao no topo e umas frutas secas (eles sempre guardam aquela parte queimada do arroz que fica no fundo da panela, e deixam juntos no prato de arroz, que ‘e considerado o file mignon), e para beber o mesmo iogurte estranho ou coca-cola iraniana, de sobremesa melancia.

Vejam o tamanho da familia!

Fim do piquinique, a matriarca da familia gostou muito de mim, uma senhorinha muito simpatica, entao resolvi dar para ela de lembranca um escapulario, pois ela tinha ficado enlouquecida com minha estatueta da Nossa Senhora que tinha na bolsa. Ela não sabia o que fazer de tao feliz. Quando foram nos deixar no hotel, ela foi numa loja e comprou um colar tipico para mim da regiao, muito bonito.

As mulheres da familia com a matriarca!

Na hora da despedida, filas e filas de carros, abracos e mais abracos apertados (entre mulheres e  homens nem um aperto de mao, so um gesto com o corpo sem contato fisico). Eram sete carros com todas as familias buzinando e abanando para gente, um aue. Uma cena emocionante. Parecia que eramos amigos a vida inteira. Ate brinquei com o Gui  que nossa despedida no Brasil não chegou nem aos pes dessa!

Depois que o pessoal foi embora, fomos para o quarto descansar, já eram quase sete horas da noite. Um silencio absurdo no lugar e de fundo o barulho do rio la embaixo. Um ar fresco e puro. Nada de cheiro de cidade, muito bom.

No dia seguinte, fomos caminhar pela vila para conhecer um pouco da rotina dos moradores. Como a vila ficava cravada nas montanhas, eram varios labirintos para cima e para baixo. Resolvemos ir para cima, onde ficava o comercio local. Passamos por uma ruazinha de pedras muito bonitinha onde fica o “centro comercial”. Essa rua bonitinha ‘e chamada Little Paris. Forcando um pouco a barra da ate para chamar.

Little Paris!

Logo escutamos a chamada da unica mesquita e fomos ate la para conhecermos os moradores. Foi batata! Os homens comecaram a sair de suas casas e comercios e subir para rezar. O kurdo da montanha, alem de usar aquele modelo tradicional de roupa, tambem usa um casaco de la com umas ombreiras feitas de osso de vaca e uma bengala. O conjunto fica demais. Todos iam subindo em silencio, passavam por nos, nos cumprimentavam com o tradiconal: “salam ale kum” e seguiam. Ficamos ali contagiados com a calmaria do lugar e o dia a dia das pessoas.

Sa'ida da mesquita!

Chegando em Howrama!

Logo aproveitamos para desbravar tambem a natureza ao redor e conhecer melhor a vila, mas tudo exigia um bom preparo fisico. Fomos ate o rio la embaixo, aproveitei para escondido tomar um banho de roupa, o rio era extremamente gelado, mas delicioso. Revitalizante!

Depois que as roupas secaram, porque o sol era bem forte, fomos passear ao redor do rio e chegamos num lugar onde as maes e os filhos pequenos faziam piqueniques no final do dia,bem ao lado do rio. Em seguida voce via os filhos saindo da escola la em cima e descendo correndo para se juntar aos piqueniques. Ficamos ali paralizados com a vida pura de Howrama! Ja subir depois de volta foi de matar. Quase uma escalada. Chegando no hotel aquela sensacao impar de serotonina com vida  no campo que não tem preco.

O que voces acham do lugar?

Nao tem banho melhor que de rio.

 

Mais tarde descemos para jantar no restaurante do hotel, o único restaurante da vila, e não conseguiamos nos comunicar. Pedimos para irmos ate a cozinha e eles nos mostrarem o que tinham, já que o cardapio era em farsi e eles neem arranhavam o ingles. Nisso, um grupo de iranianos chegou e uma das meninas viu a situacao e pediu o que precisavamos. Falamos que gostariamos de entender o que tinha para comer. Ela tratou de comecar a traduzir a conversa e logo fizemos o nosso pedido.

Fim das contas, tratavam-se de dois casais de Tehran, que vieram passar o feriado em Howrama. Comecamos a conversar e eles eram muito bacanas. Vimos que eram iranianos modernos, bem diferentes de todos os que tinhamos conhecido ate ali.

