Leh – o Tibet da India!

Negociamos no centro um taxi comunitário que sairia bem cedinho no dia seguinte para Leh, nosso próximo destino. A Jami estranhou muito nossa negociação. Fomos ao centro, encontramos um grupo de taxistas que faziam esse trajeto, perguntamos o valor, negociamos e combinamos o horário dele passar nos buscar dali dois dias. A Jami perguntava: ” mas vocês confiam que ele irá nos buscar?” e a gente dava rizada, porque o fio no bigode aqui funciona muito bem. Viajamos o mundo assim.

Dois dias depois acordamos cedo e deixamos o nosso barco-casa e voltamos a terra firme esperar nosso táxi. Ali aguardando, os tres estavam tristes olhando para o gloriosíssimo Lago Dhaal sabendo que era hora da despedida. Uns 30 minutos depois, chegou nosso táxi com cinco passageiros.

O lago Dhal coberto...

O lago Dhal coberto…

No caminho fui percebendo que o motorista era muito barbeiro, e a estrada muito ruim, sem acostamento e com uns penhascos absurdos, que se despencássemos de lá, nao haveria chance nenhuma de sobrevivencia. Começei a ficar nervosa e pedi para ele prestar mais atenção. O Gui ficou um pouco com vergonha de mim. Mas eu fico muito indignada quando vejo descuido com a vida.

Aos poucos a estrada foi melhorando e não havia mais penhascos. Caso capotássemos tínhamos grandes chances de sair com vida, isso foi me tranquilizando… No caminho fomos passando por cidadezinhas nas montanhas absolutamente paradisíacas, inesplicavelmente lindas, que moraria em cada uma delas agora. A região é simplesmente espetacular e ainda não havíamos chegado em Leh.

Cidadezinhas no caminho.

Cidadezinhas no caminho.

Só chegamos a noite, saímos 06h00 de Srinagar e colocamos o pé em nossa pousada as 23h30, estavamos mortos e mau humorados. Já não conversávamos, latíamos.

No outro dia quando acordamos fiquei apaixonada polo lugar, muito mais parecido com o Tibet do que com a India, parece que voce está em solo budista. E de certo modo está, se não fosse os chatos dos kashimires tentando vender alguma coisa, enquanto os indianos tibetanos, nem te atendiam quando voce entrava nas lojas, precisando insistir para comprar…

Leh é incrível, por tudo. Pela cidadezinha, pelas montanhas, pelo clima, pelo astral do lugar.Já está um pouco turistico demais, mas não perde o charme do lugar.

Nas ruas.

Nas ruas.

Vendedora de tomates.

Vendedora de tomates.

Nas ruas.

Nas ruas.

Fizemos um trekking um dia pelas montanhas rochosas aos arredores de Leh, e eu passei um pouco mal pela altura. Dormimos na casa de uma família no meio do nada, em uma vila paradisíaca, inesquecível.

Foi muito bom conhecer e conviver com a família que nos hospedou, seus costumes, sua alimentação, suas rezas, sua vida. A Jami ficou maravilhada. Eu também. Me emocionei várias vezes.

A caminho!

A caminho!

Na vila.

Na vila.

A casa onde nos hospedamos.

A casa onde nos hospedamos.

No topo da vila.

No topo da vila.

Foi maravilhoso voltar pelas montanhas, se não fosse minha dor por mais uma daquelas infecções alimentares que de vez em quando acabo pegando na viagem. Mas que valem cada buscopan pela aprendizagem.

Depois de alguns dias na região, voltamos de avião para Delhi, pois a estrada que ia até Manali já estava se fechando, e não conseguiríamos chegar em Delhi por terra.

De Leh para Delhi foi como chegar do silencio para o barulho, mas como tínhamos escolhido um hotel longe do centro, em um bairro de refugiados tibetanos, nos sentimos em casa. E a Jami continuava emocionada. Agora com Delhi!

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Kashimira!

Os dias seguintes sobre o lago Dhal foram especiais e cheios de surpresas. O filho do Sr. Gulmon, que surgiu em nossa frente quando descemos de nosso táxi comunitário após 16 horas de viagem, e que com muita insistencia nos convenceu a ficar no barco de seu pai, com o passar dos dias se tornou um amigo…

Em nosso barco-casa.

Em nosso barco-casa.

Sr. Gulmon, dono do barco.

Sr. Gulmon, dono do barco.

Dentro do barco.

Dentro do barco.

Passeamos com ele por muitos lugares, almoçamos em restaurantes típicos, fomos ao centro, as mesquitas, aos templos, e nos perdemos olhando para a beleza de Srinagar, e principalmete, para as pessoas que surgiam para conversar.

Jami, nosso amigo e Gui

Jami, nosso amigo e Gui

Arquitetura típica.

Arquitetura típica.

Nas ruas.

Nas ruas.

Comidas de rua.

Comidas de rua.

Mesquita.

Mesquita.

Caminhar pelo centro de Srinagar e arredores tem uma atmosfera especial. É diferente de toda a India. Além de ser mais limpa e fresca (por ser região montanhosa), a cidade é muito bela. Há um toque muito mais muçulmano que hindu, já que estes são a maioria por ali.

Lago Dhal, não é incrível?

Lago Dhal, não é incrível?

Os passeios sobre o lago eram os melhores, e sempre tinha algo surpreendente para conhecer e ver na comunidade sobre palafitas que ali vive. O mais especial foi um dia que fomos convidados para um casamento muçulmano que ocorria ao lado de nosso barco. Foram dois dias de preparação e tres de festas. Mulheres para um lado, cantando e arrumando a noiva, homens para o outro matando carneiros e preparando a comida.

Uma tenda foi montada para receber todos os convidados. Do outro lado do lago estava a festa da família e amigos do noivo, já que primeiro eles festejavam lá, para depois os noivos se encontrarem do lado de cá, no ultimo dia, na tenda da esposa, deixando todo um gostinho de suspense. Acabamos sendo tiradas para dançar, e foi divertido, eu a Jami no meio da tenda. O dançarino era um homem que dançava meio sexy e de forma engraçada, e os convidados riam muito.

Preparativos.

Preparativos.

Mulheres cantando com a noiva durante os preparativos.

Mulheres cantando com a noiva durante os preparativos.

Mais preparativos.

Mais preparativos.

Nos esbaldamos com as opções de kashimiras no centro, e achamos um lugar barato para comprar uns chales direto da fabrica, o que trouxe alegria para nossa alma feminina. Graças ao nosso amigo.

Depois de alguns dias em Srinagar, com o coração apertado fomos embora. Nosso próximo destino era Leh. Sem dúvida a Kashimira foi um dos lugares mais incríveis que conheci na India.