Passado um tempo, nos convidaram para ir ate a casa que eles alugaram no alto da montanha, para tomar alguma coisa. Chegamos la, tratava-se de uisque, vodka, etc. No Ira ‘e proibido beber, entao a bebida vem ilegal pelas fronteiras e se paga bem caro por isso. Como ‘e mais caro e mais arriscado para comprar, voce nunca vai ver um iraniano com cerveja, ele sempre já vai direito no uisque, ou coisa assim, porque não vale a pena o risco por uma cerveja…

Bom, a noite foi muito engracada. Demos muitas rizadas, conversamos sem parar, eles querendo saber da nossa vida e a gente da deles. O litro de uisque foi rapidinho, mas eu e o Gui bebemos muito pouco. Uma das meninas não bebeu. Nunca experimentou bebida na vida. Disse que não sente vontade! Parte por seu proprio estilo, parte pela religiao.

Um casal era Somaye e Payam, ela diretora de cinema ele artista plastico; o outro Ramona e Abbas ela engenheira industrial e ele bussiness man. Os casais eram bem diferentes um do outro. Acho que já da para perceber pelas profissoes. Basicamente o primeiro fazia o estilo pos-moderno (preza a liberdade, mas gosta do tradicional e de certos valores morais, etc) e o segundo moderno puro (liberdade + liberdade +liberdade, não existe certo e errado e bla bla bla).

Fim das contas, trocamos telefones e prometemos ligar para eles quando fossemos para Tehran. E claro, o convite para ficarmos na casa deles estava feito. So apenas um pedido: se fosse possivel,  que fossemos no fim de semana, para eles poderem realmente aproveitar com a gente. Saimos de carona com eles de la, som alto e rizadas extravagantes, me senti na volta de uma balada. Chegamos no hotel empolgados para ve-los de novo, intu’iamos que Tehram com eles prometia!!

A Tchurma!

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Norte do Iraque

De Diabarkir seguimos para uma cidade chamada Dohuk, no Kurdistao, mas agora Iraquiano. Eu nao estava entendo direito para onde estavamos indo. O Gui insisitia em falar dificil desse tal Kurdistao, que foi dividido em partes, e que agora nos estavamos indo para unica parte autonoma. No caminho da fronteira comecei a perguntar mais e mais e a coisa foi ficando clara, parece que estavamos indo para o norte do Iraque.

Ao passar pela fronteira, duas bandeiras enormes do lado de fora, uma do Iraque, outra do Kurdistao Iraquiano. Naquele momento eu olhei para o Gui e disse: “nos estamos no Iraque?” Eu ria de nervosa. Toda aquela fantasia que a gente tem de bombas caindo para la e para ca, era o que me vinha na cabeca. Por outro lado, ja tinhamos nos enfiado em cada buraco juntos, e que nunca eram tao buracos como a gente pensava, que sentia uma certa tranquilidade, tipo “ ok, ‘e o Kurdistao Iraquiano, nao o Iraque”. Mas enfim, o presidente ‘e o mesmo…

Fomos muito bem recebidos na fronteira e recebemos um chay de boas vindas. No caminho passamos por algumas barreiras de exercito com suas barricadas de areira, ate entrarmos em Dohuk. Super amistoso. Por la, o kurdo que dividia o carro com a gente não conseguia compreender que poderiamos procurar hoteis sozinhos, como sempre fizemos, e insistia em nos deixar num hotel. Mas como ele não falava nada vezes nada de ingles, rodamos um monte, porque ele não entendia o nome do hotel que queriamos ficar e nem que poderia nos largar numa esquina qualquer no centro, que encontrariamos um. Fim das contas, quando chegamos no hotel que tinham nos recomendado, o hotel era podrasso, mas preferimos dizer que estava bom, para não continuarmos rodando com o kurdo pela cidade.

Tivemos que apelar para o lencol reserva que guardamos na mala para emergencias – hoteis sujos. Quando fui ligar o chuveiro, so agua gelada e não saia agua, so da torneirinha de baixo que fica acoplada. Comecei a me irritar, pois afinal, o cenario era desconfortante. Estava no Iraque, num hotel sujo de centro e sem ter como tomar banho direito. O Gui sentiu que o clima tendia a ficar muito pesado para o lado dele e comecou a esquentar agua numa especie de chaleira eletrica que compramos para chas e cafes e jogar numa bacia que tinha ao lado do chuveiro. Depois de meia hora esquentando chaleira por chaleira, deu uma bacia de agua cheia e consegui tomar banho. Antes de fechar os olhos disse para o Gui num tom bem impositivo: “amanha vamos para outro hotel, ok?!”Ele entendeu, e dia seguinte nos mudamos para um hotel mais caro, mas infinitamente mais confortavel, limpo e que dava uma sensacao mais acolhedora, tratando-se do fato que estavamos no Iraque.

Fomos entao caminhar pelas ruas e a sensacao foi de “sim, mais do que nunca nos estavamos viajando”. Mercados de rua, mulheres cobertas, homens kurdos com sua roupa tipica, uma especie de calca de magico com um cinto colorido e um blaiser por dentro do cinto e turbante na cabeca, muito legal. Outra coisa que se destacava eram os fios de luz, um emaranhado de fios atravessando hoteis, casas, ruas. A sensacao era de que a qualquer momento poderia haver um curto circuito e seria um grande desastre. Paramos para tomar chay algumas vezes, mas estranhamos que mesmo vendo quase nenhum turista, quase nem um local vinha falar com a gente. Pareciam fechados.

Imaginem um curto circuito por aqui?

 

A noite quando fomos jantar, estavamos perdidos procurando um lugar para comer, quando um jovem de cabelos ao estilo Elvis Presley apareceu nos mostrando um bom restaurante. Ele gostava de ser chamado de Hollywood e sonhava em morar no USA. Tinha aprendido ingles com os soldados americanos. E contava que os kurdos em geral gostavam muito dos americanos por terem libertado eles das garras do Sadam Russein e controlado melhor a situacao no Iraque. No dia seguinte fomos comer no mesmo restaurante, quando no meio do jantar, se aproximou de nos um senhor simpatico. Depois de longo papo descobrimos que ele era padre e tinha vindo ao Iraque para dar apoio aos cristaos em perseverar por sua fe, ja que aqui sao minorias. Um senhor maravilhoso e de muita disposicao. Tinha 75 anos, viajava sozinho, ficava em hoteis mais simples que os nossos e se arriscava indo a cidades no Iraque como Mosul, que hoje ‘e uma regiao de conflito. Contou que nesta tentativa, conseguiu andar 3 quadras e foi deportado pela policia iraquiana, pois seu visto era somente pela regiao do Curdistao.

Nos e o Hollywood!

De volta para o hotel, o Gui resolveu caminhar mais um pouco e eu entrei sozinha. Quando cheguei, o recepcionista da tarde já não era mais o mesmo. Pedi a chave do quarto e subi. Alguns minutos depois o recepcionista bateu na porta e me deu uma sacola com garrafas de agua (nos hoteis por aqui, agua ‘e de graca). Agradeci e fechei a porta. Minutos depois ele ligou perguntando se eu queria chay, na verdade ele não falava nada de ingles, dizia so: “chay, chay….!”, eu disse: “yes, yes…” Chay tambem era de graca nos hoteis, entao estava aproveitando tudo que vinha.

Dali um pouco uma bandeija bonita, com uma xicara, um bule e acucar. Agradeci, quando estava fechando a porta ele disse: “You are so beautiful”. Eu ohei assustada, agradeci seria e fechei a porta. Fiquei paralisada na cama com um pouco de medo, apesar de ver que o cara era menos perigoso que uma mosca e tinha cara de super do bem. Dali uns minutos, toca o telefone e ele diz: “Sorry sorry madame, but I love you!” Eu comecei a tentar dizer que ele não podia falar aquilo porque eu era casada, e para olhar meu passaporte com o do meu marido na recepcao, mas ele não entendia nada. Falava: husband? What ‘s husband? E dava pra ver que não era mentira, ele so repetia a palavra porque eu estava citando varias vezes.

Fim das contas, o Gui chegou e contei para ele. Disse para não pegar pesado pois o cara era do bem, mas so para ele aprender e não fazer mais isso com outras turistas. Afinal para ele, eu era ate entao, uma moca ocidental (ou seja, que vive em paises onde a liberdade sexual ‘e total), sozinha num hotel. Era a oportunidade da vida dele, já que por ali, eles não tem nenhuma liberdade nesse sentido. Tanto que homens caminham de maos dadas, abracados, se acariciando, e nem passa pela cabeca a palavra gay, são realmente so amigos.

Bom, o Gui com seu sangue latino somado ao seu signo sagitariano + dragao de fogo no horoscopo chines e sua carreira com lutas marciais, desceu as escadas literalmente como um dragao, eu so pensava: “coitado do cara, pois connheco o marido que tenho”.

Não deu outra, o Gui assustou tanto ele dizendo que ia falar com a policia, que o cara se ajoelhou e beijava os pes dele e pedia em nome de Alah perdao. Eu queria muito ter visto essa cena. O Gui voltou chocado e meio rindo para o quarto com pena do cara. E falei pro Gui voltar la e dizer que não ia contar para a policia e que perdoava ele, porque imaginava como estava a consciencia do cara anquela hora, pois dava para ver que ele era super injenuo. Dali uns minutos, ele bate na porta do quarto, quando o Gui abre, ele se joga de novo nos pes do Gui e beija sem parar. Pede para falar comigo e pedir perdao tambem para a “madame”. O Gui, como um bom machao, diz: “ não, voce deve pedir para mim, eu sou o marido.” Fiquei nervosa com toda a historia, mas foi muito engracado e o cara tadinho, era realmente do bem!

Dia seguinte seguimos para Erbil num taxi comunitario.Um dos passageiros era iraniano e comecamos a arranhar um farsi com ele. Ele já comecou a mostrar a hospitalidade iraniana antes mesmo de chegar no Ira. Ligou para um amigo que falava ingles e colocou ele para falar com a gente. O tal amigo perguntava para onde estavamos indo e em que hotel ficariamos. Dificil de explicar que a gente se virava e tudo mais. Enfim, o iraniano desceu na proxima cidade, mas deixou bem explicado para o taxista onde ficariamos e em que hotel.

Ao chegar na cidade, o taxista nos deixou com outro taxista local e não explicou onde queriamos ir. Existia uma atracao principal na cidade que era a “ citatel”, a cidade antiga murada que ficava no centro da cidade. Entao chegamos para o taxi e dissemos: “citatel!” E ele não entendia do que se tratava. Entao falamos: “city center”. E ele não entendia tambem. Comecamos a ter um certo trabalho desde que saimos da Turquia com a comunicacao… eles não entendiam nada alem de taxi, hotel and bus. Nem good and bad, nem center, nada nada. Enfim, rodamos um monte e o cara nos levou numa pizzaria para falar com uma pessoa que arranhava um ingles. O Gui explicou para o cara e ele tambem não entendia o que era city center ou citatel, quando o Gui avistou placas nas ruas escrito citatel e apontou para o cara. O cara disse: “Kalah!!!”. E a gente disse, exatamente: “Kalah”. Não adiantava escrever, eles tambem não entendiam nosso alfabeto. Foi um sufoco e muito engracado. Fiquei imaginando alguem chegar em Curitiba e pedir pela Wire Oper house para um taxista com um sotaque bem estranho se não aconteceria o mesmo problema.

Depois do sufoco, e quase uma hora caminhando achamos um “hotel bem mais ou menos” no centro. Dia seguinte paramos para tomar um suco de banana (agua com banana mesmo), super estranho, quando vimos aquela cena classica do World Trade Center caindo, perguntei ao moco do suco o que estava acontecendo e ele mostrou com a mao passando pelo pescoco e falou “Osama”. Eu disse: “Osama died?”, fazendo o mesmo gesto e ele disse, yes. Eu quase pulei de alegria e automaticamente me ocorreu um aumento de seguranca na hora, um certo “agora estou mais tranquila aqui no Iraque”, e logo em seguida olhei para o lado com medo de repreensao, bem coisa de ocidental ignorante, como se por aqui as pessoas fossem amar o Osama e estar no Oriente Medio, nao importando aonde, era estar do lado da Al Queda. O cara comemorou comigo e muitas pessoas na rua falavam felizes. Pelo jeito o Osama era amado somente pela Al – Queda e seus familiares.

Ainda antes de ir para o Ira, fomos ate Halabja, cidade onde Sadam Russein fez um terrivel ataque com armas quimicas contra os kurdos. O objetivo era acabar com esta etnia. No museu onde ficam expostas as fotos do ataque, muitos dos funcionarios sao sobreviventes. Eles contam que as armas quimicas tinham cheiros diferentes, as vezes de maca, outras de alho ou cebola. Apos jogadas no ar, a agua dos rios ficava contaminada, e quando as pessoas iam beber, morriam, especialmente criancas, mulheres e velhos eram as maiores vitimas, porque alguns homens e jovens conseguiam correr. Alguns, para tentar fugir, seguiam pelas montanhas ate a fronteria do Ira, deixando para traz os familiares. Nao houve tempo de pegar comida ou agua, e muitas pessoas morreram nas montanhas. Esse episodio marcou muito o passado dos kurdos e ‘e possivel encontrar muitos sobreviventes relatando as historias. Todos tem um verdadeiro pavor do Sadam e se sentem muito gratos aos americanos e alguns paises europeus que enviaram comida no tempo que passaram nos campos de refugiados no Ira, ate poder voltar para casa.